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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

PEDOFILIA – Sefer alega doença e audiência é adiada

Sefer: suposta doença adia audiência da ação contra o Blog do Barata.

        Foi transferida para 10 de outubro próximo a audiência de instrução da ação judicial que o ex-deputado Luiz Sefer, que é também médico e empresário, move contra mim na 1ª Vara do Juizado Especial Cívil, a pretexto de supostos danos morais, em decorrência de postagens e comentários anônimos publicados no Blog do Barata. Suspeito de pedofilia e inocentado – em uma decisão polêmica - pelos desembargadores João Maroja e Raimundo Holanda, da 3ª Câmara Criminal Isolada do Tribunal de Justiça do Pará, ele é réu em uma ação judicial movida pelo Ministério Público Estadual, que tramita em nível de recurso ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal. Alegando doença, o ex-parlamentar, que renunciou ao mandato para evitar a cassação pela Assembleia Legislativa do Pará, não compareceu à audiência, prevista para a última segunda-feira, 4, o mesmo dia da sessão na qual o Tribunal Regional Eleitoral indeferiu sua candidatura, por força da Lei da Ficha Limpa.

        De acordo com denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual, Sefer é acusado de abusar sexualmente de uma menina, trazida de Mocajuba, município do interior do Pará, para a casa do ex-deputado, em Belém, onde, dos 9 aos 13 anos, sofreu sucessivas violências sexuais não só do próprio Sefer, mas também de um dos filhos deste. Aos 13 anos a menor fugiu da casa do ex-deputado, buscando abrigo no Conselho Tutelar, com o auxílio de uma vizinha, condoída diante do drama da garota, que passou a viver amparada pelo programa de proteção de testemunhas.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

PEDOFILIA – A litigância de má-fé de Sefer

Luiz Sefer: rancor como aparente combustível na litigância de má-fé.

        Está prevista para a manhã desta segunda-feira, 4, às 10 horas, na 1ª Vara do Juizado Especial Cívil, a audiência de instrução da ação judicial que o ex-deputado estadual Luiz Sefer, que é também médico e empresário da medicina, move contra mim, a pretexto de supostos danos morais. O álibi para o contencioso, em circunstâncias que permitem defini-lo como uma clara litigância de ma-fé, foram postagens e comentários anônimos de internautas, veiculados no Blog do Barata, ao repercutir o escândalo protagonizado pelo ex-parlamentar, suspeito de pedofilia e acusado de estupro, cárcere privado e violência física, entre outros crimes. De acordo com denúncia oferecida pelo MPE, o Ministério Público Estadual, ele é acusado de abusar sexualmente de uma menina, trazida de Mocajuba, município do interior do Pará, para a casa do ex-deputado, em Belém, onde, dos 9 aos 13 anos, sofreu sucessivas violências sexuais não só do próprio Sefer, mas também de um dos filhos deste. Aos 13 anos a menor fugiu da casa do ex-deputado, buscando abrigo no Conselho Tutelar, com o auxílio de uma vizinha, condoída diante do drama da garota, que passou a viver amparada pelo programa de proteção de testemunhas.

        O escândalo ganhou dimensão nacional em 2009, quando a CPI da Pedofilia, a Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Senado Federal, representada pelo senador Magno Malta (PR/ES), aportou em Belém e incluiu o caso nas investigações. No mesmo período, a Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, também instaurou uma CPI para investigar crimes de pedofilia. A CPI da Alepa teve como relator - com uma atuação impecável, porque rigorosa, mas serena - o deputado Arnaldo Jordy, do PPS, hoje deputado federal, pela mesma legenda. Acuado, Sefer preferiu renunciar ao mandato de deputado a ser cassado por comissão processante instaurada na Alepa.

PEDOFILIA – O fio da meada das aberrações

        O que comprometeu irremediavelmente Luiz Sefer foi a denúncia formal da vítima de abuso sexual e seus convincentes relatos, acompanhados por profissionais de reconhecida competência e reputação ilibada. Profissionais que resistiram a pressões avassaladoras, que chegaram a incluir ameaças anônimas de morte.
        O escândalo envolvendo o então deputado Luiz Sefer, na ocasião líder do DEM na Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, foi, por assim dizer, o fio da meada da aberração que representa a pedofilia. Sucederam-se, a partir dele, sucessivos relatos sinalizando o envolvimento de cabeças coroadas em exploração sexual de menores, embora sem provas documentais e/ou testemunhais. Versões dão conta, por exemplo, de que quando um BO, boletim de ocorrência, sobre a agressão a uma jovem adolescente de família humilde, durante uma vesperal etílica em um sítio nos arredores de Belém, ameaçou comprometer um deputado estadual do esquema de sustentação parlamentar do governador tucano Simão Jatene, então cumprindo seu primeiro mandato, o indício de pedofilia foi diligentemente pulverizado. Essas versões acrescentam que um tucano de farta plumagem simplesmente deu fim ao HD do microcomputador da delegacia no qual fora registrado o BO. De mais concreto, restaram denúncias anônimas de pedofilia contra o parlamentar, que circularam na internet – e só.

        Também circularam insistentemente versões, que não ultrapassaram os limites das especulações, sobre orgias sexuais, travestidas de pescarias ou passeios fluviais, supostamente envolvendo um senador tucano e outro deputado estadual, este de oposição, mas circunstancialmente alinhado com o governo, igualmente a quando do primeiro mandato de Simão Jatene. Sabe-se que ambos os parlamentares são dados a libações alcoólicas com mulheres de vida airada, mas pretensas testemunhas dos supostos episódios de pedofilia relatados jamais ousaram confirmar as versões oferecidas nos bastidores.

PEDOFILIA – Prisão, fuga, absolvição e recurso

 Luiz Sefer, ao ser preso no Rio, para onde fugiu, após ser condenado.

        Em junho de 2010, a juíza da Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes de Belém, Graça Alfaia, condenou Sefer e decretou a sua imediata prisão. Mas ele fugiu de Belém para o Rio de Janeiro, onde acabou preso e transferido de volta para o Pará, mas seu advogado impetrou habeas corpus, concedido duas semanas após a condenação, pela desembargadora Vânia Bitar. Posteriormente, em uma decisão polêmica, em 7 de outubro de 2011 o ex-deputado foi absolvido, por dois votos a um, pelos desembargadores da 3ª Câmara Criminal Isolada do TJ. O Ministério Público, em recurso especial, levou o contencioso ao STJ, Superior Tribunal de Justiça, e STF, Supremo Tribunal Federal, o que Sefer tenta ignorar, na sua ânsia de vingança.
        A absolvição de Sefer foi veementemente contestada pelo MPE e acidamente criticada por um vasto leque se entidades. Para se livrar da condenação, a defesa do ex-deputado – feita pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça do governo Lula, juntamente com o advogado paraense Osvaldo Serrão - alegou falta de provas, tese acatada pelos desembargadores João Maroja e Raimundo Holanda, contra o voto do juiz Altemar da Silva Paes. O argumento foi veementemente contestado pelos representantes do Ministério Público. "Como é impossível não acatar as provas? Eu transcrevi trechos dos depoimentos dando detalhes das agressões que a vítima sofria. Será que a palavra dela não tem valor nenhum?", questionou a promotora de Justiça Sandra Gonçalves. Soou também inusitado os desembargadores João Maroja e Raimundo Holanda ignorarem os laudos periciais que comprovaram a violência sexual sofrida pela adolescente. "A jurisprudência dos tribunais brasileiros acata a palavra da vítima e, nesse caso, há também laudos confirmando que a adolescente sofreu violência sexual. Qual o motivo de todos esses documentos terem sido ignorados?", questionou, na ocasião, a promotora de Justiça Célia Filocreão.

        O desembargador João Maroja, recorde-se, foi recentemente afastado de suas funções, sob a suspeita de negociar sentenças, e por isso responde a um PAD, processo administrativo disciplinar, por decisão do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça. Na época da absolvição, varreu os bastidores uma versão segundo a qual, para livrar-se da acusação de pedofilia, no âmbito do TJ, o Tribunal de Justiça do Pará, Sefer teria desembolsados 12 milhões, R$ 6 milhões dos quais pelos honorários cobrados por Márcio Thomaz Bastos.

PEDOFILIA – Indignação com decisão do TJ

Na charge de Luiz Pinto, a ironia subliminar diante da absolvição.

        A decisão absolvendo Sefer também provocou a indignação da Regional II da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, assim como em mais de 20 entidades de defesa de direitos humanos e das crianças e adolescentes. Em coletiva realizada dia 10 de outubro de 2011, na sede da CNBB, representantes desse conjunto de entidades repudiaram a decisão inocentando Sefer. Na ocasião, a coordenadora da Comissão de Justiça e Paz da CNBB Norte, Orlanda Alves, divulgou nota da entidade, manifestando indignação. “O clamor de uma inocente não é suficiente para que a sociedade se manifeste e faça Justiça. A dor de uma vítima deve ser medida pelo poder econômico que possui?”, questiona a nota. Para as entidades, a decisão do TJ feriu os direitos de todas as vítimas de abuso sexual, que só possuem como prova sua palavra e as lembranças do horror que sofreram. “A impunidade neste Estado é comandada por aqueles que detêm poder político e econômico. Essa é a imagem que se configurou com a absolvição do ex-deputado Luiz Sefer”, sublinhava a nota.

        Na ocasião, a hoje vereadora de Belém Marinor Brito (PSol), então no exercício do mandato de senadora pelo Pará, foi ainda mais contundente. Ela sugeriu que o TJ do Pará poderia ter “vendido” a sentença em favor de Sefer, reportando-se, inclusive, à declaração da ministra Eliana Calmon, do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, na época corregedora nacional de Justiça, segundo a qual há “bandidos de toga”. “Há várias formas de negociar. Não sabemos o preço de cada sentença. Conhecemos casos de juízes no Pará que foram afastados por vender sentenças", salientou a senadora.

PEDOFILIA – Escândalo de repercussão nacional

        A versão de que a acusação de pedofilia contra Luiz Sefer seria produto de uma conspiração política paroquial, conforme alegava o ex-deputado, ruiu com a exibição do Globo Repórter, da TV Globo, em setembro de 2010. O programa teve como pauta a escalada dos crimes de pedofilia, detendo-se no escândalo em cujo epicentro situava-se Sefer. O relato feito, sobre o crime do qual é acusado Sefer, foi devastador, e corrobora os depoimentos dos profissionais que atenderam a menor vítima de abuso sexual.

        Psicólogos que atenderam a garota, vítima de abuso social do qual é acusado Sefer, contam, por exemplo, que independentemente do relato verbal, sem contradições, os desenhos da garota são reveladores. “Durante a terapia, a menina desenhou a árvore do bem e a árvore do mal, e nesta apareceu claramente o nome de quem a teria violentado durante quatro anos: Luiz Sefer”, conta um desses profissionais. Também é relatado o pavor que o ex-deputado inspira na menina. “Ela dizia que se ele a descobrisse estaria morta”, acrescenta outro profissional, antes da amarga conclusão: "Ele roubou dessa menina uma das coisas primordiais do ser humano: a infância."

PEDOFILIA – Aventura processual

        Nada mais revelador da litigância de má-fé pilotada por Luiz Sefer que sua opção pela Justiça gratuita, para dar curso a uma inocultável aventura processual. Recorrer a um juizado especial soa algo inusitado para quem se apresenta não apenas como médico, mas também como empresário, sem deixar de mencionar sua condição de ex-deputado. Sefer, convém recordar também, permitiu-se contratar, para fazer sua defesa e garantir a absolvição pelo TJ do Pará, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, um dos mais caros advogados do Brasil e cujos honorários teriam chegado a R$ 6 milhões. Na sua opção pela Justiça gratuita ele talvez tenha sido movido pela depreciada imagem dos juizados especiais do Pará, tradicionais valhacoutos de arranjos espúrios, envolvendo magistrados venais ou escancaradamente tendenciosos, respeitadas, obviamente, as exceções que confirmam a regra.

        Na ação judicial que move contra mim, Luiz Sefer é advogado por Ricardo Nasser Sefer, que vem a ser seu sobrinho. O jovem advogado é filho do irmão do ex-parlamentar. Ricardo Nasser Sefer, além de atuar na Procuradoria Geral do Estado, também advoga para o Idesma, Instituto de Saúde Santa Maria, uma OS, organização social, que até passado recente tinha à frente, formalmente, o irmão do ex-deputado, pai do jovem advogado. Em passado recente, o Idesma venceu a concorrência para administrar o Hospital Metropolitano, quando já administrava o Hospital Regional de Redenção. Por isso perdura válida a observação já feita pelo Blog do Barata: de tão assoberbado que sugere ser, surpreende que Ricardo Nasser Sefer ainda encontre tempo para se dedicar à advocacia pública.

PEDOFILIA – Prepotência, um vício de origem

Irmã Henriqueta, da CNBB: alvo do iracundo Elias, patriarca dos Sefer.

        A prepotência que é possível entrever, na ação movida contra mim por Luiz Sefer, não surpreende, para quem conhece o modus operandi do ex-deputado. Nele a intolerância, no limite da truculência, se faz aparentemente por osmose, como sugere um episódio protagonizado pelo patriarca da família, Elias Sefer, um tipo iracundo, que foi superintendente da Sudam, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, durante a ditadura militar, avalizado pelo coronel Jarbas Passarinho, então senador e um dos manda-chuvas no Pará do regime dos generais.
        Quando fervilhava o escândalo de pedofilia envolvendo o ex-deputado, Elias Sefer, pai de Luiz Sefer, fez ameaça por telefone a irmã Henriqueta, que atua na defesa de crianças e adolescentes no Pará, e faz parte da Comissão de Justiça e Paz da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “A ameaça veio de uma forma bem agressiva”, relatou, na ocasião, a irmã Henriqueta. “Por telefone, a pessoa pedia para que eu tomasse cuidado”, acrescentou.
        O telefone pertencia ao pai do ex-deputado, como comprovou, na época, a polícia. “Eu cheguei a reconhecer a voz dele”, declarou a freira, para sublinhar que não se deixaria intimidar. “Minha luta é incansável”, acentuou, peremptória.


PEDOFILIA – A tentativa de incriminar o blog

Ricardo Sefer (segundo, da esq. para a dir.): manipulação dos textos.

        Na tentativa de incriminar o Blog do Barata, Ricardo Nasser Sefer, sobrinho e advogado de Luiz Sefer, cita não postagens integralmente, mas passagens que, pinçadas, ficam descontextualizadas. Ou seja, ele edita, ao sabor de suas conveniências, as postagens do Blog do Barata sobre o tio, Luiz Sefer.
        Elenco, abaixo, alguns exemplos da tentativa de manipulação de Ricardo Nasser Sefer, nos quais reproduzo as postagens em sua integralidade, com os trechos pinçados pelo advogado grafados de vermelho.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ESCÂNDALO – Denúncia sobre operação abafa

Pela sua gravidade, a despeito de ser anônima não pode ser desconhecida, esquecida ou sepultada como indigente a denúncia sobre uma operação abafa, supostamente patrocinada pelo governo Ana Júlia Carepa, para inocentar o deputado estadual Luiz Afonso Sefer, do DEM, acusado de pedofilia. O parlamentar do DEM é acusado de molestar sexualmente uma menor, dos 9 aos 12 anos, época em que a garota, hoje com 13 anos, trabalhou e morou na casa do deputado.
Segundo o jornalista Carlos Mendes, correspondente no Pará do jornal O Estado de S. Paulo, o Estadão, a Promotoria da Infância e Juventude do Pará pediu a abertura de inquérito policial contra o deputado estadual Luiz Afonso Sefer por crime de pedofilia contra a menina. O juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, José Maria Teixeira do Rosário, recebeu e encaminhou ao Ministério Público um relatório social do Pró-Paz referente ao depoimento da garota, feito na presença uma parente, revelou ainda o jornalista Carlos Mendes, na matéria publicada pelo Estadão.

Postado por Augusto Barata às 00:40


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ESCÂNDALO – Ameaças anônimas de retaliação

Ao mesmo tempo, robustecendo os temores de que possa estar em curso uma operação abafa, sucederam-se neste blog, na antevéspera e véspera de Natal, ameaças anônimas de retaliações a autoridades, e até a jornalistas, caso prosperem as investigações para apurar a acusação de pedofilia contra o deputado Luiz Afonso Sefer. Segundo essas ameaças anônimas, o parlamentar do DEM deteria um respeitável arsenal de denúncias supostamente comprometedoras para autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, assim como para a grande imprensa.
“O deputado Sefer tem deixado escapar que tem muita ‘munição’ para gastar. O volume e qualidade dessa ‘munição’ podemos intuir porque passa por vários corruptos e corruptores importantes deste Estado, atuais inquilinos nos três poderes, aliás, nos quatro”, assinala uma das ameaças anônimas postadas neste blog. “Será que ele (Sefer) também não tem muitas outras historinhas pra contar? Já soube que ele tem muita pólvora guardada”, enfatiza outra ameaça anônima.

Postado por Augusto Barata às 00:35


quinta-feira, 10 de junho de 2010

SEFER - O escárnio dos canalhas

Soou a escárnio a manifestação promovida na manhã deste quinta-feira, 10, em frente ao TJ, o Tribunal de Justiça, e diante da Assembléia Legislativa, por um magote de áulicos de aluguel, em defesa do médico Luiz Sefer, o ex-deputado do DEM, do qual era líder no Palácio Cabanagem, condenado a 21 anos de prisão, por pedofilia. O protesto de encomenta não poupou de xingamentos o senador Malta, presidente da CPI da Pedofilia no Senado, e ao deputado Arnaldo Jordy, líder do PPS na Assembléia Legislativa e relator da CPI da Pedofilia instalada no Palácio Cabanagem, cujo desempenho foi reconhhecidamente irrepreensível.
O contraditório é a essência da democracia, mas diante das evidências que levaram a Justiça a condenar Sefer, em um raro laivo de dignidade do Judiciário paraense, a manifestação soa a pilhéria e agride as pessoas de bem. O alento é saber que, apesar dos canalhas - togados, ou não - registrou-se um hiato na rotina de impunidade para qual tanto contribui a Justiça no Pará.

Postado por Augusto Barata às 17:00


quinta-feira, 19 de agosto de 2010


O desfile de candidatos no horário político sugere, pelo menos no Pará, um autêntico circo dos horrores.
A começar pelo PP do deputado federal Gerson Peres, o dinossauro que sobreviveu ao fim da ditadura militar e hoje apóia a reeleição da governadora petista Ana Júlia Carepa. O PP abriga o ex-deputado Luiz Afonso Sefer (na foto do jornal O Dia, ao ser preso no Rio), condenado por pedofilia, por abusar sexualmente de uma menor, dos 9 aos 13 anos da garota, período no qual a vítima morou na casa do ex-parlamentar. Sob o manto da impunidade referendada pela banda podre do Judiciário, que lhe permite recorrer da sentença em liberdade, Sefer é novamente candidato à Assembléia Legislativa.
A falência do decoro prossegue com o deputado estadual Alessandro Novelino, do PSC, que postula a reeleição, após o célebre episódio de ter admitido com todas as letras, em entrevista a O Liberal, dedicar-se também à agiotagem, ao lado de suas atividades como empresário do ramo de combustíveis. Na entrevista, ele rebatia a versão de que a cobrança de juros escorchantes teriam provocado o brutal assassinato de seus irmão, Ubiraci e Uraquitan Novelino, a mando do empresário João Batista Ferreira Bastos, conhecido como Chico Ferreira. Os Novelino, disse o deputado candidamente, cobravam juros supostamente palatáveis.

Postado por Augusto Barata às 14:59


domingo, 19 de setembro de 2010

ELEIÇÕES - Escárnio ao eleitor 3

Outro nome cuja candidatura zomba do eleitor é o do ex-deputado Luiz Afonso Sefer, ex-DEM e que postula seu retorno à Assembléia Legislativa do Pará, agora abrigado no PP, feudo do deputado federal Gerson Peres, um dinossauro da política, que sobreviveu ao fim do regime militar, do qual foi um servil preposto. Médico obscuro, mas próspero empresário da medicina, Sefer tem uma rede de hospitais e, apesar de condenado a 21 anos de prisão por pedofilia, aguarda em liberdade o recurso contra a sentença, por decisão da desembargado Vânia Fortes.
Sefer é acusado de abusar sexualmente de uma menor, dos 9 aos 13 anos da garota, época em que ela morou na casa do parlamentar. Aos 13 anos, a vítima de Sefer, auxiliada por uma vizinha condoída com a sua situação, fugiu da casa do ex-deputado, buscando abrigo no Conselho Tutelar, autor da denúncia que levou a condenação de Sefer.

Nada disso impediu que uma organização social que tem por trás Sefer, o Idesma, Instituto de Saúde Santa Maria, fosse a vencedora da concorrência para administrar o hospital metropolitano. O Idesma já administra o Hospital Regional do Araguaia, em Redenção.

PEDOFILIA – Nem comentários escapam

        Nem os comentários anônimos escapam da lupa dos Sefer, para tentar incriminar o Blog do Barata. Na petição inicial, da ação ajuizada por Luiz Sefer, o sobrinho e advogado deste pinça três comentários, para caracterizar o suposto dano moral alegado pelo ex-deputado:

            “Salve, salve, Luiz Pedofilia!!! O pedófilo tarado que quer ser deputado!!! Os caciques do PP deveriam emprestar suas netas para o Luiz Pedofilia brincar!!!”

            “Que fique longe da ala pediátrica, por favor!”

            “Quero avisar ao Luiz Pedofilia que o Negro Téo está esperando por ele com muita fome e sede no xilindró. Esse encontro promete!!! Vai fundo, Luizinho!!!”

PEDOFILIA – Indignação seletiva ilustra má-fé

        É ilustrativo da litigância de má-fé promovida por Luiz Sefer o caráter seletivo da suposta indignação que move o ex-parlamentar, que é também médico e próspero empresário da medicina. Os comentários anônimos feitos por internautas, no Blog do Barata, soam fatalmente amenos com os veiculados pelo Diário Online. Mas, covarde, Sefer não ousou processar o portal da família do senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e cujo filho e sucessor político, Helder Barbalho, é o candidato a governador pela legenda peemedebista, com chances reais de vitória. Os comentários veiculados pelo Diário Online podem ser acessados pelo seguinte link:


        Seguem, abaixo, alguns dos comentários veiculados pelo Diário Online, na esteira do escândalo protagonizado por Luiz Sefer. São comentários infinitamente mais contundentes e ofensivos que aqueles publicados pelo Blog do Barata e citados pelo advogado do ex-parlamentar:

5 | Abreu - 08/10/2011 às 16:31:31

Uma pena que mais um criminoso fique impune neste estado. E quanto ao divisão do Pará e simples pra os que não concordam, venham morar aki na nossa região pra ver como rapidinho vcs mudem de opinião, ficando com toda a infra-estrurtura do estado devedora pra região.

6 | Douglas - 08/10/2011 às 14:10:22

Essa decisão não é nenhuma surpresa!!! Muita grana rolou por debaixo dos panos, infelizmente! Acaba que a errada eh a menina pobre, que não tem dinheiro pra poder enfrentar esse pedófilo!

7 | Mario - 08/10/2011 às 12:59:32

Não vai demorar muito e a máscara do Sefer vai cair. Tarado, maníaco, ele não vai se conter e voltará a atacar. Aí pegamos eles. Ah, Charles, te manca, otário, vens com esse laria-lari de que é de Belém e quer a divisão. Aqui, na cidade morena, terra do túneis verdes, so dá NÃO e NÃO (55). Aproveita que estas te curtindo com o Fiddel, que por sinal é outro mané, e junto com ele te muda pra outro estado. O Pará ninguém divide.

11 | Serjão - 07/10/2011 às 17:03:42

Com certeza esses desembargadores não têm netos e nem filhas mulheres, pois se acontecesse com as filhas ou as netas deles, eles pediriam pena de morte pro Seffer. É um absurdo a posturas desses desembargadores dando suporte pra tarados praticarem seus crimes e ficarem impunes. Viva a Justiça brasileira, viva os desembargadores João Maroja e Raimundo Holanda, eles merecem. Viva o Tarado Seffer. PQP de Justiça é essa!

12 | Paulo - 07/10/2011 às 16:53:26

A decisão do povo também conta, pelos comentários esse cachorro foi condenado. Não vai ter paz em lugar nenhum. Onde tiver uma pessoa que saiba desse caso, ele será apontado como maníaco sexual, estuprador de criança, independente do que o Judiciário paraense (que vergonha) decidiu.

13 | Sandra - 07/10/2011 às 16:43:18

Égua! Que p... foi essa. Deu a louca nos doutores. O pessoal da beca pirou na batatinha. Mano, suas excelências, que sabem muito, quem sou eu pra duvidar, devem ter tido mais de um milhão de motivos pra absolver o Sefer. Mas, agora pergunto: será que os desembargadores deixariam Sefer sozinho com as netas deles? Será que deixariam Sefer levar as netas deles para passear no parquinho?

15 | Paloma - 07/10/2011 às 16:27:31

Olha a cara do tarado. Deve estar pensando: vou pegar mais umas garotinhas. Depois, no banheiro, deve ter dado muita gargalhada enquanto se m... Esse cara dá nojo.

24 | Rosivaldo do Vale e Silva - 07/10/2011 às 10:11:21

Eu já sabia! Um Pais como o Brasil onde o trafico de influência é notório em todas as esferas do poder e a lei julga de acordo com os seus interesses, não podia dar em outra. Vamos acabar com essa estória em que tudo acaba em pizza. O pilantra pedófilo soube comer a criancinha. Espero que um dia ele seja comido.

25 | REVOLTADO111111111111 - 07/10/2011 às 10:06:17

É por isso que dizem: cadeia neste Brasil varonil é só: para aqueles 3 (três) PÊS – PRETO, PUTA E POBRE. Daqui a pouco, ele (esse safado) ainda vai querer indenização da pobre moça violentada por este PILANTRA.

30 | Sandro Palheta - 07/10/2011 às 09:21:19

A Justiça paraense poderia pelo menos deixar passar o Círio em respeito a Nossa Senhora de Nazaré é muito triste receber uma notícia dessa. O que deu para entender é que a criança foi a culpada e este sr. a vítima. E os exames realizados na vítima foi armação para prejudicá-lo? Não serve como prova? É muito triste ter que engolir a injustiça. Desculpe, Senhor, eles não sabem o que fazem !!!

32 | Charles B. - 07/10/2011 às 08:48:32

O crime compensa no Pará.

44 | Luiz Otávio Monteiro de Morais - 06/10/2011 às 20:13:48

Decisão elementar e coerente com a natureza desse aparelho repressivo de Estado chamado Justiça. No capitalismo, a lei é direito para os ricos e dever para os pobres. Os juizes, bovinamente, apenas colocam em prática isso tudo. Por isso é que somente estupradores-pés-de-chinelo são punidos. Agora, cabe aos formadores de opinião convencer a massa eleitora de que tal decisão foi uma farsa e que, por isso mesmo, jamais, em tempo algum, deve dar voto a esse estuprador chamado Luiz Sefer.

49 | André Carvalho - 06/10/2011 às 17:39:50

Não foi novidade. Pode ter certeza: o TJE PA já é uma vergonha, é um bando de palhaço vestido de autoridades, Seffer, vc foi inocentado por essa rábulas, mais o povo sabe, vc é tarado, pedófilo. Nunca esse rotulo vai sair de vc, pode apostar

52 | Sérgio Martins - 06/10/2011 às 16:49:52

Comentar o que? Se fosse eu que tivesse mantido relações c/ uma MENOR de 17 anos e 29 dias, certamente estaria em cana. Manter em cárcere privado, estuprar uma criança de 09 anos, inclusive filho e pai tarados, e haver absolvição... Pôrra, a que ponto chegamos...

53 | Paulo Ribeiro - 06/10/2011 às 16:46:21

Esse judiciário paraense é uma piada...Sefer distribuiu mensalão pra muita gente pra se safar... Rico contra pobre...deu no que deu...Que vergonha, TJE!

61 | Junior - 06/10/2011 às 15:26:40

Porr....todo mundo sabe que este homem é um crápula, infelizmente tem muita grana, contratou o ex ministro da justiça para atuar em sua defesa. Está comprovado, quem tem grana nesse país compra os melhores advogados, que se utilizam das brechas dessa nossa lei tacanha, para ficar impune. E a menina estuprada, como fica??? Tudo invenção. Nojo desse país, desse estado e dessa nossa Justiça 'cega'.

64 | William Wandekerkof - 06/10/2011 às 14:23:05

Será que tem alguém acreditando que ele pagaria pelo crime??? Estamos no Brasil e aqui é diferente, PAGOU e quem tem DINHEIRO, nada acontece. O certo já que a justiça não é feita. Se eu fosse o pai dessa garota, mataria esse maldito, mas sem medo mataria esse desgraçado.

65 | Jefferson Tavares - 06/10/2011 às 14:14:39

Sou maior fã de filmes em que o bandido canalha se dá bem no final. Se arte imita a vida real, parabéns para o autor desconhecido desta obra verídica.

68 | Luiza - 06/10/2011 às 13:41:36

Fico a cada dia mais impressionada com a impunidade, Meu Deus. Como pode um animal desse ficar livre assim????? Fico pensando na família desse infeliz...nos filhos e na pobre da mulher dele...Imaginam que tem um pai/marido perfeito em casa...e no fim das contas é um pedófilo!!!! Será que esse mundo ainda tem salvação????? Que horror!!!

78 | Robson - 06/10/2011 às 12:25:00

Mais uma vez, graças à leniência do Judiciário, um político escapa da cadeia...quando é por roubo, já nos espanta e indigna. Mas por pedofilia??? Ah, se o Brasil fosse a Líbia....

81 | Rose Maciel - 06/10/2011 às 12:05:57


Uma vergonha!!! Até quando esses ilustres senhores ficarão uns defendendo os outros. Escondendo uns os erros dos outros, enquanto nossas crianças e mulheres são expostas a violências de todos os tipos. Precisamos dar um basta nisso. Aposto como nas próximas eleições este senhor irá se candidatar e o pior, ainda, se eleger. Repito, precisamos dar um basta nisso!

PEDOFILIA – Contencioso evidencia credibilidade

        Pelo exposto, é inevitável concluir que o rancor é o combustível de Luiz Sefer nessa sua litigância de má-fé. O que, a despeito dos transtornos que esse tipo de contencioso possa causar-me, ironicamente acaba por soar lisonjeiro. Afinal, trata-se de uma evidência de que o Blog do Barata mantém incólume sua credibilidade, porque não trata a informação como moeda de troca de favores espúrios e nem se deixa intimidar pela prepotência dos tiranetes de província – togados, ou não.
        O ônus, por isso, pode até ser alto, mas, como o poeta, digo:

        “Cumpri contra o destino o meu dever.

        “Inutilmente? Não, porque o cumpri.”

terça-feira, 15 de outubro de 2013

SEFER – Polêmica, absolvição é contestada

Charge de Luiz Pinto traduz a indignação com absolvição.

        Polêmica, a absolvição de Luiz Sefer foi de bate-pronto contestada pelo MPE e acidamente criticada por um vasto leque se entidades. Para se livrar da condenação, a defesa do ex-deputado – feita pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça do governo Lula, juntamente com o advogado paraense Osvaldo Serrão - alegou falta de provas, tese acatada pelos desembargadores João Maroja e Raimundo Holanda, contra o voto do juiz Altemar da Silva Paes. O argumento foi veementemente contestado pelos representantes do Ministério Público. "Como é impossível não acatar as provas? Eu transcrevi trechos dos depoimentos dando detalhes das agressões que a vítima sofria. Será que a palavra dela não tem valor nenhum?", questionou a promotora de Justiça Sandra Gonçalves. Soou também inusitado os desembargadores João Maroja e Raimundo Holanda ignorarem os laudos periciais que comprovaram a violência sexual sofrida pela adolescente. "A jurisprudência dos tribunais brasileiros acata a palavra da vítima e, nesse caso, há também laudos confirmando que a adolescente sofreu violência sexual. Qual o motivo de todos esses documentos terem sido ignorados?", questionou, na ocasião, a promotora de Justiça Célia Filocreão. A propósito, o promotor de Justiça Samir Dahas, na época presidente da Associação dos Servidores do Ministério Público do Estado do Pará, foi peremptório, ao colocar em xeque a decisão absolvendo Sefer. "O Ministério Público do Estado está absolutamente convencido da culpabilidade de Sefer”, fulminou. “Acreditamos que os Tribunais Superiores irão manter a condenação, e nós vamos recorrer ao Superior Tribunal de Justiça justamente para isso", acrescentou.
        A decisão absolvendo Sefer também provocou a indignação da Regional II da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, assim como em mais de 20 entidades de defesa de direitos humanos e das crianças e adolescentes. Em coletiva realizada dia 10 de outubro de 2011, na sede da CNBB, representantes desse conjunto de entidades repudiaram a decisão inocentando Sefer. Na ocasião, a coordenadora da Comissão de Justiça e Paz da CNBB Norte, Orlanda Alves, divulgou nota da entidade, onde manifesta indignação. “O clamor de uma inocente não é suficiente para que a sociedade se manifeste e faça Justiça. A dor de uma vítima deve ser medida pelo poder econômico que possui?”, questiona a nota. Para as entidades, a decisão do TJ feriu os direitos de todas as vítimas de abuso sexual, que só possuem como prova sua palavra e as lembranças do horror que sofreram. “A impunidade neste Estado é comandada por aqueles que detêm poder político e econômico. Essa é a imagem que se configurou com a absolvição do ex-deputado Luiz Sefer”, sublinhava a nota.

        A hoje vereadora de Belém Marinor Brito (PSol), então no exercício do mandato de senadora pelo Pará, foi ainda mais contundente, na ocasião. Ela sugeriu que o TJ do Pará teria “vendido” a sentença em favor de Sefer, reportando-se, inclusive, à declaração da ministra Eliana Calmon, do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, na época corregedora nacional de Justiça, segundo a qual há “bandidos de toga”. “Há várias formas de negociar. Não sabemos o preço de cada sentença. Conhecemos casos de juízes no Pará que foram afastados por vender sentenças", fulminou a senadora.

SEFER – O crime, conforme a denúncia

Jordy (à esq.), ao lado do senador Malta, na CPI Mista da Pedofilia.

         De acordo com a denúncia formulada pelo MPE, o Ministério Público Estadual, a menina vítima de Luiz Sefer, então com 9 anos, foi trazida de Mocajuba, município do interior do Pará, para a casa do ex-deputado, onde, até os 13 anos, sofreu sucessivas violências sexuais. Ainda segundo a denúncia, além do próprio Sefer, o filho deste também abusava sexualmente da menina, que fugiu da casa do ex-parlamentar, buscando abrigo no Conselho Tutelar, com o auxílio de uma vizinha, condoída do drama da garota, que passou a viver amparada pelo programa de proteção de testemunhas.
        O escândalo ganhou dimensão nacional em 2009, quando a CPI da Pedofilia, a Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Senado Federal veio a Belém e incluiu o caso nas investigações. No mesmo período, a Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, também instaurou uma CPI para investigar crimes de pedofilia. A CPI da Alepa teve como relator, com uma atuação impecável, porque rigorosa, mas serena, o deputado Arnaldo Jordy, do PPS, hoje deputado federal, pela mesma legenda. Acuado, Sefer preferiu renunciar ao mandato de deputado a ser cassado por comissão processante instaurada na Alepa.
        Em junho de 2010, a juíza da Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes de Belém, Graça Alfaia, condenou Sefer e decretou a sua imediata prisão. Mas ele fugiu de Belém e seu advogado impetrou habeas corpus, concedido duas semanas após a condenação, pela desembargadora Vânia Bitar. Posteriormente, em uma decisão polêmica, em 7 de outubro de 2011 o ex-deputado foi absolvido, por dois votos a um, pelos desembargadores da 3ª Câmara Criminal Isolada do TJ. O Ministério Público, em recurso especial, levou o contencioso ao STJ, Superior Tribunal de Justiça, e STF, Supremo Tribunal Federal.

SEFER – Escândalo foi tema do Globo Repórter

        Para além das evidências contidas na denúncia oferecida pelo MPE, o Ministério Público Estadual, a versão de que a acusação de pedofilia contra Luiz Sefer seria produto de uma conspiração política paroquial, conforme alegava o ex-deputado, ruiu com a exibição do Globo Repórter, da TV Globo, em setembro de 2010. O programa teve como pauta a escalada dos crimes de pedofilia, detendo-se no escândalo em cujo epicentro situa-se Sefer. O relato feito, sobre o crime do qual é acusado Sefer, foi devastador, e corrobora os depoimentos dos profissionais que atenderam a menor vítima de abuso sexual.

        Psicólogos que atenderam a garota, vítima de abuso social do qual é acusado Sefer, contam, por exemplo, que independentemente do relato verbal, sem contradições, os desenhos da garota são reveladores. “Durante a terapia, a menina desenhou a árvore do bem e a árvore do mal, e nesta apareceu claramente o nome de quem a teria violentado durante quatro anos: Luiz Sefer”, conta um desses profissionais. Também é relatado o pavor que o ex-deputado inspira na menina. “Ela dizia que se ele a descobrisse estaria morta”, acrescenta outro profissional, antes da amarga conclusão: "Ele roubou dessa menina uma das coisas primordiais do ser humano: a infância."

SEFER – A graciosa opção pela Justiça gratuita

        É difícil deixar de conferir um caráter de litigância de má-fé à ação judicial que Luiz Sefer move contra mim, na 1ª Vara do Juizado Especial Cívil. A começar, justamente, pela sua opção pela Justiça gratuita, algo tanto mais inusitado porque ele se apresenta não apenas como médico, mas também como empresário, sem deixar de mencionar sua condição de ex-deputado. O réu, que tem cacife para contratar o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, um dos mais caros advogados do Brasil e cujos honorários teriam chegado a R$ 6 milhões, não se sente constrangido em congestionar a pauta da Justiça gratuita, no que soa a uma aventura processual. A não ser, naturalmente, que tenha sido movido pela depreciada imagem do Juizado Especial, tradicional covil de arranjos espúrios, envolvendo magistrados venais ou escancaradamente tendenciosos, respeitadas, obviamente, as exceções que confirmam a regra.

        Luiz Sefer é advogado por Ricardo Nasser Sefer, que vem a ser seu sobrinho, filho do irmão do ex-parlamentar. Ricardo Nasser Sefer, além de atuar na Procuradoria Geral do Estado, também advoga para o Idesma, Instituto de Saúde Santa Maria, uma OS, organização social, que até passado recente tinha à frente, formalmente, o irmão do ex-deputado, pai do jovem advogado. Em passado recente, o Idesma venceu a concorrência para administrar o Hospital Metropolitano, quando já administrava o Hospital Regional de Redenção. De tão assoberbado que sugere ser, surpreende que Ricardo Nasser Sefer ainda encontre tempo para se dedicar à advocacia pública.

SEFER – O falso apreço pela liberdade

Juvêncio Arruda: censurado a pedido de Luiz Sefer.

        Na petição inicial, da ação ajuizada na 1ª Vara do Juizado Especial Cívil, o advogado Ricardo Nasser Sefer sublinha o suposto apreço de Luiz Sefer pela liberdade de imprensa, o que fatalmente soa a escárnio, diante dos antecedentes do ex-deputado. Convém recordar, a propósito, que em 2009 o ex-parlamentar ajuizou uma ação, também por supostos danos morais, contra o responsável pelo blog 5ª Emenda, Juvêncio Arruda, por este ter cunhado neologismos – como seferização, seferice, seferizada e Sefer Sport Clube – para designar casos de abuso sexual de menores. Precocemente falecido, em 13 de julho de 2009, Juvêncio Arruda, economista e publicitário, foi obrigado a retirar postagens que tratavam da denúncia de abuso sexual de menor envolvendo Luiz Sefer, por determinação da juíza da 3ª Vara Cível da capital, Teresinha Moura. No seu despacho, a magistrada impunha o interdito proibitório ao blog 5ª Emenda, por solicitação de Sefer:

        “ANTE O EXPOSTO, defere-se a liminar requerida, para determinar que o requerido retire imediatamente e, ainda, se abstenha de veicular em seu blog ou em qualquer outro meio de informação de sua autoria expressões ofensivas como: seferização, seferice, seferizada e Sefer Sport Clube ou qualquer outra expressão similar, e, ainda, de utilizar expressões injuriosas como: canalhices, safadezas, corrupção, truculência, preversões sexuais e outras congêneres, fixando-se multa diária de R$1.000,00 (um mil reais) em caso de descumprimento da ordem. Expeça-se mandado de intimação para o cumprimento desta decisão, e, após, cite-se o requerido, para que apresente contestação, no prazo legal, com as advertências dos arts. 285 e 319 do Código de Processo Civil. Defere-se o plantão para o cumprimento do mandado. Intime-se. Cumpra-se.”

        Em 3 de abril de 2009, Juvêncio Arruda publicou, no seu blog, a postagem abaixo transcrita, comunicando a repulsiva censura prévia judicial:



Cumprindo liminar deferida pela juíza da 3ª Vara Cível da capital, dra. Teresinha Moura, em ação movida por Elias Sefer e outros, o blog informa aos seus leitores que retirou dos arquivos alguns posts referentes ao caso Sefer
O pôster vai levar a papelada aos seus advogados.
Até mais tarde.

Juvencio de Arruda  15:22


        Em 4 de abril, Juvêncio Arruda transformou em post a indignada manifestação de repúdio, diante da execrável censura judicial, de Lúcio Flávio Pinto, um jornalista de reconhecida competência e probidade, premiado nacional e internacionalmente e que edita o Jornal Pessoal, que não aceita anúncios e é a mais longeva publicação da imprensa alternativa brasileira:



Por Lucio Flavio Pinto, em comentário ao post Juíza Ordena Retirada de Posts, de ontem.

“Depois de falar muito, alegando indignação, mas sem convencer, Luiz Afonso Sefer calou no segundo depoimento na CPI da Assembléia Legislativa, por fria orientação do seu advogado. Agora quer calar a opinião pública. Não conseguirá.
“Para isso, é preciso haver a devida reação e a repulsa de todos, os que, de boa fé, ainda acreditam nele, e os que já formaram seu juízo contrário ao ex-deputado.
“Ele, que se diz previamente condenado, quer sentenciar sua inocência, sem o devido processo – legal e legítimo, nos autos e na arena pública, dada a gravidade do crime que lhe foi imputado. Independentemente do que você escreveu, tem que continuar a escrever.
“A prova da verdade é o contraditório, não a mordaça.
“O silêncio é a arma dos que temem.
“Minha solidariedade.

“Lúcio Flávio Pinto”


Postado por Juvencio de Arruda 16:10

SEFER – Intolerância de pai para filho

Irmã Henriqueta: sob ameaça do pai de Luiz Sefer, Elias Sefer.

        O episódio da censura judicial imposta a Juvêncio Arruda, por solicitação de Luiz Sefer, evidencia que se trata de mera balela o suposto apreço do ex-deputado pela liberdade de expressão, exaltado pelo advogado Ricardo Nasser Sefer.
        Em Luiz Sefer, diga-se, a intolerância parece se fazer por osmose, a concluir do episódio de truculência explícita protagonizada pelo pai do ex-parlamentar, Elias Sefer, um tipo iracundo, que foi superintendente da Sudam, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, durante a ditadura militar.
        Resvalando da intolerância para a truculência, Elias Sefer, pai de Luiz Sefer, fez ameaça por telefone a irmã Henriqueta, que atua na defesa de crianças e adolescentes no Pará, e faz parte da Comissão de Justiça e Paz da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na época do escândalo de pedofilia envolvendo o ex-deputado.
        “A ameaça veio de uma forma bem agressiva”, relatou, na ocasião, a irmã Henriqueta. “Por telefone a pessoa pedia para que eu tomasse cuidado” acrescentou.

        O telefone pertencia ao pai do ex-deputado, como comprovou, na época, a polícia. “Eu cheguei a reconhecer a voz dele”, declarou a freira, para sublinhar que não se deixaria intimidar: “Minha luta é incansável.”