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domingo, 20 de dezembro de 2015

MEMÓRIA – A farsa da versão oficial

Luiz Octávio Barata: nome proscrito nas versão oficial da tucanalha.

Por óbvia má-fé, essa passagem histórica, e mais particularmente a decisiva participação de Luiz Octávio Barata na mobilização que resultou na criação do Teatro Experimental Waldemar Henrique, foi esquecida, desconhecida e sepultada como indigente pela administração do ex-governador tucano Almir Gabriel, por previsível inspiração do secretário de Cultura, Paulo Chaves. A quando da reinauguração do teatro, após uma reforma, a Secult, a Secretaria de Cultura, lançou um luxuoso impresso, historiando o surgimento do Waldemar Henrique, com o cuidado de omitir nomes malsinados pela tucanalha, a banda podre do PSDB. Luiz Octávio, naquela altura, participava dos protestos cobrando a definição de uma política cultural plural da gestão Almir Gabriel, à margem do tráfico de influência e do nepotismo patrocinados por Paulo Chaves, o secretário de Cultura dos sucessivos governos do PSDB.

Luiz Octávio inclusive esteve presente na manifestação promovida por artistas de diversos segmentos, a quando do rega-bofe que assinalou a reinauguração do teatro, restrito a um seleto grupo de convidados, com a presença de Almir Gabriel. Excluídos do evento, artistas de diversos segmentos protestaram esmurrando portas e janelas do prédio, provocando internamente um barulho ensurdecedor e deixando em pânico a entourage de áulicos do governador. Na saída, Almir Gabriel e suas comitiva foram vigorosamente apupados, com o governador chegando a ser atingido, de raspão, nas costas, por uma lata de cerveja vazia, arrematada por uma manifestante mais afoito. Na vã tentativa de desqualificar o protesto e intimidar os manifestantes, Paulo Chaves pretendeu transformar o imbróglio em episódio policial, iniciativa que não resultou em nada de mais prático.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

LUIS OTÁVIO – O convite de Michele Campos

Registro e agradeço, sinceramente sensibilizado, o convite de Michele Campos para a defesa de sua dissertação de mestrado em Artes Cênicas na Unirio, no Rio de Janeiro, prevista para a tarde desta sexta-feira, 22, a partir das 16 horas. A dissertação de Michele Campos tem por tema “Performance da Plenitude e Performance da Ausência: Vida/obra de Luis Otávio Barata na cena de Belém”. Um dos mais respeitados e polêmicos intelectuais de sua geração, Barata (foto)viveu boa parte de sua vida em Belém, mas morreu em São Paulo, em 2006, aos 66 anos, fulminado por um enfarte.
Autor e diretor teatral, Barata foi também cenógrafo e figurinista, além de jornalista e artista plástico. Ele fez também incursões na música, como letrista, em algumas composições com Guilherme Coutinho, músico cuja banda marcou época em Belém, particularmente nos anos 70 do século XX. Homossexual, Barata foi um transgressor por excelência e, por isso, acabou malsinado pelo status quo. Mas ao mesmo tempo inspirou admiração e respeito, entre outros tantos, por sua coragem moral e sua generosidade, intelectual e material.
Em um trabalho de fôlego, Michele Campos fez um comovente resgate histórico sobre a vida e a obra de Luís Otávio Barata. Ela inclusive já colocou no ar, na internet, um blog, O Palhaço de Deus – Luis Otávio Barata emCena (http://opalhacodedeus.wordpress.com/ ), com o resgate preliminar do exaustivo levantamento feito sobre Barata. É esse personagem, capaz de sobrepor princípios ao pão sem nenhum vacilo, que Michele Campos de Miranda resgata do esquecimento, em uma empreitada que só merece colaboração e aplausos. Trata-se de um resgate histórico que bem poderia ser transformada em livro. No blog figura o e-mail de Michele, michelemadalenas@yahoo.com.br , para viabilizar contatos e eventuais colaborações de quem possa contribuir com a pesquisa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

LUIZ OCTÁVIO – O ousado resgate de Michele

Um dos mais respeitados e polêmicos intelectuais de sua geração, Luiz Octávio Barata, que neste sábado, 24, completou quatro anos de morto, é o tema da tese da paraense Michele Campos de Miranda, que faz mestrado em Artes Cênicas na Unirio. Michele inclusive já colocou no ar, na internet, um blog, O Palhaço de Deus – Luiz Otávio Barata emCena (http://opalhacodedeus.wordpress.com/ ), com o resgate preliminar do exaustivo levantamento que já fez sobre Luiz Octávio, um intelectual multifacetado, cujo nome se confunde com a história recente do teatro paraense. No blog figura o e-mail de Michele, michelemadalenas@yahoo.com.br , para viabilizar contatos e eventuais colaborações de quem possa contribuir com a pesquisa.
Autor e diretor teatral, Luiz Octávio Barata foi também cenógrafo e figurinista, além de jornalista e artista plástico. Ele revelou igual talento em suas múltiplas atividades. Transgressor por excelência, acabou malsinado pelo status quo, mas ao mesmo tempo inspirou admiração e respeito, entre outros tantos, por sua coragem moral e sua generosidade, intelectual e material. Embora sagaz e intelectualmente refinado, Luiz Octávio frequentemente revelou aquele tipo de ingenuidade própria dos revolucionários, sempre à frente do seu tempo.

LUIZ OCTÁVIO – Um trabalho de fôlego

Em um trabalho de fôlego, é esse personagem, capaz de sobrepor princípios ao pão sem nenhum vacilo, que Michele Campos de Miranda resgata do esquecimento, em uma empreitada que só merece colaboração e aplausos. Trata-se de um resgate histórico que bem poderia ser transformada em livro.
Luiz Octávio acabou sendo capturado pela morte em São Paulo, aos 66 anos, fulminado por um enfarte. A ironia é que ele preparava-se para retornar a Belém, onde participaria de uma montagem do grupo Cuíra, integrado por duas de suas mais fiéis e queridas amigas, Wlad Lima e Olinda Charone. É impossível falar do teatro paraense sem mencionar Luiz Octávio. E não só pelo conjunto da obra, mas também porque seu nome está indelevelmente associado ao TCA, o Teatro Cena Aberta, grupo teatral que fundou, juntamente com Margareth Refkalefsky e Zélia Amador de Deus, célebre pela ousadia das montagens. O TCA foi o primeiro grupo teatral a, literalmente, levar o teatro às ruas no Pará, elegendo como palco o anfiteatro da Praça da República, onde encenou clássicos da dramaturgia, nos anos 70 do século XX. Posteriormente, Luiz Octávio buscou abrigo no Teatro Experimental Waldemar Henrique, um espaço que ajudara a conquistar ainda nos anos 70 do século passado, para montagens densas, como “Genet, O Palhaço de Deus”, nas quais humanizou Jesus Cristo e falou, despido de amarras, de amor e homossexualidade, atraindo por isso a ira da Igreja Católica.