SOB CENSURA, POR DETERMINAÇÃO DOS JUIZES TÂNIA BATISTELO, JOSÉ CORIOLANO DA SILVEIRA, LUIZ GUSTAVO VIOLA CARDOSO, ANA PATRICIA NUNES ALVES FERNANDES, LUANA SANTALICES, ANA LÚCIA BENTES LYNCH, CARMEN CARVALHO, ANA SELMA DA SILVA TIMÓTEO E BETANIA DE FIGUEIREDO PESSOA BATISTA - E-mail: augustoebarata@gmail.com
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sexta-feira, 25 de março de 2016
terça-feira, 16 de julho de 2013
O DIA SEGUINTE – O contexto histórico
A
charge de Jaguar (foto), que abre
esta edição do Blog do Barata, foi inspirada em poema de
Carlos Drummond de Andrade e publicada em O
Pasquim, em agosto de 1970, ano da conquista do tricampeonato mundial de futebol
pela Seleção Brasileira, ocorrida no alvorecer dos anos de chumbo da ditadura
militar. O regime dos generais, que se estendeu de 1º de abril de 1964 a 15 de
março de 1985, levou ao paroxismo suas repulsivas iniquidades a partir da
edição do famigerado AI-5, o Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,
que varreu de cena os eventuais vestígios de democracia que sobreviveram ao
golpe militar de 1º de abril de 1964.
A
charge, conjugada a fragmento do poema de Carlos Drummond de Andrade, perdura
atual, atualíssima. Tanto quanto a presunção dos poderosos de plantão de que
podem entorpecer as massas diante das gritantes injustiças sociais, valendo-se
para tanto do ufanismo futebolístico. Foi assim em 1970, na esteira da Copa do
Mundo disputada no México. Um logro que os petralhas abrigados no Palácio do
Planalto, no rastro do restabelecimento da democracia no Brasil, pretenderam
repetir, sem sucesso, a pretexto da Copa das Confederações, realizada este ano
no Brasil. As vozes das ruas falaram mais alto, como evidenciaram as massas que tomaram as capitais do País, espontaneamente, à margem de partidos políticos e sindicatos, cobrando educação, saúde, justiça social e ética na condução da gestão pública.
O DIA SEGUINTE – Drummond quase é preso
“Esta
ilustração que fiz para os versos de Carlos
Drummond de Andrade (foto) quase provocou a prisão do poeta”, recordou mais
recentemente Jaguar.
“Tive
um trabalho danado para convencer o general de censura que publiquei o desenho
sem pedir autorização do poeta”, acrescentou o chargista, ao rememorar o
episódio.
O DIA SEGUINTE – O poema que inspirou a charge
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
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