Se os poderosos de plantão e seus apaniguados não cumprem as leis, em claro desafio ao ordenamento jurídico democrático, como convencer o cidadão anônimo a respeitá-las e nelas acreditar, condição sine qua non para o exercício pleno da cidadania?
Esta é a pergunta que não quer calar, diante da denúncia segundo a qual, no último fim de semana, a Rádio Cultura inexplicavelmente deixou de levar ao ar o programa eleitoral do deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSol) (foto, de terno, nos ombros de militantes psolistas), em um claro boicote ao candidato a prefeito de Belém pela Frente Belém nas Mãos do Povo. Mas a lambança não ficou por ai, acrescenta também a denúncia: no mesmo horário político gratuito em que a rádio deixou de transmitir o programa eleitoral do parlamentar do PSol, exibiu por duas vezes o programa do deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB), o candidato a prefeito pela coligação União em Defesa de Belém. A Rádio Cultura integra a Funtelpa, a Fundação de Telecomunicações do Pará, subordinada ao governo do Estado, o que inevitavelmente alimenta a suspeita de que o boicote a Edmilson foi coonestado pelo governador tucano Simão Jatene, o Simão Preguiça, que patrocina a candidatura de Zenaldo.
A lambança envolvendo a Rádio Cultura reprisa o imbróglio protagonizado pela TV Liberal, que sem nenhuma justificativa plausível deixou de levar ao ar na noite de sábado, 20, no horário político gratuito, o programa eleitoral de Edmilson, revelando a queda dos percentuais de intenções de voto de Zenaldo. Afiliada da Rede Globo de Televisão, a TV Liberal integra as ORM, as Organizações Romulo Maiorana, originalmente nominadas de Grupo Liberal e das quais faz parte também O Liberal, o principal jornal do grupo de comunicação da família Maiorana, de notórios e estreitos vínculos com a tucanalha, a banda podre da tucanagem no Pará. Nos 12 anos de sucessivos governos do PSDB no Estado, de 1995 a 2006 – período que corresponde aos dois sucessivos mandatos do ex-governador Almir Gabriel e ao primeiro mandato de Simão Jatene como governador –, os Maiorana foram beneficiários de uma acintosa pilhagem ao erário. De 1996 a 2006, por um contrato travestido de convênio, para driblar a exigência de concorrência pública, a Funtelpa simplesmente pagava um aluguel mensal para a TV Liberal utilizar suas 78 repetidoras e, assim, levar a programação da TV Globo para o interior do Estado. Ao longo de 10 anos, em valores ainda por atualizar, a tramóia rendeu R$ 37 milhões aos cofres das ORM e só foi abortada em 2007, após a posse da ex-governadora petista Ana Júlia Carepa, eleita em 2006, ao derrotar o ex-governador Almir Gabriel, então no PSDB, na sucessão estadual. Diante do fim da mamata, os Maiorana ingressaram na Justiça com uma ação reivindicando uma indenização de mais de R$ 3 milhões, a pretexto de suposta “manutenção” feita nas repetidoras da Funtelpa.











