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domingo, 13 de março de 2016

PROTESTO – Em Belém, manifestação anti-Dilma teve adesão maciça da classe média e ares de chapa-branca

Em Belém, um concorrido protesto ganhou as ruas, capitalizado por
expoentes do conservadorismo. (Foto Ney Marcondes/Diário do Pará).

Em Belém, a capital do vale-tudo eleitoral, a manifestação anti-Dilma e em defesa do impeachment da presidente, neste domingo, 13, teve a adesão maciça da classe média, vestida de verde e/ou amarelo, e ares de protesto chapa-branca, ao ser monopolizada por dois expoentes do conservadorismo mais retrógrado e oportunista, o deputado federal Eder Mauro e o deputado estadual coronel Neil, ambos do PSD. A espontaneidade da juventude, de presença pontual, foi substituída por uma vasta massa de manifestantes adultos, em um comportado e pacífico protesto, reunindo casais e famílias inteiras, que tomaram animadamente as ruas, a partir da avenida Presidente Vargas, com estratégica passagem pela Praça da República, antes de seguir seu percurso e desembocar na Doca de Souza Franco, endereço nobre de Belém, apesar do seu esgoto a céu aberto, travestido de canal. “Fora Dilma, fora Lula, fora PT!” foi a palavra de ordem recorrente, que ecoou durante a manifestação, entremeada por paródias musicais ironizando a suposta honestidade do ex-presidente Lula, executadas por diversos carros sons, que animaram o protesto, sob uma profusão de bandeiras verde-amarelas e faixas expressando o repúdio ao governo da presidente Dilma Roussef, ao seu tutor político, o o parlapatão de Garanunhs, e ao PT, cujo discurso ético foi esfarinhada pelos escândalos de corrupção do mensalão e do petrolão. Não faltaram pequenos bonecos infláveis, os Pixulecos, caracterizados como o ex-presidente Lula com uniforme de presidiário Além de cartazes de apoio ao juiz Sérgio Moro.

Na verdade, em Belém a manifestação anti-Dilma serviu de vitrine para Eder Mauro, um delegado de polícia truculento, que foi eleito para a Câmara dos Deputados, nas eleições de 2014, como o candidato mais votado, na esteira de um discurso de combate implacável à escalada da criminalidade que aflige o Pará em geral e a capital do estado, em particular. Pré-candidato a prefeito de Belém, ele participou ativamente da organização do protesto, valendo-se do seu status de parlamentar para organizar a manifestação, que em nada ficou a dever às mobilizações organizadas pelo PT, quando o partido tem à mão as chaves dos cofres públicos. Precavidamente, viaturas da Polícia Militar e ambulância do Corpo de Bombeiros acompanharam a manifestação, que ainda mobilizou uma vasto contingente de PMs. Como neste domingo, 13, os telefones das assessorias de comunicação da Segup, a Secretaria de Estado de Segurança Pública, e da Polícia Militar, apenas tilintavam, sem ter ninguém para atendê-los, não foi possível saber a estimativa oficial sobre o total de manifestantes que participaram do protesto. Na estimativa dos organizadores, segundo noticiário do portal G1, o protesto anti-Dilma teria reunido, em Belém, 50 mil participantes.

PROTESTOS PELO PAÍS - Balanço parcial dos atos anti-Dilma pelo país, de acordo com o G1: 3,5 milhões, segundo a PM, e 6,7 milhões, segundo organizadores. Até as 22h01, 316 cidades de todos os estados do país registraram atos.