quarta-feira, 25 de novembro de 2015

ARGENTINA – Igual nas diferenças


MURAL – Queixas & Denúncias


TRANSPARÊNCIA – CNMP obriga Neves a publicar as remunerações de membros e servidores do MPE

Neves: mandonismo, traduzido na suspeita falta de transparência,...
...sepultado pelos conselheiros do CNMP, na sessão de terça-feira, 24.

A decisão representa uma derrota para o procurador-geral de Justiça do MPE, o Ministério Público do Estado do Pará, Marcos Antônio Ferreira das Neves, também conhecido como Napoleão de Hospício, por seu mandonismo, e é difícil não relacioná-la a passagem por Belém do corregedor nacional do CNMP, o Conselho Nacional do Ministério Público, Cláudio Henrique Portela do Rego. Em sessão ordinária realizada nesta última terça-feira, 24, o CNMP determinou, por unanimidade, que o MPE disponibilize, em até cinco dias, em seu portal eletrônico, as remunerações de membros e servidores ativos e inativos, em observância às resoluções CNMP nºs 89/2012 e 115/2014.
A notícia está na edição desta quarta-feira,25, do portal do CNMP. Segundo revela a notícia, o relator do processo, conselheiro Fábio George Cruz da Nóbrega, observou que a consulta ao portal eletrônico do MPE realizada em 31 de agosto de 2015 indicou que não estavam disponíveis informações sobre remunerações e proventos recebidos por membros e servidores ativos e inativos.

Fábio George Cruz da Nóbrega destaca que, ao dispor sobre a transparência no Ministério Público brasileiro, a resolução CNMP nº 89/2012, que regulamenta a Lei de Acesso à Informação - com as modificações introduzidas pela resolução nº 115/2014 – passou a exigir que todas as remunerações e os proventos recebidos por todos os membros e servidores, ativos ou inativos, sejam divulgados nos sites dos órgãos do MP, com a identificação nominal e individualizada dos beneficiários.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

AMIGAS – Efeito Orllof


Mural – Queixas & Denúncias


UFPA – Universidade vai mal, mas farra de diárias fez reitor embolsar quase R$ 52 mil em setembro

Carlos Maneschy, reitor da UFPA: contracheque cevado com diárias. 
Portal da Transparência: os polpudos números da farra de diárias.

A crise que aflige a grande maioria dos brasileiros, com a estagflação produzida pelos sucessivos governos lulopetistas, certamente não alcançou o reitor da UFPA, a Universidade Federal do Pará, Carlos Maneschy. Segundo revelação feita ao Blog do Barata, com base no Portal da Transparência do Governo Federal, no mês de setembro Maneschy, cuja remuneração básica é de R$ 24.255,22, engordou seu contracheque com mais R$ 27.605,61, a título de diárias, embolsando um total de R$ 51.861,83. O reitor da UFPA, que cumpre seu segundo mandato, é acidamente criticado por protagonizar uma administração de resultados pífios, principalmente quando comparada com a de seu antecessor, o ex-reitor Alex Fiúza de Mello, em cuja gestão a Universidade Federal do Pará foi aquinhoada com fartos recursos pelo MEC, o Ministério da Educação.

A denúncia feita ao Blog do Barata sublinha, em particular, o sucateamento do curso de engenharia industrial. “Abandonado e sucateado, o curso de engenharia industrial deixará muitos no desemprego”, salienta, citando a situação dos graduados no campus da UFPA em Abaetetuba. “Nenhum graduado em engenharia industrial do campus da UFPA em Abaetetuba não conseguiu emprego”, ilustra o autor da denúncia, protegido pelo anonimato. A propósito, ao criticar a faraônica remuneração do reitor, diante do sucateamento do curso, o autor da denúncia anônima cita o projeto pedagógico da UFPA, segundo o qual “o profissional de engenharia industrial é um profissional de alta empregabilidade”.

UFPA – Antecedentes nada lisonjeiros



Não são exatamente lisonjeiros os antecedentes do atual reitor da UFPA, Carlos Maneschy. A ele aderiu o estigma de administrador inepto que o acompanha desde sua passagem pela Fadesp, a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa. Ao suceder Carlos Maneschy como diretor executivo da fundação, em outubro de 2001, o professor Luiz Acácio Centeno Cordeiro, dentre outras mazelas que herdou, encontrou a Fadesp inadimplente no SIAF, o Sistema Integrado de Administração Financeira, o órgão federal que controla o emprego da verba pública. A Fadesp estava desde fevereiro do mesmo ano sem poder movimentar novos recursos. A denúncia partiu da Funasa, a Fundação Nacional de Saúde, por causa de um recurso do Fundo Nacional de Saúde utilizado indevidamente. Ao término de sua gestão, em entrevista ao jornal O Liberal, Luiz Acácio Centeno Cordeiro, embora sem citá-lo nominalmente, foi contundente em relação a Maneschy. Ele declarou, com todas as letras, que a primeira meta a cumprir, ao tornar-se diretor executivo da Fadesp, foi resgatar a credibilidade da fundação, ao recuperá-la financeiramente.
Deslumbrando com as pompas e circunstâncias do poder, o que de mais notável Carlos Maneschy produziu, à frente da Fadesp, foi um patético triângulo amoroso, com lances dignos de folhetim brega. De resto, coincide com sua gestão a ascensão de uma troika que deu o que falar, formada pela gerente administrativa, Eliana Alzira Levy Fernandes; o coordenador de Prestação de Contas da época, Carlos Alberto Tabosa da Silva; e o coordenador de Informática, Walter Oliveira Junior, protagonista de uma gafe hilária, que entrou para o folclore da incompetência que prospera em setores da UFPA. Quando a folha de pagamento da fundação sumiu, em um eventual colapso do sistema de informática, descobriu-se que ele não tomava a mais elementar precaução, que era fazer o becap. Os três - Eliana Alzira Levy Fernandes, Carlos Alberto Tabosa da Silva e Walter Oliveira Junior – estiveram uma época sob a mira da Polícia Federal, diante de indícios de envolvimento em um esquema criminoso destinado a desviar recursos de convênios.

A despeito da sua polêmica administração na Fadesp, Carlos Maneschy seguiu impune, na esteira do corporativismo que medra com vigor na UFPA. Restou o eventual constrangimento de ter sua probidade publicamente questionada. Por conta de suas estripulias na Fadesp, atribuiu-se a recalcitrância no governo Lula em nomeá-lo reitor, apesar de ter vencido na eleição direta - por pequena margem de votos - a professora Regina Feio, candidata do ex-reitor Alex Fiúza de Mello. Maneschy obteve o segundo mandato, como reitor, como candidato único.

SANTA CASA – Servidores anunciam greve e denunciam arrocho, empreguismo e sucateamento

Protesto de servidores diante da Santa Casa de Misericórdia do Pará.

“Durante a greve os servidores vão desmentir a falácia do governador Simão Jatene e mostrar as reais condições da atual administração daquele órgão, em flagrante comprometimento com a politicagem de empreguismo público e distribuição graciosa de plantões e/ou cargos DAS; tanto que, todos os dias é grande o fluxo de entrada e saída de carros que vão levar os apaniguados do PSDB para a única tarefa que lhes cabe: bater o ponto e voltar para o carro.”

Esta é a promessa das lideranças que articulam a greve dos servidores da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, definida por, estimativamente, 40% da categoria, em assembleias gerais realizadas em todos os turnos de trabalho, das quais resultou a decisão de deflagrar a paralisação a partir da próxima segunda-feira, 30. Dentre outras denúncias, que incluem o sucateamento da instituição e o empreguismo, os servidores destacam a “imoralidade política” do governador Simão Jatene, ao reduzir a remuneração dos trabalhadores da Santa Casa, o que atinge “um adicional que há décadas é pago”, a Gratificação de Desempenho Individual,  e que “pela lei deveria ser de 20% ou 40%”, mas que o governo estadual limitou a 10%. “Se os servidores resolvessem cobrar na Justiça o retroativo da diferença de 10 ou 30%, certamente o desembargador Constantino Guerreiro (presidente do TJPA) iria se posicionar contra, por conveniência de ter duas filhas ocupando graciosamente cargos DAS-6 na governadoria do Estado”, acrescentam os servidores.

SANTA CASA – “Estelionato midiático”

Jatene: sob ácidas críticas pelo arrocho e pelo estelionato midiático.

“A Santa Casa é um reflexo do governo Simão Jatene, cujo estelionato midiático convenceu muitos, por muito tempo”, disparam as lideranças dos servidores da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. “De que adianta um doente de câncer ser internado em um hospital novo e bonito, e lá não ter nenhum medicamento especial para lhe oferecerem”, observam. “Ele volta para casa triste, profundamente abatido, sabendo que o prognóstico é o pior possível: a morte”, acrescentam.

Os servidores sublinham , em tom de inocultável indignação, o caráter deletério da propaganda veiculada pelo governo Simão Jatene. “O governador gastou centenas de milhões de reais com propaganda, com agência publicitária, tão-somente para colher dividendos políticos, não interessando se os pacientes vão morrer por falta de recursos especializados e de medicamentos”, arrematam.

MATANÇA – MPF cobra proteção para lideranças em áreas de conflito no Pará



Nada mais ilustrativo sobre o sucateamento da segurança pública no Pará e da indiferença dos inquilinos do poder diante da incessante matança registrada na esteira de conflitos agrários. Assim pode ser resumida a iniciativa do Ministério Público Federal, ao ajuizar uma ação civil pública contra a União e o Estado do Pará para que implementem medidas efetivfamente capazes de proteger os defensores de direitos humanos ameaçados no Pará. O pedido urgente é para evitar assassinatos de lideranças ameaçadas em áreas de conflito no estado, segundo notícia do portal G1/Pará. Entre 1985 e 2013, o Pará  registrou 645 mortes por conflitos no campo, segundo a CPT, a Comissão Pastoral da Terra. Ainda segundo a CPT, o número é quase cinco vezes maior que o registrado pelo segundo estado no ranking de assassinatos por questões fundiárias, o Maranhão, com 138 casos no mesmo período

A ação, apresentada na Justiça Federal em Itaituba, sudoeste do Pará, pede que sejam asseguradas escoltas e rondas policiais, além de atendimento à saúde, psicológico e jurídico para os ameaçados, acrescenta o G1/Pará. Segundo o MPF, as lideranças ameaçadas deveriam ter sido incluídas no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, criado em 2004 pela presidência da República, mas não há estrutura mínima para efetivar a proteção dessas pessoas.O programa deveria ter uma delegacia especializada para a segurança pessoal dos ameaçados e para a investigação dos crimes relacionados e atendimento psicológico especializado, porém, nada disso existe”, acentua ainda notícia.

domingo, 22 de novembro de 2015

MÍDIA – O toma-lá-dá-cá das concessões


MÍDIA – MPF quer cassar concessões de rádio e TV de 40 congressistas, revela a Folha de S. Paulo

Jader e Elcione: dentre os beneficiários da mamata das concessões.

Segundo a Folha de S. Paulo, o Ministério Público Federal deverá desencadear ações, por meio de suas sedes estaduais, contra 32 deputados federais e oito senadores que figuram nos registros oficiais como sócios de emissoras de rádio ou TV pelo País. Com base no artigo 54 da Constituição Federal, que proíbe congressistas de “firmar ou manter contrato com empresa concessionária de serviço público”, a Procuradoria Geral da República pedirá a suspensão das concessões e condenação que obrigue a União a licitar novamente o serviço e se abster de conceder novas outorgas aos citados, acrescenta a notícia.
Se confirmada, a iniciativa investe contra uma das mais escandalosas práticas da política brasileira, que afronta a lei e o decoro, que é o tráfico de influência nas concessões de rádio e TV, tradicionalmente utilizadas como instrumento de barganha política. Não por acaso, como cita a Folha de S. Paulo, entre os alvos da iniciativa inédita - lançada com aval do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e coautoria do Coletivo Intervozes -, figuram alguns dos mais influentes políticos do país, como os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, Edison Lobão (PMDB-MA), José Agripino Maia (DEM-RN), Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Na Câmara, devem ser citados deputados como Sarney Filho (PV-MA), Elcione Barbalho (PMDB-PA), ex-mulher de Jader Barbalho e mãe do ministro dos Portos, Helder Barbalho, Rodrigo de Castro (PSDB-MG) e Rubens Bueno (PR), líder do PPS na Casa.

Segundo ainda revela a Folha de S. Paulo, dos 40 congressistas que constam como sócios de rádios ou TVs, sete creem que a legislação permite esse tipo de participação, desde que eles não exerçam funções administrativas nas emissoras. Essa opinião, acrescenta o jornal, foi manifestada por Baleia Rossi (PMDB-SP), Fernando Collor (PTB-AL), Gonzaga Patriota (PSB-PE), João Henrique Caldas (SD-AL), João Rodrigues (PSD-SC), Ricardo Barros (PR-PR) e Victor Mendes (PV-MA). "O ordenamento jurídico permite [ser sócio]. Não exercendo direção, não há vedamento legal", declarou João Henrique Caldas.

MÍDIA – Nuances da liberdade


MURAL – Queixas & Denúncias


OUTROS 400 – A proposta de um jornalismo como contraponto à versão oficial dos inquilinos do poder

Equipe do portal Outros 400: sempre na contramão da versão oficial.

“Nossa proposta é um contraponto à narrativa oficial.” Feita em nome do coletivo, esta é a definição da equipe de jovens profissionais envolvidos na empreitada sobre os princípios editoriais que balizam o Outros 400, o portal de jornalismo paraense que acaba de ser lançado e cujo endereço eletrônico é http://www.outros400.com.br/ . Todos muito jovens, entre 24 e 30 anos, e descritos como "de aguçado senso crítico", da equipe fazem parte Abílio Dantas, jornalista; Fernanda Martins, jornalista; Gustavo Dutra, jornalista; Herôn Victor, publicitário; Jeijy Okada, publicitário; João Cunha, jornalista; Kamilla Santos, jornalista; Kleiton Silva, jornalista; Marri Smith, publicitária; Moisés Sarraf, jornalista; Rafael Monteiro, publicitário; e Yasmin Uchôa, jornalista. “Começamos a refletir a partir da compreensão de que a História é uma construção social. E que, em momentos marcantes, como o aniversário de 400 anos de Belém, acontecem grandes apropriações políticas dos fatos passados. Nesse sentido, partimos à reflexão dessa história”, pontuam, pontuam, ao explicar a ideia básica que inspirou o surgimento do portal, cuja página no Facebook pode ser acessada pelo link https://www.facebook.com/Outros400/ . A primeira reportagem do portal, intitulada “Um risco, um pixo e um grafite”, pode ser acessada pelo link http://www.outros400.hostbelem.com.br/especiais/3594 .

A expectativa imediata, esclarece o grupo, é estimular o contraditório, inclusive revisitando a História, ao focar os fatos à margem da versão oficial e revelando a face sombria de personagens incensados nos relatos consagrados pelo status quo. “Achamos que o debate no espaço público está minguado, com poucas vozes destoantes”, acentuam. “É por isso que governos impõem suas decisões sem debate, participação, sem atender aos interesses da população”, sentenciam, com aquela pitada convicção pétrea de quem utiliza as palavras para expressar seu pensamento e não para escamoteá-lo. A mesma convicção que revelam ao contestar, com o ousado destemor da juventude, um dos princípios cultivados pela mídia tradicional, pelo menos para consumo externo: a imparcialidade. “Entendemos a imparcialidade como mito”, antecipam. .”E basta olhar com clareza. A história da imprensa mostra isso”, sublinham. “Fatos são o sólido e a interpretação é que deveria variar. Mas mesmo fatos, hoje, são destoados, distorcidos pelos veículos de comunicação”, acrescentam, para em seguida detalharem a ambição que permeia o lançamento do portal Outros 400: “Além de uma nova interpretação, partimos de uma interpretação dos fatos voltados para o interesse real da população. Há o emergir de novos movimentos em Belém, desde a comunicação às artes. E acreditamos fazer parte desse movimento no campo da imprensa.”

OUTROS 400 – Estratégia de marketing

O kit: estratégia que aguçou a curiosidade sobre o portal Outros 400.

Não convém duvidar, a priori, da criatividade da equipe do portal Outros 400. O lançamento do portal foi precedido pelo envio a um elenco de profissionais de um kit que despertou a curiosidade dos destinatários. O kit, em uma elegante caixa de papelão, com um adesivo com a logomarca do portal, incluía um cartão postal, um paper toy e uma essência perfumada, dessas encontradas no Ver-o-Peso, com a etiqueta com a inscrição “Perfume Outros 400”.
O cartão postal, em cujo verso figura um flagrante aerofotogramétrico de parte de Belém, traz no reverso o seguinte texto, subscrito por “Daqueles que também acreditam noutra cidade”:

“Querido belenense,

“Olhando as fotos da tua cidade, ouvindo os discursos sobre tuas ruas e praças, discutindo teus problemas, foi inevitável não imaginar outra cidade às vésperas do teu aniversário de 400 anos. Não aquela Belém da Belle Époque em que apenas a elite podia usufruir da riqueza da cidade. Também não é a cidade do ‘já teve’. Tampouco uma cidade erguida sob o regime da escravidão indígena e africana. Outra! Uma cidade onde massacres não enlutam famílias e que o trânsito não nos mata um pouco a cada dia. Uma outra cidade que, a bem da verdade, não existe. Talvez nunca tenha existido  Mas a de ser. Por isso te mandamos este postal: diga-nos o que há de ter numa outra Belém. Conte ao mundo! O que é a outra Belém para você?

“Daqueles que também acreditam noutra cidade”

“PS.: Ah, mandamos também um perfume lá do Ver-o-Peso pra afastar o mau olhado e esse presente pra ti. Porque a gente sabe que essa nova cidade só se constrói se tu estiveres com a gente.

#Outros400

O kit surtiu o efeito desejado, ao despertar a curiosidade sobre o portal lançado posteriormente.


OUTROS 400 - “Não é uma ideia nova, é apenas a função da imprensa, que queremos empunhar”

Foto P&B de Kleiton Silva: dentro do padrão de ousadia do blog.

Apesar da ousadia própria da juventude, a equipe do portal Outros 400 não sucumbe a tentação do êxtase improdutivo da vaidade, irmã siamesa do cabotinismo. “Não é uma ideia nova, é apenas a função da imprensa, mas que queremos empunhar”, observam. “É observando os vícios da imprensa atual que buscamos a construção de nossa linha editorial, que não é um processo acabado, mas que se faz todo o dia”, destacam os profissionais envolvidos no projeto, declarando-se equidistantes da disputa, comercial e política, travada entre os dois grandes grupos de comunicação do Pará, das famílias Maiorana e Barbalho. “Queremos ficar distantes das disputas familiares e de interesses econômicos dos dois grupos hegemônicos da comunicação em Belém”, enfatizam. Mais que isso, a preocupação é ousar, sempre na perspectiva de explorar as possibilidades de alcançar o exercício do bom jornalismo. “Queremos, ainda, experimentar na linguagem, no texto e na foto. É notório o cansaço do texto jornalístico, chato, padronizado, monótono. Queremos experimentar elementos da crônica, elementos do artigo, buscar o interesse do leitor. Que nosso estilo seja também um ponto a se diferenciar. Na fotografia, veiculamos uma reportagem toda com fotos em preto e branco. Qual jornal faz isso? Parece simples, mas não se faz. Queremos explorar as possibilidades da forma para um bom jornalismo”, resume o grupo de jovens profissionais que fazem o portal Outros 400, na entrevista abaixo, concedida ao Blog do Barata.

Como surgiu a ideia do portal e como vocês conseguiram viabilizá-la, diante dos custos e da disponibilidade que implementá-la previsivelmente exige?

Partimos de três eixos: condições de trabalho do profissional da comunicação, espaço no mercado e demanda social. Os atuais veículos de comunicação simplesmente sugam o profissional com altas cargas de trabalho, baixa remuneração e pouquíssima participação na linha editorial. Queremos reverter esse quadro.
Vimos, também, que há um público cada vez mais crescente que não se interessa pelos antigos formatos dos jornalões e mesmo de seus sites. Um público mais exigente com relação às demandas sociais que ganham mais destaque, como a questão da mulher e do negro na sociedade. Ou seja, há um espaço no mercado. E, por fim, queríamos reavivar a função do comunicador como um profissional que tem muito a contribuir à sociedade, nos variados campos.
Os custos se mostraram como maior desafio. Se os empreendedores não se mostram muito voltados para a criação de novos formatos de comunicação, foi imprescindível que os próprios jornalistas e publicitários se apropriassem dessas ferramentas, como planejamento e gestão. Então, nos voltamos para a compreensão de tais ferramentas, trabalhando sempre com dois eixos: baixo custo e criatividade.

Qual a proposta basilar do Outros 400 e quais as perspectivas que vocês vislumbram para ele, em uma Belém na qual o novo e o velho convivem conflitivamente e o status quo costuma reagir com inocultável reserva a tudo que foge aos padrões estabelecidos?

Começamos a refletir a partir da compreensão de que a História é uma construção social. E que, em momentos marcantes, como o aniversário de 400 anos de Belém, acontecem grandes apropriações políticas dos fatos passados. Nesse sentido, partimos à reflexão dessa história. A Cabanagem, por exemplo, foi objeto de disputa de vários governos, desde o século XIX até a ressignificação dada pela gestão Jader Barbalho e, depois, Edmilson Rodrigues. Entendemos que temos uma função política que perpassa pela rediscussão do passado. Por que Francisco Caldeira Castelo Branco, o colonizador e genocida, é nome de comenda, e Guaimiaba, o indígena resistente, não?
Nossa proposta é um contraponto à narrativa oficial. Achamos que o debate no espaço público está minguado, com poucas vozes destoantes. É por isso que governos impõem suas decisões sem debate, participação, sem atender aos interesses da população. Isto está claro em Belém: o trânsito e o transporte público são uma afronta diária, nosso hospital de urgência e emergência pegou fogo! O Festival de Ópera é de um elitismo tamanho, realizado por uma elite que ainda acredita estar na Belle Époque, louvando aquele tempo, sem ponderar a exclusão social que o ciclo da borracha representou. Não que a ópera não seja uma manifestação relevante, mas se torna um problema quando o investimento público não se estende a outras manifestações culturais. O que há para o carimbó, por exemplo? É nesse sentido que vamos buscar o contraditório, o debate amplo de ideias, contraposição de argumentos. Ou seja, não é uma ideia nova, é apenas a função da imprensa, mas que queremos empunhar novamente.

Qual o tipo de jornalismo que vocês pretendem implementar e no que ele se diferencia daquele que é praticado pela mídia tradicional?

Juntando ao que dissemos acima, pretendemos vários pontos. Com relação à linha editorial, queremos criar uma narrativa realmente relevante, sem se curvar de maneira imoral ao interesse do público. O caso Joelma e Chimbinha, por exemplo, notoriamente uma questão de foro íntimo, virou manchete, local em nacionalmente. Esse tipo de objeto não é matéria do nosso portal, a não ser que seja para problematizar esse tipo de postura jornalística “caça cliques”, sem se importar com a relevância real dessa informação para a sociedade, além de expor a vida íntima de um casal. Não podemos ir a uma coletiva de imprensa do Estado apenas para reproduzir o que lá fora dito, mas sim contestar efetivamente os informes estatais. Queremos ficar distantes das disputas familiares e de interesses econômicos dos dois grupos hegemônicos da comunicação em Belém. Nada de fotos de suspeitos de crimes, nada de exposição de pessoas desnecessariamente. Essas pessoas têm vidas, identidades, e não podem ser apenas expostas apenas para a obtenção de leitores e cliques. É observando os vícios da imprensa atual que buscamos a construção de nossa linha editorial, que não é um processo acabado, mas que se faz todo o dia.
Queremos, ainda, experimentar na linguagem, no texto e na foto. É notório o cansaço do texto jornalístico, chato, padronizado, monótono. Queremos experimentar elementos da crônica, elementos do artigo, buscar o interesse do leitor. Que nosso estilo seja também um ponto a se diferenciar. Na fotografia, veiculamos uma reportagem toda com fotos em preto e branco. Qual jornal faz isso? Parece simples, mas não se faz. Queremos explorar as possibilidades da forma para um bom jornalismo.

Na página do portal no Facebook está escrito que vocês abdicam da preocupação da pretensa parcialidade. Isto significa que vocês partem da premissa que o mais relevante é a independência e o respeito aos fatos, na perspectiva de que as interpretações são livres, mas os fatos são sagrados?

Entendemos a parcialidade como mito. E basta olhar com clareza. A história da imprensa mostra isso, desde Patroni até a fundação do Diário do Pará. Nove pessoas morreram numa chacina no ano passado em Belém. A diferença é que a imprensa deixou o governo do Estado construir uma narrativa de que o problema foi o compartilhamento indiscriminado de informações nas redes sociais. E não o problema óbvio: nove mortes sem explicação real. Pessoas sem envolvimento com crimes, e, mesmo que tivessem, nunca poderiam ser executadas. Fatos são o sólido e a interpretação é que deveria variar. Mas mesmo fatos, hoje, são destoados, distorcidos pelos veículos de comunicação. Além de uma nova interpretação, partimos de uma interpretação dos fatos voltados para o interesse real da população. Há o emergir de novos movimentos em Belém, desde a comunicação às artes. E acreditamos fazer parte desse movimento no campo da imprensa.

Buscamos uma gestão horizontal, em que todos possam opinar sobre nossa pauta e nossas formas de comunicar, prática que não se vê atualmente nas redações. Dentre os jornalistas, revezamos as funções de produtor, repórter e editor, buscando dar participação em todas as fases da produção da notícia, sem que isso se transforme em sobrecarga de trabalho. No campo do marketing, não só os publicitários conduzem, mas também os jornalistas. Jornalistas e publicitários trabalham em conjunto, compartilhando experiências e técnicas, para a construção de uma imprensa democrática, sem a hierarquia do patrão e empregado, que já se demonstrou insuficiente para um jornalismo sólido. 

OUTROS 400 – O manifesto de lançamento



Com um quê de irreverência e ironia, intitula-se “O canto do urubu” o manifesto de lançamento do Outros 400, disponibilizado na página do portal e abaixo transcrito:

O CANTO DO URUBU

Modernizar o passado é uma evolução musical
Chico Science

A CIDADE

É um balé, um bando de famintos. São sobreviventes de asas negras pairando sobre as feiras. Sobre as ruas. Sobre os canais. O Coragyps atratus, o urubu-de-cabeça-preta, segue sua busca diária por comida com os olhos atentos entre os becos e absurdos de Belém do Pará. Não conhece nem o nome nem as farsas que sobre ela os homens contam. O que sabe é o que vê a quase três mil metros de distância. O que sabe são os cheiros pescados por seu faro apurado. Desliza nos ventos, quase boia, como crianças em igarapés. E de lá viu e vê histórias.

De lá pôde ver comandantes europeus amarrando indígenas em bocas de canhões, tal como vê os homens de farda de hoje ameaçando a periferia e exigindo propinas de pequenos comerciantes. De lá viu abrirem-se grandes avenidas e serem expulsas famílias inteiras para as margens, tal como vê agora as mulheres esgueirando-se na calçada por medo de assédio e violência. Ainda.

Ele paira e sente a certeza da insegurança dos que vão lá embaixo. Observa calmamente. E, embora não tenha órgão vocal, crocita, solta barulhos estranhos. Algo semelhante a um grito. Talvez um novo tipo de canto. De esperança?

A INFORMAÇÃO

O ano em que chegamos ao quarto centenário de Belém não pode tornar-se uma vitrine para que, mais uma vez, uma história de genocídios e exclusão social seja escondida e naturalizada. Ou pior: convertida em algo merecedor de louvores, sendo assim também ocultadora da situação real de nosso presente.

Torna-se inaceitável que desconheçamos, por exemplo, quem foram os representantes da dominação europeia que hoje dão nome à comendas entregues pela Prefeitura Municipal. Que aceitemos a alcunha de “cidade morena”, sem questionarmos o quanto de preconceito e discriminação à mulher negra amazônica ela carrega. É inadmissível que recebamos calados notícias que tratam com louros e confetes a trajetória de políticos e padres que foram representantes máximos da ditadura militar no Estado do Pará, tendo em vista o papel desempenhado pelo regime. Qualquer discurso alinhado com este comportamento deve ser exposto com clareza. E discutido.

Junto à visão dos urubus devemos alinhar nosso olhar. Compreender o porquê de alguns receberem a carcaça no chão e, outros, o prato com o filé. Buscar as narrativas dos passos nas vias sem asfalto, nos portos sem condição de trabalho, nas vilas onde ainda é uma realidade sentar-se à porta de casa e observar a vida, mesmo com receio. É preciso apurar os sentidos. Distinguir o que para uns é canto e para outros é grito. O que para uns, grafite, para outros, pixo. Olhar de frente para o futuro, para o presente e para passado. 

OUTROS PORTAIS

É urgente, portanto, a criação e fortalecimento de novos espaços de crítica e discussão. Locais de produção de comunicação que não se furtem à experimentação e ao posicionamento de ideias. E que sejam capazes de receber de asas abertas o contraditório, sempre primando pelo debate franco e respeitoso. Nos últimos anos, Belém vem dando cria e vazão a uma série de iniciativas e movimentos  que chamam para si a necessidade de construção de uma outra cidade. Acreditamos que estes voos devem ser estimulados e multiplicados. Em nome de uma cidade onde os solares recebam a luz do sol, e não a poeira do descaso. Onde as chacinas não sejam tragédias anunciadas para a maioria da população. Um lugar onde outra história imponha sua força com eficácia e seriedade. E logo. #Outros400.


OUTROS 400 – A proposta editorial



Ao expor sua proposta editorial, o portal Outros 400 assinala a preocupação com “os fatos e criações (livros, filmes, shows) referentes aos 400 anos de Belém, o fomento do debate público sobre os rumos da cidade em todos seus aspectos”. Isso, como é sublinhado, sob uma premissa: “Somos parciais”. O que o portal trata logo de esclarecer: “Não acreditamos no mito da imparcialidade do jornalismo. Jornalismo é parcial: queremos discutir outra Belém, pautada pelo interesse público.” Isso sob uma perspectiva muito clara: “Espírito crítico é desconstruir verdades tidas como absolutas em Belém e na Amazônia, contribuindo para a construção de uma comunicação como uma ferramenta para a emancipação social.”
Em seguida, a transcrição dos “Princípios editoriais” do portal, alinhados na página do Outros 400:

Princípios editoriais

O portal Outros 400 é um espaço virtual de produção de notícias e conteúdos de comunicação. São o seu foco de atuação os fatos e criações (livros, filmes, shows) referentes aos 400 anos de Belém, o fomento do debate público sobre os rumos da cidade em todos seus aspectos: políticos, ambientais e culturais, e abordagens da história de nossa capital a partir de uma visão crítica da realidade. 

Parcialidade

Somos parciais. Nossas reportagens não vão mostrar apenas o “outro lado”. Mas os vários lados e facetas da sociedade. Não acreditamos no mito da imparcialidade do jornalismo. Jornalismo é parcial: queremos discutir outra Belém pautada pelo interesse público.

Diversidade

Mais que respeito à diversidade, levantamos as diferenças como bandeira. Vamos colocar em pauta grupos e povos que vem historicamente sendo marginalizados: mulheres, negros, indígenas, ribeirinhos, homossexuais e tantos outros grupamentos que são silenciados diariamente.

Espírito crítico

A cada frase publicada e a cada manchete redigida, vamos procurar a origem dos seus significados. Espírito crítico é desconstruir verdades tidas como absolutas em Belém e na Amazônia, contribuindo para a construção de uma comunicação como uma ferramenta para a emancipação social.


Outros 400 – A equipe

Abílio Dantas, jornalista.

Fernanda Martins, jornalista.
Gustavo Dutra, jornalista.

Herôn Victor, publicitário.
Heijy Okada, publicitário.
João  Cunha, jornalista.
Kamilla Santos, jornalista.
Kleyton Silva, jornalista.
Marri Smith, publicitária.
Moisés Sarraf, jornalista.
Rafael Monteiro, publicitário.
Yasmim Uchôa, jornalista. 

sábado, 21 de novembro de 2015

SEGURANÇA PÚBLICA - Caos institucionalizado


SEGURANÇA – Depois das chacinas de Belém e Icoaraci, matança indiscriminada em Altamira


Sob a letargia do governador tucano Simão Jatene, responsável direto pelo sacateamento da segurança pública, e a omissão, no limite da cumplicidade, do Ministério Público Estadual, graciosamente preocupado com o horário de funcionamento de bares, restaurantes e similares, a escalada da criminalidade no Pará tem um novo e trágico capítulo.
Depois das chacinas de Icoaraci e de Belém, a sociedade paraense se depara, estupefata, com uma nova matança indiscriminada, agora em Altamira, onde, ao assassinato do cabo PM Anderson Martins de Holanda, seguiu-se a morte, com características de execução, de sete pessoas. Segundo o noticiário do G1/Pará, o cabo, que deixou mulher e três filhos, foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto na última quarta, 18. A notícia acrescenta que ele é o quarto policial assassinado em Altamira nos últimos três meses, três dos quais estavam de folga quando foram mortos. As sete mortes ocorridas após o assassinato do cabo PM Anderson Martins de Holanda aconteceram em uma mesma noite, em nove locais distintos da periferia de Altamira. Aos sete mortos, com características de execução, somam-se seis pessoas baleadas, uma delas em estado grave, ainda de acordo com o G!/Pará.
Os assassinatos de PMs, sucedidos por matanças indiscriminadas inevitavelmente associadas à própria Polícia Militar, ilustra o descalabro ao qual estamos todos expostos. Institucionalizou-se as barbárie, na esteira do sucateamento da segurança pública e da falência das instituições no Pará, com ênfase nos poderes Executivo, Legislativo me Judiciário, devidamente coadjuvados pelo Ministério Público Estadual, refém de conveniências escusas que alimentam o pacto de silêncio conivente dos inquilinos do poder.

Triste Pará, terra sem lei!

DESEMPREGO – Trágico know-how


MURAL – Queixas & Denúncias


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17 de nov de 2015


17 de nov de 2015



LILLIAN WITTE FIBE * – Nunca antes na história deste deste País se demitiu tanta gente



Que pena. O que será que a presidente Dilma tem a dizer sobre isso?
Não bastasse o desemprego ter saltado de 4,7% em outubro do ano passado) para 7,9% (outubro deste ano),  conforme número divulgado ontem pelo IBGE, o Ministério do Trabalho soltou hoje estatísticas sobre o encolhimento dos empregos formais.
Os cortes de vagas mais do que quintuplicaram de um outubro pra outro.
Em 2014, o mês já não foi nenhuma maravilha. Foram cortadas mais de 30 mil vagas.
Mas agora em 2015 foram fechadas 169.131 vagas. Só em outubro.
Ao contrário do IBGE, que mede também a atividade da economia informal, os números do Ministério do Trabalho são levantados através do cadastro geral de empregados e desempregados formais, isto é, daqueles regidos pela CLT. E abrangem os trabalhadores que, quando registrados, têm acesso a fundo de garantia, hora extra, seguro desemprego, férias, décimo terceiro e aviso prévio.
E o que se vê de novo hoje é que a presidente Dilma vai batendo um recorde atrás do outro.
Agora, conseguiu bater o Plano Real, que tem 21 anos.
A pesquisa sobre o emprego formal começou a ser feita há 23 anos, dois antes do lançamento do Plano Real, isto é, em 1992.
O PT, ou o ex-presidente Lula, que cravou o bordão, já podem dizer de novo o famoso: “nunca antes na história deste país”.
Nunca antes se demitiu tanta gente quanto agora

* Lillian Witte Fibe é jornalista e mantém o site Lillian Witte Fibe #Assimnãodá (http://lillianwittefibe.com/ ).

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

SAÚDE PÚBLICA – Colapso letal


MURAL – Queixas & Denúncias


SAÚDE – Grave, denúncia aponta desvio de recursos para alimentar caixa dois nas eleições de 2016



É grave, muito grave, e por isso exige a apuração pelo Ministério Público, Estadual e Federal, a denúncia sobre a suposta utilização da terceirização como ardil para maquiar o desvio de recursos da saúde pública para um caixa dois pelo governo Simão Jatene, mirando na reeleição do prefeito de Belém, o tucano Zenaldo Coutinho, do PSDB, mesma legenda do governador. Previsivelmente anônima, diante dos riscos de retaliação, a denúncia foi feita ao Blog do Barata, em comentário anônimo a propósito da falta de medicamentos indispensáveis para o tratamento de crianças com câncer internadas no Hospital Ophir Loyola.

A falta de medicamentos necessários ao tratamento dos seus filhos ensejou um protesto de mães de crianças com câncer, que interditaram a avenida Magalhães Barata, em frente ao Hospital Ophir Loyola, na tarde desta última quinta-feira, 19. Em entrevista a TV Liberal, afiliada da TV Globo, uma das mães, cujo filho pequeno está em tratamento contra o câncer há três anos, revelou que a falta de remédios é recorrente. “Espero por uma solução. Do contrário, meu filho será mais um número na estatísticas de mortos do Ophir Loyola”, desabafou.

SAÚDE – Estelionato midiático



A denúncia sobre a falta de medicamentos indispensáveis ao tratamento de crianças com câncer, no Hospital Ophir Loyola, ocorre pouco mais de um mês depois do governador Simão Jatene inaugurar com pompas e circunstâncias, acompanhado de um séquito de apaniguados e áulicos, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, mesmo sem que este estivesse apto a entrar em atividade. O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, diga-se, não dispõe sequer de lavanderia própria e deverá utilizar a do Ophir Loyola.

A situação torna pertinente a observação do autor da denúncia anônima feita ao Blog do Barata. “A suspensão da compra de medicamentos para leucemia é uma entre muitas tragédias do governo Simão Jatene; o que há de diferente é a tardia, porém louvável, reação de intolerância das partes atingidas”, salienta a denúncia. “Resta saber se a maioria da população vai precisar 'dar com a cara no chão' para descobrir o estelionato eleitoral produzido por mestres na arte da comunicação”, acrescenta.

SAÚDE – Cortes cevam supersalários



Segundo ainda a denúncia feita ao Blog do Barata, os cortes de vantagens das quais usufruía o conjunto de servidores públicos da saúde pública, como direitos arduamente conquistados pela categoria, servem também para cevar os contracheques das cabeças coroadas da tucanalha, a banda podre do PSDB, que se confunde com o governo Simão Jatene. Em alguns casos, acentua a denúncia, há “médicos que exercem postos de influencia nas unidades hospitalares da saúde” beneficiados com “remuneração por trabalho extra não testemunhado por ninguém - nem mesmo pelas câmeras de segurança”.

Servidores públicos tem descoberto que os 'cortes' incidentes sobre vantagens e direitos duramente conquistados pelos servidores atendem uma distribuição generosa/graciosa de supersalários entre médicos que exercem postos de influencia nas unidades hospitalares da saúde; alguns recebendo remuneração por trabalho extra não testemunhado por ninguém - nem mesmo pelas câmeras de segurança”, sublinha a denúncia.

SAÚDE – Ardil para bancar caixa dois



O mais grave, na denúncia, aponta para a utilização dos recursos subtraídos dos servidores da saúde pública para alimentar empresas terceirizadas comprometidas em financiar o caixa dois da campanha pela reeleição do prefeito de Belém, o tucano Zenaldo Coutinho, protagonista de uma administração pífia. “Com isso, Simão Jatene vai reeditando Almir Gabriel, que empobreceu o funcionalismo público da administração direta, com cortes drásticos e ilegais, para derramar dinheiro sobre as terceirizadas - incluindo as do seu testa-deferro, Chico Ferreira, e do filho Marcelo Gabriel”, fulmina a denúncia.

De resto, a denúncia finaliza com o aceno a uma greve dos servidores públicos nesta próxima semana. “É contra a total falta de probidade na saúde pública que servidores deverão entrar em greve na próxima semana”, arremata.

SEGURANÇA – Qual o plano do Ministério Público para reprimir os pontos de vendas de drogas?



Como perguntar não ofende, aguarda resposta, por quem de direito, a indagação: qual, afinal, o Plano do Ministério Público Estadual para reprimir os pontos de vendas de drogas?
Esta, obviamente, é a pergunta que não quer calar. Afinal, se o Grupo de Trabalho de Segurança Pública do MPE consumiu três meses debruçado sobre o problema da escalada da criminalidade em Belém, é lícito supor que tenha produzido propostas mais consistentes que a de limitar o horário de funcionamento dos bares, restaurantes e similares.
O epicentro da escalada da criminalidade passa pelo sucateamento da segurança pública e é potencializado pela disseminação das drogas, cujos pontos de venda vão da periferia até os mais nobres endereços, incluindo um tradicional colégio dos filhos da elite de Belém.
Do contrário, é inevitável concluir que a ideia de jerico apresentada ou é produto da estultícia, ou fruto de delírio provocado por beberagem de Santo Daime.

Afinal, a proposta do MPE pune justamente as vítimas em potencial da violência – o cidadão de bem, que trabalha e diverte-se, quando pode. A bandidagem, que espalha a violência e ceifa vidas, permanecerá livre, leve e solta.

SEGURANÇA – Coletes também para a população!



O leque de lambanças recentes do Ministério Público Estadual, recorrentemente omisso diante do sucateamento da segurança pública no Pará, não se esgota na proposta do Ministério Público Estadual de limitar o horário de bares, restaurantes e similares. Há também a proposta de que os PMs passem a utilizar colete à prova de balas mesmo de folga.
A proposta é objeto de fina ironia de Heber Gueiros. Em comentário a propósito do episódio, ele recorda, cáustico, que tanto quanto os PMs, a população também está à mercê da escalada da criminalidade – sem dispor de coletes à prova de bala.
Abaixo, a crítica, ácida e irônica, de Heber Gueiros:

“Barata, já viste a nova do MP?
“O Ministério Público Militar espera que os policiais militares paraenses usem o colete à prova de balas mesmo quando estiverem de folga. A medida foi a maneira encontrada pelo Ministério Público para diminuir o número de mortes de policiais militares.

“Os policiais militares, aguardam agora a distribuição de coletes para toda a população do Estado, já que não são apenas os policiais que se tornam vítimas da violência.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

MARIANA – Vale de cinismo


HOL – Enquanto o MPE se preocupa com bares, faltam medicamentos para crianças com câncer

Protesto de pais e mães de crianças com câncer em frente ao HOL.

Ao invés de se preocupar com o horário de funcionamento de bares, restaurantes e similares, a pretexto de conter a escalada da violência - sem nenhuma proposta de efetivo combate às causas da criminalidade -, o Ministério Público Estadual poderia priorizar medidas para tentar reverter o sucateamento da saúde pública pelo governo Simão Jatene. Pais e mães de crianças com câncer reclamam, por exemplo, da falta de medicamentos no Hospital Ophir Loyola.

Ainda na tarde desta quinta-feira, como noticia o Diário Online,  um grupo de mães e pais de crianças que fazem tratamento contra o câncer interditaram a avenida Magalhães Barata, em frente ao Hospital Ophir Loyola, em protesto contra a falta de medicamentos indispensáveis ao tratamento dos filhos. A pista só foi liberada após a direção do hospital garantir, em documento, o fornecimentode alguns dos medicamentos em falta.