Colaboração do internauta Aguinaldo Soares. |
SOB CENSURA, POR DETERMINAÇÃO DOS JUIZES TÂNIA BATISTELO, JOSÉ CORIOLANO DA SILVEIRA, LUIZ GUSTAVO VIOLA CARDOSO, ANA PATRICIA NUNES ALVES FERNANDES, LUANA SANTALICES, ANA LÚCIA BENTES LYNCH, CARMEN CARVALHO, ANA SELMA DA SILVA TIMÓTEO E BETANIA DE FIGUEIREDO PESSOA BATISTA - E-mail: augustoebarata@gmail.com
Mostrando postagens com marcador Plebiscito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Plebiscito. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
PLEBISCITO – Com o day after, o desafio
Confirmando o que o Datafolha já antecipara, em pesquisa de intenção de voto, o eleitorado do Pará rejeitou, majoritariamente, a proposta de divisão do Estado, para a criação dos Estados do Tapajós e do Carajás. Pela proposta, a metade oeste do Pará se transformaria no Estado de Carajás e a parte sudeste no de Carajás. Nesse caso,o Pará remanescente ficaria reduzido a região onde localiza-se Belém. No cômputo geral, mais de 66% do eleitorado votou contra a criação dos dois novos Estados, registrando-se uma abstenção de 25%. Mas a maciça votação contra a divisão, registrada em Belém, e a favor, verificada em Santarém e Marabá - cotadas para capitais de Tapajós e Carajás, respectivamente -, sugere que o plebiscito fez recrudescer uma animosidade mútua e latente, estimulada por algumas das lideranças separatistas.
Por isso, o desafio que fatalmente emerge no day after do plebiscito. O cenário sinaliza para a urgente necessidade de uma administração pública mais equânime em seus investimentos, capaz de contemplar, assim, as demandas básicas das regiões mais longínquas do Estado. Um colossal desafio, diante do vício histórico das lideranças políticas que prosperam, na capital e no interior do Pará, cuja preocupação com a necessidade de justiça social não ultrapassa os limites dos palanques eleitorais. Contabilizados os votos, nossos políticos costumam sair, ávidos, em busca das benesses do poder. Tanto os que emergem a partir da capital e seu entorno, invariavelmente cúmplices de prefeitos ineptos e/ou de parca probidade, mas que lhes garantem inserção eleitoral, como aqueles que têm raízes fincadas nos municípios mais distantes de Belém, aos quais também não convém investir na tomada de consciência de seus eleitores, que deles acabam reféns pela via do assistencialismo.
Diante das imposições com a qual nos defrontamos, na esteira do plebiscito, emerge fatalmente o temor de que falte não só determinação política, mas também competência, ao governo Simão Jatene para dar conta dessa empreitada. Em suas origens um técnico que, pelo currículo, sugeria ser competente, como administrador Simão Preguiça revelou-se pífio e politicamente um desastre. Com a voz pausada e o tom professoral, ele parece apostar na letargia do eleitorado, propícia para o estelionato político. Depois de governar o Pará de 2003 a 2006, eleito obteve do eleitor um segundo mandato, na sucessão estadual de 2010, menos por seus méritos e mais pela inocultável fragilidade política de sua adversária, a ex-governadora petista Ana Júlia Carepa, protagonista de uma gestão pateticamente calamitosa. Por tudo o que se viu nesse primeiro ano do seu mandato, é inevitável concluir que Simão Preguiça parece empenhado, ainda que involuntariamente, em reabilitar Ana Júlia Carepa, inclusive ao superá-la em matéria de patrimonialismo. Seja como for, uma coisa é certa. O governador tucano obteve seu segundo mandato dispondo, apenas e tão-somente, de um projeto de poder. Proposta de governo, essa simplesmente inexiste. Compromisso de gestão, então, nem pensar! Nunca antes, como agora, Simão Jatene foi o codinome de Simão Preguiça.
PLEBISCITO – Reflexão do internauta
“O que falta ao Pará é compromisso social, respeito às leis, às diretrizes e planejamento socioeconômico. Enquanto existirem gestores que driblam as leis, não assumem seu papel de representantes do povo, nada mudará, nem aqui, nem no sul, nem no oeste.”
O desabafo, é de um internauta anônimo, cuja pertinência do comentário, feito no rastro do plebiscito deste último domingo, 11, levou-me a publicá-lo como postagem, para com ele refletirmos.
O que falta ao Pará é compromisso social, respeito às leis, às diretrizes e planejamento socioeconômico. Enquanto existirem gestores que driblam as leis, não assumem seu papel de representantes do povo, nada mudará, nem aqui, nem no sul, nem no oeste. Existem projetos ofertados pelo governo federal que poderiam minimizar a pobreza, mas minimizar a pobreza da forma técnica e ordenada, é levar informação. Povo informado X difícil de ser enganado. Há muitos, interessa a permanência da miséria aqui no Pará. Os recursos, existem, sim. Mas prazos são perdidos porque muitos gestores sequer se interessam de apresentar sua proposta. Existem políticas públicas suficientes para melhorar a qualidade vida da população. A questão é que a esses políticos não interessa sejam implementadas. As demandas são muitas. Se cada prefeito, de cada município desse Estado, se preocupasse mais em arrecadar recursos do que votos, se buscasse envolver-se mais com a população do que com conchavos políticos partidários, o desenvolvimento viria naturalmente.
Neste momento, em Brasilia, duas conferencias importantes aconteceram. A VIII conferencia Nacional de Assistência Social e a conferencia nacional da juventude.
Deliberações importantes surgiram, mas muitas denúncias graves foram divulgadas sobre a situação de profissionais do Sistema Único de Assistência Social, que sofrem pressões, chantagens e todas as formas de humilhações porque se recusam a cumprir ordens de gestores que querem fazer da política de assistência, uma aberração. Se não se fortalece a assistência, não se fortalece a população e uma população fragilizada é manipulável.
O governo federal encaminha recursos incansavelmente, mas estes desaparecem no meio do caminho. Municípios já precisaram devolver recursos porque não souberam, ou não quiseram utilizar, ou usou indevidamente.
O retorno do Presença Viva, por exemplo, é um embuste gigantesco, caro, obsoleto e mentiroso, pois não leva cidadania e sim ajuda e existe uma diferença enorme entre uma coisa e outra. Quanto mais se nega direitos, mais se dá força para esta excrescência do favorismo. O Presença Viva é a maior prova de que esse governo sabe tirar proveito da condição de pobreza para angariar votos e vantagens do assistencialismo e enquanto assim for, enquanto não existir um governante que respeite e obedeça as diretrizes da política de assistência social , da saúde e da educação, o Pará não avançará.
Dizer não à divisão, não é só um não para a divisão geográfica, é dizer não à reprodução do mesmo modus operandi desse assistencialismo barato e irresponsável. Utilizar imagens de crianças pobres, para sensibilizar eleitores, é vergonhoso, tanto quanto deixá-las à margem dos seus direitos mais básicos. Isso vale para qualquer um desses senhores hospedados em hotéis de luxo durante a campanha do sim, tanto quanto para aqueles, que moram na capital e ficam fechados em seus gabinetes climatizados.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
PLEBISCITO – A chantagem dos separatistas
No plebiscito a ser realizado neste próximo domingo, 11, o eleitorado paraense irá se manifestar sobre a proposta de divisão do Pará, segundo a qual a metade oeste deste se transformaria no Estado de Carajás e a parte sudeste no de Carajás, o que deixaria o atual Estado reduzido a região onde fica Belém. A própria chantagem parlamentar que viabilizou o plebiscito é reveladora da torpe motivação que move boa parcela das lideranças separatistas, que miram preponderantemente em suas conveniências políticas, à margem de qualquer preocupação com justiça social. Em uma quinta-feira, sob o êxodo da maioria dos parlamentares com destino às suas bases eleitorais, os deputados federais Giovanni Queiroz (PDT), Lira Maia (DEM) e Zequinha Marinho (PSC) (foto) viabilizaram, em votação simbólica, a realização da consulta, esgrimindo a ameaça de obstrução da pauta de votações da Câmara Federal. O Palácio do Planalto, empenhado em limpar a pauta para aprovar projetos de seu interesse, cedeu.
Ao relatar, na ocasião, o jogo sujo das lideranças separatistas, o jornalista Lúcio Flávio Pinto foi cirúrgico, com a autoridade de quem é consensualmente reconhecido como um profissional de competência, experiência e probidade comprovadas, nacional e internacionalmente. “Quanto o tema é a Amazônia, há pouco empenho das grandes lideranças políticas, por desinteresse ou desconhecimento da região. Com mais acuidade, se atentaria para a circunstância (nada casual) de que o principal projeto na pauta da Câmara, que proporcionou o acordo de lideranças, é o do novo Código Florestal, impasse que o governo (e, mais do que ele, os ruralistas) quer ver logo resolvido”, salientou Lúcio Flávio, ao comentar o episódio no Jornal Pessoal, a mais longeva publicação da imprensa alternativa brasileira, que ele produz solitariamente há 24 anos, com a edição gráfica assinada por Luiz Pinto, um dos mais talentosos jornalistas gráficos da sua geração, que é um chargista de mão cheia, como raramente se vê, e vem a ser irmão de Lúcio Flávio.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
PLEBISCITO – Giovani admite farsa separatista
Sem que tenha sido precedida por qualquer estudo técnico capaz de respaldá-la, a proposta de divisão do Pará foi desenhada, há 10 ou 15 anos atrás, por Pedro Paulo Antônio Miléo, ex-prefeito de Tucuruí, em uma reunião da AMAT, a Associação dos Municípios do Tocantins. Em um encontro dos prefeitos da área, Miléo traçou as fronteiras do que seria o Estado de Carajás. Depois os prefeitos do oeste riscaram os limites do que viria a ser o Estado do Tapajós. Daí resultou a proposta, a ser votada no plebiscito deste domingo, 11, que reduz o Pará a região onde fica Belém.
A revelação, emblemática do oportunismo que move as lideranças separatistas, foi feita pelo deputado federal Giovani Queiroz (foto) (PDT/PA) , em um debate promovido pelo Conselho Regional de Economia, realizado no campus da UFPA, a Universidade Federal do Pará, em 30 de junho deste ano. Na ocasião, ao ser questionado a respeito da gênese da proposta por Sérgio Couto, ex-presidente da OAB do Pará, a Ordem dos Advogados do Brasil, Giovani Queiroz, que vocifera um ácido discurso em defesa da divisão do Pará, admitiu, subliminarmente, a torpe motivação da proposta separatista. As lideranças separatistas em verdade miram na “orgia de novas instituições a criar, de novos cargos a preencher e de dinheiro a gastar”, como sublinhou, em artigo na mais recente edição da revista Veja, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo.
“Fiquei de queixo caído. Logo percebi que estava enganado. Havia levado a sério que não passava de irresponsabilidade”, resume Sérgio Couto, ao comentar a farsa que turbina a mobilização das lideranças separatistas. São lideranças, diga-se, que valem-se das mazelas históricas do Pará - que penalizam não só o interior, mas também a capital do Estado – para fazer do eleitorado das regiões mais distantes massa de manobra, sob o álibi de materializar uma justiça social com a qual jamais estiveram verdadeiramente comprometidos. Com as eventuais exceções, que confirmam a regra, o que as lideranças separatistas buscam é a concentração de mais poderes e as benesses que deles decorrem. O resto é nhenhenhém.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
PLEBISCITO – Debate evidencia embuste do sim
O embuste condimentado com a mediocridade. Assim pode ser resumido o que de mais visível emergiu do discurso separatista, no debate promovido pela TV RBA na noite desta última quinta-feira, 1º de dezembro, reunindo lideranças das frentes contra e a favor da divisão do Pará, para a criação dos Estados do Tapajós e de Carajás. Do debate participaram o deputado federal Zenaldo Coutinho (foto) (PSDB) e o deputado estadual João Salame (PPS), contra e a favor da criação de Carajás, respectivamente. A eles se somaram o deputado estadual Celso Sabino (PR) e o deputado federal Lira Maia (DEM), respectivamente, contra e a favor da criação do Tapajós.
Dos debatedores destacou-se, positivamente, Zenaldo Coutinho, que revelou-se mais convincente, inclusive driblando, com sagacidade, seus vínculos com os sucessivos governos do PSDB no Pará, de 1995 a 2006, cujo mais visível legado, além de obras faraônicas, foram índices sociais pífios. Índices que a ex-governadora petista Ana Júlia Carepa, cuja gestão se estendeu de 2007 a 2010, repassou de volta a quem sucedera e pelo qual foi sucedida, o governador tucano Simão Jatene, o Simão Preguiça, eleito em 2010 para um segundo mandato, depois de ter governado o Pará de 2003 a 2006.
Zenaldo, é verdade, acabou favorecido pelo desempenho inocultavelmente medíocre de João Salame, pouco convincente na tentativa de apresentar-se como um político aguerrido e identificado com as causas populares, além dos estreitos limites de suas conveniências. Pretender ostentar esse tipo de perfil soou como o erro crasso do líder do PPS na Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, a despeito do seu colossal coeficiente de desfaçatez, capaz de fazê-lo trombetear austeridade, mesmo quando convive, silente, com a corrupção. Tal qual ocorreu, por exemplo, quando foi 1º vice-presidente da Alepa, na mesa diretora presidida pelo então deputado Domingos Juvenil (PMDB), protagonista de uma das mais corruptas administrações do Palácio Cabanagem, como evidenciam as investigações do Ministério Público Estadual.
Salame acabou por tropeçar nas próprias pernas. Vociferou contra a Lei Kandir, que isenta de ICMS, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, os produtos e serviços destinados à exportação. A lei, que penaliza o Pará, foi criada em 1996, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de cuja base de sustentação parlamentar figurava o PPS do ilustre deputado. A emenda foi pior do que o soneto, quando o parlamentar jactou-se de se opor a Lei Kandir, como se Salame, na época, tivesse alguma relevância política. De resto, ele não explicou como um Estado que nasceria deficitário, como seria o caso de Carajás, conseguiria driblar a Lei Kandir, na contramão das conveniências do governo federal.
PLEBISCITO – Lira Maia: estultícia e arrogância
Em matéria de estultícia, porém, ninguém superou o deputado federal Lira Maia (foto), do DEM, no debate promovido pela TV RBA. A mediocridade, é verdade, foi o denominador comum entre o ex-prefeito de Santarém e o deputado estadual Celso Sabino (PR), os debatedores a favor e contra a criação do Estado de Tapajós, respectivamente. Ambos, é verdade também, maltrataram impiedosamente o vernáculo.
Como um animal adestrado, Lira Maia insistiu em apresentar Belém como o oásis das elites, ignorando, com evidente má-fé, os bolsões de miséria que prosperam na cidade e desconhecendo que as injustiças sociais se disseminam pelo Pará como um todo, com diferença de grau, mas não de nível. Exortou a população da região do Tapajós a não ter medo de desafiar o status quo. Não soube responder, contudo, qual seria a fonte da prosperidade com a qual acena para seus eleitores em potencial, se o Estado do Tapajós, na possibilidade de ser criado, também nasceria deficitário, tal qual ocorreria com Carajás, se fosse viabilizado.
Agora, nada mais hilário que a pretensão de Lira Maia em se comparar ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, o criador de Brasília, cujo governo se confunde com um ciclo de euforia desenvolvimentista que se alastrou por todo o Brasil. Como JK, repetiu várias vezes Lira Maia, o governador do Tapajós começaria a construir o novo Estado a partir de um acampamento. Nos moldes do Catetinho, presume-se, como foi batizado o abrigo presidencial, feito de madeira e destinado a receber Juscelino, durante as obras de construção de Brasília.
Nada mais ilustrativo da arrogância do discurso separatista. E da mediocridade orgulhosa de si mesma exibida por Lira Maia.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
PLEBISCITO – Adnan repele separatismo
“Dia 11 decidiremos não os próximos quatro anos, mas o futuro do Pará. Respeito o posicionamento de todos, afinal vivemos uma democracia plena. Mas tenho o dever de expor meu pensamento acerca do plebiscito. Voto não e não.”
A declaração é do prefeito Adnan Demachki (foto), de Paragominas, ao repelir a proposta separatista, que defende a divisão do Pará, com a criação de dois novos Estados – do Tapajós e de Carajás, restando ao novo Pará pouco mais que a região de Belém. Eleito por uma coligação que reuniu um vasto leque de legendas (PSDB, PMDB, PP, PDT, PTB, PTN, PPS, DEM, PSDC, PRTB, PMN, PSB, PV e PRP), o tucano Adnan Demachki é incisivo na defesa da unidade do Pará, em uma manifesto veiculado no seu Facebook. “Para resolver as demandas do Estado, não é a divisão que devemos buscar. Devemos nos unir em torno da luta contra a Lei Kandir, que impõe perdas ao Estado (também a Paragominas), já que zera o imposto sobre a exportação de minérios/madeira/ etc. Deveríamos, sim, nos juntar para que o Pará receba ICMS da energia elétrica que produz. Hoje quem recebe não e o Estado que produz, mas o que distribui na ponta”, assinala o prefeito de Paragominas, no manifesto contra a divisão do Pará, postado no seu Facebook.
PLEBISCITO – O manifesto do prefeito
Em seguida, a transcrição, na íntegra, do manifesto do prefeito de Paragominas, Adnan Demachki, no qual ele repele, enfaticamente, a proposta separatista.
“Amigos de Paragominas,
“Dia 11 decidiremos não os próximos quatro anos, mas o futuro do Pará. Respeito o posicionamento de todos, afinal vivemos uma democracia plena. Mas tenho o dever de expor meu pensamento acerca do plebiscito. Voto NÃO e NÃO, pelos seguintes motivos:
“1. Bilhões de reais deverão ser gastos nas novas estruturas de poder (governadores, Assembleias Legislativas, tribunais de Justiça, tribunais de Contas, etc). Esses recursos podem ser aplicados em educação, saúde, estradas, etc;
“2. Quando Tocantins foi emancipado, estava-se elaborando a Constituição Federal e os Constituintes inseriram o art. 234, perdoando a dívida do Estado mãe - Goiás, e no mesmo dispositivo, proibiram novos perdões. Ou seja, o remanescente do Pará (incluso Paragominas) ficaria somente com 17 por cento do atual território, perderia o minério do sul do Estado, perderia as riquezas florestais do oeste do Estado, perderia a hidrelétrica de Tucuruí, perderia a futura hidrelétrica de Belo Monte (de produtor passaria a importador de energia) e a atual dívida do Estado ficaria somente para o Pará. Tapajós e Carajás não assumiriam sequer parte da atual dívida;
“3. Passam pela mídia, o sentimento de que a divisão do Estado é a solução para todos os problemas do interior. Sabemos que as regiões distantes não são lembradas como a capital. Paragominas também fica no interior, e talvez tenha sido um dos municípios mais esquecidos pelo governo do Estado, no mandato anterior. Busquem os índices desse período. Avançamos em todos os índices. Claro que temos problemas, mas é inegável que avançamos muito. Isso porque, acreditamos que quem resolve nossas demandas somos nós, a sociedade local. Ninguém vem de fora, como salvador da pátria, resolver nossos problemas. Aqui, poder público municipal pactuando com a sociedade civil, permitindo que pudéssemos avançar em todos os indicadores e na própria infraestrutura da cidade. Se vier algo de fora, ótimo. Mas não ficamos esperando em berço esplêndido;
“4. Para resolver as demandas do Estado, não é a divisão que devemos buscar. Devemos nos unir em torno da luta contra a Lei Kandir, que impõe perdas ao Estado (também a Paragominas), já que zera o imposto sobre a exportação de minérios/madeira/ etc. Deveríamos, sim, nos juntar para que o Pará receba ICMS da energia elétrica que produz. Hoje quem recebe não e o Estado que produz, mas o que distribui na ponta;
“5. Com a divisão o nosso Pará perderia receitas, mas continuaria com a maioria das despesas (e com a dívida), pois nele estaria também a maior parte da população paraense (64 por cento da população atual)
“Por isso, amigos de Paragominas, reafirmo meu respeito às posições contrárias. Contudo, reitero meu posicionamento, acreditando que a divisão não é a saída para a melhoria da qualidade de vida de todos os paraenses, muito menos para o que restaria do Pará, incluindo-se ai a nossa Paragominas.
“Voto NÃO e NÃO.”
PLEBISCITO – Pompeu e a voracidade separatista
Em seu artigo na mais recente edição da revista Veja, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo (foto) ocupa-se da proposta de divisão do Pará, salientando o oportunismo que habitualmente move os políticos mobilizados na defesa de propostas separatistas. “Essa história de criação de novos estados, como você bem sabe, é controvertida. Chovem argumentos por todo lado, todos altamente especulativos e por isso altamente discutíveis. O que escapa à controvérsia é que se trata de ótimo negócio para os políticos, dada a orgia de novas instituições a criar, de novos cargos a preencher e de dinheiro a gastar”, observa, cáustico, o jornalista, antes de se debruçar sobre um personagem emblemático da falácia que se confunde com o oportunismo dos políticos que defendem a divisão do Pará, para a criação dos Estados do Tapajós e de Carajás – Duda Mendonça, o mago da propaganda enganosa.
“O objetivo destas mal traçadas é falar de um personagem que depois de muitas peripécias, Brasil afora, agora aportou por aí, metido na campanha do plebiscito. O nome dele é Duda Mendonça”, assinala o jornalista da Veja. “Gentilmente ele ofereceu seus serviços à causa separatista, ele que, se não vive no estado, pelo menos tem bois que vivem, na fazenda de sua propriedade no território candidato a virar Carajás. Oferta aceita, e ei-lo no comando da campanha do sim”, acrescenta Roberto Pompeu de Toledo, para então se concentrar nas estrepolias de Duda Mendonça, flagrado em um episódio de evasão de divisas, a quando da descoberta do mensalão, o propinoduto que regava – com recursos públicos – os bolsos dos parlamentares alinhados com o Palácio do Planalto, a quando do primeiro mandato do ex-presidente Lula.
PLEBISCITO – O perfil (não autorizado) de Duda
Em seguida, a transcrição do perfil de Duda Mendonça (foto), o marqueteiro separatista, feito por Roberto Pompeu de Toledo:
Caro amigo paraense
No dia 11 de dezembro você votará sim ou não à partição do Pará em três unidades. A proposta é que toda a metade oeste do atual estado se transforme no estado do Tapajós e a parte sudeste no de Carajás, continuando com o nome de Pará a região onde fica Belém e um pouco mais. Essa história de criação de novos estados, como você bem sabe, é controvertida. Chovem argumentos por todo lado, todos altamente especulativos e por isso altamente discutíveis. O que escapa à controvérsia é que se trata de ótimo negócio para os políticos, dada a orgia de novas instituições a criar, de novos cargos a preencher e de dinheiro a gastar. Tudo isso você sabe. O objetivo destas mal traçadas é falar de um personagem que depois de muitas peripécias, Brasil afora, agora aportou por aí, metido na campanha do plebiscito. O nome dele é Duda Mendonça. Gentilmente ele ofereceu seus serviços à causa separatista, ele que, se não vive no estado, pelo menos tem bois que vivem, na fazenda de sua propriedade no território candidato a virar Carajás. Oferta aceita, e ei-lo no comando da campanha do sim.
Todo mundo o conhece. Sabe dos seus triunfos eleitorais, como mago do marketing, bem como do lado menos aprazível de réu no processo do mensalão. Já o que ele andou aprontando em eleições de São Paulo o amigo paraensenão deve saber.Permita um breve relato. Na eleição de 1996 para a prefeitura de São Paulo, Duda Mendonça fez o marketing do candidato Celso Pitta. Quatro anos antes ele fizera o do mentor de Pitta, Paulo Maluf. Pitta era um político desconhecido. O marqueteiro julgou que a campanha necessitava de alguma pirotecnia. Saiu-se então com um trem voador, um mágico bólido que, suspenso em vias elevadas,catapultaria a cidade para um serviço de transporte até então só acessível à família Jetson. Nas animações para a propaganda na TV, ficou uma beleza. Para transformá-lo em realidade o custo seria assombroso, a logística complicada, a utilidade discutível, mas e daí? Importava ganhar a eleição. Celso Pitta ganhou.
O amigo paraense não precisa conhecer todos os detalhes do sinistro episódio. A intenção é alertá-lo sobre o alcance que pode atingir uma marquetagem irresponsável – e a palavra “irresponsável” vai aqui no sentido puro de qualificar um agente que não responde por seus atos. O marqueteiro não foi eleito. Não tem função pública. Portanto, não lhe cabe responder por um ato da administração pública. E no entanto teve origem no capricho de um marqueteiro toda a sucessão de decisões e indecisões que resultou num corredor de ônibus suspenso, ao qual só se tem acesso subindo penosas escadas, desarticulado do geral sistema de transportes urbanos, desestruturador da paisagem e na contramão do melhor urbanismo – que desaconselha as vias aéreas pelas cicatrizes que impingem às cidades e pela deterioração que produzem no entorno.
Duda Mendonça já foi de Paulo Maluf a Lula. Se um marqueteiro deve manter a coerência política, é algo que escapa a este missivista. É curioso, em todo caso, lembrar que nos anos 1980 ele esteve à frente da campanha que se opunha a um projeto de divisão do estado da Bahia. Um texto por ele composto, e que era lido por Maria Bethânia na TV, afirmava que dividir a Bahia era como separar Jorge do Amado, o Dorival do Caymmi, o Rui do Barbosa, o Gilberto do Gil. Já separar a Fafá do Belém, o Paulo Henrique do Ganso, o Bylle do Blanco e o Jayme do Ovalle, isso pode. Em São Paulo, ao arriscar-se no urbanismo, Duda Mendonça deixou sua marca indelével no ônibus pendurado à beira do rio. Agora se aventura na engenharia política e calca a mão pesada no mapa do Brasil. Leve isso em conta, amigo paraense.
PLEBISCITO – As sandices de João Salame
Com uma postura agressiva, compatível com o tom que passou a pontuar o discurso separatista, o deputado João Salame (foto), atual líder do PPS na Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, vagueou entre a estultícia e a má-fé, na entrevista concedida à TV Liberal, nesta última quarta-feira, 30. Nela, o deputado parece ter voltado a incorporar o João Só Lama do passado, como ficou conhecido em Marabá, devido sua compulsão pela baixaria política.
Em pelo menos uma passagem da entrevista João Salame foi particularmente patético. Ao vociferar contra o abandono histórico do interior, para justificar a suposta excelência da proposta separatista, o parlamentar fez carga, em particular, contra o sucateamento da saúde pública.
Faltou lembrá-lo que, neste segundo mandato do governador tucano Simão Jatene, a saúde pública do Pará foi confiada justamente ao PPS, por acaso a legenda do nobre deputado e, ao que consta, avalista da indicação do secretário estadual de Saúde, o médico Hélio Franco. O mesmo PPS que manteve-se alinhado com o PSDB, ao longo dos 12 anos de sucessivos governos tucanos, entre 1995 e 2006, cujo mais constrangedor legado foram índices sociais pífios.
PLEBISCITO – Balelas do separatismo
Não há o que discutir sobre o abandono do Pará como um todo, e do seu interior em particular, pelas elites políticas do Estado. Mas o antídoto para as mazelas com as quais nos defrontamos na capital e no interior – com diferença de grau, mas não de nível – certamente não reside na divisão do Estado. A alternativa, diante dos índices sociais africanos que o Pará hoje exibe, depende visceralmente do aprendizado democrático, capaz de tornar o eleitorado mais seletivo e, por via de conseqüência, capaz de compelir a mudanças qualitativas nossas lideranças políticas, notoriamente predatórias e para as quais o eleitorado perdura sendo massa de manobra.
E tanto é assim que mesmo as lideranças separatistas sempre estiveram nas abas do poder, usufruindo com avidez as benesses reservadas aos poderosos de plantão, sem privilegiar, para além dos palanques eleitorais, as prioridades dos deserdados abrigados em regiões geograficamente localizadas a uma distância abissal de Belém e seu entorno. De Giovanni Queiroz a Lira Maia, passando por um João Salame, são todos profissionais do embuste, tanto quanto Jader Barbalho, Simão Jatene e Almir Gabriel, além de outros menos votados, como um Zenaldo Coutinho da vida. Todos, sem exceção, vivem e sobrevivem, politicamente, da inércia das massas de deserdados, de parca ou nenhuma consciência política. Por isso apostam no assistencialismo, visceralmente deletério, porque fixa suas vítimas na pobreza, frequentemente resvalando para a miséria pura e simples, ao invés de delas libertá-las.
O Pará dispensa divisão, porque exige, prioritariamente, um mínimo de justiça social. Esta é a condição sine qua non para avançar, pavimentando o caminho que poderá fazê-lo ter elites abertas e massas minimamente conscientes.
PLEBISCITO – Azevedo em novo momento Magda
O que justificou a participação de Arnaldo Célio da Costa Azevedo (foto) no horário político do movimento separatista, na condição de promotor de Justiça que é, com a credencial de participar das investigações sobre as falcatruas detectadas na Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará?
Pela liturgia do cargo e em respeito a instituição que representa, Azevedo deveria aprender a melhor administrar sua aparente compulsão pela notoriedade. Algo que experimentou ao participar das apurações das patifarias ocorridas, nas últimas décadas, no Palácio Cabanagem.
De resto, palpitar sobre constitucionalidade ou inconstitucionalidade do que quer que seja soa a piada pronta, no caso do ilustre promotor de Justiça, confortavelmente instalado em Belém, quando deveria estar exercendo suas atribuições na comarca de Paragominas. Para a qual está sendo remetido de volta, diga-se, por exigência do Conselho Nacional do Ministério Público.
Diante das recorrentes gafes de Azevedo, por conta do estilo falastrão do vaidoso promotor de Justiça, é inevitável a lembrança do bordão célebre, que evoca intervenções infelizes: “Cala a boca, Magda!”
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Assinar:
Postagens
(
Atom
)












