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domingo, 24 de outubro de 2010

OSTP – Sinfônica continua sob indiferença oficial

De mal a pior. Em off, naturalmente, para evitar retaliações, assim é definida a situação da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (foto) por alguns de seus próprios integrantes, de acordo com os quais o governo Ana Júlia Carepa frustrou as expectativas suscitadas, acabando por repetir, ainda que com atenuantes, a indiferença oficial da tucanalha.
Segundo a queixa generalizada, a orquestra existe de fato, mas não de direito, e a perspectiva do seu piso salarial atingir um patamar mais digno não materializou-se, apesar do aumento de 100% concedido pela governadora petista Ana Júlia Carepa em 2007, o primeiro ano do seu mandato. Na época, os músicos recebiam míseros R$ 600,00, o salário pago pelo governo Simão Jatene, do PSDB, e passaram a ganhar R$ 1.200,00 com o reajuste de 100% concedido pela administração Ana Júlia Carepa, do PT.
O compromisso de aumentos gradativos, até atingir um piso salarial minimamente decente, ficou na conta das promessas não cumpridas. Hoje, denunciam também músicos da orquestra, são frequentes os atrasos no pagamento dos salários e dissemina-se o clima de desalento, diante da falta de estímulos.

OSTP – A conversa fiada de Edilson Moura

Pelo menos para parcela dos músicos da Sinfônica do Theatro da Paz, muito contribuiu para a atual atmosfera de desalento a omissão do ex-secretário de Cultura, o ex-vereador de Belém Edilson Moura (foto, com Ana Júlia Carepa), que acaba de eleger-se deputado estadual pelo PT. “Edilson Moura foi só conversa fiada”, sentencia uma das fontes do blog, recordando que ele pouco ou nada fez para reverter a pasmaceira herdada da gestão de Paulo Chaves Fernandes, o PC, a quem sucedeu na Secult, a Secretaria de Estado de Cultura.
Na administração de PC, recordam os músicos da orquestra, a Sinfônica ficou sob o comando de Gilberto Chaves, na época diretor do Theatro da Paz, descrito como “um mero diletante” e avaliado como “um administrador notoriamente medíocre e indisfarçavelmente autocrático”. “Ele (Gilberto Chaves) tratava os músicos no chicote, impondo ainda um salário de fome, de míseros R$ 600,00”, confirma outro dos músicos. Foi Gilberto Chaves, recorda o músico, quem trouxe para Belém Matheus Araújo, um maestro definido como “temperamental, prepotente e de competência duvidosa”, que logo estabeleceu uma relação conflitiva com os músicos, o que muito conspirou contra a Sinfônica.

OSTP – O nhenhenhém do petralha

Edilson Mora, convém lembrar, integra a DS, a Democracia Socialista, a facção interna do PT, minoritária nacionalmente e no Pará, mas que comenda a máquina administrativa estadual porque dela faz parte a própria governadora Ana Júlia Carepa. Ele é identificado como um dos comparsas do iracundo Cláudio Alberto Castelo Branco Puty, outra cabeça coroada da DS no Pará, que revelou-se um administrador medíocre e despido de pudores éticos. Eleito deputado federal, no rastro da mais acintosa utilização da máquina administrativa estadual, sobre ele é dito manter um affaire com a governadora, o que explicaria o despudorado aval de Ana Júlia à sua candidatura.
Parcela dos músicos da Sinfônica do Theatro da Paz observam que a aparente tolerância de Edilson Moura, diante das estripulias do maestro Matheus Araújo, deve-se não ao cuidado de evitar problemas de solução de continuidade, mas como um produto da sua indiferença, por ter como prioridade, em verdade, viabilizar sua eleição para deputado estadual. “Edilson Moura enrolou, enrolou e não deixou nenhuma marca significativa de sua passagem pela Secult”, desabafa um músico. “Sua preocupação concentrava-se, unicamente, na sua eleição”, acrescenta a fonte do blog.

OSTP – Enaldo: seis por meia dúzia

A exoneração de Matheus Araújo e sua substituição por Enaldo Oliveira (foto, à dir.), como maestro da Sinfônica do Theatro da Paz, acabou por representar, na avaliação dos músicos, trocar seis por meia dúzia. Nele registra-se, dizem, o clássico descompasso entre teoria e prática. Embora exiba um doutorado em Iowa, nos Estados Unidos, ele ainda está por convencer em matéria de competência, sentenciam alguns dos músicos. “Ter doutorado não se traduz, necessariamente, por competência. O sujeito pode ter doutorado, mas pode estar longe de exibir talento, de dominar as técnicas indispensáveis a sua função e ostentar um profundo conhecimento das obras, como se pode perceber nos ensaios”, fulmina outro músico.
Também conhecido entre seus contemporâneos como Repolho, em alusão a sua suposta mediocridade como aluno, Enaldo Oliveira é retratado, por expressivo contingente dos músicos como alguém patologicamente vaidoso e despudoradamente arrivista. Sobre ele é dito, nos bastidores, sofrer de amusia, que vem a ser perda ou diminuição da sensibilidade às artes, das qualidades ou aptidões artísticas. “Seus projetos, invariavelmente medíocres, serviram apenas para capitalizar votos para o Edilson Moura, que em nada contribuiu para o crescimento da orquestra”, resume um dos músicos insatisfeitos.

OSTP – Desavenças e quedas-de-braço

Nos bastidores comenta-se sobre supostas desavenças e quedas-de-braço de Enaldo Oliveira com Dione Colares, atual diretora do Theatro da Paz, e o gerente da orquestra, Leonardo Souza. O maestro chegou inclusive a tornar público, fazendo repercutir na grande imprensa, o seu pedido de demissão, mas aparentemente acabou fortalecido. Quem levou a pior foi Leonardo Souza, até então gerente da Sinfônica, que solicitou e teve aceito seu pedido de exoneração.
A crítica generalizada é sobre a ausência de determinação política para fazer existir formalmente a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e nela investir. “Entra governo, sai governo, e nada! Continuamos à deriva, sem um efetivo apoio oficial”, desabafa um dos músicos.

OSTP – Cincinato, a “vaca de presépio”

E o que diz, de todo esse imbróglio, Cincinato Marques Júnior, o sucessor de Edilson Moura na Secult, a Secretaria de Estado de Cultura? “Nada. Absolutamente nada”, afirma um dos músicos, com o endosso de boa parte dos seus colegas. E acrescenta, impiedoso: “Ele (Cincinato Marques Júnior) parece ter sido escalado para ser vaca de presépio, que só faz baixar a cabeça.”
“Inexistem planos para a orquestra. Como não há também orçamento. Ninguém sabe de nada. Nem espera mais nada. A não ser a Orquestra Sinfômica do Theatro da Paz morrer!”, arremata mais um outro músico.