O
mais absoluto sucateamento da rede pública de ensino, no Pará, foi escancarada
pela notícia veiculada pelo UOL, ao relatar uma vistoria do Ministério Público
Federal e do Ministério Público Estadual em escolas no Estado. A realidade,
pontuada por um ignominioso abandono, torna o governador tucano Simão Jatene um
autêntico serial killer das
esperanças de um futuro mais promissor para o Pará:
Sem banheiro, alunos de escola do Pará usam buracos em matagal
Marcelle Souza
Do UOL, em São Paulo
05/05/201415h47>Atualizada 05/05/201416h14
Uma vistoria do MPF (Ministério
Público Federal) e do MPE (Ministério Público do Estado do Pará) encontrou
escolas em situação precária no Pará. No município de Novo Repartimento,
procuradores e promotores visitaram cinco unidades, umas delas não tinha
banheiro. Sem opção, alunos, professores e funcionários da Escola Novo
Progresso usavam buracos abertos em meio ao matagal.
"A
situação de algumas escolas da zona rural desse município é muito precária. Uma
delas foi incendiada e as salas tiveram que ser transferidas para uma igreja e
outra estrutura de madeira", diz o procurador Paulo Rubens Carvalho
Marques. "Em uma escola havia banheiros convencionais, mas não tinha água.
As instalações elétricas eram precárias e os ventiladores estavam
quebrados".
Outro
problema é que muitas salas são multisseriadas (quando alunos de diferentes
níveis de aprendizado dividem a mesma turma). "Em uma escola, a
professora dava aula para duas turmas ao mesmo tempo: enquanto um grupo fazia o
exercício de costas, ela dava aula para alunos de outra série", afirma o
procurador.
O
grupo ainda encontrou unidades com atraso na entrega da merenda e do material
escolar no município. A fiscalização foi realizada no dia 28, Dia Internacional
da Educação.
"O
nosso município tem 153 escolas na zona rural, a maioria de difícil acesso e
algumas a 200 km da sede", disse Raimunda Nonata Silva Sousa, coordenadora
pedagógica da área rural da Secretaria de Educação de Novo Repartimento.
"Nós estamos tentando solucionar os problemas detectados. O grande desafio
é que estamos em plena Transamazônica e alguns trechos ficam intransitáveis
durante o período de chuvas", diz a coordenadora.
Sobre
as salas multisseriadas, a representante da prefeitura disse que a medida é necessária
por causa da quantidade de alunos e da distância entre um vilarejo e outro.
"A maior parte dessas escolas existe há mais de 20 anos e esses problemas
vem se acumulando com o tempo", diz.
O
grupo de trabalho já havia visitado as escolas de Novo Repartimento em
fevereiro, quando um TAC (termo de ajustamento de conduta) foi firmado com a
prefeitura. À época, foram encontradas escolas de chão batido, com banheiros
improvisados e materiais didáticos insuficientes. Uma nova vistoria foi feita
no dia 28 em outras unidades e novos problemas foram verificados. Diante disso,
uma audiência pública será realizada no dia 22 de maio no auditório da
prefeitura para discutir a educação no município.
Esgoto e fiação elétrica aparente
Na Escola Municipal Padre Gabriel Bulgarelli, em
Ananindeua, região metropolitana de Belém, os alunos convivem com lixo e esgoto
a céu aberto no terreno da escola. No local, promotores e procuradores
encontraram todas as salas de aula com fiações elétricas aparentes, oferecendo
riscos aos estudantes. Os banheiros não têm pia e a maior parte dos vasos
sanitários estava interditado. Não havia extintores de incêndio.
Em
Belém, a Escola Municipal Parque Amazônia tinha rachaduras e infiltrações em
quase todas as paredes, as salas de aula apresentavam goteiras e a fiação
elétrica também estava aparente.
Em
Ananindeua, o MP e o MPF listaram alterações que devem ser realizadas na escola
Padre Gabriel Bulgarelli em 30 dias. Em Belém, o grupo ainda não se encontrou
com representantes da prefeitura para cobrar a adoção de medidas na Parque
Amazônia.
A
reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura de Ananindeua. A Secretaria
Municipal de Educação de Belém disse que já tem prevista, para esse ano, uma
reforma na escola Parque Amazônia. "Constam na obra, a impermeabilização
do auditório, a reforma estrutural das paredes que estão com problemas de
rachaduras e a renovação da rede no teto, que impede a invasão de pombos",
disse a pasta em nota.
A ação
conjunta dos dois órgãos faz parte do projeto Ministério Público pela Educação
(MPEduc), que tem o objetivo de vistoriar escolas em todos os Estados. No Pará,
foram inspecionadas unidades também nos municípios de Capanema, Mãe do Rio,
Paragominas e Tailândia.