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Câmara de Belém: clientelismo que conspira contra o eleitorado humilde. |
O que a maioria dos vereadores de Belém
decidiu, votando contra a redução salarial, foi preservar a pilhagem ao erário, sem nenhuma concessão ao decoro.
Blindou-se a partilha do butim, preservando o clientelismo, a deletéria troca de favores entre quem detém o poder e quem vota. Essa prática é
tanto mais nociva porque alcança, predominantemente, o eleitorado mais humilde,
carente de tudo, inclusive e principalmente da proteção do Estado, frequentemente
vivendo no limite da miséria pura e simples. É quando despontam os políticos
inescrupulosos, que se valem do dinheiro público para financiar o
assistencialismo eleitoreiro, que acaba por fixar o eleitor na miséria, ao
invés de ajudá-lo a dela se livrar. Como Justo
Veríssimo, grande parcela dos nossos políticos – nela inclusos os
vereadores de Belém que votaram contra a redução salarial - deve repetir, no
resguardo da intimidade, o bordão do personagem celebrizado pelo inesquecível
Chico Anysio, na sua magistral sátira aos políticos inescrupulosos: “Eu quero é
que o povo se exploda!” A carência, afinal, é uma fonte inesgotável do voto de
cabresto, determinado pela dependência do eleitor em relação aos eventuais
favores do candidato no qual é compelido a votar, para poder ter um mínimo
daquilo que é seu por direito, mas que os inquilinos do poder e seus prepostos
lhe usurpam.
Na notícia sobre
a decisão da Câmara Municipal de Belém, o G1/Pará também revela que a economia
com a redução salarial do vereadores poderia permitir, por exemplo, a compra de
175 ambulâncias básicas
para o Samu, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência. Ou mais
de 80 UTIs móveis para o município, as ambulância
que dispõem de todo o equipamento que pode ser encontrado numa Unidade de
Terapia Intensiva tradicional,
acrescenta a reportagem. Por isso, soam repulsivas as justificativas dos
vereadores Pio Neto, do PTB, hoje um simulacro do que foi originalmente o
Partido Trabalhista Brasileiro, e Meg Barros, do PROS, o Partido Republicano da
Ordem Social, legenda para a qual migrou, depois de eleita pelo PSol, o Partido
Socialismo e Liberdade. Neles deve-se louvar a coragem pelo cinismo capaz de
corar anêmico, exibido desabridamente, mas coerente com os antecedentes de
ambos.
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