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domingo, 10 de maio de 2015

BRASIL – “O PT tem que se preparar para perder”

Octávio Amorim Neto: petrolão tem efeitos devastadores para o PT.

“O PT tem que começar a se preparar para perder em 2018. Não descarto uma vitória de um candidato do partido, possivelmente Lula, mas o realismo indica que vai ser muito difícil. Já foi no ano passado. Não é do estilo do PT reconhecer essas fraquezas de público, mas a questão é como perder. O partido precisa se preparar para o futuro, pensando em 2022.”
A declaração é do cientista político Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas do Rio, em entrevista a Bernardo Melo Franco, publicada pela Folha de S. Paulo neste domingo, 10. Para ele, o escândalo de corrupção da Petrobras, o petrolão, está sendo "devastador" para partido, que precisa começar a pensar na disputa de 2022. “É uma bomba que vai explodir lentamente, com efeitos muito duros para o PT. A Petrobras é símbolo do nacionalismo, da soberania nacional e da capacidade do Estado de induzir o desenvolvimento. Qualquer escândalo poderia acontecer numa gestão petista, menos esse”, sublinha Octavio Amorim Neto, na entrevista à Folha, que o Blog do Barata reproduz abaixo, na íntegra.

O que muda na coalizão com a entrega da articulação política ao PMDB?

O começo do segundo governo foi caótico e frustrante para quem votou em Dilma. A articulação política dos cem primeiros dias foi um desastre.
A nomeação de Temer é uma grande mudança. Ela delegou a economia ao Joaquim Levy e delegou a articulação política ao PMDB.
Dilma foi obrigada a fazer uma mudança radical em relação ao primeiro mandato, quando era uma presidente concentradora, que decidia unilateralmente e consultava muito pouco os aliados.

O que a obrigou a mudar?

A visão do precipício.

Como fica a presidente?

Acredito que agora ela vá se concentrar nos programas sociais, que são a marca eleitoral do partido.
Dilma e o PT estão dando um passo atrás para tentar dar dois à frente mais adiante. A expectativa deles é que a economia volte a crescer em 2017 para que o partido continue a ser competitivo no ano seguinte. A eleição de 2018 será interessante, porque tudo indica que estamos chegando ao fim de um ciclo econômico e político.

É o fim do ciclo do PT?

O PT tem que começar a se preparar para perder em 2018. Não descarto uma vitória de um candidato do partido, possivelmente Lula, mas o realismo indica que vai ser muito difícil. Já foi no ano passado. Não é do estilo do PT reconhecer essas fraquezas de público, mas a questão é como perder. O partido precisa se preparar para o futuro, pensando em 2022.

Lula pode desistir de 2018?

Ele tem uma imagem e um nome na história a preservar. Não vai concorrer se sentir que pode sofrer uma derrota fragorosa, humilhante. Lula é muito pragmático. Se as chances foram muito baixas, não vai [concorrer]. Se ele vir que não tem condição de ganhar, é melhor pensar no futuro e lançar outro nome, a ser preparado para 2022.
Isso será muito difícil, porque o PT não tem mais grandes nomes e tem que começar a firmar um nome para o pós-Lula e Dilma. É uma questão de preservação do partido. Sem isso, ele pode virar um PMDB, que é um grande partido, mas não tem nomes viáveis para a Presidência.

O PT governa o país desde 2003. Como se comportará se tiver que deixar o poder?

Não sei se será bom, nem para o PT nem para a democracia, um quinto mandato presidencial. O partido precisa lamber suas feridas, se revitalizar e redescobrir suas raízes. O exercício do poder torna conservadora qualquer organização política, e essa não é a vocação do PT.
Muita gente quer a eliminação do partido, mas é fundamental que ele sobreviva. Se o PT for eliminado, vai abrir um flanco enorme para aventuras populistas, para o surgimento de um salvador da pátria. O partido cometeu erros calamitosos, inaceitáveis, mas isso não quer dizer que tenha que acabar.

Em outros países em crise, como Grécia e Espanha, as manifestações geraram novos partidos de esquerda. Por que não aconteceu no Brasil?

As últimas manifestações não estão à esquerda, estão à direita. Além disso, é difícil sair um Podemos [nova sigla espanhola] porque uma marca das manifestações aqui é a aversão aos partidos em geral. Não é à toa que o PSDB também tem dificuldade de se aproximar.

Como avalia o petrolão?

É uma bomba que vai explodir lentamente, com efeitos muito duros para o PT. A Petrobras é símbolo do nacionalismo, da soberania nacional e da capacidade do Estado de induzir o desenvolvimento. Qualquer escândalo poderia acontecer numa gestão petista, menos esse.

O que acha da ofensiva de parte da oposição por um processo de impeachment?

Concordo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: não há base jurídica nenhuma para se abrir um processo de destituição da presidente. Alguns líderes querem se aproveitar do fato de que parte do eleitorado defende o impeachment sem saber bem o que ele significa.

É fundamental informar à população que o regime é presidencial, com mandato fixo. A permanência da presidente no Planalto independe do seu desempenho. Essa é uma das virtudes e um dos vícios do presidencialismo. Se a presidente vai mal, a única solução possível é ter paciência. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PARÁ – PT cobra desenvolvimento democrático

“Decididamente o Pará é outro depois da realização do plebiscito. Outra realidade está evidenciada aumentando a responsabilidade dos que têm nas mãos o destino do povo paraense. O sentimento expressado nas urnas indica que é chegado o momento de estabelecer e concretizar um projeto de desenvolvimento que atenda definitivamente aos anseios dos moradores dos quatro cantos desse imenso estado. As populações das regiões mais distantes acenaram para a urgente mudança de paradigmas até então instalados no Pará.”
A exortação é do presidente regional do PT no Pará, João Batista Barbosa da Silva (foto), em manifesto intitulado “Retomar o desenvolvimento democrático e sustentável no Pará”, divulgado nesta segunda-feira, 9. “A consolidação do projeto de desenvolvimento no nível aqui proposto é concretizada quando há inclusão social, econômica, política e cultural, perpassando pela implementação real de políticas públicas para atendimento digno das necessidades das pessoas. O plebiscito revelou que esse desejo de inclusão é premente”, acrescenta o dirigente petista.
No manifesto, o presidente regional do PT no Pará critica acidamente a propaganda enganosa, marca dos sucessivos governos do PSDB no Estado, entre 1995 e 2006, que se renova agora, no segundo mandato como governador do tucano Simão Jatene, que derrotou a ex-governadora petista Ana Júlia Carepa nas eleições de 2010. “A população paraense não agüenta mais ser vitima das falsas promessas repercutidas pelo governo tucano, que como de costume faz uso desmesuradamente da publicidade oficial para mostrar um Pará inexistente. Há uma larga distância entre o Pará real e o Pará virtual mostrado pelos tucanos”, salienta o manifesto. “O povo já conhece e não aceita mais essa prática. E ao contrário da propaganda apresentada pelos tucanos, o Pará vive um dos piores momentos da sua história, principalmente em três aspectos primordiais ao povo, sendo eles: segurança pública, educação e saúde”, adverte ainda o documento.

PARÁ – O manifesto petista, na íntegra

Segue abaixo a transcrição, na íntegra, do manifesto divulgado pelo presidente regional do Pará no Pará, balizando o provável discurso petista nas eleições municipais deste ano.

“Retomar o desenvolvimento democrático e sustentável no Pará

“Decididamente o Pará é outro depois da realização do plebiscito. Outra realidade está evidenciada aumentando a responsabilidade dos que têm nas mãos o destino do povo paraense. O sentimento expressado nas urnas indica que é chegado o momento de estabelecer e concretizar um projeto de desenvolvimento que atenda definitivamente aos anseios dos moradores dos quatro cantos desse imenso estado. As populações das regiões mais distantes acenaram para a urgente mudança de paradigmas até então instalados no Pará.

“O Partido dos Trabalhadores, diante do atual contexto e sempre lutando para a melhoria da qualidade de vida do povo, coloca-se a disposição para contribuir nesse novo momento histórico do Pará. Neste sentido, propõe uma conjugação de esforços para a construção do projeto de desenvolvimento democrático e sustentável verdadeiramente necessário para o estado e tão almejado pela população paraense.

“Um projeto de desenvolvimento que considere principalmente a dimensão geográfica do estado no atendimento igualitário das demandas da população e onde as riquezas naturais existentes possam estar a serviço do povo paraense. Só em Carajás por exemplo, está a maior mina de ferro do mundo, além de outras inúmeras riquezas existentes e o Tapajós, por estar no centro da Amazônia, é a região geograficamente estratégica para o Brasil e para o Mundo.

“A consolidação do projeto de desenvolvimento no nível aqui proposto é concretizada quando há inclusão social, econômica, política e cultural, perpassando pela implementação real de políticas públicas para atendimento digno das necessidades das pessoas. O plebiscito revelou que esse desejo de inclusão é premente.

“A população paraense não agüenta mais ser vitima das falsas promessas repercutidas pelo governo tucano, que como de costume faz uso desmesuradamente da publicidade oficial para mostrar um Pará inexistente. Há uma larga distância entre o Pará real e o Pará virtual mostrado pelos tucanos. O povo já conhece e não aceita mais essa prática. E ao contrário da propaganda apresentada pelos tucanos, o Pará vive um dos piores momentos da sua história, principalmente em três aspectos primordiais ao povo, sendo eles: segurança pública, educação e saúde.

“A onda de violência impera nas diversas regiões. O Pará se destaca como tendo cidades mais violentas do país. Belém e região metropolitana vivem um momento de assassinatos em série que estão amedrontando a população, como os que ocorreram em Santa Izabel, Guamá e Icoaraci.

“O número de assaltos a bancos nos municípios aumentou muito nos últimos meses, subindo para mais de 60%, de acordo com o Sindicato dos Bancários. A insegurança no meio rural é gritante, em menos de um ano 10 lideranças rurais foram assassinadas. Em termos de saúde pública o povo padece em filas ou em espera para atendimento, sendo obrigado a se deslocar por longas distâncias; junto com isso a situação precária dos estabelecimentos de saúde. Na educação não é diferente e, não temos dúvida, que a juventude foi a principal prejudicada por causa da intransigência do governo estadual em perdurar por 56 dias a greve dos professores das escolas públicas.

“Um ano depois de assumido, o governo estadual ainda tenta montar as peças no tabuleiro para administrar o estado, enquanto isso a população vai esperando e sofrendo. Um dos maiores desgastes da administração tucana no Pará aconteceu durante a realização do plebiscito, quando o governo estadual desconsiderou por completo o desejo de mudança das populações das duas regiões envolvidas no processo de divisão do estado, ficando evidenciado na ocasião o sentimento de revolta em decorrência do abandono e a ausência de políticas públicas para essas populações que vivem mais distantes da capital paraense.

“O governo do PT no Pará considerando as dimensões geográficas do estado e como forma de reduzir as desigualdades regionais viabilizou um mecanismo de gestão diferenciado e implantou as 12 regiões de integração, definidas a partir do grau de acessibilidade, dinâmica econômica, ocupação populacional e o nível de acesso a equipamentos básicos e conectividade. O atual governo decidiu por não seguir essa proposta de regionalização, muito embora tenha sido aprovada pela Assembléia Legislativa.

“O PT ainda dinamizou a atuação no estado do Pará através do trabalho desenvolvido pelo governo Federal, presente nas mais diversas ações, quer em termos de infraestrutura básica, saneamento, saúde, moradia. Melhorar a condição de vida nas cidades brasileiras é a meta trilhada por nosso governo em nível federal, por intermédio de programas como o PAC, Minha Casa Minha Vida, ampliação das ações do Pronasci, expansão da educação profissional, através da construção de novos institutos tecnológicos, pavimentação das BRs transamazônica e Santarém-Cuiabá, hidrovia Araguaia-Tocantins, hidrelétrica de belo monte, entre outros trabalhos realizados no Pará pelo governo do PT.

“Nossa visão de governo é prestar o serviço de qualidade que o povo merece e tem direito, ao contrário do governo tucano que cria uma suposta realidade para exibir na publicidade oficial. Os fatos, no entanto, comprovam uma outra realidade.

“Diante de tantos desgastes, o atual governo resolveu criar medidas para taxar e fiscalizar o setor de mineração. O aproveitamento das nossas riquezas naturais exige medidas permanentes que levem ao verdadeiro desenvolvimento democrático e sustentável, com geração de emprego e renda, como por exemplo: implantação de siderúrgica para verticalizar a cadeia mineral de ferro no Pará.

“Ratificamos aqui, portanto, nosso compromisso em contribuir nessa nova etapa da história do Pará. O novo ano é o momento de renovação das esperanças e de concretização de agendas que fortalecerão nosso compromisso, por esse motivo o encontro do Diretório Estadual do PT que acontecerá em fevereiro, será em Santarém, quando aprovaremos a partir daí um diagnóstico mínimo da nossa plataforma política para as eleições de 2012.

“Por fim, reafirmamos nosso papel de oposição ao projeto realizado pelos tucanos no estado do Pará, marcado pelo atraso social e político, que insiste em trazer de volta um sistema que desrespeita totalmente o direito do povo a serviços essenciais, com as privatizações que constituem-se atraso na vida do cidadão. Não há dúvida de que o modelo tucano já está superado no
Brasil.

Conclamamos, desta forma, todos os dirigentes petistas, dirigentes dos partidos irmãos e toda a sociedade a fazermos do processo das eleições de 2012, espaço de elaboração, discussão e aperfeiçoamento do projeto de desenvolvimento democrático e sustentável, considerando que todos os paraenses, indistintamente, precisam desfrutar dignamente do que têm direito.

“João Batista Barbosa da Silva
“Presidente do Diretório Estadual do PT Pará”

terça-feira, 10 de agosto de 2010

PT – Presidente do Sindetran deixa o partido

Com críticas contundentes ao governo Ana Júlia Carepa, por não respeitar o acordo celebrado com os servidores da autarquia, Elias Pereira Monteiro (foto), presidente do Sindetran, o Sindicato dos Servidores do Detran, o Departamento de Trânsito do Estado do Pará, se desfiliou do PT nesta última segunda-feira, 9. Na carta enviada ao presidente regional do PT, João Batista, ele acusa o governo petista de tratar com “molecagem” as reivindicações dos trabalhadores.
Filiado ao partido desde 1988, Monteiro é o segundo presidente de sindicato a se desfiliar do PT, na esteira de divergências com o governo Ana Júlia Carepa. Antes dele, Charles Alcântara, ex-chefe da Casa Civil do atual governo e hoje presidente do Sinditaf, o Sindicato do Grupo Ocupacional, Tributação, Arrecadação e Fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda, também rompeu com o PT, na esteira de discordâncias abissais com o Palácio dos Despachos.
O desrespeito do governo Ana Júlia Carepa ao acordo celebrado com os servidores do Detran, através do Sindetran, foi o estopim para o término da desgastante relação de Monteiro com os petistas abrigados no Palácio dos Despachos e, por extensão, com o próprio PT. Na greve deflagrada em março deste ano pelos servidores do Detran, que se estendeu de 11 a 19 daquele mês, ele foi agredido, e teve inclusive sua camisa rasgada, em uma escaramuça envolvendo grevistas e PMS e seguranças acionados pela então diretora Administrativa e Financeira do Detran, Maria Denise da Silveira. A exemplo do diretor geral na época, Alberto Campos, Maria Denise da Silveira é também pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular, a cujas lideranças coube o Detran, no loteamento político do governo, em troca do apoio à reeleição da governadora Ana Júlia Carepa.
Com o recrudescimento da surda hostilidade entre o Palácio dos Despachos e o PMDB, Alberto Campos acabou defenestrado do cargo e substituído por Rosemary Teixeira, avalizada pelo PDT, depois da adesão da legenda à campanha pela reeleição da governadora Ana Júlia Carepa. A maior credencial da nova diretora geral é ser mulher do ex-deputado pedetista Luís Cunha, eleito recentemente conselheiro do TCE, o Tribunal de Contas do Estado, com o apoio da governadora Ana Júlia Carepa.

PT – A carta formalizando o rompimento

Segue, abaixo, a transcrição da carta através da qual Elias Pereira Monteiro, presidente do Sindetran, formalizou seu rompimento com o PT, ao qual era filiado desde 1988.

“Belém, 09 de agosto de 2010

“Ao: Sr. João Batista

“Presidente do Partido dos Trabalhadores

“Nesta

“Senhor presidente,

“Dirijo-me a sua pessoa para solicitar meu desligamento das fileiras do Partido dos Trabalhadores, partido ao qual me filiei em meados de 1988 e junto com aguerridos companheiros ajudamos firmar o PT como um partido de lutas e legítimo representante dos trabalhadores brasileiros.

“A crença que nos moveu a enfrentar os desafios da construção de uma entidade tão grande como o PT, em um bairro tão pobre como a Terra Firme (onde comecei minha militância), era principalmente a possibilidade de este ser o legítimo representante dos trabalhadores, atuando como porta-voz dos menos favorecidos, e como implantador de uma política séria, proba e honesta. Entretanto, não nos parece séria uma política que não cumpre acordos e, principalmente, acordos com os trabalhadores, os quais deveriam tratados como prioridade pelo governo do PT no Pará. Falamos do acordo fechado com os servidores do Departamento de Transito do Estado do Pará - DETRAN/PA, através do sindicato da categoria SINDETRAN (ao qual temos a honra de presidir), em maio último, e que até agora não se cumpriu uma linha sequer. Não queremos aqui confundir partido com governo. Todavia, um programa partidário deveria ser seguido pelo governo, para evitar o improviso e o amadorismo governamental; posto isso, não cremos sério quem governa com ‘molecagem’ e desrespeita os trabalhadores paraenses.

“É com pesar que tomamos tal decisão, de caráter irrevogável, sendo nosso objetivo seguir no mandato que nos foi confiado até seu final em 2012, ou até que nossa categoria nos julgue merecedores de confiança.

“Deixamos o PT, mas seguiremos na luta por uma sociedade justa igualitária e feliz.

“ELIAS PEREIRA MONTEIRO

“Presidente do SINDETRAN PARÁ”