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terça-feira, 27 de março de 2012

BLOG – Reflexões de Ricardo Noblat

        Para assinalar o oitavo ano do seu blog, atualmente abrigado na versão online do jornal O Globo, o jornalista Ricardo Noblat (foto) republicou terça-feira passada, 20, uma postagem sobre o mito da imparcialidade dos jornalistas. “Republico o que postei aqui, no dia 26 de agosto de 2010. É uma maneira de renovar meu compromisso com o jornalismo tal como o entendo. E com quem me lê”, assinala Noblat, o pioneiro em matéria de blog jornalístico no Brasil.
        Um dos mais talentosos e respeitados jornalistas da sua geração, Noblat rejeita, peremptoriamente, o jornalismo bajulativo. Tanto quanto rejeita a interferência estatal na imprensa, a pretexto de um tal de “controle social da informação”, que fatalmente soa a eufemismo para sinalizar a censura, deletada pela Constituição Federal. “Jornalista é um incômodo. E é assim que deve ser. Se não for não é jornalista", arremata.
        Na postagem subseqüente a esta transcrevo o texto de Noblat, sobre a pretendida imparcialidade dos jornalistas, em matéria que pode ser acessada pelo endereço eletrônico abaixo.


BLOG - Sobre a imparcialidade do jornalista

RICARDO NOBLAT

        Este é um dos mitos cultivados há mais de século: jornalista é imparcial. Ou tem obrigação de ser.
        Ninguém é imparcial. Porque você é obrigado a fazer escolhas a todo instante. E ao fazer toma partido.
        Quando destaco mais uma notícia do que outra faço uma escolha. Tomo partido.
        Quando opino a respeito de qualquer coisa tomo partido.
        Cobre-se do jornalista honestidade.
        Não posso inventar nada. Não posso mentir. Não posso manipular fatos.
        Mas posso errar - como qualquer um pode. E quando erro devo admitir o erro e me desculpar por ele.
        Cobre-se do jornalista independência.
        Não posso omitir informações ou subvertê-las para servir aos meus interesses ou a interesses alheios.
        Se me limito a dar uma notícia devo ser objetivo. Cabe aos leitores tirarem suas próprias conclusões.
        Se comento uma notícia ou analiso um fato, ofereço minhas próprias conclusões. Cabe aos leitores refletir a respeito, concordar, divergir ou se manter indiferente.
        Jornalista é um incômodo. E é assim que deve ser. Se não for não é jornalista."