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quarta-feira, 12 de abril de 2017

LAVA JATO – Mirando na sucessão de 2018, Helder enfrenta o desafio de minimizar os danos da suspeita

Helder Barbalho, ministro do governo Temer: atropelado pela suspeita
de também locupletar-se no propinoduto patrocinado pela Odebrecht. 

Filho e herdeiro político do senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e um dos hábeis articuladores do partido no Congresso Nacional, o ministro Helder Barbalho, da Integração Nacional, vive o desafio de minimizar os danos por responder a inquérito no STF, o Supremo Tribunal Federal, na esteira da Operação Lava Jato, sob a suspeita de beneficiar-se do propinoduto da Odebrecht. Candidato natural do PMDB ao governo do Pará nas eleições de 2018, ele é acusado de, sob o  codinome “Cavanhaque”, ter recebido R$ 1,5 milhão da construtora na sucessão estadual de 2014, quando foi derrotado no segundo turno, por minguada diferença de votos, pelo governador Simão Jatene (PSDB), recentemente cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico, em sentença da qual ainda cabe recurso (Leia aqui). Jatene, diga-se, está às vésperas de ser julgado pelo STJ, Superior Tribunal de Justiça, na esteira do escândalo da Cerpa, no qual é acusado de ser beneficiário de um propinoduto da cervejaria, que irrigou sua campanha ao governo em 2002, em troca de isenções fiscais, consumadas quando o tucano instalou-se no Palácio dos Despachos (Leia aqui), um escândalo que não poupou sequer o ex-governador Almir Gabriel, reconhecido como pessoalmente probo (Leia aqui). Se Jatene é o ícone da tucanalha, a banda podre do PSDB, cujos sucessivos governos legaram ao estado uma sucessão de escândalos de corrupção e índices sociais pífios, Helder carrega a mácula de representar uma oligarquia cujo expoente é Jader Barbalho, cujo nome é associado a recorrentes denúncias de falcatruas (Leia aqui), embora, pelo carisma e sagacidade, seja a mais longeva liderança política da história do Pará.

Como vereador e prefeito de Ananindeua, além de deputado estadual, Helder Barbalho pavimentou sua trajetória no rastro do prestígio do pai, a cujos problemas de saúde, pelos quais foi compelido a se afastar do segundo turno da campanha eleitoral de 2014, é debitado o tropeço eleitoral do herdeiro político no confronto com Jatene, na última sucessão estadual. Aliado histórico do PT, Jader tratou de catapultar o filho a ministro dos Portos de Dilma Rousseff, a quem Helder abandonou diante da iminência do naufrágio do impeachment, seguindo o pai, cumprindo um script de fisiologismo que o levou ao status de ministro da Integração Nacional do governo Temer. O Ministério da Integração Nacional, previsivelmente, serve para Helder Barbalho não só manter a visibilidade, como também, e sobretudo, se contrapor a escandalosa utilização da máquina administrativa estadual pelo governo Simão Jatene, peculiaridade histórica da tucanalha. Com Jatene desgastado pela cassação, com o agravante de ter ficado inelegível por oito anos, o prefeito da capital, o tucano Zenaldo Coutinho, sub judice, sob a ameaça de cassação, resta saber se os danos amargados pelo PSDB igualam-se ou superam o desgaste de Helder Barbalho estar sob a suspeita de ter usufruído do balaio de corrupção da Odebrecht (Leia aqui).

LAVA JATO – A acusação e a versão do ministro

Paulo Rocha (à esq.) com Helder (centro), na eleição de 2014, para a
qual remete a delação que compromete o ministro e o senador do PT.

Parte de dois delatores da Operação Lava Jato a acusação que leva Helder Barbalho a figurar dentre suspeitos que serão investigados por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na corte, que determinou a abertura de inquéritos contra oito ministros do governo do presidente Michel Temer, além de 29 senadores e 42 deputados.
Os delatores Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro da Silveira afirmam que Helder Barbalho, o senador Paulo Rocha (PT-BA) e o prefeito de Marabá, João Salame (PROS-PA), solicitaram R$ 1,5 milhão para a campanha do ministro ao governo do Pará em 2014. A motivação da Odebrecht foi o desejo de atuar como concessionária da área de saneamento básico no estado.

A propósito da acusação, Helder Barbalho nega que tenha cometido ilegalidades e reafirma que todos os recursos que recebeu como doações para sua campanha em 2014 foram devidamente registradas junto ao TRE-PA, que aprovou todas as suas contas. O ministro da Integração Nacional esclarece que não tinha e não tem qualquer ingerência sobre a área de saneamento no município de Marabá; destaca sua estranheza com o codinome “Cavanhaque”. “Em toda sua trajetória política, Helder Barbalho nunca usou cavanhaque", sublinha o ministro, em nota de esclarecimento, conforme relata o noticiário do G1 (Leia aqui).

LAVA JATO – As notas de esclarecimento

Diante do noticiário revelando os nomes incluídos no elenco suspeitos que serão investigados por determinação do ministro do STF Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na corte, o ministro Helder Barbalho, da Integração Nacional, emitiu duas notas de esclarecimento. A primeira delas foi enviada ao Blog do Barata às 20h32, depois substituída por uma nova nota, em outros termos, com a versão final das explicações do ministro, remetida meia-noite.

A 1ª NOTA




A VERSÃO FINAL


segunda-feira, 4 de abril de 2016

DEBOCHE – “Essa é nossa alternativa de poder!”

Helder Barbalho: postura que sepulta expectativas de novos paradigmas.
Sagaz, habilidoso, carismático, e por isso, irresistivelmente sedutor, além de despido de escrúpulos políticos. Assim é o senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e um dos mais diligentes articuladores do governo Dilma Rousseff no Congresso Nacional, em cujos bastidores trafega com desenvoltura, para escapar da mídia nacional, pela qual foi estigmatizado com a pecha de corrupto, na esteira de uma assombrosa e inexplicável evolução patrimonial, além de figurar no epicentro de dois colossais escândalos.
De Jader Barbalho não se espera nada de diferente daquilo que permite concluir sua biografia política. Mas, até pela juventude, era de se esperar algo um pouco mais distinto, para melhor, por parte de seu herdeiro político, o filho Helder Barbalho, o ministro dos Portos do governo Dilma Rousseff. Mas, para além da insistência em permanecer no ministério, revelador do seu jaez, a presença de Pepeca na Secretaria dos Portos, como secretário executivo, é emblemático do quem seja o político Helder Barbalho, algo tanto mais assustador diante das chances dele vir a tornar-se governador do Pará, na sucessão de 2018, beneficiado pelas desastrosas administrações do notório governador tucano Simão Jatene. Este, diga-se, também dispensa apresentação e não por acaso foi catapultado para o proscênio político por Jader Barbalho, como secretário de Ciência e Tecnologia, no primeiro governo do morubixaba do PMDB no Pará, de 1983 a 1987.
Conclui-se, ao fim e ao cabo, que não convém cultivar a esperança de novos, embora tímidos, paradigmas. Helder Barbalho reproduz os padrões oligárquicos e seu desapreço pela defesa dos interesses públicos. É o novo porta-voz de um velho modus operandi político. A vanguarda do atraso, tanto quanto a tucanalha, a banda podre do PSDB, da qual é ícone Simão Jatene, que tem como ilustre herdeiro Zenaldo Coutinho, o inepto prefeito de Belém.

Mesmo para quem não crê, diante do exposto, cabe repetir o desabafo do ministro Roberto Barroso, do STF, o Supremo Tribunal Federal: “Meu Deus do céu! Essa é nossa alternativa de poder!”. Ao que eu acrescentaria: “Pobre Pará!”

terça-feira, 11 de março de 2014

ELEIÇÕES 2014 – Helder assume candidatura

Helder, o candidato do PMDB, com Jader: aposta na aliança com o PT .

        “Nossa candidata é a presidenta Dilma. Vamos apoiá-la qualquer que seja a decisão do PT. Estamos dialogando e vamos respeitar o calendário e as tendências que existem no Partido dos Trabalhadores. Se houver entendimento entre os partidos, o PMDB lançará o candidato a governador e o PT, o candidato ao Senado.”
        A declaração é de Helder Barbalho, em entrevista ao portal Congresso em Foco, cuja edição desta terça-feira, 11, tem como destaque a candidatura a governador, pelo PMDB, daquele que é apontado como o herdeiro político do senador Jader Barbalho, o morubixaba do partido no Pará e a mais longeva liderança política da história do Estado. Sem o ranço do maniqueísmo das disputas paróquias, a entrevista está a uma distância abissal dos vícios de origem que historicamente esfarinham a credibilidade dos dois principais grupos de comunicação do Pará, as ORM, Organizações Romulo Maiorana, da família Maiorana, inimiga figadal de Jader e que mantêm uma relação promíscua - que inclui o direito a pilhagem ao erário - com o PSDB do governador Simão Jatene, e a RBA, a Rede Brasil Amazônia de Comunicação, da família do senador peemedebista.
        “Filho de Jader Barbalho aposta no PT para ser governador” é o título da matéria de abertura do Congresso em Foco, que pode ser acessada pelo link abaixo:


        “Com o apoio do ex-presidente Lula e o aval da presidenta Dilma Rousseff, o peemedebista Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), aposta suas fichas numa aliança com o PT para chegar ao governo do Pará aos 35 anos de idade. Mas enfrenta a resistência de uma ala petista, liderada pela ex-governadora Ana Júlia e pelo deputado federal Cláudio Puty, que lança nesta semana sua pré-candidatura ao governo estadual”, assinala a matéria do Congresso em Foco. “O diretório paraense se reúne, ainda este mês, para decidir se apoia Helder ou concorre com candidato próprio. Uma decisão que ganhou maior expectativa nos últimos dias, com o agravamento da crise entre lideranças do PT e do PMDB nacional”, acrescenta a reportagem.

        O Congresso em Foco sublinha, a propósito, que naquilo que depender de Helder Barbalho, Dilma não tem com o que se preocupar com a decisão do diretório estadual petista. “Nossa candidata é a presidenta Dilma. Vamos apoiá-la qualquer que seja a decisão do PT”, declarou Helder.

ELEIÇÕES 2014 – O ônus e o bônus

        Na entrevista concedida ao Congresso em Foco, Helder Barbalho não foge do cotejo com o pai, o senador Jader Barbalho, estigmatizado por recorrentes denúncias de corrupção, mas ao mesmo tempo a mais longeva liderança política da história do Pará, o que tem feito dele o fiel da balança nas sucessões estaduais. “Espero cultivar os acertos e aprender com os erros que ele possa ter cometido”, sublinha Helder.
        “Não é correto alguém se comportar a partir de uma referência. Tenho buscado construir minha história, fazer com que o patrimônio eleitoral do PMDB seja preservado e fortalecido com ética e correção”, acentua Helder Barbalho, na entrevista. E acrescenta, enfático: “O senador Jader tem 47 anos de vida pública. Com todo esse tempo, é inevitável conquistar admiradores e adversários. Ele nunca fez política água com açúcar. É um homem que sempre teve posições. Quando você não faz política água com açúcar, paga um preço por isso. Os embates tiveram muitas consequências. Espero cultivar os acertos e aprender com os erros que ele possa ter cometido.”

        Quando indagado se as recorrentes denúncias de corrupção, que remetem aos anos 80 e 90 do século passado, constrangem Jader Barbalho, Helder Barbalho não se deixa intimidar. “Confesso que isso não faz parte da nossa agenda ou das nossas conversas. Qualquer opinião que eu der sobre isso eu estaria fazendo uma suposição por ele. Não tenho procuração para tal. Essa pergunta pode ser feita a ele”, fulmina.

ELEIÇÕES 2014 – A entrevista, na íntegra

Helder com Lula: apoio independentemente das disputas paroquiais.

        Segue mais abaixo a transcrição, na íntegra, da entrevista de Helder Barbalho ao Congresso em Foco, que também pode ser acessada pelo seguinte link:


“Jader não faz política água com açúcar”, diz filho do senador

Filho do ex-presidente do Senado, pré-candidato a governador do Pará diz que trajetória política do pai poderia ter sido maior não fosse a briga histórica com ACM. Ele nega pertencer a uma oligarquia.

POR EDSON SARDINHA 10/03/2014 19:01

        Todas as manhãs, durante uma hora, Helder Barbalho apresenta um programa que leva seu nome na rádio de maior audiência do estado, a Rádio Clube do Pará. Há um ano, desde que deixou a prefeitura de Ananindeua – segundo maior colégio eleitoral paraense, com 256 mil eleitores – ele distribui kits-nupciais para os ouvintes e críticas pesadas à gestão tucana do governador Simão Jatene. Para os desavisados, a voz grave pode ser confundida com a de seu pai, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) – “o maior líder político pessoal do estado”. Apesar de querer seguir os passos do pai, ex-governador, Helder diz que tem história própria.
        “Não é correto alguém se comportar a partir de uma referência. Tenho buscado construir minha história, fazer com que o patrimônio eleitoral do PMDB seja preservado e fortalecido com ética e correção”, afirma o pré-candidato a governador, que completará 35 anos em maio.
        Nesta entrevista exclusiva, Helder Barbalho se apresenta como um “progressista” que espera aprender com os erros e os acertos do pai. “O senador Jader tem 47 anos de vida pública. Com todo esse tempo, é inevitável conquistar admiradores e adversários. Ele nunca fez política água com açúcar. É um homem que sempre teve posições. Quando você não faz política água com açúcar, paga um preço por isso. Os embates tiveram muitas consequências. Espero cultivar os acertos e aprender com os erros que ele possa ter cometido”, afirma, citando o embate com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) como o maior equívoco de seu pai.
        A artilharia pesada trocada por ACM e Jader, no começo dos anos 2000, resultou na renúncia dos dois ex-presidentes do Senado. “A carreira do senador Jader poderia ter sido maior não fosse esse episódio. Mas ele é paciente, sabe entender as circunstâncias”, observa. Filho do senador com a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), Helder nega fazer parte de uma oligarquia. “Aqui há uma oligarquia tucana. Há 20 anos o PMDB não governa o Pará nem tem vice”, rebate o ex-prefeito, que ainda preside a Federação das Associações de Municípios do Pará.

        Leia a íntegra da entrevista:

         O apoio de Jader e do PMDB paraense à reeleição de Dilma depende da aliança com o PT em torno de seu nome para o governo do Pará?

        Não depende disso. Nossa candidata é a presidenta Dilma. Vamos apoiá-la qualquer que seja a decisão do PT. Estamos dialogando e vamos respeitar o calendário e as tendências que existem no Partido dos Trabalhadores. Se houver entendimento entre os partidos, o PMDB lançará o candidato a governador e o PT, o candidato ao Senado.

         Há espaço para uma recomposição com o PT após o rompimento no governo Ana Júlia?

        Estivemos juntos e fomos determinantes para a eleição de Ana Júlia. Quando não havia mais condições de relacionamento, fomos leais. Nas últimas eleições municipais, o PT e o PMDB estiveram juntos em 90% dos palanques das prefeituras. A conectividade dos dois partidos é absolutamente real e concreta, o que facilita o diálogo de cúpula.

         Como o senhor se define ideologicamente?

        Sou, primeiro, um progressista. Defendo o desenvolvimentismo. Entende que é fundamental haver crescimento com justiça social. Este é o desafio do Brasil e do Pará: equacionar a justiça social e o desenvolvimento do estado.

         Alguns de seus adversários o acusam de fazer propaganda fora de época em seu programa de rádio…

        Não vou me pautar por aquilo que a oposição acha que devo fazer. No rádio, tenho todos os dias a oportunidade de conversar com os paraenses sem que haja qualquer patrocínio de entidade pública ou envolvimento de órgão público. Estou na rádio para me atualizar sobre as coisas do estado e conversar com a população.

         Que características o senhor tem em comum com seu pai?

        Não é correto alguém se comportar a partir de uma referência. Tenho buscado construir minha história, fazer com que o patrimônio eleitoral do PMDB seja preservado e fortalecido com ética e correção. O senador Jader tem 47 anos de vida pública. Com todo esse tempo, é inevitável conquistar admiradores e adversários. Ele nunca fez política água com açúcar. É um homem que sempre teve posições. Quando você não faz política água com açúcar, paga um preço por isso. Os embates tiveram muitas consequências. Espero cultivar os acertos e aprender com os erros que ele possa ter cometido.

         A briga com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães foi o principal erro?

        Sim. É algo que, se pudesse voltar atrás, ele teria evitado. Teria sido mais inteligente. O senador ACM também disse, em uma de suas últimas entrevistas, que seu maior equívoco político tinha sido o embate com o senador Jader. A carreira do senador Jader poderia ter sido maior não fosse esse episódio. Mas ele é paciente, sabe entender as circunstâncias. Talvez por sua capacidade e pelo conteúdo de literatura que possui, possa fazer uma autocrítica e analisar o papel que deva exercer.

         Que papel ele exerce hoje?

        O senador Jader é o maior líder político pessoal do estado, com o maior patrimônio eleitoral do aspecto pessoal, mesmo tendo deixado o governo há 20 anos. É um grande articulador, muito competente nos bastidores. Hoje exerce papel mais voltado para o Pará. Quando chamado pelo Planalto, ele busca contribuir com sua experiência e capacidade de analisar o cenário. Mas o atual mandato dele, até por retribuição ao povo do Pará, é diferente. O que acaba soando estranho para vocês. Mas os eleitores votaram nele mesmo quando diziam que o voto não seria validado.

         Mas ele tem comparecido pouco ao plenário e não tenha participado de comissões…

        No caso das comissões, é que ele acabou chegando ao Senado no meio do primeiro biênio. O quadro já estava ocupado. No próximo biênio, ele deva dialogar com lideranças do partido para poder participar mais ativamente das comissões. Quando chamado, seja pela cúpula do governo ou do partido, ele busca contribuir, seja fazendo analise de cenário, seja externando os temas.

         O senhor se sente incomodado quando dizem que faz parte de uma oligarquia política no Pará?

        Talvez isso incomode aos tucanos, que estão no governo desde 1995. Aqui há uma oligarquia tucana. Nos últimos 19 anos, nós temos 15 anos de administração do PSDB e quatro do PT. Há 20 anos o PMDB não governa o Pará nem tem vice. Como partido, atuou politicamente, mas daí para imaginar que governamos o Pará seria uma leitura equivocada. Se há alguma oligarquia no estado, não é do PMDB.

         Que diferenças o senhor vê entre os governos Lula e Dilma?

        São governos distintos. Há uma demanda para fortalecer a interlocução política. Mas isso, para nós, não é fundamental. O que importa é que o governo tenha a eficiência e os resultados que o povo brasileiro e nós, aliados, queremos. Não queremos cargos no governo. Nossa discussão é outra, programática de políticas públicas.

         Ele perdeu força em relação ao que já foi um dia, como presidente do Senado?

        São momentos políticos distintos. Não é possível fazer comparação. É outro cenário político. Alguns anos atrás ele era líder do PMDB, presidente do Congresso, com peso político nacional e agenda de interface nacional. Por opção pessoal, agora ele volta o mandato para o estado, para trazer benefícios exclusivamente para o Pará. Nos primeiros meses de mandato, cumpriu uma postura de análise e avaliação do ambiente, como ele próprio disse. Fez um jejum. Desejo que ele possa contribuir cada vez mais para o Brasil e o Pará.

         Os processos que remetem a denúncias das décadas de 1980 e 1990 constrangem o senador?

        Confesso que isso não faz parte da nossa agenda ou das nossas conversas. Qualquer opinião que eu der sobre isso eu estaria fazendo uma suposição por ele. Não tenho procuração para tal. Essa pergunta pode ser feita a ele.