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sábado, 21 de agosto de 2010

PETRALHAS – Arrogância sem fim 1

A pretensão de cercear a liberdade de expressão soa a uma fatalidade incoercível, diante da arrogância que se confunde com os petralhas que tutelam a governadora Ana Júlia Carepa. Não faltam episódios que ilustram sua inocultável vocação a tiranetes de província.
Um dos episódios emblemáticos da arrogância dos petralhas foi protagonizado por Maurílio de Abreu Monteiro (foto), ex-cunhado de Ana Júlia Carepa e secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. Ao chegar na então Sectam, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, hoje SEDECT, para seu primeiro dia de expediente como secretário, ele mandou, aos berros, evacuar seu gabinete, sem sequer permitir que uma humilde servidora buscasse sua bolsa em uma gaveta. O pretexto para o despautério, segundo vociferou na oxasião o próprio Maurílio de Abreu Monteiro, seria neutralizar um eventual boicote dos servidores lotados no gabinete, supostamente comprometidos com o governo passado.
Maurílio de Abreu Monteiro é ex-marido de Joana Pessoa, a eterna caixa de campanha da governadora. Ele é irmão de Marcílio de Abreu Monteiro, ex-marido de Ana Júlia Carepa e pai da filha desta.

PETRALHAS – Arrogância sem fim 2

Pior, mas muito pior, fez Marcílio de Abreu Monteiro (foto), secretário estadual de Projetos Estratégicos. Ex-marido de Ana Júlia Carepa e pai da filha da governadora petista, ele simplesmente invadiu a igreja de Santo Antônio de Lisboa, na praça Batista Campos, em plena missa, vociferando palavrões, porque seu carro estava trancado por outro veículo, provavelmente de algum dos fiéis.
Trata-se, é verdade, de um freqüente abuso de alguns dos fiéis que freqüentam a igreja, mas o mínimo que se pode cobrar, em se tratando de um secretário de Estado, é o respeito pela liturgia do cargo, para recorrer à expressão cunhada pelo ex-presidente José Sarney. Até porque decoro não exige regras, bastam modos.
Marcílio ganhou visibilidade ao comandar no Pará o Ibama, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, por indicação da então senadora Ana Júlia Carepa. Na época, ele foi denunciado pela revista Veja por supostamente gerenciar um propinoduto, bancado pelos madeiros, em troca de licenciamentos para desmatar. O suposto propinoduto se destinava, segundo ainda a Veja, a abastecer o caixa dois de Ana Júlia Carepa, na disputa pela prefeitura de Belém, em 2004.

PETRALHAS – Arrogância sem fim 3

Em se tratando de arrogância não poderá ficar de fora, jamais, Cláudio Alberto Castelo Branco Puty (foto, à esq., na parada gay de Belém), o candidato a deputado federal pelo PT, que conta com o assumido aval da governadora petistas Ana Júlia Carepa, da qual seria o affaire da hora. Iracundo, ele ficou também conhecido como Pacheco, o personagem de Eça de Queiroz farto em empáfia, mas de parcas realizações. Petista de conveniência, a despeito do brilhante currículo acadêmico revelou-se, além de politicamente inescrupuloso, um administrador pífio, seja como secretário de Governo, seja como chefe da Casa Civil do governo Ana Júlia Carepa.
Descrito como destemperado e despido de pudores éticos, ele protagonizou um episódio revelador do seu caráter. Preparando-se para tomar de assalto a Sedes, a Secretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social, para transformá-la em um autêntico comitê eleitoral a serviço de sua candidatura, ele defenestrou de forma repulsivamente humilhante a então secretária, Ana Maria Barbosa.

PETRALHAS – Arrogância sem fim 4

Reconhecida como uma das maiores autoridades em matéria de políticas públicas para deficientes, categoria na qual ela própria se enquadra, Ana Maria Barbosa foi convocada por Puty para ir ao Palácio dos Despachos. Em lá chegando, a secretária recebeu um mero recado do irascível Puty, comunicando-a de que seria exonerada. Quem prestou-se ao patético papel de moleque de recados foi Ana Cláudia Cardoso, na época secretária estadual de Governo, em substituição ao próprio Puty, que migrara para o cargo de chefe da Casa Civil.
Tranqüila, Ana Maria Barbosa, reconhecida também como uma administradora austera e legalista, reagiu com admirável dignidade. Agradeceu a Ana Cláudia Cardoso e estendeu seus agradecimentos ao novo chefe da Casa Civil. Mais tarde, Ana Cláudia Cardoso experimentou na própria pele o recorrente desrespeito dos petralhas, que coonestara na exoneração de Ana Maria Barbosa. Secretária de Governo, depois de ter sido adjunta de Puty, pretenderam fazê-la retornar à antiga função, para ser substituída por Edilson Rodrigues de Sousa no comando da Segov, a Secretaria de Estado de Governo. Com um exuberante currículo acadêmico, Ana Cláudia Cardoso optou por desembarcar do governo a ser submetido a humilhação que pretenderam lhe impor os petralhas, com o aval de Puty.