Inócua, absolutamente inócua, porém reveladora da mais abjeta ausência de qualquer vestígio de escrúpulos por parte da escumalha ensandecida, na tentativa de calar o Blog do Barata. Assim pode ser definida a tentativa de intimidação, claramente extensiva à minha mulher, meus filhos e minhas enteadas, da qual fui alvo sexta-feira da semana passada, dia 17, ao ser destinatário de uma coroa de flores fúnebre (foto), enviada para o meu endereço residencial, por remetente obviamente anônimo.
O sinistro “presente” foi deixada na portaria do prédio no qual resido, com minha mulher e minhas enteadas, frequentado por meus filhos e netos, na tarde de sexta-feira, 17, às 15h28, segundo o registro da imagem de uma das câmeras de segurança. O “mimo” veio acondicionado em uma caixa de ventilador, embrulhada com papel de presente e transportada em um saco de lixo escuro. O portador foi um homem moreno claro, cabelo acarapinhado, aparentando entre 25 e 30 anos, vestido com uma camisa de malha branca, exibindo uma barba de espessura bem fina. Sugerindo desconhecer o que transportava, ele desembarcou de um táxi, sem nenhuma preocupação em esconder o rosto. Indagado a respeito pelo porteiro, possivelmente instruído a assim agir, limitou-se a dizer que o remetente estaria identificado na caixa contendo a encomenda, uma falsa informação.
A molecagem seria hilária, não fosse por estender a ignomínia à minha mulher, meus filhos e minhas enteadas. O episódio é revelador do caráter, ou mais exatamente da falta de caráter, daqueles que protagonizaram a sórdida lambança. Depois da tentativa de intimidar-me com comentários anônimos, contendo ameaças veladas aos meus filhos e netos, algo freqüente em situações de ebulição política, agora arriscam amedrontar-me, tentando desestabilizar emocionalmente minha mulher, meus filhos e minhas enteadas e, por via de conseqüência, a mim. Inutilmente, convém sublinhar.
Jamais fui dado a bravatas e sequer tenho idade para tanto, mas aprendi na prática, que é efetivamente o critério da verdade, que coragem não é ausência de medo, mas a capacidade de superá-lo, sempre que as circunstâncias assim exigem. Embora elogio em boca própria seja vitupério, creio que o Blog do Barata, em respeito aos que prestigiam-no, merece o sacrifício que às vezes significa fazê-lo.
De resto, esta mais recente tentativa de intimidação, aqui relatada, fatalmente remete à antológica tirada do saudoso jornalista Paulo Maranhão, célebre pelo estilo corrosivo, diante da ameaça de morte vociferada por um de seus desafetos figadais. Impiedoso, na ocasião Paulo Maranhão desdenhou da lambança e disparou, em palavras que faço minhas: quando nasci, já sabia que iria morrer; pouco se me dá se de morte morrida, tiro, facada ou chifrada.