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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

DUDU – Denúncia sobre invasão chapa-branca

        Para além do abandono a que foi relegada Belém nos últimos oito anos, suja e repleta de lixo, nada mais ilustrativo sobre os descalabros da administração do ex-prefeito Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, que a denúncia de uma invasão chapa-branca, supostamente patrocinada pela própria Prefeitura de Belém. Ilustrada com fotos, a denúncia é de uma internauta que se identifica como Alessandra de Lima Simões, cujo imóvel, situado na avenida João Paulo II, a antiga 1º de Dezembro, tem uma área, após os seus fundos, que não figura na escritura do terreno, do qual ela cuida há mais de 20 anos, segundo seu próprio relato. Ao acionar a Codem, a Companhia de Desenvolvimento da Área Metropolitana de Belém, ela afirma ter obtido a informação de que se tratava de área sobrante, que não seria utilizada nas obras de prolongamento da avenida João Paulo II, razão pela qual poderia dar entrada a um pedido na Seurb, a Secretaria Municipal de Urbanismo, solicitando um croqui de alinhamento, para agregar a área ao seu terreno.
        De acordo com a denúncia, posteriormente a isso, mais exatamente no feriado de 12 de outubro - em comemoração a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, mas no qual é também comemorado o Dia da Criança – Alessandra se deparou com alguns operários, que trabalhavam em uma obra próxima, medindo a área nos fundos do seu terreno. A medição ocorrer em pleno feriado nacional soou fatalmente inusitada, para dizer o mínimo Na ocasião foi dito à autora da denúncia que aquela área seria destinada a pessoas remanejadas de áreas alagadas, diante do que Alessandra conta ter retrucado declarando ter advogado e solicitado, sem ser atendida, a identidade do seu interlocutor, que lhe pareceu ser um mestre de obras. De resto, o interlocutor de Alessandra, ainda segundo esta, acrescentou que naquela área nenhum morador poderia construir e nem conseguiria comprar da Codem. “Se a Codem me fala que se trata de área sobrante, como, de uma hora para outra, vai abrigar remanejados?!”, questiona, indignada, Alessandra.

DUDU – A lambança dos quadrilheiros

        Diante dos indícios de que estivesse em curso alguma tramóia, Alessandra conta também ter decidido murar a área localizada nos fundos do seu terreno. Foi quando os mesmos operários envolvidos na medição ameaçaram derrubar o muro. “Em cinco minutos apareceu um carro, com uma mulher se dizendo da Sesan (Secretaria Municipal de Saneamento), que se identificou como Sônia Gonçalves, dizendo-se coordenadora de remanejamento da secretaria”, recorda Alessandra. “Ela apresentou papéis que não eram da área em questão e, quando perguntei pela documentação daquela área, alegou que saira com pressa e por isso estava com os documentos errados!”, acrescenta a autora da denúncia, para então desabafar: “Ora, não sou burra e muito menos posseira!”. Alessandra conta ainda que teve robustecidas suas suspeitas de estar sendo vítima de uma tentativa de tramóia quando a suposta servidora da Sesan, que se identificou como Sônia Gonçalves, se recusou a acompanhá-la, para conversar com as pessoas que mediam a área postulada.
        O mais grave, de acordo com a denúncia, é que a mesma Sônia Gonçalves teria ido a Codem admoestar, no limite da coação, o servidor que revelara a Alessandra ser a área postulada área sobrante. E ainda teria acusado Alessandra de liderar uma invasão. “Invasão, para mim, ocorre por parte dessa senhora e seus apaniguados, que querem ficar na marra com a área que postulo”, desabafa a autora da denúncia. “Se a obra for de remanejamento, tudo bem, mas sem placa de licitação, sem pessoas autorizadas, apenas blábláblá, não!”

DUDU – Contradições evidenciam golpe

        As contradições que condimentam o imbróglio provocado pela destinação da área postulada por Alessandra de Lima Simões evidenciam estar em curso um escandaloso golpe.
        Segundo fonte da própria Seurb, a Secretaria Municipal de Urbanismo, esta não possui mapa nenhum dessa área, mirando em um possível remanejamento.
        A própria secretária municipal de Urbanismo já declarou que inexiste qualquer projeto de remanejamento para a área dos fundos do imóvel de Alessandra de Lima Simões, assinala a denúncia. A secretária também enfatizou que, após a medição, a área poderá, sim, ser adquirida, acrescenta Alessandra.

DUDU – Farsantes desmascarados

        Em relato feito ao blog, Alessandra de Lima Simões revela ter identificado o profissional que mede a área nos fundos do seu terreno, sem pertencer a Seurb, a Secretaria Municipal de Urbanismo. Trata-se, segundo ela, de José Wilson, que se apresenta como técnico em edificações e está lotado na Sesma, a Secretaria Municipal de Saúde. Ele alega, para consumo externo, estar supostamente cumprindo ordens de um assessor, de nome Renato, relata Alessandra. A declaração de José Wilson, nesse sentido, foi feita à polícia, acrescenta a autora da denúncia.
        Alessandra conta também ter sido abordada, posteriormente, por Sônia Gonçalves e pelo secretário municipal de Saneamento, Ivan Santos. Ambos, conta ela, tentaram convencê-la de que a prefeitura precisaria da área contígua aos fundos do seu terreno, mas sem exibir provas documentais que sustentem essa versão.