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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

TRAGÉDIA – Um crime que exige esclarecimentos

Em respeito à memória da vítima, e à própria família desta, assim como a instituição a qual ela servia, reclama a mais rigorosa apuração, pela Polícia Civil, a morte do sargento da Polícia Militar Raimundo Santa Brígida, lotado no Gabinete Militar do Palácio Cabanagem e que integrava a segurança do presidente da Assembléia Legislativa, o deputado Domingos Juvenil, também candidato ao governo pelo PMDB. O sargento Santa Brígida foi encontrado morto na noite de sexta-feira, 10, por volta das 20 horas, com um tiro no pescoço, disparado do seu próprio revólver, na sala destinada aos motoristas dos moradores do edifício no qual reside Juvenil em Belém.
Os temores de uma suposta operação abafa foram suscitados pelo inusitado silêncio sobre o episódio do Diário do Pará, o jornal do grupo de comunicação da família do ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Estado, do qual Juvenil é tido como fiel escudeiro. A boataria nesse sentido acabou reforçada pela ausência de Juvenil ao velório do sargento Santa Brígida, o que provocou ilações que vão desde conveniências políticas até uma suposta indiferença do parlamentar peemedebista em relação aos que lhe servem, pelo menos em se tratando dos servidores de origem humilde.
Não se trata, diga-se logo, de politizar uma lamentável tragédia. Mas de apurar o que realmente ocorreu. O homicídio é um crime grave demais para ser relegado ao esquecimento. Seja doloso ou culposo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

TRAGÉDIA – Morre PM da segurança de Juvenil

O sargento da Polícia Militar Raimundo Santa Brígida foi encontrado morto, na noite de sexta-feira, 10, na sala de segurança da residência de Belém do deputado Domingos Juvenil (foto, à esq., com o ex-governador Almir Gabriel), o presidente da Alepa, a Assembléia Legislativa do Pará, que é também o candidato a governador pelo PMDB. A notícia foi publicada, com exclusividade, pelo Amazônia, em sua edição deste domingo, 12, em notícia de acordo com a qual a morte do sargento Santa Brígida foi registrada na Divisão de Homicídios da Polícia Civil. O Amazônia é o tablóide popular das ORM, as Organizações Romulo Maiorana, que incluem a TV Liberal, afiliada da Rede Globo de Televisão, e cujo principal jornal é O Liberal, o segundo em vendagem no Pará.
De acordo com o Amazônia, o sargento Santa Brígida integrava o Gabinete Militar da Alepa e fazia a segurança de Juvenil. Ainda segundo a notícia, o PM morreu na noite de sexta-feira, por volta das 20 horas, e o disparo que o matou foi feito da arma do próprio sargento. A vítima tinha mais de 20 anos na corporação e, segundo a assessoria de imprensa da PM, faltava apenas um ano para ele ingressar na reserva, acrescenta a notícia.
“Com base nas informações de pessoas próximas que não quiseram se identificar com medo de represálias, a família do sargento só foi comunicada na madrugada de ontem sobre a morte do PM e está desorientada”, assinala também a notícia. “A assessoria de imprensa da Polícia Militar do Estado do Pará confirmou a morte do policial militar. Segundo as informações prestadas pelo assessor da PM, major Vasconcelos, o Instituto Médico Legal (IML) esteve no local do crime para a realização da perícia técnica”, acrescenta o Amazônia, informando que o cadáver do sargento foi encaminhado ao IML, o Instituto Médico-Legal, na noite de sexta-feira, 10, e só foi liberado na manhã de sábado, 11.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

ELEIÇÕES – Juvenil, o desastre anunciado

Da parte do PMDB, a contribuição do partido aos despautérios eleitorais atende pelo nome de Domingos Juvenil (foto), o deputado que é presidente da Alepa, a Assembléia Legislativa do Pará. Um parlamentar de desempenho opaco, mas de perfil autocrático, ele é o candidato a governador pelo PMDB, no inocultável papel de laranja, como de resto sugerem os inequívocos indícios de seu ocaso político-eleitoral, traduzidos pelas sucessivas derrotas que amargou em Altamira, seu histórico reduto eleitoral. Mas o que decididamente desqualifica a candidatura de Juvenil é a avalancha de ações judiciais a que ele responde, sob a recorrente suspeita de corrupção. O que faz dele um daqueles candidatos dos quais se pode dizer que não têm currículo, mas prontuário.
Perdura o mistério em torno da contrapartida a ele certamente assegurada, mas a Juvenil cabe cumprir o papel do álibi do qual necessita o PMDB para se habilitar na partilha do butim que tradicionalmente precede o segundo turno das eleições, sem tornar esse fisiologismo tão acintoso para o eleitor. Nada mais além disso se pode esperar de um candidato ao governo que é desconhecido por quase 70% do eleitorado, segundo pesquisa de intenção de voto encomendada pelo PT, para consumo interno da legenda.
O que possa ser dito em sentido contrário é a mais pura balela. A balela tão a gosto dos áulicos, inescrupulosos por índole, vocação, formação e interesse. E sempre predispostos a trombetear o que supõem desejar ouvir o ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará, que é também o candidato do partido ao Senado, cuja pretensão eleitoral é questionada com base na Lei da Ficha Limpa.

ELEIÇÕES – Avalista da omertà

Como presidente da Assembléia Legislativa, sempre que foi necessário Domingos Juvenil mandou os escrúpulos às favas. Tal qual fez, por exemplo, quando a deputada Regina Barata (PT) foi à tribuna e tornou do domínio público as denúncias sobre de corrupção envolvendo o senador tucano Mário Couto (foto), um ex-bicheiro, inculto e casca-grossa, acusado de lesar os cofres públicos com dispensas de licitações, quando presidente da Assembléia Legislativa. Como avalista da omertà parlamentar, Juvenil simplesmente engavetou as denúncias contra Couto, a quem sucedeu como presidente da Assembléia Legislativa, com o apoio do seu predecessor, em um acordo costurado pelo ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará.
De acordo com as denúncias, uma das empresas beneficiadas com dispensas de licitações, que oficialmente fornecia materiais elétricos, teria vendido para a Assembléia Legislativa um colossal quantidade de farinha de tapioca. O imbróglio foi por isso cunhado de Tapiocouto e Mário Couto, que no Senado vende a imagem de vestal, ficou também conhecido aqui no Pará, desde então, como Senador Tapioca. Até então ele era apenas Mário Cotoco, em alusão ao gesto obsceno que fez aos fotógrafos, no início dos anos 90 do século XX, quando ainda militava no PMDB, ao ser flagrado a caminho de uma reunião para um acerto da bancada peemedebista com prepostos do então governador Jader Barbalho.
Na contramão do bom senso e da decência administrativa, Juvenil também fez prevalecer a omertà parlamentar ao garantir o aval da maioria dos deputados para a criação de mais de 80 cargos comissionados ao mesmo tempo em que trombeteava problemas de caixa para bancar a folha de pagamento do Palácio Cabanagem. E também ao fazer aprovar o novo Plano de Cargos e Salários da Assembléia Legislativa do Pará, repleto de ilegalidades e imoralidades, das quais é beneficiário apenas um magote de apaniguados da máfia legislativa que comanda a burocracia no Palácio Cabanagem, segundo recorrentes denúncias. Tudo na contramão da proposta criteriosamente alinhavada por uma comissão paritária, constituída por representantes dos deputados e dos servidores da Assembléia Legislativa, formada com o aval do próprio Juvenil.