Mostrando postagens com marcador Sucessão 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sucessão 2010. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SUCESSÃO – Edson Barbosa sepulta críticas

Lúcido e sereno, mas sobretudo elegante, mesmo quando é cirúrgico, ao evidenciar a inconsistência das críticas que pretendem responsabilizá-lo pelo tropeço eleitoral da governadora petista Ana Júlia Carepa, candidata derrotada à reeleição. Essa é a imagem que emerge do publicitário baiano Edson Barbosa (foto), na esteira da entrevista concedida ao Diário do Pará e publicada na edição desta segunda-feira, 15, do jornal da família do ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Estado. “Houve insuficiência de comunicação. Faltou política de relacionamento com a sociedade”, assinala Barbosa, o dono da Link Comunicação e Propaganda, agência de publicidade da Bahia, responsável pelo marketing eleitoral de Ana Júlia Carepa no segundo turno, ao diagnosticar uma das mais graves deficiências da administração da governadora petista.
Feita pela jornalista Rita Soares, repórter especial do Diário do Pará, a entrevista serviu para confrontar Barbosa com as críticas disparadas pelo marqueteiro petista Francisco Cavalcante, o Chiquinho, que responsabilizou a Link pela derrota de Ana Júlia, a pretexto da suposta falta de familiaridade da agência baiana com as idiossincrasias do eleitor paraense. “Isso é fruto de preconceito, racismo. O Chico Cavalcante, atendendo ao PT nacional, foi fazer campanha no Amapá, em Rondônia, no Maranhão. Isso não representa qualquer desrespeito aos profissionais de lá. Essa crítica por sermos de fora é apenas xenofobia, coisa pequena, que não engrandece as pessoas”, enfatiza o publicitário baiano, salientando, a propósito, que dos 126 profissionais que formavam a equipe da Link, apenas 25 eram de fora. “E é bom que se diga que, em nenhum momento, ignoramos o caldo de cultura do Pará. A campanha tinha pessoas de todo o País, mas os coordenadores fundamentais eram paraense”, observa ainda Barbosa.
"A comunicação não ganha nem perde eleição. Dizer isso é vaidade é vaidade desses que se intitulam marqueteiros", afirma Barbosa. "Essas críticas do Chico o diminuem como profissional, porque são críticas descuidadas de uma realidade que ele não estudou", acentua, ácido."As críticas do Chico, infelizmente, representam uma agressão a quem menos merece - Ana Júlia -, sobretudo vindo dele", fulmina.

SUCESSÃO – Publicitário desmente veto

Na entrevista, Edson Barbosa desmente, categoricamente, qualquer veto a Francisco Cavalcante (foto), o Chiquinho, dono da Vanguarda, agência de propaganda que prosperou nos dois mandatos de Edmilson Rodrigues (então PT, hoje PSol) como prefeito de Belém, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004. “O comando da campanha pediu que ouvíssemos. Foi organizada uma reunião. Ele disse tudo que queria. Mandou texto para todos, sem nenhuma censura. As idéias foram expostas e o cliente disse ‘não quero desse jeito’”, conta o publicitário baiano, detonando a versão insinuada por Chiquinho de que teria sido preterido por um interdito proibitório supostamente imposto pela Link, uma agência baseada em Salvador, mas também com inserção em dois importantes mercado – São Paulo e Rio de Janeiro. “É correto, honesto, legal, dizer que a Link o vetou?”, questiona Barbosa.
“Nós sempre deixamos o cliente muito à vontade para fazer a campanha com quem quisesse. Em nenhum momento vetamos a participação de quem quer que fosse. Apenas dissemos que, para ter a responsabilidade total, a condução do processo precisaria ser nossa”, acrescenta Barbosa. Essa declaração embute um subtexto devastador, que aniquila a crítica de Chiquinho, ao sugerir que a manifestação do marqueteiro petista deriva de uma mera crise de autoridade, própria de quem se concede uma importância que está longe de ter. Trata-se de uma leitura que não merece ser desprezada a priori. Na entrevista por ele solicitada ao Diário do Pará, ao avaliar as causas da derrota eleitoral de Ana Júlia Carepa, Chiquinho prioriza o marketing, menosprezando os vícios de origem, o principal dos quais a incapacidade do governo petista em dar visibilidade às suas eventuais realizações. De resto, ele resvala para o cabotinismo, ao vislumbrar na Link, por ser de fora, a suposta incapacidade de detectar o humor do eleitorado paraense, sem vislumbrar na Vanguarda a mesma deficiência, quando sua agência é despachada, pela direção nacional do PT, para fazer o marketing eleitoral de candidatos em outros Estados.

SUCESSÃO – Autofagia, Jader e as pesquisas

Edson Barbosa, na entrevista, não deixa de mencionar o caráter deletério da autofagia petista e suas repercussões. “Aqueles que deveriam dar suporte político à governadora agiram no limite da irresponsabilidade política. Capitalizavam os acertos e que Ana assumisse o desgaste”, observa. E lamenta, sem rodeios, a falta do apoio do ex-governador Jader Barbalho. “Você tem dúvida de que, se no domingo antes da eleição, Jader tivesse batido na mesa e declarado voto em Ana, as coisas não poderiam ter sido diferentes?”, indaga.
Arrematando, Barbosa põe em xeque as pesquisas de intenção de voto do Ibope, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Ele acentua que, pelo instituto, Ana Júlia Carepa seria derrotada com uma diferença de 18 pontos percentuais. “Ela perdeu por 10”, sublinha. “Qual a qualidade técnica do instituto que traz um resultado desses?”, questiona. E arremata, incisivo: “Veja que eles não divulgaram boca de urna porque seria uma desmoralização.”

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SUCESSÃO – Diário serve de palanque para Orly

Contrariando as expectativas suscitadas, deixou muito a desejar a entrevista com Orly Bezerra (foto, à dir., no bate-boca com Edson Barbosa, marqueteiro de Ana Júlia Carepa), o marqueteiro da campanha do governador eleito Simão Jatene, publicada na edição deste último domingo, 14. do Diário do Pará, o jornal do grupo de comunicação da família do ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Estado. Por auto-censura de Rita Soares, a repórter especial do jornal que fez a entrevista, diante das conveniências políticas dos Barbalho, ou porque a ela falte o indispensável distanciamento crítico, diante de seus vínculos históricos com a tucanalha, o pingue-pongue com Orly acabou por soar a um álibi destinado a oferecer um privilegiado palanque midiático ao marqueteiro-mor do PSDB no Pará.
Convém sublinhar, a propósito da entrevista com Orly, que o Diário do Pará é o jornal de maior vendagem no Estado, segundo o rigoroso IVC, o Instituto de Verificação de Circulação, de reconhecida experiência e credibilidade. Tanto quanto cabe recordar que existem fortes indícios de um acordo de bastidores entre o ex-governador tucano Simão Jatene, novamente eleito governador, e o ex-governador Jader Barbalho, líder incontestável do PMDB no Estado e a mais longeva liderança política da história do Pará.
Como, no Pará, o PSDB mantém estreitos vínculos com o grupo de comunicação da família Maiorana – que inclui o jornal O Liberal e a TV Liberal, afiliada da TV Globo -, e como Jader Barbalho emergiu fragilizado das recentes eleições, sobretudo por ter sua eleição para o Senado barrada com base na Lei da Ficha Limpa pelo STF, o Supremo Tribunal Federal, resta saber se Jatene honrará seu suposto compromisso com o ex-governador peemedebista. Os Maiorana, como se sabe, são inimigos figadais de Jader Barbalho e costumam reagir com hostilidade diante de toda e qualquer aproximação de seus eventuais parceiros com aquele que elegeram seu desafeto político e concorrente comercial.
Quanto a Orly Bezerra, por ser um personagem instigante, dele se poderia exigir mais em uma entrevista. A despeito de notórias limitações intelectuais, ele é ardiloso e acumula, como marqueteiro, respeitável experiência em matéria de estratégias e tramóias. Nos bastidores da Griffo, ele conta com o seu discreto e competente sócio, Antônio Natsu, este o personagem oculto e cerebral da agência. No cotejo, Orly vem a ser, por assim dizer, o nome de fantasia de Natsu, tão arrogante e ambicioso quanto o dileto sócio. Seja como for, o marqueteiro-mor da tucanalha é um arquivo vivo dos bastidores da história recente do Estado. Desde 1990 ele participa das eleições estaduais do Pará, o que o tornou, efetivamente, personagem e testemunha privilegiada das recentes disputas políticas no Pará. Em 1990 ele participou da campanha ao governo do empresário Sahid Xerfan (PTB), apoiado pelo então governador Hélio Gueiros, mas derrotado pelo ex-governador Jader Barbalho. Em 1992 fez a vitoriosa campanha do ex-governador Hélio Gueiros (então PFL) à prefeitura de Belém. Em 1994 participou da campanha de Almir Gabriel (PSDB), do qual voltou a ser de marqueteiro em 1998, consolidando a parceria com a tucanalha. Comandou a campanha de Simão Jatene, em 2002, o poste eleitoral que o ex-governador Almir Gabriel tornou seu sucessor. Em 2006 foi novamente o marqueteiro de Almir Gabriel, derotado pela petista Ana Júlia Carepa. Depois disso fez sete campanhas municipais, amargando a derrota em pelo menos cinco delas - incluindo o tropeço eleitoral da ex-vice-governador Valéria Vinagre Pires Franco, candidata do DEM à Prefeitura de Belém -,antes de responder pelo marketing da vitoriosa candidatura de Simão Jatene ao governo este ano.

SUCESSÃO – Uma entrevista burocrática

Determinadas posturas quando não depõem contra quem as assume, dizem tudo sobre elas. Cabe lamentar, por isso, o caráter burocrático que permeia a entrevista feita por Rita Soares (foto), que costuma ser descrita como uma jovem e competente jornalista. Surpreendentemente, ela passa ao largo de questionamentos indispensáveis em se tratando de um Olry Bezerra, personagem e testemunha privilegiada dos bastidores da história recente do Pará. Quando, por exemplo, o marqueteiro-mor dos tucanos trombeteia as supostas realizações nos 12 anos de sucessivos governos do PSDB no Pará, entre 1995 e 2006, Rita não contrapõe, como seria natural, a indagação sobre o porquê dos índices sociais pífios registrados pelo Estado nesse período. Ela também perdura silente quando Orly tenta repelir a pecha de ter orquestrado, nos 12 anos de hegemonia tucana no Pará, uma massiva propaganda enganosa, quando poderia questioná-lo cotejando as eventuais realizações da tucanalha com os índices sociais algo africanos, para dizer o mínimo.
No capítulo baixaria, a jovem jornalista também silencia sobre um episódio relatado nos bastidores da campanha e que também foi denunciado aqui mesmo, neste blog, na forma de comentário anônimo, e certamente compromete Orly, ou o próprio governador eleito. No dia do segundo turno, 31 de outubro, um carro som, estacionado em frente à residência de Jatene, tocava insistentemente “Ela tá beba doida”, em clara alusão a supostas predileções etílicas da governadora petista Ana Júlia Carepa, candidata derrotada à reeleição. Por fim, nenhuma pergunta foi feita a Orly sobre o contrato, travestido de convênio para driblar a exigência de concorrência pública, pelo qual a Funtelpa, a Fundação de Telecomunicações do Pará, pagava a TV Liberal para a emissora dos Maiorana utilizar sua rede de repetidoras e, assim, levar a programação da TV Globo ao interior do Estado, uma pilhagem ao erário que custou, em 10 anos de vigência, algo em torno de R$ 50 milhões, em valores atualizados.

SUCESSÃO – Laços de ternura

Diante da entrevista com Orly Bezerra, não é exagero supor que os laços de ternura com o tucanato paraense tenham conspirado contra Rita Soares. A jovem jornalista está, certamente, a uma distância abissal de um Ronaldo Brasiliense, notória pena de aluguel da tucanalha e xerimbabo de Orly Bezerra. Brasiliense foi beneficiário de uma acintosa pilhagem ao erário representada pelo lançamento, já no segundo mandato do ex-governador Almir Gabriel, de O Paraense, um jornal de circulação semanal, oficialmente bancado pela publicidade do governo estadual. Segundo o deputado federal Vic Pires Franco (DEM), em revelação feita no blog que manteve por algum tempo, Brasiliense seria o laranja de Orly, no empreendimento, deletado por Simão Jatene, ao suceder Almir Gabriel no governo.
Os laços que atam Rita ao tucanato reportam ao affaire que manteve, a quando do primeiro mandato de Simão Jatene como governador, com Nélio Palheta (foto, à esq.), com idade para ser seu pai e que comandava a CCS, a Coordenadoria de Comunicação Social, da qual é sucedânea a Secom, a Secretaria de Estado de Comunicação. Naquela altura ela era repórter de O Liberal e uma das sócias da Temple Comunicação, juntamente com Cleide Pinheiro, então namorada do hoje senador Fernando Flexa Ribeiro, identificado como caixa de campanha do PSDB no Pará, e Mirtes Morback, atual mulher do arquiteto e professor Flávio Nassar, pró-reitor de Relações Internacionais da UFPA, Universidade Federal do Pará. Na época comandada por Nélio Palheta, namorado de Rita, a CCS promoveu uma concorrência, mediante carta-convite, da qual resultou a contratação da Temple Comunicação e da OMG Comunicação, de Osvaldo Freitas Filho, o Vadinho, irmão da irascível Rosa Freitas, uma das cabeças coroadas da tucanagem paraense. A Templo e a OMG embolsaram mensalmente, algo em torno de R$ 10 mil, cada uma, a pretexto de uma inusitada tarefa, que seria a suposta clipagem dos noticiários das rádios de Santarém.
Como o amor é lindo, na expressão cunhada pelos cronistas de amenidades, ninguém vislumbrou nenhum impedimento ético na contratação da Temple e da OMG, a despeito de Nélio Palheta namorar Rita Soares, Cleide Pinheiro ser namorada de Fernando Flexa Ribeiro e Vadinho ser irmão de Rosa Freitas. Trata-se, obviamente, da ética de conveniência, tão a gosto da tucanalha.
A derrota do ex-governador Almir Gabriel em 2006, com a qual a tunalha foi apeada do poder, coincidiu com o término da relação de Rita Soares com Nélio Palheta. Ela deixou a Temple, exonerou-se de O Liberal e transferiu-se para Brasília, onde assessorou o senador José Nery, ex-PT, hoje PSol, que, como suplente, assumiu a cadeira de Ana Júlia Carepa, quando esa foi eleita governadora do Pará. Este ano Rita retornou para Belém, já como repórter especial do Diário do Pará, pelo qual já fora convidada antes mesmo de se transferir para o Distrito Federal.

sábado, 13 de novembro de 2010

SUCESSÃO – Fogueira de vaidades provincianas

A polêmica suscitada pela entrevista do publicitário Francisco Cavalcante, o Chiquinho (na foto, com o presidente Lula), publicada pelo Diário do Pará, soa a um daqueles constrangedores espasmos de vaidade provinciana, que ironicamente não fazem por merecer nem o jornal da família do ex-governador Jader Barbalho, nem os seus leitores e sequer o próprio marqueteiro petista. Na entrevista, Chiquinho atribui o naufrágio eleitoral de Ana Júlia Carepa, candidata derrotada ao governo do Pará, à Link Comunicação e Propaganda, a agência baiana despachada pela direção nacional do PT para fazer a campanha pela reeleição da governadora petista.
Coube à Link o desafio de tornar palatável uma candidatura que tinha contra si um expressivo percentual de rejeição, diante do pífio desempenho de Ana Júlia Carepa, protagonista de uma gestão desastrosa, pontuada pela inépcia administrativa e por recorrentes denúncias de corrupção. Senões agravados pela incapacidade revelada pela administração da governadora petista em dar visibilidade aos seus eventuais êxitos, a despeito de ter conferido o status de Secretaria de Estado à CCS, a Coordenadoria de Comunicação Social, herdada dos sucessivos governos do PSDB, entre 1995 e 2006.
A entrevista de Chiquinho acaba por depor contra ele, por permitir a ilação de que advoga em causa própria, diante da animosidade que contamina sua relação com a governadora Ana Júlia Carepa. A inspiração menor faz lembrar entrevista algo semelhante, porém de forma mais elegante, solicitada por Orly Bezerra, o marqueteiro da tucanalha paraense, a O Liberal, em 1998, após a reeleição do ex-governador Almir Gabriel. Com ela, Orly chamava para si, de forma não tão subliminar, os méritos pela vitória do candidato do PSDB, como precaução diante de um episódio ocorrido em 1994, quando o jornalista e publicitário Afonso Klautau publicou um artigo, em O Liberal, narrando os "causos" da campanha que elegera governador Almir Gabriel. Na ocasião eu era editor de política do jornal e ouvi, pasmo, Orly se queixar de Afonso Klautau, a pretexto de que este pretenderia, com o artigo publicado, monopolizar os louros da vitória tucana. Uma suspeita infundada, para quem conhece minimamente Afonso Klautau, um profissional de competência comprovada e, do ponto de vista intelectual, flagrantemente superior a Orly.

SUCESSÃO – A crítica de Chiquinho

Militante histórico do PT, Chiquinho é também proprietário da Vanguarda, agência que prosperou durante os dois mandatos consecutivos do ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues, então PT, hoje no PSol, pelo qual acaba de se eleger deputado estadual, despontando como candidato natural à sucessão do prefeito Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu. Na entrevista, Chiquinho aponta aqueles que teriam sido, na sua leitura, os vícios de origem da campanha pela reeleição de Ana Júlia Carepa – a falta de familiaridade da Link com as idiossincrasias do eleitor paraense e a ausência de identidade com o receituário ideológico do petismo.
Além de criticar a Link, o marqueteiro petista exalta o desempenho da Griffo, a agência capitaneada por Orly Bezerra, o marqueteiro-mor do PSDB no Pará, responsável pelo marketing da vitoriosa candidatura do ex-governador tucano Simão Jatene. Até então um político de gabinete, Jatene deve seu primeiro mandato como governador, de 2003 a 2006, ao ex-governador Almir Gabriel, eleito em 1994 e reeleito em 1998, que fez dele sucessor, nas eleições de 2002, em uma campanha marcada pelo escancarada utilização da máquina administrativa estadual. Ao tentar retornar ao Palácio dos Despachos, em 2006, atropelando a natural reeleição de Jatene, Almir foi derrotado pela petista Ana Júlia Carepa, que teve o decisivo apoio do ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará. Magoado, Almir debita seu tropeço eleitoral justamente a Jatene, até então seu amigo pessoal e auxiliar da mais absoluta confiança, ao qual acusa de ter feito corpo mole em 2006 e do qual se tornou inimigo figadal.

SUCESSÃO – Motivações menores

A concluir das revelações de bastidores, as circunstâncias corroboram as suspeitas sobre as motivações menores que teriam pavimentado a publicação da entrevista com Chiquinho, independente dos méritos profissionais do publicitário e da hipotética pertinência das críticas feitas à opção pela Link. De acordo com fontes do próprio Diário do Pará, a realização da entrevista foi insinuada, de forma algo desrespeitosa, pelo próprio Chiquinho. Habitualmente elegante e diplomático, no que lembra o pai, o jornalista Jader Filho, presidente do grupo de comunicação da família Barbalho, contemplou o desejo do publicitário, mas não nos termos em que este desejava, acrescenta a versão vazada do jornal.
As suspeitas sobre motivações menores acabam reforçadas pelos termos da entrevista, que priorizam o periférico em detrimento do que é efetivamente relevante. O marketing é certamente importante, indispensável mesmo, em qualquer governo. Mas ele precisa ser lastreado por realizações e, obviamente, pela preocupação em conferir visibilidade aos êxitos obtidos. São quesitos em relação aos quais Ana Júlia negligenciou até a exaustão, de forma suicida. Nesse contexto, a Link fez - em curto espaço de tempo e com competência - o que não foi feito em mais de três anos e meio. O problema é que a agência baiana serviu de UTI, a unidade de tratamento intensivo, para um paciente terminal, em seus estertores.

SUCESSÃO – Mágoas insepultas

O público externo naturalmente desconhece, mas a entrevista de Chiquinho reverbera mágoas insepultas que permeiam a relação, hoje superficial, do publicitário com Ana Júlia Carepa (foto) e o círculo mais íntimo desta, e em particular com Joana Pessoa, a eterna caixa de campanha da governadora. Descrito como alguém de perfil autocrático e muito cioso de sua ascensão profissional e social, quando indignado ele é capaz, no calor das emoções, de incontinências verbais que chegam ao limite da mais grotesca deselegância, independentemente do nível de intimidade que possa ter com seu circunstancial interlocutor. Esse perfil é obviamente propício para anabolizar ressentimentos mútuos.
Tudo isso explica porque não fui o único a ter conhecimento da versão sobre um suposto calote do qual teria sido vítima Chiquinho, na esteira da campanha de 2006, quando Ana Júlia Carepa elegeu-se governadora. Especulações falam até em cheques sem fundo, no valor de R$ 300 mil, capazes de detonar qualquer carreira política, porque evidenciariam um robusto caixa 2. Quem transita pelo mercado publicitário paraense, mesmo perifericamente, certamente já ouviu o relato de acordo com o qual, para driblar as conseqüências do suposto calote, Chiquinho teria sido compelido a vender um imóvel, para equilibrar suas contas e garantir a saudável sobrevivência da Vanguarda.
Por seus inegáveis méritos, a Vanguarda acabou figurando no elenco de agências selecionadas, mediante concorrência pública, para atender o governo do Pará. Mas, previsivelmente, não há registro de que tenha sido dissipado o rancor mútuo entre Chiquinho e Ana Júlia Carepa, embora esta guarde um silêncio sepulcral sobre as mágoas recíprocas. O que não ultrapassa os limites de um armistício protocolar, propício a quem, pela relevância do cargo ocupado e por seu status social e político, não convém desgastar-se com querelas menores. Até porque a governadora não tem a magnanimidade dentre as suas virtudes, como evidencia sua trajetória política. Tanto quanto Chiquinho, por temperamento, não cultiva a discrição de um Orly Bezerra, capaz de chorar ao se sentir desprestigiado, mas com o cuidado de não queimar as caravelas, conforme testemunho público do deputado Vic Pires Franco. É bem verdade que contra Chiquinho jamais pesou a suspeita da ignomínia atribuída a Orly, acusado – com provas contundentes – de postar comentários anônimos no blog mantido até algum tempo atrás por Vic, ofendendo a honra do deputado do DEM, hoje em fim de mandato, e da mulher do parlamentar, a ex-vice-governadora Valéria Vinagre Pires Franco, da qual o publicitário foi o marqueteiro na sucessão municipal de 2008.
Nas eleições de 2008, convém recordar, Valéria foi a candidata do DEM à Prefeitura de Belém, com a mais cara campanha da disputa, sem conseguir, sequer, chegar ao segundo turno, a despeito do suposto favoritismo que lhe era conferido pelas sucessivas pesquisas de intenção de voto do Ibope, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Na ocasião, o Ibope terceirizou seus serviços, confiados a uma empresa de fundo de quintal, posta sob suspeita de fraudas suas pesquisas, com o suposto objetivo de fazer decolar a candidatura de Valéria. Por trás da tramóia estaria o grupo de comunicação dos Maiorana, do qual Valéria seria a candidata preferencial, na esteira da amizade de infância de Vic Pires Franco com Romulo Maiorana Júnior, o Rominho, surgindo o prefeito Duciomar Santos (PTB), o nefasto Dudu, como segunda opção. A eleição acabou decidida no segundo turno, no qual o nefasto Dudu foi reeleito, derrotando o ex-deputado federal José Priante (PMDB). O primeiro turna foi vencido pelo nefasto Dudu, seguido de Priante, Mário Cardoso (PT), Valéria Pires Franco (DEM), estigmatizada como a Dondoca da Doca, e Arnaldo Jordy (PPS), este com a melhor performance em todos os debates, mas com uma campanha paupérrima.

SUCESSÃO – O erro crasso de Ana Júlia

O erro crasso da governadora Ana Júlia Carepa, determinante para seu desastre eleitoral, não residiu no marketing de campanha. Ela tornou-se a principal inimiga de si mesma ao transformar a administração estadual em uma ação entre amigos, priorizando os interesses dos seus luas pretas. Como bem ilustra o caráter predatório da passagem pelo governo de Cláudio Alberto Castelo Branco Puty, o poste transformado em deputado federal, no rastro da mais escancarada utilização da máquina administrativa e do poder econômico que deriva do aparelhamento da estrutura estatal. Nesse cenário, Edilson Moura, o opaco ex-secretário estadual de Cultura eleito deputado estadual, surgiu como a versão R$ 1,99 de Puty, com o deslumbramento típico dos alpinistas sociais.
Eleita com o decisivo apoio do ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará, Ana Júlia Carepa consumiu boa parte do seu mandato governando para sua entourage, abrigada na DS, a Democracia Socialista, a facção do PT na qual se aninhou, ao entrar em rota de colisão com o então prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, ex-PT, hoje PSol. Na época vice-prefeita, ela se viu compelida a deixar a Frente Socialista, a tendência petista da qual fazia parte, mas que tornou-se pequena demais para conter a disputa fratricida que travou com Edmilson Rodrigues.
Contaminada por seus luas pretas, Ana Júlia Carepa manteve uma relação ambivalente com o ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e a mais longeva liderança da história do Estado. Já na reta final do mandato, tentou, em vão, uma reconciliação, sendo solenemente ignorada por Jader. Ao cooptar as notórias viúvas do tucanato, em troca das benesses do poder, subestimou o colossal coeficiente de perfídia própria dos fisiologistas, pelos quais foi abandonada em pleno processo eleitoral, em uma traição anunciada.

SUCESSÃO – Incompetência política

O traço mais impressionante de Ana Júlia Carepa, como governadora, foi a incompetência política, algo surpreendente, para quem exibe um currículo eleitoral respeitável, marcado por sucessivas e significativas vitórias, a mais expressiva das quais a de 2006, quando derrotou o ex-governador Almir Gabriel, na disputa pelo governo do Pará. A despeito dos resultados das eleições municipais de 2008, que permitiam entrever o cenário adverso com o qual se deparou em 2010, ela, surpreendentemente, se manteve politicamente indiferente, aparentemente alheia aos riscos sinalizados pelas urnas. Isolada dentro do próprio PT, ela recalcitrou em repactuar os acordos que pavimentaram sua eleição em 2006. Quando tentou fazê-lo, já era tarde demais.
Ao mesmo tempo, mesmo dispondo da Secom, a Secretaria de Estado de Comunicação, Ana Júlia aparentemente subestimou a importância desta. A troca de guarda na Secom pouco acrescentou. Saiu Fábio Fonseca de Castro, de formação meramente acadêmica e sem intimidade com as nuances da prática cotidiana do jornalismo, que foi substituído por Paulo Roberto Ferreira, sem cacife suficiente para manter linha direta sequer com os redatores-chefes dos veículos de comunicação social. E com o agravante de não dispor da confiança pessoal da governadora, ainda que Ana Júlia Carepa possa dizer o contrário, para consumo externo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

BLOG – As razões da ausência

Para passar o feriado prolongado com meu neto, um convite obviamente irrecusável, optei por suspender a atualização do blog. Quando deveria voltar ao batente, na quarta-feira, 3, deparei-me com um imprevisto, diante do qual só nesta sexta-feira, 5, retomo a atualização, ainda que com atraso. O que faço acompanhada pelo pedido de desculpas, diante da ausência sem um aviso prévio.
Isso posto, vamos ao trabalho.

SUCESSÃO – O imponderável brota das urnas

Diante de alguns dos resultados que brotaram das urnas no domingo, 31 de outubro, no segundo turno das eleições de 3 de outubro, é inevitável a lembrança da máxima célebre – espere pelo melhor, prepare-se para o pior e receba o que vier.
A concluir do que sugerem seus antecedentes, a petista Dilma Rousseff, a primeira presidente eleita da história do Brasil, e o ex-governador tucano Simão Jatene, reconduzido ao governo do Pará, são lídimos representantes da vanguarda do atraso. Cabe, certamente, contemplarmos cada um deles com o benefício da dúvida, em respeito aos resultados das urnas. E, naturalmente, na perspectiva de que é preferível um estrupício eleito pelo voto direto, por pior que seja, a qualquer fariseu fardado, gente que é exímia na arte de ostentar virtudes sem tê-las.

SUCESSÃO – Um poste chamado Dilma

Um poste transformado em presidente no rastro da popularidade de Lula, Dilma Rousseff (na foto, com o presidente, seu ilustre cabo eleitoral) é o corolário de um ciclo que reduziu o Estado a uma extensão de um partido político. Tudo sob a benção de um rústico farsante, ao qual caberia precipuamente, como presidente, preservar as instituições democráticas. Protagonista de um governo que inaugurou a corrupção sistêmica, Lula mandou às favas o decoro que o cargo exige, em recorrente escárnio à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público.
Com uma desfaçatez levada ao paroxismo, Lula abdicou da condição de presidente e ficou reduzido a um palanqueiro, na fixação de eleger sucessora uma candidata de currículo opaco e de duvidosa probidade, com o agravante da ausência de carisma. E por isso incapaz de fazer-lhe sombra e ameaçar o queremismo lulista, que parece mirar, desde já, nas eleições de 2014, a despeito das declarações em sentido contrário

SUCESSÃO – Ana Júlia, o cabo eleitoral de Jatene

No Pará, a inépcia do governo da petista Ana Júlia Carepa não só reabilitou o ex-governador tucano Simão Jatene (foto, à esq., com Vladmir Costa), como pavimentou o caminho que o conduziu de volta ao Palácio dos Despachos, a despeito das ignomínias que perpetrou no seu primeiro mandato como chefe do Executivo estadual, de 2003 a 2006. Não há nenhum exagero em identificar a governadora petista como o mais ilustre cabo eleitoral do ex-governador tucano, ainda que involuntariamente.
Primeira governadora eleita da história do Pará, depois de ter sido também a primeira senadora do Estado legitimada pelo voto direto, Ana Júlia foi vítima de si mesma, ao ser tragada pela sua própria incompetência administrativa e obtusidade política. Ao legar poderes ao círculo dos seus colaboradores mais íntimos, ela acabou refém dos seus luas pretas, sem se preocupar com os clamores das ruas, isolando-se até dentro do seu próprio partido.

SUCESSÃO – O caráter didático do fiasco petista

O alento, diante do fiasco eleitoral de Ana Júlia Carepa (foto) e do PT no Pará, é o caráter didático que embute a vitória de Simão Jatene. O ressurgimento da tucanalha evidencia, ironicamente, que está longe de ser regra o que garantiu o triunfo do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, nas eleições municipais de 2008. O nefasto Dudu, recorde-se, conseguiu ser reeleito, a despeito da rejeição popular e da desastrosa administração que protagoniza, valendo-se, acintosamente, do poder econômico e da escandalosa utilização da máquina administrativa municipal.
A derrota de Ana Júlia evidencia que, com alternativas mais palatáveis do que aquelas que se contrapunham ao nefasto Dudu, em 2008, teria sido possível defenestrar do Palácio Antônio Lemos o falsário do passado, que fez carreira política como o farsante do presente. A escalada das abstenções no Pará, nas eleições deste ano, sugere o ceticismo diante do déjà-vu da política paraense. Jatene, com seu arsenal de pantominas eleitorais, galvanizou a insatisfação do eleitorado, diante do desgoverno que foi a administração Ana Júlia Carepa. São robustos os indícios de que Simão Jatene reprisou, na sucessão estadual deste ano, o fenômeno que representou a eleição de Edmilson Rodrigues, então PT, hoje PSol, para a Prefeitura de Belém, em 1996.

SUCESSÃO – Lições da história

Os fatos são recentes demais para que se alimente a veleidade de esquecer, desconhecer e enterrar como indigente as lições da história neles embutidas. O País mudou, ainda que em proporções e velocidade aquém do que se possa desejar. Não convém, por isso, menosprezar a eventual capacidade de indignação do eleitorado, apesar de expressiva parte dele viver na faixa da pobreza, enraizado na carência sem fim, estimulada pelo assistencialismo eleitoreiro tão conveniente aos sabichões engravatados.
Como ocorreu com Edmilson Rodrigues em 1996, a eleição de Simão Jatene este ano não dependeu de marketing eleitoral ou coisa que valha. A vitória de ambos, ainda que em anos e esferas distintos, foi conseqüência natural do voto de protesto, com o qual o conjunto do eleitorado, e mais particularmente a parcela mais esclarecida dele, expressou sua repulsa diante da inocultável inépcia administrativa e dos arranjos espúrios envolvendo as lideranças políticas do Pará. Arranjos que não são exclusividade do PT, mas cujos ônus recaíram sobre Ana Júlia Carepa por esta deter o poder e ter frustrado as expectativas que suscitou na sucessão estadual de 2006.

SUCESSÃO – Jader sob um cenário adverso

No contexto em que se deu, não é temerário especular que a vitória de Simão Jatene independeu do eventual apoio do PMDB, que no Pará atende pelo nome de Jader Barbalho. A derrota de Ana Júlia Carepa soou a uma fatalidade incoercível, diante da desastrosa gestão que a governadora petista protagonizou. E da sucessão de estultícias nas quais incorreu, no plano político. Exibir-se ao lado do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, com a rejeição que este ostenta, e do ex-governador Almir Gabriel, hoje condenado ao limbo político, revelaram-se erros crassos.
Quanto a Jader Barbalho, depois de ter sepultada sua eleição para o Senado pelo STF, o Supremo Tribunal Federal, com base na Lei da Ficha Limpa, sua situação não poderia ser mais adversa. Condicionada ao fisiologismo do toma-lá-dá-cá, estimulado pelo morubixaba do PMDB no Pará, resta saber o que restará das bases do jaderismo, após quatro anos do mais absoluto jejum das benesses do poder. Um cenário tanto mais adverso, porque Jader Barbalho jamais abriu espaço para outra qualquer liderança mais expressiva no PMDB.

SUCESSÃO – A advertência que emerge das urnas

Não convém, decididamente, subestimar as lições que brotam das urnas. Em 1998, por exemplo, os ex-governadores Jader Barbalho e Hélio Gueiros (foto) despontavam como imbatíveis nas urnas. Depois de uma virulenta troca de insultos públicos nas eleições de 1990, quando Jader foi novamente eleito governador, derrotando o ex-prefeito de Belém Sahid Xerfan (PTB), o candidato de Gueiros, os dois ex-governadores reataram, no rastro de conveniências estritamente eleitorais. Foi uma reconciliação impactante para expressivo contingente do eleitorado, após tudo o que um disse do outro publicamente.
Jader, é verdade, foi quem aparentemente menos se desgastou com essa reconciliação. Talvez porque seja o que Gueiros jamais foi – um autêntico líder político, com luz própria. Ainda assim, naquela eleição o morubixaba do PMDB no Pará sofreu seu único tropeço eleitoral, em 44 anos de carreira, ao ser derrotado pelo então governador Almir Gabriel, na época o tucano-mor no Estado. Almir Gabriel obteve a reeleição, por uma minguada diferença de votos, em uma campanha pontuada por recorrentes denúncias de abuso de poder econômico e utilização eleitoral da máquina administrativa estadual. Até hoje os peemedebistas têm a convicção pétrea de que parte dos recursos obtidos com a privatização da Celpa, as Centrais Elétricas do Pará, foram desviado para o caixa dois da tucanalha.