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domingo, 12 de outubro de 2014

CÍRIO – Que a chama da fé ilumine a todos nós

Procissão do Círio de Nazaré: a pororoca de devotos, iluminados pela fé.

        Que a chama da fé, que move a pororoca de fiéis que tomam as ruas de Belém na procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, ilumine a todos nós na luta por justiça social, que se expressa na efetiva determinação política de conciliar o socialmente justo com o orçamentariamente possível. Não se trata, diga-se, de desconhecer as desigualdades próprias à natureza humana, mas de aplacar as desigualdades sociais que são acrescidas às diferenças naturais e biológicas.

        Que essa portentosa manifestação de fé, expressa pela multidão de fiéis, não nos deixe resvalar para o êxtase improdutivo e que em lugar deste se materialize, em cada um de nós, a disposição em amar o próximo como a nós mesmos, o desafio diário do homem que sabe que não é Deus.

sábado, 12 de outubro de 2013

CÍRIO – Pausa na atualização do blog

        Para poder usufruir em tempo integral da companhia da minha família, na esteira das comemorações do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, ficarei ausente nos próximos dias, para retomar a atualização do blog a partir de terça-feira, 15.

        Um feliz Círio é o que desejo a todos, com os quais compartilho a aspiração de justiça social, condição sine qua non para a construção de um novo homem e de um novo Mundo.

CÍRIO – Um ar de Círio nas ruas de Belém

A imagem da santa, com seu novo manto: fé contagiante.

LAURA ROSA PINTO DE ALMEIDA*

        Mais um Círio! A festa dos paraenses, como é também conhecido. Pelo ponto de vista de quem não nasceu aqui, mas acredito que para quem nasceu também, parece sempre um susto com tempo marcado para acontecer. É como um respirar fundo diante de uma paisagem surpreendente. O mar de gente nas ruas, o murmurar das vozes e dos cantos, são tão contagiantes que nos dão a certeza que este espetáculo é único na Terra. Tudo que é dito parece pouco, muito pouco, para expressar tanta magnitude.

        É fato. O Círio renova-se ano a ano, como se fosse o oxigênio que parecia não exaurir-se e então invade com força as ruas de Belém e, se prestarmos atenção, ele vêm muito antes do domingo festivo. Em setembro é já sentido. E pelas ruas, nas conversas com amigos, conhecidos, vizinhos, surge o gesto natural que fazemos ao suspender o ar nos pulmões e em seguida soltá-lo para receber novos ares. Mas tantos são os que conseguem fazer o gesto de baixar os ombros no retorno de respirar novamente. O ar fica suspenso. Os pés ficam suspensos. Então fica visível: é o Círio de Nazaré chegando!

        O incomparável Círio de Nazaré desorienta religiões, desnorteia teorias, desconstrói a química, a física, a teologia, a sociologia e todas as outras nossas vãs tentativas de entendê-lo de modo distanciado. Não há distância. Tento me imaginar numa janela imensa, vendo tudo, observando todos os detalhes, talvez para convencer-me que é tudo igual ao ano anterior. Em vão! No ano seguinte, descubro centenas de coisas não encontradas antes. Particularidades infinitas saltam em frente aos meus olhos! O Círio é o Caminho de Santiago ao contrário. Não há solidão pelo caminho de fé. É comunhão! Definitiva. Irrevogável. Misturada ao ar, ao mar de gente, no amor em forma de cordas, flores, dores, risos, cânticos, suor, sabores e promessas.

        Assim é o ar do Círio. Respiremos todos.


* Laura Rosa Pinto de Almeida é assistente social e servidora pública federal de carreira.

CÍRIO – Flagrantes de fé e êxtase

A santa na berlinda: objeto de adoração da massa de fiéis.

Romaria fluvial, um capítulo à parte no ritual de fé popular.

O povo toma as ruas, na reverência a Nossa Senhora de Nazaré.

Na corda, o sacrifício dos fiéis, desafiando os limites físicos.

Fiéis se comprimem, na reverência à padroeira dos paraenses.

Na praça santuário, o clímax da procissão do Círio de Nazaré.

Trasladação, no sábado: prelúdio da apoteose de domingo.