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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SEPARATISMO – O repulsivo silêncio de Jatene

Sabem até os postes desta terra da personalidade essencialmente lúdica do tucano Simão Jatene, o que possivelmente explica seu fascínio pelas pompas e circunstâncias do cargo, e mais ainda pelas mordomias que este lhe proporciona, em detrimento das responsabilidades inerentes a sua condição de governador. Não por acaso ele acabou conhecido como Simão Preguiça.
Nada, porém, é capaz de justificar o repulsivo o silêncio de Jatene, diante da proximidade do plebiscito provocado pela escumalha que, movida por conveniências escusas, pretende reduzir o Pará a um gueto, para assim viabilizar a criação dos Estados de Carajás e do Tapajós. Pela sua própria condição de governador eleito, caberia a Jatene, mais do que a qualquer um de nós, brandir a bandeira contra o separatismo, em defesa da unidade do Pará, ameaçada por aqueles que utilizam os desassistidos como massa de manobra, para melhor saciar o apetite pantagruélico pelas benesses do poder.
Mas nada, desgraçadamente, parece capaz de fazer Simão Jatene assumir suas responsabilidades e defender o Pará, como governador que é, abdicando circunstancialmente de sua predileção pelas pescarias etílicas, emblemática de sua compulsão pelo ócio, que a propaganda enganosa, com a inevitável pilhagem do erário, tenta dissimular. Mais do que nunca Simão Jatene é, sobretudo e principalmente, Simão Preguiça.

terça-feira, 14 de junho de 2011

SEPARATISMO – Divisão da escassez

Francisco Sidou *

Na Câmara Federal e no Senado, em votação apressada e simbólica de lideranças, aprovou-se a realização do plebiscito para a criação dos  Estados do Tapajós e de Carajás. Um detalhe chama a atenção nesse "esforço concentrado": o projeto original do desmembramento do Pará foi de autoria de um senador de Rondônia,  enquanto seus principais defensores, afora os "deputados paraenses diretamente interessados" , são de outros Estados da Federação, incluindo poderosos empresários do agronegócio do Sul do Pará e Tocantins, além de influentes políticos maranhenses. Não por acaso, a campanha pró divisão será milionária, sob a batuta do famoso Duda Mendonça.  Outro detalhe curioso: pelo menos três  líderes separatistas paraenses estão envolvidos até o pescoço em processos na Justiça pela prática de variados delitos tendo como origem a má aplicação do dinheiro público. Como acreditar na sinceri dade de seus propósitos ? Será que lhes move o sincero desejo de promover desenvolvimento e paz social às populações dos  novos Estados ? Ou será que não estão somente  de “olho gordo”  em novos cargos de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, novos Tribunais de Justiça e de Contas, novas  Assembléias Legislativas,  mais DAS para abrigar parentes e afilhados e  muitas obras a serem executadas e superfaturadas?
Os recentes escândalos descobertos na Assembléia Legislativa do Pará servem de exemplo didático do "modus operandi" desses “profissionais”, insaciáveis na busca pelo poder e  enriquecimento fácil com o dinheiro do povo, lesado d uplamente, como eleitor e como contribuinte compulsório. Os separatistas não estão nada preocupados com os custos dos novos estados, estimados em R$- 5 bilhões só para obras de infra-estrutura , afora os custos de manutenção , em torno de R$-2,5 bilhões anuais para cada novo estado. Nesse caso, quem vai pagar a conta é o contribuinte brasileiro. Por isso,  Roberto Pompeu de Toledo, articulista de VEJA, sugeriu que o plebiscito sobre a divisão do Pará deveria ser de âmbito nacional e não apenas restrito aos paraenses.
Outro aspecto que deve acender a luz de advertência  para a população paraense é a tentativa meio solerte dos líderes separatistas em obstar a consulta a todo o povo paraense e restringir  o plebiscito apenas "à população diretamente interessada", que eles entendem sendo apenas os atuais habitantes das áreas a serem emancipadas. Chegam ao cúmulo de tentar trapacear na interpretação da própria Constituição. Os que defendem a consulta somente na área a ser emancipada alegam que assim "reza" a Constituição Federal ao asseverar, no terceiro parágrafo do artigo 18 que, sobre a divisão, deve ser consultada “a população diretamente interessada”. A definição, todavia, do que é “a população dire tamente interessada” está na lei 9.709, de 1998, que  remete à Carta Magna e coloca fim à quizília ao declarar que população diretamente interessada é “tanto a do território que se pretende desmembrar quanto a do que sofrerá desmembramento”.
De forma cristalina, smj,  será esse o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a extensão da cobertura geográfica do plebiscito para criação dos Estados de Carajás e Tapajós,  caso chegue até lá essa questiúncula provocada por interesses menores dos que querem ganhar o plebiscito na "marra". Não passarão. O que  deveriam  fazer era expor  seus argumentos  em debates com a participação de técnicos e estudiosos, de forma a esclarecer a população paraense sobre a extensão da medida separatista, sua  viabilidade econômica, além de suas  implicações de ordem  administrativa, social  e cultural.
Esse deve ser o objetivo maior do Comitê em Defesa do Pará, criado pela Associação Comercial do Pará, cuja instalação contou com grande afluência de público, onde se misturavam, democraticamente,  políticos de expressão, empresários vitoriosos, artistas consagrados, líderes comunitários e sindicais, representando as diversas camadas da  sociedade paraense. É disso que precisamos. Um amplo movimento que possa despertar o sentimento cabano do povo paraense. E de um debate que possa esclarecer e não confundir. É falacioso, por exemplo, esse argumento  de que o Pará é quase ingovernável devido suas dis tâncias continentais  e  que só a divisão territorial trará o desenvolvimento para as duas regiões desmembradas.  Ora, se tamanho pequeno fosse  condição favorável a boas práticas de gestão pública, Sergipe seria o Estado mais desenvolvido do Brasil. Por outro lado, não se promove desenvolvimento ou prosperidade com a divisão da pobreza e da escassez.

* Francisco Sidou é jornalista – E-mail: chicosidou@bol.com.br