Convém a direção do Hemopa, a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará, ficar mais atenta ao desempenho dos atendentes e enfermeiros de seu laboratório, cujo expediente começa sempre às 7 horas, mas onde os pacientes - adultos e crianças, estas invariavelmente em um estado de visível debilidade - costumam chegar antes das 6 horas. O que testemunhei, na manhã do último dia 21, uma quinta-feira, quando lá estive, para um vasto elenco exames de sangue, é preocupante. Assisti uma criança de colo, cujo estado de debilidade transparecia na palidez algo cadavérica, ser preterida, na fila para os exames de sangue, em favor de uma senhora idosa, mas sem ostentar a flagrante fragilidade exibida pelo bebê, de pais visivelmente humildes e inocultavelmente intimidados.
Pela própria situação, a situação fazia pressupor que o bebê tivesse prioridade, o que não ocorreu. O atendente, um mulato bem apessoado e educado, visivelmente cuidadoso com a aparência, como deixavam transparecer as unhas pintadas com base de esmalte, priorizou a senhora idosa, acompanhada da filha, que movia-se com arrogante desenvoltura, exibindo intimidade com o servidor. O pobre bebê, sonolento e com choros espasmódicos, provavelmente devido ao jejum necessário para os exames, seguiu na fila, obedecendo a ordem de espera, que não foi cumprida pela paciente idosa, que chegou ao laboratório já por volta das 6h30, em uma Van com placa de Benevides e no veículo permaneceu, confortavelmente acomodada, o que é previsivelmente justo. Quando chegou a vez da criança ser atendida, ao ingenuamente pretender acompanhar a esposa, que levava o filho nos braços, enquanto ele carregava aquela avalancha de sacolas que costumam acompanhar crianças de colo, o pai do bebê teve seu acesso à sala grosseiramente impedido por um enfermeiro de postura arrogante, um jovem moreno claro, lerdo e relapso, a concluir do estrago que fez na minha veia, visível no hematoma que deixou no meu braço, vestígio inocultável do serviço malfeito.