 |
| Alice Viana: disposta a ressarcir o erário, para evitar ação judicial. |
O cinismo levado ao
paroxismo. Assim pode ser definida a mais recente lambança de Alice Viana, a
secretária estadual de Administração, originária do TJ Pará, o Tribunal de
Justiça do Estado, e uma das ilustres beneficiárias da sórdida pilhagem ao
erário, na forma de desrespeito ao teto constitucional. Flagrada no bem-bom das
remunerações faraônicas, obtidas à margem da lei, ela deverá responder a uma
ação judicial por improbidade, com ressarcimento ao erário, a ser movida pelo
MPE, o Ministério Público Estadual. Segundo fonte do Blog do Barata, cujo relato foi feito em off, Alice Viana, exibindo um cinismo
de corar anêmico, propôs ao MPE devolver aos cofres públicos, sem mais
delongas, o que embolsou indevidamente, solicitando, porém, que o MPE desista
da ação judicial na qual deverá figurar como ré.
“Nunca tinha visto
algo semelhante, em se tratando de improbidade”, assinala a fonte do Blog do Barata, ao relatar as circunstâncias nas quais Alice Viana protagonizou
a inusitada barganha. A graciosa proposta da secretária estadual de
Administração, notabilizada pelo arrogância própria dos deslumbrados com a
ascensão social, ocorreu em telefonema ao procurador de Justiça Nelson Medrado,
que quando promotor de Justiça flagrou a tramóia das remunerações faraônicas. A
ideia inicial era ajuizar uma ação judicial por improbidade, com ressarcimento
ao erário, na qual figurariam como rés, além de Alice Viana, Ana Maria Barata,
originária da Defensoria Pública e cedida por longos anos ao MPE, e Marta Maria
Vinagre Bembom, procuradora da Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, cedida
ao TCE, o Tribunal de Contas do Estado. Todas três acumulavam as remunerações
dos órgãos
cedente e cessionário, sem que, somados os pagamentos brutos, fosse descartado
o que excede o teto constitucional, como manda a lei.
Com a promoção a procurador de Justiça, por antiguidade, de
Nelson Medrado - de competência, probidade e experiência reconhecidas -, o
imbróglio ficou afeto ao promotor de Justiça Bruno Beckembauer Sanches
Damasceno. Este, então, segundo relato feito ao Blog do Barata,
por fonte do MPE, optou por fatiar em três a ação judicial originalmente
minutada, por entender que assim contribuiria para agilizar a tramitação.
Informações adicionais, não confirmadas,
relatam que, por eventuais irregularidades, distintas do desrespeito ao teto
constitucional, também seriam arrolados, na ação envolvendo Alice Viana,
Cláudia Guzzo, consultora jurídica do Estado e chefe da Consultoria Jurídica da
Sead, a Secretaria de Estado de Administração, e Adelino Carvalho Monteiro. Este
vem a ser o marido de Alice Viana, originário da Sead e anunciado como diretor de
Gestão da Política de Saúde Ocupacional do Servidor da secretaria, da qual seria servidor de carreira, tão logo a mulher
foi nomeada secretária. Diante das críticas, ele foi cedido à Casa Civil, em
cuja relação de servidores figura desde julho de 2012, quando foi
disponibilizada a folha de pagamento do governo, com remuneração de pouco mais
de R$ 5 mil. Quanto a Cláudia Guzzo, desde de julho de 2012, quando foi disponibilizada a folha de pagamento
do governo, aparece o abate teto na sua remuneração.