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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ENTREVISTA – “A Aspeppa nasce para manter e ampliar os direitos da categoria”, assinala Rodolfo Nobre

Professor Rodolfo Nobre, um dos articuladores da criação da Aspeppa.

Um homem infenso a bravatas, mas destemido e determinado. Assim pode ser descrito Rodolfo Ronaldo Nobre Oliveira, 31 anos, o professor Rodolfo Nobre, formado em matemática pela UEPA, a Universidade do Estado do Pará, com mestrado em educação matemática pela UFPA, a Universidade Federal do Pará, além de ser diplomando em direito pela Faculdade Estácio do Pará. Professor de carreira da Seduc, a Secretaria de Estado de Educação, para a qual prestou concurso em 2008, ele é um dos articuladores da Aspeppa, a Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará, que surge na esteira da crise de credibilidade na qual submergiu a atual direção do Sintepp, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará, hoje no epicentro de graves suspeitas de corrupção na entidade. “A Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará, a Aspeppa, nasce como uma alternativa para resgatar paradigmas indispensáveis à defesa dos reais interesses da categoria”, assinala, para logo fazer a ressalva: “Não vejo a Aspeppa como oposição ao sindicato dos profissionais da educação pública, ainda que possa representar uma opção diante da crise de credibilidade na qual mergulhou o Sintepp, por conta de desvios históricos, como a partidarização da entidade, levada a limites intoleráveis pela parcela hegemônica da atual gestão.”
A precaução de Rodolfo Nobre está a uma distância abissal, diga-se logo, do tom dúbio que costuma acompanhar o mero proselitismo. Apesar das vicissitudes já enfrentadas por sua postura crítica, que incluem até uma covarde agressão física da qual foi vítima por parte de um pau-mandado da atual direção do Sintepp, Agnaldo Soares, militante do PSol - em episódio registrado inclusive em boletim de ocorrência policial -, ele não recua de suas convicções e deixa claro, com sua coragem moral, que não é suscetível a intimidações. Nada mais compatível com a obstinação de quem precisou enfrentar incontáveis adversidades, até transformar sonhos em realidade, sem abdicar dos valores éticos repassados pelos pais e pela avó materna, todos pessoas humildes. O pai, Ronaldo Teixeira Oliveira, 50 anos, é porteiro de um condomínio; a mãe, Aurideia de Jesus Tavernard Nobre, 51 anos, é costureira; e a avó materna, Ana Maria Pinto Teixeira, 70 anos, uma presença “extremamente marcante” na sua vida, aposentou-se como garçonete, profissão com a qual ajudou a viabilizar a educação do neto. “Com eles aprendi que princípios são inegociáveis”, conta o professor Rodolfo Nobre, permitindo entrever o orgulho pela família e, em particular, o carinho especial dedicado à dona Ana Maria, a avó materna. Um justo orgulho, diga-se, diante do mutirão graças ao qual coonsegiu driblar os percalços da vida, até formar-se pela UEPA, ser aprovado no concurso da Seduc e cursar o mestrado na UFPA.
Essa mesma determinação, que o fez superar as adversidades impostas pela vida, certamente explica a serena coragem que o professor Rodolfo Nobre revela diante do desafio de, juntamente com colegas de magistério, dar vida à Aspeppa. “Nossa proposta, que desejamos estender ao sindicato, é de promover uma administração aberta, plural, transparente, democrática e, sobretudo, que respeite a vontade soberana da maioria de seus associados”, explica, revelando uma postura à margem da intolerância, irmã siamesa do sectarismo. Nem por isso, ele deixa de ser incisivo na defesa dos profissionais em educação pública do Pará, o que fica claro ao criticar acidamente o recente acordo celebrado pela direção do Sintepp com o governo Simão Jatene, que ele trata como “termo de rendição”. “Não há como digerir as condições impostas pelo governo, acatadas servilmente pela atual direção do Sintepp. Basta acessar o site da Sefa, que nele se constata que o Tesouro do Estado apresenta resultados positivos e que batemos recordes mensais de arrecadação de ICMS ano passado, por exemplo”, desabafa, em entrevista ao Blog do Barata.

Como um crítico histórico e ácido dos desvios éticos das lideranças sindicais, e particularmente das lideranças sindicais docentes da rede pública de ensino, como você avalia o surgimento da Aspeppa? No que ela, a priori, se distingue do Sintepp, ao qual evidentemente se contrapõe, pelo menos na atual conjuntura?

A Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará, a Aspeppa, nasce como uma alternativa para resgatar paradigmas indispensáveis à defesa dos reais interesses da categoria. Não vejo a Aspeppa como oposição ao sindicato dos profissionais da educação pública, ainda que possa representar uma opção diante da crise de credibilidade na qual mergulhou o Sintepp, por conta de desvios históricos, como a partidarização da entidade, levada a limites intoleráveis pela parcela hegemônica da atual gestão. A Aspeppa não nasce para protagonizar embates entre entidades representativas dos trabalhadores da educação, mas, sim, para estimular uma nova forma de representação que priorize as lutas para manter e ampliar direitos da categoria, à margem de projetos político-partidários.
É importante destacar que as críticas feitas à atual gestão do Sintepp têm caráter construtivo e visam ajudar a aperfeiçoar o sindicato, principalmente na busca pela moralidade, legalidade e transparência. A Aspeppa tem um perfil diferenciado, porque prioriza as pautas específicas dos trabalhadores da educação, sem a partidarização dos debates. Há também a determinação de buscar uma assessoria jurídica em efetiva sintonia com as demandas do conjunto da categoria e não submissa às conveniências políticas da direção da entidade. Nossa proposta, que desejamos estender ao sindicato, é de promover uma administração aberta, plural, transparente, democrática e, sobretudo, que respeite a vontade soberana da maioria de seus associados.

É inocultável a crise de credibilidade na qual submergiu a atual direção do Sintepp. Mas, até pela importância histórica da entidade, na defesa e conquistas da categoria, não é possível resgatar a representatividade tisnada pelas críticas ao recente acordo com o governo Simão Jatene e pelas suspeitas de corrupção, no rastro das denúncias de aparelhamento político-partidário da entidade?

Resgatar a representatividade do Sintepp é o que todos nós, que articulamos a criação da Aspeppa, mais desejamos. Mas isso passa, necessariamente, pelo resgate de uma administração aberta, plural, transparente, democrática e, sobretudo, que respeite a vontade soberana da maioria de seus associados, conforme enfatizo na resposta anterior. É indispensável, hoje, depurar o sindicato, cuja atual gestão teve sua credibilidade sepultada, seja pela evidente partidarização da entidade, seja pela ausência de transparência administrativa, seja ainda pela falta de esclarecimentos convincentes sobre as graves denúncias de corrupção, que, por respeito ao conjunto dos trabalhadores da educação pública, deve aos que sustentam, com seu suado dinheiro, o Sintepp. O sindicato, convém não esquecer, tem, estimativamente, cerca de 22 mil associados, que proporcionam uma arrecadação anual calculada em R$ 12 milhões anuais. É muito dinheiro para não se saber de que forma está sendo utilizado!
Precisamos resgatar a defesa intransigente dos reais interesses da categoria, até para não incorremos nas sandices que levaram ao acordo celebrado recentemente com o governo Simão Jatene, cujos termos são mais compatíveis com os de um termo de rendição. O que explica a insatisfação do conjunto da categoria. É indispensável resgatar o compromisso inarredável com a base da categoria, que levou a conquistas históricas como o Regime Jurídico Único, em 1993, e o PCCR, de 2002, a despeito das limitações em termos de direitos dos professores.

No caso do acordo com o governo Simão Jatene, que fez medrar com vigor a insatisfação em vastos setores da categoria, quais, a seu ver, os aspectos mais suscetíveis a questionamentos e o que poderia ter sido feito de diferente, nas circunstâncias em que ocorreram as negociações?

São vários aspectos, porém citarei os dois mais relevantes. O primeiro ponto é condicionar o pagamento das reposições - um direito líquido e certo! – a disponibilidade no orçamento do Estado, o que sugere um calote anunciado. Além do pagamento ser condicionado ao limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, evidentemente um álibi, em se tratando de um governo caracterizado pelo inchaço da máquina administrativa, que revela pouco apreço ao concurso público como critério para ingresso no serviço público. Com isso, os professores e as professoras trabalharão para cumprir os 200 dias letivos de 2015 sem a garantia de receber a contrapartida salarial. O que agrava tudo isto é a falta de domínio da direção do sindicato a respeito dos números esgrimidos pela secretária de Administração, a despeito do Sintepp dispor da qualificada assessoria oferecida pelo Diesse e dispor de recursos para, se for o caso, reforçá-la, a fim de subsidiar adequadamente a comissão de negociação. Sem esquecer de mencionar, naturalmente, o mais colossal dos equívocos, que foi não submeter os termos do acordo à base da categoria, antes de celebrá-lo tão açodadamente, que sequer tem clareza das implicações dele, conforme foi admitido publicamente. Não há como digerir as condições impostas pelo governo, acatadas servilmente pela atual direção do Sintepp. Basta acessar o site da Sefa, que nele se constata que o Tesouro do Estado apresenta resultados positivos e que batemos recordes mensais de arrecadação de ICMS ano passado, por exemplo.

“Entendo que é facultado à direção
do sindicato fazer sua defesa,
oferecer sua versão Mas é imperativo
que também abra todas as contas
do sindicato e promova uma
sindicância externa independente.”

E no caso das suspeitas de corrupção, que emergem na esteira das denúncias de aparelhamento do Sintepp, quais as alternativas capazes de preservar, ou pelo menos resgatar a legitimidade da atual direção?

Vivemos num Estado democrático de direito. Sendo assim, todos gozam do direito à ampla defesa e ao contraditório. Partindo dessas premissas, entendo que é facultado à direção do sindicato fazer sua defesa, oferecer sua versão Mas é imperativo que também abra todas as contas do sindicato e promova uma sindicância externa imparcial. Além, obviamente, de ser também outro imperativo a atual direção se afastar, enquanto durar a investigação. Após isso, naturalmente, o relatório completo dessa sindicância deve ser submetido a assembleia geral da categoria, visando as providências legais, caso ratificadas as denúncias. Enquanto isso não correr, faltará autoridade moral à atual direção do Sintepp para exigir auditoria do IASEP.

Qual a sua leitura sobre as cobranças de rigorosa apuração dessas denúncias, seja pela base docente, como é o caso da petição eletrônica; seja por setores da oposição representados na própria direção do Sintepp, seja ainda por uma das tendências do PSol, no qual ironicamente tem abrigo a tendência acusada de aparelhar o sindicato?

Tardias, ou não, essas cobranças evidenciam a necessidade, impostergável, de uma rigorosa apuração sobre as denúncias de corrupção no Sintepp, em consequência do aparelhamento do sindicato pela APS (Ação Popular Socialista), uma das tendências do PSol (Partido Socialismo e Liberdade). O que precisa ser dito é que os resultados dessa apuração, por uma auditoria externa independente, precisam estar atrelados ao pedido de providências legais cabíveis, no âmbito do Judiciário, se confirmadas as denúncias de corrupção, até para que o sindicato possa ser ressarcido, se assim for o caso. No mais, pelo menos para mim, pessoalmente, é estranho o silêncio do PSol a respeito, em uma postura incompatível com a bandeira ética que justificou, inclusive, a criação do partido.

Aparentemente, pelo menos, a Aspeppa surge como a materialização da insatisfação que medra com vigor na base docente, em relação ao Sintepp. Qual, nesse caso, o antídoto para blindá-la contra o tradicional voluntarismo das bases, habitualmente pouco afeitas a avaliar a conjuntura a partir da relação custo versus benefício?

Primeiramente, a intenção é estabelecer a eleição proporcional, com equivalência de cargos, dos dirigentes da associação, para que a partilha dos cargos seja definido pelos associados, não por conchavos entre os integrantes das chapas eventualmente votadas. Isso, na minha visão, blindará a Aspeppa contra os circunstancias riscos de tentativa de partidarização da entidade. Ao lado disso, é nossa intenção democratizar a informação, para subsidiar o conjunto dos trabalhadores da educação pública do Pará, manter a categoria informa de seus direitos, das eventuais alegações do governo e dos argumentos capazes de desmontar os álibis dos poderosos da hora. Trata-se de uma proposta que pretendemos ver incorporada pelos atuais dirigentes do Sintepp, se a atual gestão estiver de fato empenhada em recuperar a credibilidade perdida.

“É verdade que somente o sindicato
pode assinar acordos coletivos, mas
a associação goza do direito de discutir
os termos dos acordos, de emitir
pareceres, de ajuizar ações, de
participar das mesas de negociações.”

O surgimento da Aspeppa, neste primeiro momento, suscita reações que vão do desdém a preocupação de que as articulações para a criação da associação fragilize as lutas em defesa dos docentes, ao estimular a dissidência no sindicato que representa a categoria. Qual a sua opinião a respeito?

A Aspeppa não surge com a intenção de ser oposição ao Sintepp, menos ainda para fragilizar a luta da categoria. Pelo contrário, a Aspeppa se estabelece como mais uma alternativa de luta e de mudanças positivas em favor de todos os trabalhadores da educação pública paraense. É uma bandeira a mais em defesa da educação pública de qualidade. Na verdade, a Aspeppa, é composta por profissionais da educação da base da categoria. O que implica dizer que é uma organização visceralmente comprometida com a defesa intransigente dos direitos da categoria. Entendemos que precisamos unir forças e caminharmos de mãos dadas, olhando para o horizonte de lutas. Nessa perspectiva, a disposição é no sentido de somarmos forças, na medida do necessário, com o Sintepp.

Como, do ponto de vista formal, cabe ao Sintepp representar os trabalhadores da educação pública, qual o papel que cabe para a Aspeppa, no atual cenário?

A lei é bem clara quando estabelece que não pode haver dois sindicatos de uma mesma categoria em uma mesma base territorial. É vedada, portanto, a existência de dois sindicatos de trabalhadores em educação pública para o Pará (in art.8º, II, CLT). A lei, porém, não veda que exista um sindicato e uma associação profissional, pois são entidades que gozam de naturezas jurídicas distintas. Daí a via escolhida ter sido a da criação da Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará. O sindicato vive da cobrança consignada mensal, mais o recolhimento do imposto sindical anual compulsório. Já a associação vive da contribuição voluntária de seus associados. É verdade que somente o sindicato pode assinar acordos coletivos de trabalho, mas a associação goza do direito de discutir os termos dos acordos, de emitir pareceres, de ajuizar ações em favor de seus associados, de lançar notas públicas sobre atos do governo ou mesmo do sindicato, de participar das mesas de negociações, etc.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

ASPEPPA – Descontentes com o Sintepp, professores da base articulam associação para defender a categoria


Aspeppa - Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará. Esta é a denominação da entidade, que inclusive já tem página no Facebook e cuja criação está sendo articulada por parcela dos professores da base dos docentes da rede pública de ensino, descontentes com a atuação do Sintepp, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará, mergulhado em uma crise de credibilidade, na esteira de denúncias de corrupção. A crise foi deflagrada por uma representação anônima protocolada no MPE, o Ministério Público Estadual, contendendo denúncias de malversação das finanças e do patrimônio do sindicato, na esteira do aparelhamento da entidade pela APS, Ação Popular Socialista, uma tendência do PSol, o Partido Socialismo e Liberdade, na qual militam os principais dirigentes do Sintepp. As denúncias atingem, em particular, o coordenador-geral, Alberto Ferreira de Andrade Júnior, o Beto Andrade, que é também pré-candidato do PSol a prefeito de Ananindeua, e Maria da Conceição Holanda de Oliveira, coordenadora da Secretaria de Finanças. O imbróglio ainda alcança o vereador de Belém Fernando Carneiro, do PSol, beneficiário de doações de campanha, por dirigentes do Sintepp, postas sob suspeitas.

A articulação para a criação da Aspeppa, a Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará, por um contingente da base dos docentes da rede pública de ensino, materializa a crise de representatividade na qual submergiu a parcela hegemônica da direção do Sintepp, associada a APS, a tendência abrigada no PSol. Trata-se de um processo turbinado pela disseminação da insatisfação do conjunto da categoria diante dos termos do acordo celebrado pelo Sintepp com o governo Simão Jatene, a propósito dos descontos e da reposição de aulas, no rastro da recente greve dos professores da rede pública estadual de ensino. Selado à revelia dos professores, sem discussão prévia em assembleia geral, o acordo foi duramente criticado até por lideranças com vínculos formais com o PSol, como José Emílio Almeida, presidente da Asconpa, a Associação de Concursados do Pará, que é também professor. "O Sintepp cometeu mais uma insensatez ao assinar, nesta quinta-feira (14 de janeiro), acordo com o governo do Estado, sem antes apresentar proposta para ser discutida pela categoria, da qual eu faço parte”, disparou José Emílio Almeida, no Facebook, em uma ácida crítica, reproduzida pelo Blog do Barata. Subsequentemente, um professor da base, Rodolfo Nobre, em artigo também veiculado no Blog do Barata, sob o título OPINIÃO – Falta de representatividade compromete legitimidade, não só detalhou aspectos obscuros do acordo, como fez uma crítica devastadora à direção do Sintepp, e em particular à assessoria jurídica, por avalizar um documento sobre cujo teor pairam dúvidas admitidas publicamente. O artigo de Rodolfo Nobre corroborou o que já fora resumido pela professora Tati Lira, em desabafo indignado, na assembleia geral convocada pelo Sintepp para dar conhecimento à categoria dos termos do acordo celebrado com o governo Simão Jatene: "Essa direção não representa a categoria de professores!"

ASPEPPA – Abaixo-assinados e petição pública



Concomitantemente ao lançamento da Aspeppa, a Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará, o desdobramento de todo esse imbróglio incluiu ainda um episódio ilustrativo da crise de representatividade na qual submergiu a direção do Sintepp. Trata-se do abaixo-assinado divulgado por parcela da oposição representada na diretoria do sindicato, cuja composição é proporcional à votação obtida por cada chapa que disputou a eleição. Em tom ácido, o abaixo-assinado – um golpe devastador para a direção do Sintepp, por revelar uma fissura interna - cobra a apuração sobre as denúncias de corrupção, observando que “são graves e precisam ser explicadas uma a uma para o conjunto dos filiados do sindicato, pois são estes que sustentam financeiramente e politicamente a instituição para lutar por seus interesses”. No abaixo-assinado, a oposição representada na diretoria exige a formação de comissão composta por cinco professores da base da categoria, “sem nenhuma filiação partidária”, para apurar as denuncias, além da realização de uma assembleia geral para esclarecer as denuncias apresentadas no Ministério Publico Estadual. Anteriormente, uma das tendências abrigadas no PSol, o coletivo SAL, Socialismo, Ação e Liberdade, já exigira publicamente, em nota oficial, “uma rigorosa apuração sobre as denúncias de corrupção” no Sintepp.

Simultaneamente, circula na internet uma petição pública - até sábado, 6, com 70 assinaturas - cobrando da direção do Sintepp uma rigorosa apuração das denúncias de corrupção na entidade. Há também, circulando pelas escolas da rede pública de ensino, um abaixo-assinado impresso, defendendo a realização de uma sindicância interna no Sintepp, para apurar essas denúncias, por uma comissão de ética independente, sem vínculos com a direção do sindicato e eleita em assembleia geral, além do afastamento da atual diretoria, enquanto perdurarem as apurações, com a eleição de uma junta provisória para gerir a entidade, também eleita em assembleia geral da categoria.

ASPEPPA – “Em defesa dos interesses da categoria”



“Em defesa dos reais interesses da categoria”. Este é o título do manifesto que marca o lançamento da Aspeppa, a Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará, cuja criação está sendo articulada por parcela dos professores da base docente da rede pública de ensino, insatisfeita com a postura da atual direção do Sintepp, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará. “A Aspeppa (Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará) surge como uma alternativa de mudanças positivas frente ao cenário desfavorável com o qual se defrontam os servidores públicos da educação no Pará. São sucessivas crises e problemas históricos, cujas dramáticas consequências passam por um vasto leque de adversidades”, assinala o manifesto, que pode ser acessada pela página criada no Facebook, em nome da entidade.
Rejeitando “enfaticamente a ideia de partidarização da entidade, para não desviá-la de seus propósitos”, o manifesto reforça a ideia de importância da criação da Aspeppa, na esteira da crise de representatividade do Sintepp. “A Aspeppa surge como consequência da crise de credibilidade do sindicato da categoria, cuja postura claudicante comprometeu irremediavelmente sua representatividade, com reflexos na própria legitimidade”, sublinha, para acentuar que as suspeitas de corrupção na entidade tornam a situação tanto mais grave. “Um cenário agravado pelas denúncias sobre suposta corrupção na entidade, no rastro do aparelhamento político-partidário, conforme denúncias protocoladas no Ministério Público do Estado do Pará, repercutidas no Blog do Barata”, acrescenta.

De resto, o manifesto exorta ao apoio à criação da entidade. “Temos fé de que a aurora de um novo tempo nasceu no horizonte da esperança. Por isso, o apelo à sociedade paraense em geral e, em especial, aos trabalhadores em educação pública, por um voto de confiança”, apela, para arrematar com uma definição de princípios: “Vamos, unidos, combater o bom combate. Hoje e sempre!”

ASPEPPA – O manifesto

Abaixo, a transcrição, na íntegra, do manifesto de lançamento da Aspeppa, a Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará, cuja criação está sendo articulada por parcela dos professores da base docente da rede pública de ensino, insatisfeita com a postura da atual direção do Sintepp, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará:

ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO PÚBLICA DO PARÁ - ASPEPPA

Em defesa dos reais interesses da categoria

A Aspeppa (Associação dos Profissionais em Educação Pública do Pará) surge como uma alternativa de mudanças positivas frente ao cenário desfavorável com o qual se defrontam os servidores públicos da educação no Pará. São sucessivas crises e problemas históricos, cujas dramáticas consequências passam por um vasto leque de adversidades. Esse elenco de vicissitudes inclui arrocho salarial, subtração de direitos conquistados, precárias condições de trabalho, ausência de concursos públicos, descumprimento do piso salarial, não pagamento dos retroativos devidos, falta de aumento nas gratificações, inexistência de promoção horizontal, valor irrisório do vale alimentação e a extinção de turmas, cujo corolário é a superlotação de outras, além da falta de reformas das escolas e da própria sede da Seduc (Secretaria de Estado de Educação).

A Aspeppa surge como consequência da crise de credibilidade do sindicato da categoria, cuja postura claudicante comprometeu irremediavelmente sua representatividade, com reflexos na própria legitimidade. Um cenário agravado pelas denúncias sobre suposta corrupção na entidade, no rastro do aparelhamento político-partidário, conforme denúncias protocoladas no Ministério Público do Estado do Pará, repercutidas no Blog do Barata. Uma situação agravada pelo abandono da luta em defesa das aspirações dos técnicos e profissionais de apoio das escolas e Seduc, que há muito não usufruem de conquistas capazes de beneficiá-los, a exemplo dos aposentados, também esquecidos. Disso decorre um quadro profundamente adverso para os profissionais em educação pública do Pará, com descontos abusivos e ilegais, não pagamento do retroativo relativos a 2011, 2013 e 2016, faltas funcionais, ameaça de PADs e a pressão para trabalhar sem receber a devida contrapartida salarial.

Essa situação inspirou o surgimento da Aspeppa, cuja principal bandeira é a defesa intransigente dos reais interesses dos profissionais em educação pública do Pará. Rejeitada enfaticamente a ideia de partidarização da entidade, para não desviá-la de seus propósitos.

Temos fé de que a aurora de um novo tempo nasceu no horizonte da esperança. Por isso, o apelo à sociedade paraense em geral e, em especial, aos trabalhadores em educação pública, por um voto de confiança.

Vamos, unidos, combater o bom combate. Hoje e sempre!