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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

BELÉM – Em mais um aniversário da cidade, perdura a pergunta que não quer calar: festejar o quê?



Festejar o quê? Em mais um aniversário de Belém, que neste 12 de janeiro de 2017 completa 401 de fundação, perdura a pergunta que não quer calar e ecoa nas últimas décadas. Abandonada, suja, fétida, tomada pelo lixo e submersa a cada nova chuva do inverno amazônico, sem um mínimo de saneamento, saúde e segurança, a cidade amargas as mazelas da inépcia continuada. Inépcia da qual é ilustrativa a administração do ex-prefeito Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, um falsário travestido de político, catapultado para o proscênio pela tucanalha, a banda podre do PSDB. Ele teve um sucessor de igual jaez, o prefeito sub judice Zenaldo Coutinho (PSDB), um vagabundo profissional, que jamais teve um emprego na vida, fazendo da política um álibi para dissimular uma suspeita prosperidade, construída sob o signo da vadiagem dos meliantes engravatados. Zenaldo Coutinho, recorde-se, teve sua candidatura cassada por duas vezes por um probo e destemido juiz, mas mantida mediante recursos, em um contencioso que aguarda julgamento pelo pleno do Tribunal Regional Eleitoral, de suspeita morosidade, que parece apostar no fato consumado para tornar mais palatável a leniência diante da corrupção eleitoral.
Como autêntica capital do atraso político, porque nela prospera, acintosa e impunemente, a utilização eleitoral das máquinas administrativas estadual e municipal, Belém reedita o drama dos casamentos infelizes, nos quais habitualmente não há vítimas que não sejam também cúmplices. O assistencialismo eleitoreiro, traduzido nos cheques moradias e seus correlatos, alimenta os bolsões de miséria, fonte inesgotável do voto de cabresto, ao fixar o eleitorado carente à miséria, ao invés de dela libertá-lo. Passada a polarização eleitoral, o status quo trata de esquecer, desconhecer e enterrar como indigente os compromissos de gestão vociferados nos palanques, dedicando-se à partilha do butim, no vale-tudo político que toma como sagacidade a torpe utilização do poder para benefício dos poderosos da hora, no patrimonialismo que mina e tanto conspira contra as instituições democráticas. É disso que resulta o descalabro expresso em uma cidade órfã dos direitos básicos que pavimentam o exercício da cidadania.
A Belém dos dias atuais é um reflexo do Pará de hoje, que reflete a ignominiosa idiossincrasia dos sucessivos governos do PSDB, a legenda que comanda o estado desde 1995, com o breve hiato correspondente ao mandato da ex-governadora petista Ana Júlia Carepa, entre 2007 e 2010. No que se reflete em índices sociais pífios, a administração pública, mais do que nunca, tornou-se uma ação entre amigos e nela medra com vigor o patrimonialismo, traduzido no recorrente nepotismo, inclusive o nepotismo cruzado, expressão da deletéria promiscuidade entre o público e o privado, no qual submergem Executivo, Legislativo e Judiciário, passando pelo Ministério Público Estadual, tendo como denominador comum a desfaçatez com a qual mandam os escrúpulos às favas, como é próprio dos tiranetes de província. A propaganda enganosa - financiada com o dinheiro do contribuinte e que faz a festa dos barões da comunicação e de publicitários inescrupulosos - encarrega-se do estelionato midiático, arrematando o serviço sujo da vanguarda do atraso, a elite predatória que desponta com serial kiler das esperanças de uma população sofrida.

Se é um entregar-se à dor que faz a dor doer menos, como acreditam alguns, convém uma lágrima por Belém e por nós, que aqui temos nossas raízes. Ela talvez sirva para regar a resiliência que alimenta a obstinação dos que não abdicam da determinação de transformar sonhos em realidade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

BELÉM, 400 ANOS – Truculência exacerbada da Rotam marca comemorações, na tentativa de inibir a indignação

ATORRES/Diário do Pará

Na falta de obras a oferecer a Belém nas comemorações pelos 400 anos da cidade, o prefeito Zenaldo Coutinho e o governador Simão Jatene, dois expoentes da tucanalha, a banda podre do PSDB, brindaram a população com uma exibição de exacerbada truculência da Rotam, a Ronda Tática Metropolitana da Polícia Militar. A repressão aos protestos contra a incúria administrativa do prefeito, inocultavelmente desproporcionais aos eventuais excessos registrados, embutem a explícita intenção de inibir as manifestações da justa indignação popular, particularmente sobre o abandono a que está relegada Belém. Hoje um covil de bandidos fardados, sob a leniência de uma oficialidade de probidade no mínimo duvidosa, a PM é utilizada assim para agir com a mesma violência dos criminosos que deveria combater, mas com os quais se confunde, como ilustra a Matança de Belém, de 2014.

Os incidentes que pontuaram a passagem de Zenaldo Coutinho pelo Ver-o-Peso e seu entorno são ilustrativos do nível de descrédito no qual submergiu o inoperante prefeito de Belém, que prosperou na vida sob o signo do estelionato eleitoral, sem jamais ter tido um único emprego, como a maioria dos mortais. Diante do que se viu, desponta um Zenaldo Coutinho que faz lembrar Paulo Maluf nos idos de 1985, quando lançado candidato a presidente e o nível de repulsa ao ex-governador paulista era tão colossal que não lhe permitia caminhar sequer 100 metros que fossem, sem a proteção de seguranças. Para ir do mercado do Ver-o-Peso até a Praça dos Estivadores, em frente a Estação das Docas, o ausente prefeito de Belém, que se deliciou em um périplo pela Europa às vésperas dos 400 anos de Belém, precisou ser escoltado pelos sequazes da Rotam e da Guarda Municipal de Belém, que não economizaram em truculência, inclusive com o uso indiscriminado de spray de pimenta, sem poupar sequer transeuntes alheios aos protestos e jornalistas que faziam a cobertura da efeméride.

BELÉM, 400 ANOS – O vagabundo e seus sequazes

Manifestante sob a violência da Rotam, nos protestos contra Zenaldo.

E emblemático da violência policial levada ao paroxismo as circunstâncias da prisão de um manifestante que acertou um soco no rosto do coronel Fernando Queiroz, comandante da Guarda Municipal. “Este (o manifestante) foi levado até a viatura da Rotam praticamente sendo enforcado com um saco plástico pelos policiais, que só deixaram de sufocá-lo quando perceberam que fotógrafos e cinegrafistas registravam a agressão”, descreveu a versão online do jornal Diário do Pará, ao relatar o episódio.
No fim da programação, em meio à inauguração do monumento no centro da Praça dos Estivadores, uma correria em direção a Zenaldo Coutinho fez com que a Rotam usasse o spray de pimenta mais uma vez”, relatou ainda o Diário Online. “Dessa vez, nem a imprensa foi poupada. Fotógrafos e repórteres que cobriam as comemorações foram atingidos pelo efeito do produto.”

A lambança protagonizada por Zenaldo Coutinho, neste 12 de janeiro, é ilustrativa do jaez do prefeito de Belém, que não tem pela cidade sequer a consideração, ainda que com intenções malévolas, de rufião por prostituta. Na falta do que dizer, resta o conselho ao qual faz jus Zenaldo Coutinho, o meliante engravatado: vai trabalhar, vagabundo!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

BELÉM, 400 ANOS – A beleza que resiste


BELÉM, 400 ANOS – A capital da resiliência

O convite para a festa pífia, em uma cidade soterrada pelo lixo...
...e pela incúria, que provocou protestos contra Zenaldo Coutinho.

O que comemorar, além do amor que perdura incólume, a despeito das adversidades impostas pelo desdém dos inquilinos do poder, de previsível efeito piramidal e que, como bumerangue, volta-se contra a população contaminada pelo menosprezo que sucateia a cidade, cuja beleza resiste teimosa e comoventemente aos seus predadores? Para além dos rufar dos tambores da propaganda enganosa, do estelionato publicitário que mascara a avassaladora incompetência administrativa dos poderosos de plantão e do oba-oba do jornalismo bajulativo, esta é a indagação que fatalmente emerge neste 12 de janeiro, quando Belém completa 400 anos de fundação. Um aniversário que, na ausência de benefícios à cidade e sua população pelo poder público, a capital paraense vê assinalado por comemorações pífias, mas ironicamente dignas, em sua indigência, da desídia de seus algozes engravatados, verdadeiros serial killers da esperança, dos quais são lídimos representantes o prefeito Zenaldo Coutinho e seu patrono e avalista político, o governador Simão Jatene, expoentes da tucanalha, a banda podre do PSDB.
Belém permanece fascinante, é verdade. Perduram suas belezas naturais, a imponência dos casarios que resistem a expansão imobiliária, o suntuoso legado arquitetônico de Landi, a peculiaridade de sua exótica e saborosa culinária, os resquícios materiais do fausto proporcionado pela prosperidade do distante ciclo da borracha. Como resistir ao encanto dos túneis de mangueiras, herança do intendente Antônio Lemos e que aplacam o calor tropical, ou a atração de um português muito próprio, com expressões cujo uso identificam a origem inconfundível, com seus termos tão característicos? Sob essa perspectiva, Belém, resumindo, continua paidégua, o termo que designa algo lindo, ou extraordinário, ou esplendoroso.
Mas Belém desponta, sobretudo e principalmente, como a capital da resiliência. Só isso explica manter o seu encanto, apesar de uma realidade deprimente, em decorrência do abandono a que foi relegada. Eventual glamour à parte, Belém, hoje, incorpora a decadência pavimentada pela incúria governamental, no limite do escárnio, capaz de permitir ao governador Simão Jatene e ao prefeito Zenaldo Coutinho, dois incorrigíveis farsantes, cumprirem aprazíveis périplos internacionais, às vésperas do aniversário de 400 anos da capital do estado. Nada mais emblemático da desfaçatez das elites políticas do Pará, para a qual a população, sobretudo o seu segmento humilde, serve apenas como massa de manobra e a qual é reservada a migalha de um bolo de colossal extensão, como prêmio de consolação. Trata-se da expressão de uma prestidigitação midiática, a qual se soma o recorrente assistencialismo eleitoreiro, que fixa ao invés de livrar o homem da pobreza e da miséria. A cidade segue suja, fétida, mesmo, soterrada pelo lixo, com ruas transbordando a cada chuva, pouco importando a intensidade do aguaceiro, praças históricas abandonadas, em um cenário deplorável, que não poupa sequer os bairros nobres.
O que Belém necessita é um efetivo compromisso de seus administradores com políticas públicas eficazes, balizadas pela determinação política. A cidade, recorde-se, figura em segundo lugar no ranking das 10 piores capitais brasileiras em matéria de IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, atrás apenas de Macapá. Belém também está incluída entre as 10 cidades brasileiras com os mais precários índices de saneamento básico. Segundo o IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em um levantamento feito com base no censo de 2010, pelo menos um terço da população da cidade não sabe o que é ter rede de esgoto em casa. A capital paraense lidera o ranking de cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes que não dispõem de redes de esgoto e que mais acumula lixo pelas ruas. Juntamente com Manaus, é também a cidade brasileira com menor percentual de arborização urbana. Em 44,5% das residências de Belém há um esgoto a céu aberto passando na porta.
Em Belém, convém lembrar, 5.700 crianças de até 5 anos de idade podem ficar sem vagas em creches em 2016, conforme projeções da própria Semec, a Secretaria Municipal de Educação. Em termos de saúde pública, o incêndio do Pronto-Socorro Municipal da travessa 14 de Março é emblemático do descaso oficial, apesar das cobranças e advertências prévias do Ministério Público Federal e do Sindicato dos Médicos do Pará, solene e criminosamente ignoradas pelo prefeito Zenaldo Coutinho, um vagabundo profissional, que jamais teve um emprego na vida e prosperou na esteira do estelionato eleitoral. Disso resultou Belém passar a dispor, apenas, do PSM do Guamá, no qual a superlotação e as precárias condições de funcionamento levam a cenas degradantes, com pacientes sendo atendidos na calçada. No quesito saúde pública, o município segue o padrão de sucateamento do estado: ainda em janeiro do ano passado, a Sespa, a Secretaria de Estado de Saúde Pública, reconheceu um déficit de 6 mil leitos hospitalares.
O sucateamento da segurança pública, de resto, ilustra a degradação imposta à capital paraense. No ranking das capitais mais violentas do Brasil, Belém figura em sétimo lugar, superada apenas por Fortaleza, Maceió, São Luís, Natal, João Pessoa e Teresina. Belém também figura no ranking das 50 cidades mais violentas do mundo.
Diante do abandono no qual patina Belém, o que festejar? No máximo a esperança, a ser depositada na justa indignação de quem efetivamente ama esta cidade, como ilustram os protestos com os quais foi recebido o mise-en-scène de Zenaldo Coutinho nesta terça-feira, 12 de janeiro. O que enseja, para os obstinados militantes da esperança inquebrantável, a lembrança dos versos do poeta:

Cresço em tempo e eternidade,
cresço em luta, cresço em dor,
não fiz meu verso castrado
nem me rendo ao opressor,
cresço no povo crescendo,
cresço depois que me for.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

BELÉM – Em lugar de obras emergenciais, Zenaldo Coutinho exibe tapumes para mascarar inépcia



Em se tratando do prefeito de Belém, pode-se dizer, sem risco de ser injusto, que a inépcia é maior do que a floresta. Continentalmente maior.
Às vésperas das comemorações pelos 400 anos de Belém, quem circula pela Praça da República, outrora um dos mais belos cartões postais da capital paraense, defronta-se com o mais ignominioso abandono.
Ali, em lugar de obras emergenciais, Zenada, como ficou conhecido o simulacro de prefeito, exibe tapumes em torno do coreto atrás do Theatro da Paz e do chafariz em frente ao IEP, o Instituto de Educação do Pará.

Pobre Belém!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

BELÉM – Apesar de tudo, o amor que perdura

Belém, aos 399 anos: beleza que perdura, apesar dos seus algozes.


        Belém chega aos seus 399 anos com pouco a festejar, apesar das fanfarras do prefeito Zenaldo Coutinho. Na falta de realizações significativas, ele investe perdulariamente na propaganda enganosa, em detrimento de demandas prioritárias, e faz a festa dos gigolôs do erário, no que repete seu patrono político, o governador Simão Jatene, exímio no estelionato midiático. Em termos de IDHM, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, Belém figura em penúltimo lugar dentre as 16 regiões metropolitanas analisadas pelo Pnud, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Superando apenas Maranhão e Alagoas, o Pará é o 24º em IDHM. Esses números são ilustrativos do sucateamento de setores vitais, como educação, saúde, saneamento e segurança pública, corolário da continuada inépcia administrativa, que agrava mazelas históricas. Jatene e Zenaldo, diga-se, não são meros herdeiros da clássica herança maldita. Por atos e omissões, ambos patrocinaram e coonestaram, por exemplo, um dos maiores predadores da história recente de Belém, o ex-prefeito Duciomar Costa, o nefasto Dudu, eleito e reeleito na esteira do poder econômico e da utilização da máquina administrativa. E ambos, no exercício do poder, optaram pela prestidigitação eleitoreira, materializada no assistencialismo, deletério porque torna o homem refém da pobreza, ao invés de dela libertá-lo.
        Mas, apesar disso tudo, felizmente perdura aquele amor visceral, que permite, aos que se pautam por princípios, defender Belém de seus algozes, independentemente da legenda partidária destes. Essa determinação, por vezes materializada naquilo que Milton Nascimento etiquetou de ira santa, é o que impede o naufrágio de nossas esperanças e serve de combustível para a convicção de que vale a pena ousar lutar. E não nos faltam motivos para tanto. Bastar um olhar que alcance nossas extasiantes belezas naturais; a inebriante imponência dos nossos casarões que sobreviveram a especulação imobiliária e ao descaso do poder público; o encanto dos túneis de mangueiras que ainda nos restam, protegendo-nos do sol inclemente e ainda nos aquinhoando com suas deliciosas mangas; a grandiosidade da nossa Praça da República.
        Um povo que inunda sua cidade com a colossal pororoca de fé que é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré certamente merece ter esperança. É um povo que merece voltar a exercer a hospitalidade e resgatar a postura fraternal de outrora, predicados soterrados pelo medo diante da escalada da criminalidade, que banaliza a violência e estimula a indiferença. É um povo que, tanto quanto sua cidade, clama por um olhar de generosidade.
        De resto, no que me cabe, é repetir a declaração de amor eternizada pelo saudoso Ruy Barata: “Tudo que eu amei estava aqui.”

        Feliz aniversário, amada Belém.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

BELÉM, 398 ANOS - Este “rio” é minha rua!

Moradores da Cremação, em irônica comemoração,
em foto disseminada pela internet, neste último
domingo, 12: humor cáustico, diante do caos no qual
submergiu Belém, na data do seu aniversário.

BELÉM – Chuva e caos evidenciam desmazelo

Passagem Profª Antônia Nunes, sob a chuva de domingo, 12.

        Uma chuva torrencial, que perdurou toda a madrugada e entrou pela manhã, fez transbordar neste último domingo, 12, as sequelas do abandono do poder público que historicamente castiga Belém, sem poupá-la dos monumentais alagamentos, a cada novo aguarceiro. A ironia, é que desta vez o toró sepultou a prestidigitação publicitária dos atuais inquilinos do poder, que preparavam-se para exaltar seu suposto empenho em solucionar os problemas herdados dos seus antecessores e correligionários, em relação aos quais perduraram silentes, enquanto assim lhes foi conveniente. Fez água, literalmente, a farsa do prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) e seus áulicos, enquanto na realidade das ruas a população, do centro a periferia - com um sofrimento abjeto aos moradores desta, com a perda do pouco que tem -, se defrontava com um cenário familiar – Belém submersa. Do patrono político de Zenaldo, o governador Simão Jatene (PSDB), o Simão Preguiça, alcunha que dispensa explicações, não ouve-se um aí.

        Não se trata, antecipe-se logo, de prejulgar a administração de Zenaldo Coutinho, ainda que seus antecedentes não sejam exatamente lisonjeiros. Trata-se, como se sabe, de um vagabundo de carreira, que jamais teve um emprego. Mas “deixa isso pra lá”, para repetir o bordão tão caro ao ilustre prefeito. O problema é que, após um ano de mandato, ele nivela-se, em imobilismo, ao seu antecessor, Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, protagonista de uma gestão calamitosa, pontuada por recorrentes denúncias de corrupção, cuja impunidade é um retrato da Justiça do Pará. Duciomar, recorde-se, foi eleito e reeleito pela força do poder político e econômico, com o apoio da tucanalha, a banda podre do PSDB, com o aval do próprio Zenaldo. Como o nefasto Dudu, Zenada, como foi etiquetado na esteira da proverbial inércia, é farto em promessas e parco em realizações. Como no caso do seu nefasto antecessor, nele não se vislumbra determinação política e administrativa em materializar suas propostas de campanha efetivamente exequíveis. Sequer empenho em pelo menos aplacar os dramas que afligem a população de Belém em geral, e a população mais carente em particular, esta de forma dramática, como evidenciam as fotos enviadas ao Blog do Barata, sobre o alagamento na confluência dos bairros do Umarizal, Nazaré, São Brás e Fátima. É uma Belém abissalmente distinta daquela cidade glamourosa e próspera, com um poder público atuante, que vende a propaganda oficial, trombeteada pela grande mídia, regiamente paga com o suado dinheiro do sofrido contribuinte. Os barões da comunicação penhoradamente agradecem. E riem de nós. Assim como os poderosos de plantão, em suas tenebrosas transações.

BELÉM - Após Dudu, Zenaldo. A tampa e o penico.


Zenaldo Coutinho: como Dudu, prestidigitação e propaganda enganosa.

        Duciomar, o Dudu, como faziam prenunciar seus antecedentes, confirmou-se inequivocamente nefasto, inclusive e sobretudo pela improbidade, embora patrocinado por pretensos cultores da moralidade pública. Zenaldo, o Zenada, prenuncia-se igualmente nefando, porque igualmente dissimulado, ainda que a origem e o verniz social, reforçado pela comprovada escolaridade, permita-lhe ser mais convincente, para os incautos, no mise-em-scène de gestor intransigentemente austero e sinceramente preocupado com Belém e seus munícipes. Como seu antecessor, o atual prefeito mira, prioritariamente, em suas ambições e conveniências políticas, sem esquecer dos seus e do séquito de apaniguados. Mal assumiu a prefeitura e, mesmo com Belém refém do caos, já mira no Palácio dos Despachos, acalentando até a ambição de alcançá-lo já na sucessão estadual deste ano. Naturalmente com o acintoso apoio da mídia paga para fazer ecoar a propaganda enganosa, como de praxe. Belém e sua população, que se lixem.
        Ao fim e ao cabo, é inevitável concluir que, em um eventual cotejo entre o que veio e o que se foi, a diferença entre Duciomar Costa, o Dudu, e Zenaldo Coutinho, o Zenada, é de grau, jamais de nível.
        Em bom português, sobre Duciomar Costa e Zenaldo Coutinho, a conclusão a que se chega não pode ser outra. Trata-se da tampa e do penico. Ou vice-versa. Legitimados pelo voto da massa ignara, suscetível a propaganda enganosa, que ajuda a perpetuar a pobreza, irmã siamesa da ignorância política, com o reforço da inefável corrupção eleitoral, instrumento de poder das vanguardas do atraso.

         Pobre Belém, pobre de nós! Ninguém merece! Nem quem vota nessa escumalha!!!

BELÉM – Flagrantes da inépcia



        Nada mais ilustrativo da inércia do poder público que o alagamento, com a chuva deste último domingo, 12, na alameda Soares, na passagem Profª Antônia Nunes, e na rua João Balbi, entre a travessa 9 de Janeiro e a passagem Profª Antônia Nunes, confluência dos bairros do Umarizal, Nazaré, São Brás e Fátima.
        Segundo a denúncia feita ao Blog do Barata - ilustrada com as fotos acima, feitas por um morador indignado -, o alagamento na alameda Soares, passagem Profª Antônia Nunes, e na rua João Balbi, entre a travessa 9 de Janeiro e a passagem Profª Antônia Nunes, confluência dos bairros do Umarizal, Nazaré, São Brás e Fátima (sub-bacia I do Projeto Una), é provocado pelo transbordamento do canal Antônia Nunes. O canal Antônia Nunes, acrescenta a denúncia, não foi alcançado pelas obras do projeto de macrodrenagem da Bacia do Una, investimento na ordem de US$ 312.437.727 milhões, um empreendimento inacabado.
        Com conhecimento de causa, o autor da denúncia é cirúrgico: “Essa situação de calamidade pública vem desde 24 de abril de 2005 e perdura até hoje, 12 de janeiro de 2014, sem que o poder público tome alguma providência, embora exista uma ação civil pública ambiental, processo nº 0014371-32.2008.814.0301, ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Pará, em 16 de abril de 2008, contra Prefeitura Municipal de Belém - PMB, Companhia de Saneamento do Pará - Cosanpa, e o Estado do Pará.”

BELÉM – O leitor e o desabamento do teto do PSM

        De internauta, leitor do Blog do Barata:


        “E como desgraça é só começar, ontem (domingo, 12), aniversário de Belém, com a chuva caiu teto de setor do PSM da 14. Enquanto isso, Zeraldo gasta fortuna com propaganda na Liberal e fica mostrando reforma de creches e unidades de saúde como maravilha de gestão. Manutenção de estrutura física é obrigação básica de qualquer administrador de bens públicos e não cabe propaganda.Pior é que elegemos esses incompetentes, e ainda sofremos agressão de nossa cidadania.”

sábado, 12 de janeiro de 2013

BELÉM – A festa e a realidade

BELÉM – Um amor verdadeiro


Tudo que eu amei estava aqui
Do chão batido à cuia de açai
Por isso não cantei Copacabana
Ainda que ela fosse tão bacana
No brilho dos postais que eu recebi.

Tudo que eu amei estava aqui
Da mão de milho ao pé de miriti
E assim não falei da Torre Eiffel
Dos perfumes de Chanel
Nem no céu azul no Tenesse

Desculpe meu irmão meu canto agreste
Nutrido do jambu que não quisestes
Manchado do tijuco e de capim
Perdoa, por favor, meu pobre verso
Um tosco tronco submerso
No rio sem nome que se vai de mim

Ruy Barata, em “Tronco Submerso”, de Paulo André e Ruy Barata.

BELÉM – O povo merece respeito!

        Belém, a nossa querida e amada Belém, a Belém de nossas raízes, a Belém do legado cabano, merece mais, muito mais, do que a pirotecnia oficial anual, que se renova a cada 12 de janeiro, para depois ser devolvida à recorrente inépcia dos donos do poder, patinando em índices sociais pífios. Não por acaso Belém é das capitais brasileiras a com a maior economia informal e um dos mais elevados índices de desemprego, um terreno fértil para a escalada da criminalidade, do que resulta ser a segunda capital - proporcionalmente à população - mais violenta do Brasil, abaixo apenas de Recife.
        O descaso para com a educação alimenta a ignorância política, que garante a alternância de poder entre bandidos de colarinho branco, que não exibem currículo, mas prontuário: mais da metade do eleitorado vagueia entre nenhum ou baixo nível de escolaridade. Preocupação com a saúde, com saneamento, e, principalmente, zelo na administração dos recursos públicos, capaz de permitir tentar compatibilizar o socialmente justo com o financeiramente possível, são figuras de retórica, meras balelas. Balelas que não ultrapassam os palanques eleitorais, em uma pantomina coonestada pelos barões da comunicação, em troca de gordas verbas publicitárias, como é praxe da grande imprensa regional, tradicionalmente venal.
        Não gostaria de estar escrevendo nada disso, particularmente neste 12 de janeiro. Gostaria de estar falando das belezas da cidade aconchegante da minha infância, da beleza natural dos túneis de mangueiras, dos belos e majestosos casarões, da inefável chuva da tarde, da hospitalidade de um povo, que hoje se dilui diante do drama urbano cotidiano, para o qual contribui a inépcia governamental, independentemente de legendas.
        A despeito de todas as vicissitudes, amo Belém, amo meu povo. Aqui nasci, aqui serei sepultado. Mas, diante da ignomínia, calar é mentir. O povo merece respeito!

BELÉM – A privatização da cultura

O desrespeito: populares em busca, em vão, de ingressos para o show.

        Como se verificou na manhã deste sábado, o governador Simão Jatene – representado pelo seu preposto, o secretário de Cultura Paulo Chaves -, o prefeito Zenaldo Coutinho e o grupo de comunicação Romulo Maiorana, que apoiou o evento, promoveram a privatização da cultura. A maioria do vasto contingente de pessoas que se deslocou para o Theatro da Paz, mesmo sob chuva, em busca de ingressos para o show de Liah Soares, a paraense que encantou o Brasil no The Voice Brasil, da TV Globo, ficou privada de assistir ao espetáculo em comemoração ao aniversário de Belém, previsto para hoje à noite. Acionada, por telefone, a reportagem da TV Liberal justificou que nada poderia fazer. A equipe da TV Liberal, que presenciou e filmou o protesto, aparentemente não ouviu nenhum dos manifestantes: a repórter limitou-se a fazer uma entrevista, no pátio do teatro, com alguém deste. A TV Record, acionada por telefone, não compareceu ao local.
        Pelas estimativas dos circunstantes, no máximo 125 pessoas conseguiram obter a cota de dois ingressos individuais, que em tese deveriam ser distribuídos gratuitamente, um escárnio ao público, considerando que lotação vendável do Theatro da Paz é de 749 lugares. O que sugere a distribuição prévia dos ingressos entre as cabeças coroadas e os apaniguados dos donos do poder, em um deboche para com a população, que é quem banca, ao fim e ao cabo, a farra dos poderosos de plantão. A lotação vendável do Theatro da Paz é de 749 lugares, além de 93 lugares cativos – destinados às autoridades e disponibilizados para a direção do teatro - e 38 lugares para idosos, segundo o site oficial, disponibilizado pela própria Secult, a Secretaria de Estado de Cultura, cujo endereço eletrônico é o seguinte:


        Pelo site oficial do Theatro da Paz, a lotação vendável, de 749 lugares, é assim distribuída: 249 lugares na platéia; 122 na varanda; 84 distribuidos em 14 frisas; 90 lugares em 15 camarotes designados como de “1ª ordem”; 60 em 10 camarotes etiquetados como de “2ª ordem”, 42 nas galerias; 100 lugares no paraíso; e 2 lugares no proscênio, destinados a portadores de necessidades especiais.
        A lotação não vendável do Theatro da Paz, pelo site oficial, inclui 93 lugares cativos e 38 lugares para idosos, o que perfaz um total de 880 lugares, a capacidade total da casa de espetáculos. Detalhe: para o show de Liah Soares, no Theatro da Paz, só foram disponibilizados 30 ingressos para os idosos.




BELÉM – Flagrantes do escárnio

Nas fotos, a espera, em vão, por ingressos para o show de
Liah Soares. Na última das fotos, de cima para baixo, a
reportagem da TV Liberal, no pátio do teatro, cumpre a pauta
prévia , indiferente diante da indignação popular com a
 lambança da Secult, a Secretaria de Estado de Cultura.

BELÉM – A lotação oficial do Theatro da Paz

LOTAÇÃO VENDÁVEL *
CAPACIDADE
Plateia
249 lugares
Varanda
122 lugares
Frisas (14 frisas)
84 lugares
Camarote de 1ª ordem (15 camarotes)
90 lugares
Camarote de 2ª ordem (10 camarotes)
60 lugares
Galeria
42 lugares
Paraíso
100 lugares
Proscênio (portadores de necessidades especiais)
02 lugares
Total
749 lugares
LOTAÇÃO NÃO VENDÁVEL **
Cativos
93 lugares
Idosos
38   Lugares
Capacidade Total
880 Lugares

FONTE: Site Oficial do Theatro da Paz - http://www.theatrodapaz.com.br/pagina.php?cat=156&noticia=378

BELÉM – A indignação popular


Na foto acima, populares irmanados na indignação, diante da
lambança. Na foto abaixo, outros tantos, perplexos, diante
do escárnio perpetrado pela Secult, a Secretaria de Cultura.

        “Isso é um abuso, é um absurdo!”, exclamava, com justa indignação, um jovem servidor público estadual, na fila, juntamente com mais três colegas, também servidores públicos estaduais. Ele e os colegas chegaram ao Theatro da Paz no início da manhã, às 7 horas, entrando na fila de pessoas à espera da distribuição de ingressos, com início previsto para as 9 horas. Ele relatou que deu-se à pachorra de contar quantos estavam na sua frente, contabilizando 125 pessoas. Mas quando chegou à bilheteria já não mais havia ingresso! "Como é que pode?! Isso é um desrespeito!”, protestou. “Como servidor público, eu poderia ter ido tentar obter meus ingressos na Secult, mas não, optei por submeter-me a vir para a fila, como as demais pessoas, e depois de chegar cedo, pegar chuva, como todos os demais que aqui estão, deparo-me com esta palhaçada!”, bradou, exibindo seu crachá de servidor público estadual.
        Não faltou, naturalmente, quem recordasse que esse tipo de coisa é recorrente, em se tratando de espetáculos supostamente gratuitos no Theatro da Paz, com distribuição de ingressos pela Secult. “É a palhaçada de sempre!”, sentenciou outro indignado anônimo. Nada mais pertinente, diga-se.


BELÉM – Estultícia e truculência

        Independentemente da lambança patrocinada pela Secult, ao privatizar a distribuição dos ingressos para o show de Liah Soares (foto) no Theatro da Paz, impressiona a estultícia de levar um show supostamente popular, com uma artista com a popularidade em alta, para a vetusta casa de espetáculos, de lotação limitada. Fica fatalmente no ar a ilação de que, para os poderosos de plantão, ao populacho conviria se contentar com a canja que a cantora e compositora deu no Ver-O-Peso, onde na manhã deste sábado o governador Simão Jatene e o prefeito Zenaldo Coutinho fizeram seu proselitismo eleitoral.
        Para além da estultícia, impressionou a truculência dos seguranças do Theatro da Paz, diante da indignação popular, em um caso típico de osmose, face o exemplo que vem de cima. Particularmente um dos seguranças, bastanhte alto, que reagia a tudo com um riso debochado e etiquetou de “palhaçada” os protestos, além de xingar um rapaz de “palhaço”. O jovem, irado, após ser repetida vezes instigado pelo segurança, abdicou do bom-tom e disparou: “Palhaço é a mãe!” Aparentemente, a reação frustrou o segurança, que parecia provocar o jovem, na expectativa de ser ofendido por ser negro e, assim, retaliar a caráter o rapaz, por preconceito.
        Ironicamente, quem bem resumiu a aparente motivação do imbróglio da parca distribuição de ingressos para o show de Liah Soares foi um lavador de carros já idoso, que faz ponto da Praça da República. “O caso é que essa gente graúda tem preguiça de assistir um show em pé, fora do ar condicionado. Eles não fazem show no teatro para o povo, não. Eles fazem show no teatro para poder assistir no bem-bem”, sentenciou. Faz sentido.
        Nem nossa amada Belém, nem a bela e competente Lia Soares, menos ainda o povo sofrido, merecem essa lambança. Aliás, ninguém merece!