No rastro das eleições municipais, e particularmente da eleição do tucano Zenaldo Coutinho como prefeito de Belém, recrudesceu o tiroteio midiático entre Romulo Maiorana Júnior, o Rominho, presidente executivo das ORM, Organizações Romulo Maiorana, e o senador e ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e a mais longeva liderança política da história do Estado. Inimigos figadais, os Maiorana e os Barbalho, com os respectivos grupos de comunicação, protagonizam não apenas uma disputa política, mas também empresarial, que passa ao largo de questões de princípios e cujo freqüente baixo nível acabou por torná-la uma autêntica guerra suja. Dessa vez coube a O Liberal, o principal jornal do grupo de comunicação dos Maiorana, retomar a guerra suja, com um virulento editorial, publicado em espaço nobre, na edição da última segunda-feira, 29 de outubro, acusando Jader de “corrupto, malfeitor e mentiroso”. A retaliação, em tom igualmente abrasivo, veio no dia seguinte, 30 de outubro passado, quando o Diário do Pará, o jornal do grupo de comunicação dos Barbalho, destinou uma página dupla, dedicada à vida pregressa do patriarca dos Maiorana e seu envolvimento com o contrabando – inclusive de armas – denunciado por O Globo, do Rio de Janeiro, em uma série de reportagens publicadas em 1957.
O estopim para esse novo capítulo de ofensas e achincalhes mútuos foi a pesquisa de intenção de voto para prefeito de Belém, feita pelo Ipesp, o Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas. A pesquisa, publicada na edição do último domingo, 28 de outubro, do Diário do Pará, o jornal da família Barbalho, sinalizava para um suposto empate técnico entre o deputado federal Zenaldo Coutinho, do PSDB, e o deputado estadual Edmilson Rodrigues, do PSol, ex-prefeito de Belém, eleito em 1996 e reeleito em 2000, quando ainda no PT. A projeção do Ipesp revelou-se um fiasco, ao contrário da última pesquisa do Ibope, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, encomendada pelos Maiorana e cujas projeções foram quase integralmente corroboradas pelas urnas.









