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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

TEATRO – Os rituais da vida, do amor e da morte


        “Fundamentalmente, ‘Ritos’ trata das formas de contato com o outro. O sentido mais primário destes pequenos rituais é nos ligarmos a um grupo, a comunidade, aos amigos, famílias. Trata-se da experiência de partilha, do aqui e agora que vivemos juntos, enquanto praticamos algo, mesmo o mais simples, que é comer, por exemplo, até rituais mais complexos, como nascimento, morte, e outras passagens.”
        Assim Michele Campos, que responde pela direção, dramaturgia e performance do espetáculo, resume o que vem a ser “Ritos” (fotos), em cartaz desde quinta-feira, 13, e cujas apresentações se estenderão até este próximo domingo, 16, diariamente, sempre às 8 horas da noite, no Espaço Cuíra, na rua Riachuelo, nº 524, esquina da travessa 1º de Março, bairro da Campina. A produção é da Companhia de Teatro Madalenas; a música original é de Marcello Gabbay e Ignácio Baca-Lobera; a sonorização e piano é de Marcello Gabbay; a voz em off é de Veronique Isabelle; a concepção e operação de luz é de responsabilidade de Patricia Gondim; a cenotécnica é de Oriana Bitar; pelo figurino respondem Mauricio Franco e Michele Campos; os desenhos são de Leon Farhi Neto, Luiz Octávio Barata e Michele Campos; e a concepção gráfica é de responsabilidade de Michele Campos e Marcello Gabbay.

SERVIÇO

“Ritos” será apresentado no encerramento do Projeto Pauta Mínima.
Datas: 13 a 16/12/2012.
Horário: 20h.
Local: Espaço Cuíra (Rua Riachuelo, 524, Campina, Belém/PA).
Ingressos: R$ 20,00 (meia entrada para estudantes e maturidade).

Os 22 primeiros ingressos dão direito ao espectador assistir a performance de dentro da cena.



TEATRO – Em cena, o desafio da partilha

        “Gostaríamos que as pessoas entrassem nesse tempo e espaço do ritual. Um momento de partilha, onde o público se torna mais partícipe do que mero observador”, acrescenta Michele Campos (foto), a propósito de “Ritos”. A respeito do espetáculo, ela trata de esclarecer a perspectiva sob a qual “Ritos” se dá. “É bom que fique claro que não se trata de um ritual Tarahumara, mas de um momento que reúne vários rituais simbólicos, daí o nome ‘Ritos’. A gente quer que todos que possam estar lá estejam juntos, esqueçam o mundo lá fora, e entrem neste tempo ritual, tempo da dança, da música, e da partilha de sentidos”, salienta, na entrevista que abaixo se segue, concedida ao Blog do Barata.

O que vem a ser “Ritos”?

        “Ritos trata das variadas formas que encontramos para nos relacionarmos com o outro, com o mundo e com os mistérios. Mesmo aqueles que não têm nenhuma crença dogmaticamente formatada praticam pequenos rituais em seu cotidiano. É claro que no espetáculo temos como centro a cosmologia indígena, a vida amazônida, mas como códigos cênicos trazemos também elementos do cristianismo, do judaísmo, das religiões africanas, do tarô. Fundamentalmente, “Ritos” trata das formas de contato com o outro. O sentido mais primário destes pequenos rituais é nos ligarmos à um grupo, à comunidade, aos amigos, famílias. Trata-se da experiência de partilha, do aqui e agora que vivemos juntos, enquanto praticamos algo, mesmo o mais simples, que é comer, por exemplo, até rituais mais complexos, como nascimento, morte, e outras passagens.

O porquê da opção por uma temática algo mística e do vínculo com o México?

        O vínculo com o México veio por acaso. Em primeiro lugar, havia o relato de Artaud sobre os índios Tarahumara, em meados da década de 1930. Digamos que esse foi o ponto de partida do meu processo. Depois, ano passado, na França, ironicamente nosso maior encontro foi com o México, descobrindo o trabalho artístico e místico de Alejandro Jodorowski, um chileno que por muitos anos se radicou na cidade do México. Além disso, na confecção de “Ritos” em Paris contamos com a colaboração de dois artistas mexicanos, Judith Romero-Porras, musicóloga e Ignácio Baca-Lobera, compositor contemporâneo, o que nos levou a uma interessante descoberta da mística mexicana, um outro lado de nossa própria história, uma vez que no Brasil tendemos a esquecer a contribuição da razão indígena para o entendimento da vida e do mundo, o que é muito forte no México. Tudo isso culminou na apresentação do espetáculo como abertura da Semana dos Mortos na Casa do México, fechando com chave de ouro essa cumplicidade que acabamos por estabelecer com nossos vizinhos latino-americanos.

Como está sendo a responsabilidade de assumir a direção do espetáculo?

        Desde a fundação da Companhia Madalenas, em Belém, tínhamos a responsabilidade de nos dirigirmos uns aos outros. Nasce aí um tipo de trabalho coletivo, onde chamamos parceiros externos para opinar quando o trabalho já estava concluído. Quando fui viver no Rio de Janeiro, em 2007, distante dos antigos companheiros de trabalho, tive contato com a performance; e na verdade o trabalho do performer automaticamente te impõe essa condição da auto-direção. O performer é um pouco de tudo, artista, produtor, diretor, organizador de sua própria fala, que se expressa através do seu corpo. Daí em diante, venho realizando trabalhos solo no Rio, sempre com a questão do ritual, todos dirigidos por mim mesma. Mas eram trabalhos curtos, sem o aparato de uma equipe técnica. Ano passado, em Paris, ao ganhar o premio de montagem da Cité Universitaire, me vi realmente só, com a responsabilidade de criar um trabalho técnico e corporal, e ao mesmo tempo estando fora, olhando, filmando, fotografando, assistindo este trabalho, e como sou muito critica, as coisas ficam mais difíceis, fico mudando as cenas o tempo todo. É muito difícil, mas é muito engrandecedor também. Isso me possibilitou abrir meu olhar para muitas coisas. Esse é bem o estilo do fazer teatral de Belém; somos tudo ao mesmo tempo. Mas agora, entram novas pessoas, na luz, no som, no figurino, na cenotecnia, são quatros olhares que também se disponibilizaram a me orientar na direção, e o espetáculo se torna uma nova coisa construída à cinco mãos.

O que o público pode esperar do espetáculo?

        Gostaríamos que as pessoas entrassem nesse tempo e espaço do ritual. Um momento de partilha, onde o público se torna mais partícipe do que mero observador. É bom que fique claro que não se trata de um ritual Tarahumara, mas de um momento que reúne vários rituais simbólicos, daí o nome “Ritos”. A gente quer que todos que possam estar lá estejam juntos, esqueçam o mundo lá fora, e entrem neste tempo ritual, tempo da dança, da música, e da partilha de sentidos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

RITOS – O espetáculo chega, enfim, a Belém


        “’Ritos’ brinca com o encanto da cosmologia e da razão encrustados no interior da Amazônia, mas também passeia e navega pelos códigos diversos que permeiam os rituais como um todo, chegando inclusive a sugerir uma encantaria do contemporâneo. A performance é poética, fala e conta histórias através do corpo, da dança e da forma, um trabalho construído através de uma rica pesquisa estética. O corpo da performer vai passando por uma metamorfose em cena, uma tranformação que revela um universo da encantaria, de animais, rituais religiosos e o encontro mágico com 22 pessoas (do público) que estarão dentro da cena.”
        Assim é definido, pela sua própria autora, o espetáculo “Ritos”, que estará em cartaz a partir desta quinta-feira, 13, até domingo, 16, no Espaço Cuíra. A matriz inicial do trabalho da artista paraense Michele Campos foi o livro “Os Tarahumaras”, do escritor de teatro francës Antonin Artaud, onde constam poesias e relatos inspirados nas incursões junto aos Índios Tarahumara, do norte do México, ao longo do ano de 1936. Em 2008, um trabalho performático de 15 minutos deu o pontapé inicial no que hoje é “Ritos”.
        Ainda segundo Michele Campos, em 2011, na capital francesa, ela e Marcello Gabbay agregaram ao projeto novas leituras, com textos e imagens do chileno Alejandro Jodorowski, dentre outros, além da colaboração do artista plástico e filósofo brasileiro Leon Fahri Neto, da musicista Judith Romero-Porras e do compositor Ignácio Baca-Lobera, ambos mexicanos. Em outubro, o trabalho – então estendido para uma hora – foi apresentado na Cité Internationale Universitaire de Paris, nas casas do México e do Brasil, em duas noites, graças ao prêmio de montagem do Found pour les Initiatives Étudiantes, o FIE/CIUP.
        “Agora, de volta ao Pará, o projeto foi recriado, com a participação da iluminadora Patrícia Gondim, dos figurinos de Maurício Franco, cenotecnia de Oriana Bitar, e uma variedade de novos olhares”, acrescenta Michele Campos.

SERVIÇO

“Ritos” será apresentado no encerramento do Projeto Pauta Mínima.
Datas: 13 a 16/12/2012.
Hora: 20h. Local: Espaço Cuíra (Rua Riachuelo, 524, Campina, Belém-PA).
Ingressos: R$ 20,00 (meia entrada para estudantes e maturidade).

Os 22 primeiros ingressos dão direito ao espectador assistir a performance de dentro da cena.