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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ALEPA – A performance de Cássio, o probo

Quem assistiu relata que foi impecável a performance do deputado Cássio Andrade (foto, à esq.), líder do PSB na Alepa, a Assembléia Legislativa do Pará, ao rebater a suspeita de que seria também beneficiário de um esquema de corrupção e tráfico de influência na SEMA, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, durante o governo Ana Júlia. A revelação foi feita na edição de domingo, 6, do Diário do Pará, em matéria baseada em uma ação judicial que tramita sob segredo de Justiça.
Nesta terça-feira, 8, Cássio Andrade foi a tribuna da Alepa e repeliu veementemente as suspeitas envolvendo seu nome, dizendo-se, previsivelmente, um homem probo, de moral ilibada, um quase casto, de tão puro. Ele recebeu a enfática solidariedade dos seus pares, com destaque para os deputados Márcio Miranda, líder do DEM, e João Salame, do PPS. A concluir do relato de uma fonte do blog, mais um pouco e, a depender dos seus pares, o deputado do PSB acabaria por ser canonizado em vida, de tão eticamente retilíneo que supostamente é.

ALEPA – Os antecedentes do nobre parlamentar

Cássio Andrade, que cumpre seu segundo mandato na Alepa, é filho do ex-senador Ademir Andrade, hoje vereador de Belém e uma espécie de donatário do PSB no Pará. Ele é descrito como uma versão atualizada de Cascatinha, o personagem de parca inteligência e dependente do pai, interpretado pelo humorista Castrinho, e cujo bordão – “Meu pai-pai” - ficou célebre. Ademir Andrade, recorde-se, foi preso e algemado pela Polícia Federal, no rastro da Operação Galiléia, acusado de comandar uma quadrilha que fraudava licitações na CDP, a Companhia das Docas do Pará, quando presidente desta.
Pai e filho ficaram célebres pela desfaçatez sob a qual promoveram o desmonte da Sead, a Secretaria de Estado de Administração, o quinhão da dupla no loteamento político da máquina administrativa promovido pelo governo Ana Júlia Carepa. Eles transformaram uma secretária de gabinete, Maria Aparecida Cavalcante, em titular da Sead, que a dupla reduziu em um comitê eleitoral, usando e abusando do nepotismo e do tráfico de influência. Na escalada de despautérios protagonizada, eles chegaram a nomear um motorista de Ademir Andrade como assessor especial e a mulher do tal motorista, de parca escolaridade tal qual o marido, em diretora de divisão da Sead, embora incapaz de redigir um mero ofício.
De resto, segundo informação não confirmada, por conta do escândalo da CDP o probo Cássio Andrade responderia a seis processos na Justiça Federal. E seu pai, Ademir Andrade, o Ademir da Galiléia, a 12 processos.