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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ADIEL – Um petardo contra a impunidade

        “Desiludido, saio de cena. Não acredito em Justiça, em MP, Policia Federal e demais órgãos fiscalizadores de nosso Estado.”
        O desabafo é de Adiel Fernandes de Luna, em e-mail enviado ao Blog do Barata, no qual agradece a “grandiosa ajuda e atenção, para com o meu caso”. “Acho que fui usado para moeda de troca (sic)”, acrescenta, suscitando a grave suspeita de tráfico de influência para não deixar repercutir as denúncias por ele feitas envolvendo a família do ex-deputado Alessandro Novelino (foto), e ao próprio ex-parlamentar, morto em desastre aéreo ocorrido em 25 de fevereiro deste ano, no município de Moju, na região do Marajó, no Pará. Com a autoridade de quem serviu por 27 anos os Novelino, ele escancarou os porões da corrupção política e empresarial, inicialmente na Justiça do Trabalho e posteriormente no MPE, o Ministério Público Estadual, e mais recentemente na Sefa, a Secretaria de Estado da Fazenda. A prosperidade dos Novelino costuma ser associado, na versão corrente, ao contrabando de gasolina, agiotagem e sonegação fiscal.
        Nos seus depoimentos Adiel Fernandes de Luna abriu a caixa-preta das falcatruas, revelando de sonegação fiscal a falsidade ideológica, por ele próprio protagonizadas, embora tenham sido desconhecidas pela Justiça do Trabalho. Esta, em uma sentença definida como “inusitada” por uma fonte insuspeita, deu ganho de causa aos Novelino, no contencioso travado com Adiel Fernandes de Luna, que reivindicava direitos trabalhistas, pelos anos que serviu à família do ex-deputado Alessandro Novelino.

ADIEL – Revelações explosivas

        As denúncias de Adiel Fernandes de Luna se constituem em revelações explosivas, para dizer o mínimo. E não poupam os poderosos de plantão.
        Ao Ministério Público Estadual, por exemplo, Adiel revelou, dentre outras coisas, que foi servidor fantasma na Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, lotado no gabinete de Alessandro Novelino. E também na Prefeitura de Ananindeua, nesta por conta de um suposto acordo político do falecido deputado com os Barbalho. No caso, com o senador e ex-governador Jader Barbalho (foto), o morubixaba do PMDB no Pará, e Helder Barbalho, prefeito de Ananindeua e pretenso herdeiro político do pai. Em ambos os casos, segundo ele afirma, Adiel não teria embolsado um só tostão, presumindo que o dinheiro relativo a sua remuneração fosse destinado a José Augusto dos Santos, o assessor de Alessandro Novelino morto no acidente aéreo que também matou o deputado.
        A motivação de Adiel Fernandes de Luna, ao escancarar os subterrâneos das falcatruas das quais acusa os Novelino, seriam direitos trabalhistas solenemente desconhecidos pelos ex-patrões. Ele declara ter recorrido em vão à Justiça do Trabalho, que “estranhamente”, na sua própria definição, não lhe deu ganho de causa. Quem já teve acesso ao processo corrobora Adiel e qualifica como “inusitada” a decisão do TRT, o Tribunal Regional do Trabalho.

ADIEL – Previsível desalento

        Pelo menos parcialmente soa justificável o desalento de Adiel Fernandes de Luna, que durante 27 anos serviu à família Novelino, mantendo estreitos laços com o ex-deputado estadual Alessandro Novelino. Afinal, as denúncias que ele fez ao Ministério Público Estadual, inclusive documentais, valendo-se da delação premiada, e que comprometiam Alessandro Novelino, foram arquivadas, diante da morte do parlamentar. Mas perduram válidas no que se referem às empresas da família Novelino, cuja prosperidade é habitualmente associada a ilícitos, embora perdure o silêncio por parte do MPE.
        Um desses ilícitos aos quais costuma ser relacionada a prosperidade dos Novelino é a agiotagem. Assumida, pública e impunemente, pelo então deputado estadual Alessandro Novelino, em entrevista a O Liberal, a quando do assassinato de dois dos seus irmão, Uraquitã e Ubiraci, em 25 de abril de 2007, a mando empresário João Batista Ferreira Bastos, conhecido como Chico Ferreira. O crime é atribuído a uma dívida de Chico Ferreira com os Novelino que chegaria, com os juros, a R$ 4 milhões.
        Nos bastidores fala-se, em uma versão nunca confirmada, que o assassinato dos irmãos Uraquitã e Ubiraci teria sido precipitado pelo suposto espancamento da mulher de Chico Ferreira e da suposta ameaça do mesmo ocorrer com a filha do ex-empresário. Da mesma forma como a eficiência revelada pela polícia, nas investigações, teria sido turbinada pelo pródigo financiamento patrocinado pelo patriarca dos Novelino, Ubiratan Novelino, mais conhecido como Bira Novelino, habitualmente descrito como “um homem perigosamente truculento”.

ADIEL – Um suspeito silêncio

        As suspeitas de Adiel Fernandes de Luna de que seja vítima de uma ação orquestrada, turbinada pelo poder econômico dos poderosos de plantão, não podem ser desprezadas.
                Adiel chegou a ser entrevistado pela repórter Jalilia Messias (foto), da TV Liberal, afiliada da TV Globo no Pará, em matéria na qual também foram ouvidos os promotores de Justiça Arnaldo Azevedo e Nelson Medrado, do Ministério Público Estadual. A reportagem – feita anteriormente a morte de Alessandro Novelino – não foi ao ar e até hoje a emissora e a jornalista não ofereceram qualquer explicação a nenhum dos entrevistados, o que irritou profundamente o promotor de Justiça Arnaldo Azevedo. Além dos depoimentos prestados, Adiel afirma ter fornecido ao promotor de Justiça Arnaldo Azevedo os documentos que disponibilizava sobre as falcatruas das quais participou, a serviço dos Novelino.
        No início do ano, antes da abortada reportagem da Jalilia Messias, em declaração ao Amazônia Jornal - o tablóide popular do grupo de comunicação da família Maiorana, que ainda inclui a TV Liberal e O Liberal, o segundo jornal de maior vendagem no Pará -, o promotor de Justiça Arnaldo Azevedo antecipou, em passant, as denúncias de Adiel, sem, porém, obter a repercussão na qual obviamente apostou, ao suscitar um tema naturalmente explosivo e de óbvio interesse jornalístico.

ADIEL – Um desabafo explosivo

        O tom do desabafo de Adiel Fernandes de Luna é igualmente explosivo. Sem eufemismos, como uma metralhadora giratória ele dispara nas mais diversas. Da sua metralhadora giratória não escapa sequer o deputado estadual Edmilson Rodrigues (foto), do PSol, ex-prefeito de Belém por dois mandatos consecutivos (de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004), quando ainda no PT. Novamente candidato a prefeito de Belém, agora pelo PSol, em disputa na qual desponta como favorito, Edmilson Rodrigues fez carreira política com um discurso exaltando a probidade como condição sine qua non para a construção de uma sociedade mais justa. Nem por isso é poupado por Adiel. “Quando vejo agora um Edmilson Rodrigues da vida, querendo voltar ao poder, lembro de quando prefeito e mandando seu irmão, Gilberto, pegar propina do Alessandro, para liberar habite-se de uso, para o seu posto da Pariquis com 14 de março, que tem construção irregular, dentro da linha de dominio do canal”, acusa.
        Adiel não só se queixa do imobilismo que vislumbra no Ministério Público Estadual e no Ministério Público Federal, como denuncia também o pagamento de propinas no Iterpa, o Instituto de Terras do Pará, como condição sine qua non para a legalização. E questiona o porquê da leniência do Ibama, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, diante das queimadas ilegais em Paragominas (PA), “quando da época de Nelson Chada na sua direção”. E prossegue: “Passados quatro meses de depoimentos à Sefa, Policia Federal, MPF, Controladoria Federal, não vi empenho ou boa vontade de ninguém. Mesmo afirmando e colocando-me à disposição, destes e de qualquer outro órgão ou setor deste país, não fui levado a proceder um exame grafotécnico, nos contratos sociais das empresas, sejam do Alessandro Novelino, sejam nos postos UBN.”

ADIEL – O e-mail enviado ao blog

        Segue abaixo a transcrição, na íntegra, do e-mail remetido por Adiel Fernandes de Luna ao Blog do Barata, o único a abrir espaço para as graves denúncias feitas pelo ex-assessor do ex-deputado Alessandro Novelino, solenemente ignoradas pela grande imprensa do Pará.

“Caro Amigo

“Venho agradecer sua grandiosa ajuda e atenção, para com o meu caso.
“Desiludido, saio de cena. Não acredito em Justiça, em MP, Policia Federal e demais órgãos fiscalizadores de nosso Estado.
“Lutar contra o Sistema, é lutar contra moinhos de vento, e sinceramente, não tenho vocação para D. Quixote.
“Acho que fui usado, para moeda de troca.
“Apesar de que, não tenha atingido o objetivo principal, que era o meu reconhecimento de vinculo trabalhista e consequentemente a justiça propalada e difundida em nosso País, que tem um dos trechos de nossa Constituição, que é lindíssimo, que afirma que todos os cidadãos são iguais perante a Lei.
“Passados quatro meses de depoimentos à Sefa, Policia Federal, MPF, Controladoria Federal, não vi empenho ou boa vontade de ninguém. Mesmo afirmando e colocando-me à disposição, destes e de qualquer outro órgão ou setor deste país, não fui levado a proceder um exame grafotécnico, nos contratos sociais das empresas, sejam do Alessandro Novelino, sejam nos postos UBN.
“Em empresa de Manaus (AM).
“Não vi os servidores públicos citados serem investigados ou chamados a depor. Não vi a patifaria dentro do Iterpa, que legaliza terras do Estado, em favor de terceiros, por gordas propinas.
Não vi o Ibama ser chamado a se manifestar, sobre derrubadas e queimadas ilegais em Paragominas (PA), quando da época de Nelson Chada na sua direção.
“Peço-lhe perdão se de alguma forma, Eu lhe causei algum tipo de constrangimento.
“Quando vejo agora um Edmilson Rodrigues da vida, querendo voltar ao poder, lembro de quando prefeito e mandando seu irmão, Gilberto, pegar propina do Alessandro, para liberar habite-se de uso, para o seu posto da Pariquis com 14 de março, que tem construção irregular, dentro da linha de dominio do canal.
“São forças poderosas, são interesses grandes, que nem sei como ainda estou vivo.
“Obrigado e desculpe se algum constrangimento lhe trouxe.

“Adiel Fernandes de Luna”