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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

HOL – Paciente necessita de leito com urgência

        Irenildes da Silva Santana necessita, com urgência, de um leito no Hospital Ophir Loyola, segundo revela a família da paciente ao Blog do Barata.

        O estado da paciente é grave, segundo também a família de Irenildes da Silva Santana.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

SAÚDE – Dudu volta a ignorar crianças alérgicas

Repetindo o que já ocorreu em fevereiro de 2010, as crianças de Belém, que padecem de alergia alimentar dos mais variados graus de gravidade, estão desde 15 de dezembro privadas do leite especial do qual dependem para sobreviver, segundo denúncia feita ao blog. Em 2010 a lata do leite especial poderia custar de R$ 200,00 a R$ 500,00, a preços de mercado, possivelmente reajustados, desde então.
A distribuição desse leite especial é feita pela Sesma, a Secretaria Municipal de Saúde, com recursos do Ministério da Saúde. O consumo semanal, de cada uma das crianças que padecem de alergia alimentar é estimado em três latas semanais, a um custo obviamente escorchante para a classe média e simplesmente proibitivo para famílias de baixa renda, que vivem na faixa da pobreza.
“Nesta segunda-feira telefonei para a unidade de saúde do bairro de Fátima e não há previsão sobre quando o leite voltará a ser fornecido”, desabafa a mãe, na denúncia anônima. “Não sei até onde a minha filha suportará!”, exclama a mãe.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

SAÚDE – O desmentido de Arnaldo Jordy

A propósito da postagem sobre a denúncia de suposta transferência indevida de equipamentos de UTIs Neonatal originalmente destinados aos municípios de Breves e Cametá, atribuída a conveniências eleitoreiras do parlamentar do PPS, o deputado federal Arnaldo Jordy (foto, à esq.) enviou ao Blog do Barata um categórico desmentido, que transcrevo integralmente abaixo:

“Caro Barata,

“Achei estranho e descabido a postagem em seu blog em que tentam vincular meu nome a uma suposta mudança de destino de equipamentos de UTIs Neonatal. Segundo a nota, estes seriam destinados aos municípios de Breves e Cametá e teriam sido transferidos para o município de Marituba.
“Não sei com qual intenção tentaram vincular essa suposta mudança a minha pessoa. A própria nota explica que tal mudança – se é mesmo que ocorreu – foi uma decisão do Conselho Estadual de Saúde, ou seja, um colegiado autônomo e plural, com poderes para decidir e opinar tecnicamente sobre assuntos ligados ao setor. Assim, se a transferência ocorreu ou não foi uma decisão de um colegiado, a quem cabe responder pelos fatos.
“Quero informar que esse tipo de prática obscena, nunca foi e jamais seria por mim perpetrada. Sempre denunciei coisas como essas. Não faço, nunca fiz e, portanto condeno manobras dessa natureza. Além de que não conheço os membros do referido Conselho. Nunca estive em reunião do mesmo e desejo quem quer que seja a revelar qualquer tipo de abordagem nesse sentido.
“Como todos sabem, a minha biografia e trajetória política nunca foram pautadas por conveniências e manipulações desse tipo.
“Atenciosamente,
“Arnaldo Jordy
“Deputado federal – PPS/PA”

SAÚDE – Esclarecimento do blog

Nada a opor ao desmentido, feito em tom categórico, do deputado Arnaldo Jordy, cuja militância político-partidária acompanho desde os tempos do PCB, o Partido Comunista Brasileiro, no qual tem origem o PPS, o Partido Popular Socialista. Uma trajetória que reconheço séria, a despeito das críticas pontuais que se possa fazer a eventuais alianças do PPS no Pará, no qual a legenda se confunde com o nome de Jordy.
Discordo visceralmente de Jordy, porém, quando ele toma como “descabido” (sic) a postagem. Entendo que não há nenhuma vilania em tirar a limpo os atos atribuídos a uma autoridade pública. Tanto mais porque, no caso específico, tive a precaução de contemplá-lo com o benefício da dúvida, claramente expresso na redação da postagem, na qual veiculei a denúncia em tom condicional.
“Estranho” e “descabido” seria o blog esquecer, desconhecer e tratar como indigente a denúncia, ou tomá-la, a priori, como verdadeira. Como não fiz nem uma coisa, nem outra, não creio ter incorrido em nenhum equívoco. Apenas e tão-somente abri espaço para o contraditório, louvavelmente estimulado com a manifestação do parlamentar. De resto, a postura de Jordy, ao se apressar em rebater a denúncia, evidencia que ele permanece blindado contra a auto-suficiência própria dos poderosos em geral e dos arrogantes em particular.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

SAÚDE – Breves e Cametá são preteridos

Se confirmada, a denúncia é grave, gravíssima. Supostamente para atender conveniências eleitoreiras do deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA), equipamentos de UTIs Neonatal, destinados pelo Ministério da Saúde para Breves e Cametá, migraram – por decisão do Conselho Estadual de Saúde - para um hospital privado em Marituba, o Divina Providência.
Marituba e seu entorno, revela a denúncia, seriam dois dos novos redutos eleitorais de Jordy.
A confirmar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SAÚDE – A justa indignação de uma mãe

Maltratada por uma técnica de enfermagem lotada no setor de vacinação da Unidade de Referência em Saúde Materno Infantil de São Bras, a qual levou seu bebê para receber a dose de reforço de uma vacina, uma internauta conta a sua via crúcis, até conseguir ver seu filho ser vacinado. “Este email serve para fazer lembrar que o servidor público tem o DEVER de atender o cidadão com presteza e decência. E que uma unidade dita de referência deveria se preocupar em melhor qualificar seus servidores”, acrescenta.
Segue, logo abaixo, a reprodução integral do e-mail com a denúncia feita ao blog, por uma mãe indignada. Com justa razão, diga-se.

“Remeto este email para denunciar o péssimo atendimento que eu e meu filho de um ano recebemos no dia 26 de julho de 2011, por parte da técnica de enfermagem de nome Sandra, lotada no setor de vacinação da Unidade de Referência em Saúde Materno Infantil de São Bras.

“Para além de falta de educação com que fui tratada, a referida senhora se negou a aplicar a vacina Meningo Conjugada em meu filho, argumentando que quem já havia feito as outras doses na rede particular, supostamente não teria o direito de utilizar a rede pública para a dose de reforço.

“Como não fui persuadida pela técnica de enfermagem, sobre as razões desta em se recusar a atender meu bebê, naturalmente esperava obter uma explicação técnica sobre o porquê da dose de reforço não poder ser aplicada na rede pública. Por isso insisti em falar com algum dos superiores hierárquicos imediatos da técnica de enfermagem. Isso foi o suficiente para a referida senhora, batendo os pés e entortando a boca, vociferar: “Vá logo para rede particular, já que deu as outras vacinas nela.” Subsequentemente, ela encaminhou-me para fora da sala

“Como sou bastante insistente, saí dali e fui imediatamente procurar a diretoria do posto, sendo encaminhada para o setor de enfermagem, onde finalmente encontrei alguém com capacidade para me explicar que nâo há problema algum em se fazer a dose de reforço ou qualquer outra na rede pública.

“Depois de todo este inconveniente, ainda fui encaminhada para que meu filho pudece, enfim, ser vacinado. Lamentavelmente com a mesma senhora, que ao final do serviço nem ao menos aplicou um curativo, como é praxe, no local de aplicação, no caso a coxinha do meu bebê, que saiu com o local da aplicação sangrando.

“Este email serve para fazer lembrar que o servidor público tem o DEVER de atender o cidadão com presteza e decência. E que uma unidade dita de referência deveria se preocupar em melhor qualificar seus servidores.

“Espero que este fato não ocorra com mais nenhuma pessoa que saía de sua residência com o seu bebê de colo para receber uma proteção contra doenças e receba, adicionalmente, uma dose extra de ignorância e falta de educação.”

domingo, 19 de junho de 2011

SAÚDE – O caos e seus responsáveis

Luiz Otavio Montenegro Jorge *

Diariamente se vê na imprensa, inclusive nacional, o caos que se abateu sobre a saúde pública no Pará, principalmente na capital. Há poucos dias vi matéria em O Liberal, segundo a qual de 24 novos leitos disponibilizados no PSM da 14 de março, o Pronto-Socorro Municipal, 22 estavam ocupados por pessoas vindas dointerior do Estado. E é ai que reside a grande questão. Os repasses da saúde são feitos com base na população. E o repasse ocorre religiosamente, e o que acontece é que grande parte dos prefeitos dos municípios paraenses apresentam a aquisição de ambulâncias apenas como seu grande investimento em saúde pública. Claro. É mais barato do que contratar médicos e comprar medicamentos. Adoeceu? Manda pra Belém. Até os índices de óbitos em certos municípios são mentirosos, pois os doentes são exportados para morrer na capital. Em grande parte dos municípios você vai no hospital não tem médico e quando tem medico não tem medicamento. O médico dá a receita e até parece que o doente fará chá da mesma e com isso estará curado.

Acredito que os grandes responsáveis por esse caos é o Ministério Público, que cala, e do Poder Judiciário, que quando acionado não responde. Os escândalos de notas frias para aquisição de medicamentos e contratações irregulares de serviços médicos são enormes. Fosse o Ministério Público mais presente e seu representante saberia o que se passa na cidade. Aqui em Pirabas, por exemplo, o promotor de Justiça fica em Capanema. Como é que ele vai acompanhar o que se passa na cidade. Três vereadores fizeram uma denuncia ao Ministério Publico e ao TCM, o Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, sobre desvios de dinheiro na saúde e outras áreas no município e decorrido quase um ano nenhuma providência foi tomada. O que mudou no atendimento ao Publico? Nada! O hospital continua sem medico e as ambulâncias não param levando doentes para Salinas, ou Capanema, ou Belém.

A CGU, a Controladoria Geral da União, aparentemente tornou-se um órgão de atuação secreta. Recentemente esteve em Pirabas às escondidas e só soubemos que seus técnicos se encontravam no município na sexta feira, quando já estavam de partida. Ora, quem sabe o que se passa no município são seus moradores. Olhar apenas papel é se enganar com seus olhos, pois ali pode estar exatamente o que eles querem ver. E as notas frias? E as obras fantasmas? E as compras que não chegam ao município?

O Ministério Público em cada município tem que acionar o prefeito, cobrar em que ele está gastando o dinheiro da saúde, pois seu desvio provoca desgraça nas famílias, enlutando os lares e disseminando a viuvez e a orfandade. A inoperância e/ou conivência da Câmara Municipal é marcante. O prefeito fica despreocupado quando tem mais de 2/3 de seus membros do seu lado É inadmissível que em pleno século XXI ainda se tenha noticia de mulheres que morrem de parto por falta de assistência. Desvio de dinheiro da saúde deveria ser classificado como crime hediondo, pois é a forma mais cruel de abater o ser humano indefeso, sem lhe dar a menor chance de defesa: deixá-lo abandonado, sem médico e sem remédio para sua cura, ou para amenizar a sua dor. É um verdadeiro massacre o que se faz contra indefesos cidadãos quando adoecem em muitos municípios desse Estado. O cidadão está abandonado. O Ministério Público não age e os desmandos de muitos prefeitos correm solto. Até quando?

* Luiz Otavio Montenegro Jorge é de São João de Pirabas (PA) e cursa o oitavo semestre do curso de direito na Faculdade de Belém. - Email: luizotaviomontenegrojorge@gmail.com .

domingo, 3 de abril de 2011

DUDU – Factóide diante do colapso na saúde

Diante do colapso da saúde pública em Belém, escancarado nacionalmente pelo Globo Repórter, da TV Globo, o prefeito Duciomar Costa (PTB) (foto), reagiu com seu proverbial cinismo. Com direito a informe publicitário na tevê, sem que este tenha sido caracterizado como tal, o nefasto Dudu fez cara de paisagem e voltou a apostar no populismo obreiro.
O álibi para tanto foi a inauguração das obras de recuperação da avenida Marquês de Herval, uma daquelas ações cosméticas, que servem para justificar custos superfaturados e para iludir o eleitorado incauto. Com a presença, naturalmente, do nefasto Dudu, dessa vez encenando um discurso de suposta preocupação ecológica.
Sobre o sucateamento da saúde pública em Belém, que tanto maltrata a população carente, nenhuma mísera palavra.

sábado, 2 de abril de 2011

DUDU – O serial killer da saúde pública

Um flagrante da escala do caos na saúde pública no Pará, e em particular em Belém, foi exibido pela TV Globo no Globo Repórter da noite desta sexta-feira, 1º de abril. O programa serviu para revelar a dramática rotina de abandono sob a qual se encontram os hospitais e postos de saúde no Brasil, com ênfase para o cotidiano de inépcia e indiferença de gestores da saúde pública de Belém e, pior, até de médicos. A insensibilidade que emerge nesse cenário é o corolário do cinismo que caracteriza o prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, tão bem representado pelo secretário municipal de Saúde, Sérgio Pimentel.
Diante da tevê e do crescente sentimento de indignação, recordei-me da fala de um personagem de um filme – salvo engano Terra em Transe, o marco do Cinema Novo -, segundo a qual a história não se faz com lágrimas. Mas, a despeito dos quase 40 anos de jornalismo, confesso que foi muito difícil represá-las, diante da cena da mãe, desamparada e impotente, assistindo a morte da pequena filha, de um ano e três meses, enquanto a médica, em desespero, mobilizava-se para improvisar a CTI em falta.
A reportagem exibida pelo Globo Repórter pode ser lida no endereço eletrônico abaixo:


Diante do que foi exibido, soa insustentável a condescendência do Ministério Público Estadual e do TJ do Pará, o Tribunal de Justiça do Estado, em relação ao nefasto Dudu, o serial killer da saúde pública.

DUDU – A reportagem do Globo Repórter

Transcrevo, abaixo, a matéria exibida pelo Globo Repórter nesta sexta-feira, 1º de abril.

Edição do dia 01/04/2011

01/04/2011 22h28 - Atualizado em 01/04/2011 23h53

Mãe assiste à filha morrer por falta de vaga em CTI infantil no Pará

Na maior emergência do Pará, não há pediatra na enfermaria infantil. Começa, então, uma mobilização para improvisar UTI para Ruth. Mas a menina morreu minutos após ser levada para o leito improvisado.

Graziela Azevedo - Belém e São Paulo

Todos os dias, doentes em busca de ajuda enfrentam jornadas inacreditáveis. Nossos repórteres entram em enfermarias com quase 100 pacientes, encontram crianças tomando soro em pé, homens e mulheres que esperam até oito horas por um atendimento e médicos que não aparecem para trabalhar.
O Globo Repórter desta sexta-feira (1) não tem a pretensão de fazer a radiografia da saúde pública do país, mas revela a dramática rotina dos hospitais e postos de saúde e o pedido de socorro de brasileiros que se sentem abandonados.
Alguns querem esconder a realidade, mas boa parte da população quer denunciar. Ultrapassamos o cerco em torno de emergências, hospitais e postos de saúde para ver e ouvir brasileiros que precisam de ajuda. São pessoas que se desesperam.
Quem sofre um acidente, quem está passando mal, tem pressa. Quem está doente, precisa de cuidados. E cerca de 80% dos brasileiros nessas situações só podem contar com o SUS. Por isso, a rapidez e a qualidade da saúde pública no Brasil podem fazer a diferença entre o alívio e o sofrimento, entre a vida e a morte. Podem também revelar de maneira dramática as grandes diferenças que ainda existem entre os mais ricos e os mais pobres.
Salvaterra é uma pequena cidade da Ilha do Marajó, no Pará. Em janeiro, o cemitério local ganhou mais uma sepultura, e na casa pobre ficou o vazio da caçula que Márcia perdeu para a doença e a falta de recursos.
Acompanhamos os últimos momentos de vida de Ruth, que passou 11 dias internada em dois hospitais da região onde nasceu. Com problemas pulmonares se agravando e sem diagnóstico, sem a certeza do que ela tinha, a menina acabou sendo transferida para Belém.
Foram horas e horas navegando ou sacudindo por estradas ruins. É assim que os paraenses carregam suas dores. O atendimento nas ilhas e no interior do Pará é difícil e precário. Por isso, muitos doentes acabam indo para a capital, mas o socorro que falta no interior muitas vezes também não existe na cidade grande.
O Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, conhecido como PS da 14, é a maior emergência do Pará. Atende cerca de 120 mil pessoas por ano. Ao passar da recepção onde a aparência é de organização, encontramos o caos. Seja qual for a doença ou o problema, todos dividem o sofrimento dos corredores lotados, da falta de um mínimo de conforto. É assim com o rapaz baleado em um assalto.
“Não tem lugar para ele. Ele vai ser avaliado ainda pelo cirurgião para depois ver. Passou só remédio para dor para ele. Já estamos aliviados que, pelos menos, já atenderam, quando muitos estão ainda esperando e não atenderam”, aponta Mariléia Meireles, tia do paciente.
O pedreiro caiu de um telhado, aguarda um raio-x e não tem sequer um colchão.
A dona de casa Maria Souza sente tanta dor que mal consegue subir na maca. É no meio da confusão que ela recebe as más notícias. “Só atendemos pacientes com quadro de urgência, emergência que não é o seu caso. Ela precisa de um hepatologista para ver o fígado, de um ginecologista para o ovário e possivelmente de um urologista para o problema renal”, declara o médico Rogério Santiago.
Maria poderá levar com ela nem os exames já prontos. A dona de casa acredita que não vai conseguir todas as consultas.
“Eu faço o meu papel de médico, mas eu não posso sanar também todos os defeitos do sistema”, desabafa o doutor Rogério.
O problema é que "o sistema" nesse estado põe em risco o exercício da medicina e a própria vida dos pacientes.
Na enfermaria infantil, não há pediatra. A médica de outra unidade é chamada para avaliar uma criança, mas está de mãos atadas.

Médica: Ela precisa ser entubada.
Globo Repórter: Precisa ser entubada agora?
Médica: Agora.
Globo Repórter: E não tem UTI?
Médica: Não tem vaga na UTI.

Foi em uma situação desesperadora que encontramos Márcia e sua filha.

Márcia: Não sei se vou agüentar
Globo Repórter: Calma. Como é que é o nome dela?
Márcia: Ruth.
Globo Repórter: Que idade ela tem?
Márcia: Um ano e três meses.
Globo Repórter: Ela chegou aqui já ruim assim?
Márcia: Ela chegou só com pneumonia, com uma febre e nada de eles darem remédio e deixando a menina piorar desse jeito.
Globo Repórter: Quanto tempo ela está aqui?
Márcia: Quatro dias.

A situação se agrava. Não dá para esperar. A médica pediatra Annethe Nascimento tenta fazer o que pode, mas não há equipamento na sala para onde Ruth foi levada. “Não tem oxigênio, não tem nada montado. A sala está vazia. E eu estou vendo a criança morrer aqui na minha frente sem poder fazer nada. Eu estou esperando, fico impotente”, diz a médica.
A batalha por uma vida que mal tinha começado comove a todos que estavam ali. Diante de nossas câmeras, começa uma mobilização para improvisar um leito de UTI. É difícil, porque o teto de uma das unidades de terapia intensiva havia desabado um dia antes, e a sala para onde foram transferidos os pacientes também foi condenada.
Globo Repórter: Como vocês estão lidando com essa situação?
Roberto Magalhães, médico: Estamos tentando equacionar, estamos tentando. Lá embaixo foi esvaziada agora uma enfermaria justamente para montar o CTI lá.

Globo Repórter: Por que aqui não tem condições?
Roberto Magalhães, médico: Aqui em cima não tem condição.
Globo Repórter: E essa criança que estava precisando do leito aqui?
Roberto Magalhães, médico: Vai para lá, porque aqui o CTI infantil está lotado.
Tarde demais. Ruth morreu minutos depois de ser levada para o leito improvisado. Agora, o que resta é tristeza e perguntas: e se houvesse UTI? Se houvesse diagnóstico? Se Ruth tivesse recebido antes os cuidados necessários?
“Tem sido meio dificultoso, porque você está todo o tempo vendo uma criança contigo, levar no médico pensando que ela vem de lá com vida”, declara a mãe da menina.
O atestado de óbito fala de pneumonia e hemorragia, mas o resultado do exame de sangue, que chegou 15 dias depois do enterro, mostra que Ruth teve leishmaniose visceral, também conhecida como calazar. É uma doença grave, transmitida por animais e que deve ser comunicada às autoridades de saúde.
O Conselho Regional de Medicina e o Ministério Público do Pará abriram processo para apurar a morte de Ruth.
Mas enquanto o caos persistir haverá outras mortes: é o que admite o secretário de saúde de Belém, Sérgio Pimentel. Ele, que também tem a função de organizar o sistema, reclama da falta de dinheiro, lembra que o Pará recebe do Ministério da Saúde a menor verba por habitante do país e critica a atitude comum entre seus colegas secretários de saúde.
Sérgio Pimentel, secretário de saúde de Belém: O caso agrava no interior. Ele simplesmente transfere o problema para a capital.

Globo Repórter: Ele desova o paciente?
Sérgio Pimentel, secretário de saúde de Belém: Exatamente, e não tem regulação. Não se sabe qual hospital para que vai. Se ele tiver lotado, não tiver um leito de UTI e esse paciente precisar de um leito de UTI, nós vamos ter que regular esse paciente.
Globo Repórter: Ele vai morrer?
Sérgio Pimentel, secretário de saúde de Belém: Exatamente, remeter para um local onde tenha. Pode ser que com o tempo passado ele tenha o problema do óbito.

Momentos antes da entrevista com Sérgio Pimentel, encontramos o motorista de uma ambulância que não conseguiu socorro para a paciente que trazia do interior. “Se lá no Hospital de Clínicas tivessem dado suporte, ela poderia ter sobrevivido. Não quiseram atender, isso que me revolta” declara o motorista revoltado.
A mãe da professora Rosilda Cardoso foi recusada em dois hospitais e não aguentou chegar ao terceiro. “Ela veio transferida para o Pronto Socorro da 14. Chegando lá, não tinha leito para ela, e mandaram ela para o Hospital de Clínicas. Chegando no Hospital de Clínicas, eles não quiseram recebê-la. De lá mesmo, eles despacharam da porta. E ela estava bem para ser atendida, porque, quando chegou aqui no pronto socorro, aqui na frente, ela teve a parada. Antes disso, vinha controlando a pressão dela, estava indo tudo bem. Se tivesse atendido logo, ela poderia até ter morrido, mas ela tinha sido atendida. E ela não foi atendida. O que dói mais é isso”, conta.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

TCM – Sérgio Pimentel não cumpre compromisso

Reproduzo, na íntegra,uma contribuição de um internauta anônimo, que ilustra o desrespeito recorrente do secretário municipal de Saúde, Sérgio Pimentel (foto).

Olha o que diz a página do TCM (www.tcm.pa.gov.br ) sobre o secretário municipal de saúde de Belém:

"O Tribunal de Contas dos Municípios participou da inspeção feita por vários órgãos da Rede de Controle da Gestão Pública no Estado do Pará, realizada na Unidade Municipal de Saúde do bairro da Terra Firme, no dia 20 de janeiro, ocasião em que foi constatado que nenhum dos dez compromissos inicialmente assumidos pelo secretário municipal de Saúde Sérgio Pimentel foi cumprido, motivo pelo qual poderão ser adotadas medidas judiciais contra a Prefeitura de Belém.

Os dois acordos assinados pela Prefeitura de Belém com os 14 órgãos que integram a Rede de Controle, um em 19 de outubro e o segundo em 30 de novembro, expiraram o prazo no dia 31 de dezembro de 2010. Através do segundo acordo a PMB se comprometeu em desenvolver sete ações para melhorar o atendimento na unidade de saúde, mas não cumpriu nenhum deles.

Em seu relatório de inspeção, o analista de Controle Externo e diretor adjunto da Diretoria de Apoio aos Municípios do TCM Cleber Mesquita dos Santos e o auditor Alcimar Lobato destacaram os seguintes pontos: que na farmácia de 12 metros quadrados não há espaço para desenvolver os trabalhos de atenção farmacêutica; que a atendente da farmácia é uma técnica de enfermagem; que normalmente quem atende na farmácia é um assistente administrativo sem capacitação para esse trabalho, sendo que o mesmo se encontra em gozo de licença-saúde e quem o substitui é um auxiliar administrativo que também não tem qualificação para atuar na farmácia.

O relatório destaca também, entre outras irregularidades, que a unidade de saúde só dispõe de farmacêutica pela parte da manhã; que o armazenamento de medicamentos é feito de forma precária (alguns colocados no chão) e vulnerável ao extravio posto que de fácil acesso a qualquer pessoa. A equipe do TCM verificou ainda que tanto o controle como a distribuição dos medicamentos continua sendo feitos através de fichas manuscritas e que não é dado baixa imediatamente após o aviamento de receitas".