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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

DJALMA CHAVES – A homenagem de Ronaldo

Ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do TCM, o Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, Ronaldo Passarinho (foto) antecipa, por e-mail, que vai propor a transcrição em ata, na próxima reunião do Conselho Deliberativo do Clube do Remo, do depoimento que prestei no blog sobre Djalma Chaves, falecido no último dia 16, vítima de câncer. Reconhecido como um profissional de competência, probidade e experiência reconhecidas, além de paradigma de ser humano da melhor qualidade, Djalma Chaves foi um bem-sucedido advogado, de perfil visceralmente ético, tendo sido ainda grande benemérito do Clube do Remo, em reconhecimento ao vasto elenco de serviços prestados ao Leão Azul, sem nenhuma contrapartida, e vice-presidente da FPF, a Federação Paraense de Futebol, em uma exitosa experiência de administração compartilhada, na gestão de Euclides Freitas Filho. Méritos aos quais somou a condição de filho, marido, pai, sogro e avô amoroso, dedicado à família.
Registro e agradeço, pela generosidade em relação a mim, o e-mail enviado por Ronaldo Passarinho, que transcrevo abaixo, na íntegra.

“Ao jornalista Augusto Barata,

“Seu depoimento a respeito de Djalma Chaves comoveu não só a família como a sua legião de amigos. Vou transcrever na ata da próxima reunião do CD do Remo. É realmente uma grande homenagem a um homem DIGNO.

“Atenciosamente,

“Ronaldo Passarinho”

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

DJALMA CHAVES – Missa de 7º Dia será hoje

Será no início da noite de hoje, 23, às 19 horas, na Igreja Santo Antonio Maria Zacharias - na rua Boaventura da Silva, esquina da travessa 9 de Janeiro -, a Missa de 7º Dia em memória de Djalma Chaves (foto, do Amazônia Jornal). Paradigma de ser humano da melhor qualidade, ele faleceu na madrugada de segunda-feira passada, 16, vítima de câncer.
Um profissional de competência, probidade e experiência reconhecidas, além de visceralmente ético, Djalma fez carreira como um bem-sucedido advogado. Ele foi também um honrado dirigente esportivo, na esteira de sua paixão pelo Clube do Remo, do qual tornou-se grande benemérito, em um justo reconhecimento ao vasto elenco de serviços prestados, sem nenhuma contrapartida, ao Leão Azul. Djalma também protagonizou com Euclides Freitas Filho, no comando da FPF, a Federação Paraense de Futebol, uma administração compartilhada de inusitado sucesso. Formalmente, Euclides Freitas Filho foi o presidente da FPF e ele vice, mas na verdade os dois, em conjunto, tocaram com êxito a federação.
De resto, Djalma Chaves foi filho, marido, pai e avó amoroso e dedicado à família. Ele viveu um feliz casamento com dona Rádia, companheira em tempo integral, em uma união que perdurou por 61 anos. No total, foram 56 anos de casamento e mais os cinco anos de namoro. Terna, mas também forte, para além das suas virtudes pessoais dona Rádia certamente incorporou, amoldando à sua personalidade, os belos valores legados por dona Ângela, mãe de Djalma e matriarca da família, que foi uma mulher admiravelmente corajosa. Coragem que dona Rádia reproduz, com a resignação dos fortes, neste momento de dor, diante da ausência física do seu companheiro de viagem.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

DJALMA CHAVES – O agradecimento da família

Registro e reproduzo abaixo, sinceramente sensibilizado, o generoso agradecimento da família do saudoso Djalma Chaves (foto, do Amazônia Jornal), advogado de competência, probidade e experiência reconhecidas, além de paradigma de ser humano da melhor qualidade, falecido segunda-feira passada, 16.

“Em nome da família Chaves, gostaríamos de agradecer as valorosas palavras sobre nosso querido esposo, pai e avô. Suas atitudes serão sempre motivo de honra e orgulho para todos nós, bem como suas lições, as quais ficarão marcadas como um exemplo a ser seguido por todos. Sua conduta proba e digna era um dever pessoal para com si mesmo, nunca fazendo-o por obrigação ou quaisquer motivos adversos, senão aqueles que todo cidadão deve ostentar quando em atuação em uma determinada sociedade. Em todas as esferas em que atuou deixou ensinamentos que ficarão para sempre em nossa memória, seja no campo familiar, profissional ou desportivo. Estamos muito agradecidos pelas palavras e principalmente pelo reconhecimento dado à este que para nós representou e sempre representará um grande exemplo.

“Um abraço em nome da família Chaves.”

DJALMA CHAVES – Missa de 7º dia na segunda, 23

Será no início da noite desta próxima segunda-feira, 23, às 19 horas, na Igreja Santo Antonio Maria Zacharias, na rua Boaventura da Silva, esquina da travessa 9 de Janeiro, a Missa de 7º Dia em memória de Djalma Chaves.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

DJALMA CHAVES – Um terno agradecimento

Registro, comovido, o terno e emocionado agradecimento, feito em nome da família, por dona Rádia e Marcelo Chaves, respectivamente, esposa e filho de Djalma Chaves, advogado e desportista de competência, experiência e probidade consensualmente reconhecidas, paradigma de ser humano da melhor qualidade, falecido segunda-feira passada, 16. Fui alcançado por um telefonema de Marcelo, quando tive também a oportunidade de falar com dona Rádia, a mulher e companheira em tempo integral do saudoso Djalma, em uma feliz união que perdurou por 61 anos, somados os 56 anos de casamento aos cinco de namoro.
A elegância do gesto, reforçada pelos agradecimentos de Djalma Gonçalves Chaves, o Djalminha, outro dos filhos de Djalma e dona Rádia, não surpreende, para quem conhece a família, mas nem por isso deixa de comover, pela generosidade nele embutida. Emocionou-me, é claro, a dignidade de dona Rádia, mesmo em um momento de dor profunda, tanto quanto a generosidade revelada, juntamente com Marcelo e Djalminha. É indispensável salientar, porém, com o poder de permanência e convicção da palavra escrita, que nada do que escrevi foi produto da benevolência que a morte costuma suscitar. Trata-se, apenas e tão-somente, do registro das reconhecidas virtudes ostentadas por Djalma.
Comoveu-me, é claro, o nobre gesto de dona Rádia, Marcelo e Djalminha, apesar da dor do momento. Dor diante da qual o alento é saber que viver, para os que ficam, não é morrer. E a lembrança de Djalma perdura indelével para todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

DJALMA CHAVES – O testemunho de João Elysio

Um dos mais competentes jornalistas de sua geração, cujo talento evidenciou como o mais completo editor de esportes da sua época, com passagens em O Liberal e no Diário do Pará, João Elysio Guerreiro de Carvalho, como amigo que dele foi, também ofereceu seu testemunho sobre Djalma Chaves. Transcrevo em seguida o depoimento de João Elysio, objetivo e singelo, e por isso revelador de quem foi Djalma Chaves.

“Caro Barata,

“Pouco ou quase nada se tem a acrescentar às postagens que você fez sobre nosso amigo Djalma Chaves, que tive o prazer e a sorte de conhecer através de você, no tempo em que era repórter esportivo de O Liberal e você, editor, em 1989.
“Para constatar o exemplo de homem probo, decente e conciliador que foi o Djalma, gostaria de revelar um episódio que presenciei no escritório de advocacia onde ele e seu filho Marcelo atuavam, na rua 13 de Maio.
“Num dos finais de tarde, quando jogávamos conversa fora, um cliente entrou na sala.
“Foi contratar o Djalma para questionar o que supostamente devia à ex-esposa.
“Depois de ouvi-lo atenciosamente, o Djalma disse a ao aborrecido senhor: ‘Meu filho, tu gastarás aproximadamente ... (não lembro o valor) com custas processuais e meus honorários para tentar ganhar a causa, além do aborrecimento que terás durante o processo. Mas isso não é o mais importante. O importante é que tu não tens razão. Vá pela sombra e pague sua dívida’.
“Após uma semana, o cliente voltou ao escritório para agradecer ao conselho do Djalma, acrescentando que depois de pagar a dívida já se relacionava de forma civilizada com a ex-esposa.
“Quantos advogados abririam mão de honorários e reconheceriam que a outra parte tinha razão?
“Só os homens como foi meu sincero amigo Djalma Chaves.”

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

DJALMA CHAVES – O adeus de um homem digno

Um homem sobretudo probo. Probo e digno. Paradigma de ser humano da melhor qualidade, cuja cativante bonomia jamais impediu de se manter intransigentemente fiel aos valores que pavimentam as noções básicas de cidadania, com ênfase para o respeito às diferenças e às minorias.
Assim, sem o risco de se incorrer em qualquer exagero, pode ser descrito Djalma Chaves (foto, do Amazônia Jornal), que morreu vítima de câncer, na madrugada desta última segunda-feira, 16. Um profissional de competência, experiência e probidade consensualmente reconhecidas, ele fez carreira como um bem-sucedido advogado, célebre pelo perfil ético, razão da confiança que inspirava nos seus interlocutores, por honrar a palavra empenhada e pela capacidade de conciliar, sem abdicar de princípios. De tão digno que sempre foi, pessoal e profissionalmente, Djalma também se notabilizou, como advogado, por merecer a confiança incondicional de seus clientes, inclusive aqueles que confiavam a administração de seus bens imóveis, sem restrições de qualquer espécie, à próspera banca de advocacia que ele manteve juntamente com Francisco Miléo. O escritório foi também integrado, por um certo período, por Gileno Muller Chaves, advogado do qual Djalma era primo, mas a quem dedicou, sempre, o carinho que se costuma merecer de um irmão mais velho. Da banca de advocacia passou a fazer parte ainda, posteriormente, o também advogado Marcelo Chaves, filho de Djalma e legítimo herdeiro dos mais nobres predicados do pai.
A credibilidade pessoal e profissional de Djalma Chaves foi tanta e tamanha que ele se notabilizou ainda, no exercício da advocacia, por advogar ambas as partes em separações conjugais. Não sem antes, como era praxe, investir na possibilidade de reconciliação, alheio aos honorários que deixaria de embolsar, algo inusitado em se tratando de um advogado. Esse desprendimento certamente explica o porquê dos proprietários, que a ele confiavam o aluguel de seus imóveis, se recusarem a tratar diretamente com os inquilinos, ou inquilinos em potencial, aos quais sequer se permitiam receber, tal como fazia, por exemplo, dona Terezinha Kós Miranda, viúva do ex-vice-governador Newton Miranda, um respeitado cartorário. Não por acaso, a Djalma coube dar encaminhamento ao inventário de Aldebaro Klautau, ícone de advogado e homem público probo e ético, a pedido de dois dos filhos do mestre, Aldebaro Klautau Filho, o Baim Klautau, e Paulo Klautau, ambos ilustres advogados, tal qual o pai, e como este também já falecidos. Nada mais emblemático da credibilidade de Djalma Chaves.

DJALMA CHAVES – Passagem marcante no futebol

As virtudes ostentadas por Djalma Chaves o acompanharam até no movediço terreno da paixão esportiva, como um devotado torcedor e dirigente que foi do Clube do Remo, do qual tornou-se – com absoluta justiça – um dos grandes beneméritos, em reconhecimento aos serviços prestados ao Leão Azul. Sua contribuição ao esporte paraense extrapolou os limites da paixão clubística, ao atuar, de forma discreta, mas extremamente profícua, como vice-presidente da FPF, a Federação Paraense de Futebol, na gestão de Euclides Freitas Filho como presidente da entidade. Ao futebol paraense, em geral, e ao Clube do Remo, em particular, Djalma a eles serviu e não deles se serviu, ao contrário da cartolagem do jaez de Amaro Klautau, o ex-presidente azulino, de triste lembrança e cuja propaganda enganosa ele se encarregou de desmascarar.
Em uma rara sincronia, principalmente porque em uma arena na qual tradicionalmente arde com vigor a fogueira de vaidades, com sua antológica discrição Djalma Chaves em verdade protagonizou com Euclides Freitas Filho, com inusitado sucesso, uma administração compartilhada. Sabendo-se, como se sabe, que um título desses não se conquista apenas em campo, mas também fora dele, Euclides Freitas Filho e Djalma Chaves foram decisivos para o Paysandu, ironicamente o eterno arqui-rival do Clube do Remo, tornar-se, pela primeira vez, campeão brasileiro da Segunda Divisão. Com a serenidade que lhe era peculiar, ele soube ser pragmático, sem abdicar de princípios e jamais ceder às tentativas de intimidação da banda podre da crônica esportiva.

DJALMA CHAVES – Um exemplo a seguir

No plano pessoal, Djalma Chaves foi um dignificante exemplo de filho, marido, pai e avô amoroso e dedicado à família. Virtudes que nele podem ser identificadas não pela condescendência que a morte habitualmente costuma suscitar, mas porque a prática, que é efetivamente o critério da verdade, assim evidencia. Cioso de sua privacidade, e também por saber das ignomínias das quais é capaz a natureza humana, ele tratou de blindar a família, cujo amor que nele inspirava só costumava exprimir, sem amarras, na intimidade, e mesmo assim traduzido não em palavras, mas em gestos de inequívoca generosidade, sobretudo afetiva. Não surpreende, assim, a reverência com a qual Djalma, sua esposa, filhos, genro, noras e netos sempre distinguiram dona Ângela, a Bisa, a matriarca da família, homenageada até no nome da casa de recepções da mulher e de uma das noras do advogado.
De resto, também como amigo, Djalma Chaves sempre foi especial, muito especial, como me foi possível testemunhar mais de uma vez. Meu primeiro contato com ele se deu quando fui repórter esportivo de A Província do Pará, como setorista encarregado da cobertura do Clube do Remo, no final dos anos 70 do século passado. A minha nascente amizade com o saudoso Gileno Muller Chaves, outro paradigma de competência e honradez, permitiu-me estreitar minha relação com Djalma Chaves, até dele tornar-me amigo. E foi aí que pude testemunhar de perto a dignidade própria de um homem visceralmente probo, como ele foi. A despeito dos muitos favores que dele mereci – no plano pessoal e como advogado e importante fonte -, jamais fui importunado com qualquer pedido constrangedor, diante da minha condição de jornalista e, em particular, de editor - inclusive de esportes - de O Liberal. Ao longo de mais de 30 anos de amizade, Djalma fez-me um único e prosaico pedido, fácil de ser contemplado, porque se tratava, em verdade, de um serviço de utilidade pública. No comando da FPF, juntamente com Euclides Freitas Filho, e eu na condição de editor de esportes de O Liberal, ele consultou-me sobre a possibilidade da publicação da planta baixa do Mangueirão e do entorno deste, com as orientações sobre as mudanças no acesso ao estádio e nas áreas de estacionamento, para o primeiro jogo em Belém da Seleção Brasileira. A partida, na qual o Brasil enfrentou o Chile, foi disputada em 8 de novembro de 1990, em jogo que registrou um empate de zero a zero.

DJALMA CHAVES – Admiração sem fim

Afastei-me de Djalma Chaves – sem nem por isso deixar de dedicar-lhe amizade, admiração e respeito – na esteira de um mal-entendido para o qual, devo admitir, também contribui. Há mais ou menos 12 anos atrás, em uma época na qual, por imposição profissional, viajava com freqüência para o interior, ele telefonou-me, indagando-me se teria condições de conseguir o endereço residencial de uma ex-cunhada, da qual um dos meus irmãos mais velho, que residia em outro Estado, estava formalizando a separação. Disse-lhe que poderia, sim, obter o endereço solicitado, mas, como horas depois estaria viajando para o interior, permanecendo ausente de Belém por mais de cinco dias, encarreguei uma terceira pessoa de obter e repassar a informação solicitada, o que não foi feito, como ficaria sabendo a posteriori.
Djalma, obviamente, ficou magoado pelo meu suposto desdém e a mim expressou, de viva voz, sua decepção. Reagi emocionalmente, por impulso, e também magoado, por vê-lo duvidar da minha fidelidade como amigo, guardei silêncio e privei-me, desde então, de sua prazerosa companhia, ao invés de relatar-lhe o ocorrido e esclarecer o mal-entendido. Depois disso, nos reencontramos em circunstância extremamente dolorosa para nós dois, no velório de Gileno Muller Chaves, para mim, mais do que amigo, um irmão de coração, apesar das eventuais discordâncias, incapazes de tisnar a admiração e o respeito que sempre inspirou-me. Na ocasião, eu e Djalma nos cumprimentamos amavelmente, embora atordoados pela morte prematura do amigo em comum.
Seja como for, guardo para sempre a cara lembrança que fatalmente evoca Djalma Chaves, como exemplo de um homem digno e probo. Por isso, como o poeta, digo: “Mas as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficarão.”
De resto, cabe-me expressar o mais sincero desejo, ao amigo que se foi: descanse em paz, caro Djalma.