sexta-feira, 3 de junho de 2016

UFPA – “Nos propomos a discutir a universidade, sem fisiologismos e demagogias”, assinala, enfático, Weyl

Weyl: "O grupo que represento discorda dos rumos tomados pela UFPA".

“Penso que nosso grupo tem como premissa a necessidade de recuperar na universidade a capacidade de se autodiscutir. A UFPA perdeu essa prática, não se debate mais a universidade, o próprio processo eleitoral atual demonstra que boa parte da comunidade universitária desaprendeu a debater os rumos da maior instituição de ensino e de pesquisa da Amazônia. O grupo que represento discorda dos rumos tomados pela UFPA, não só da ausência de diálogo, mas da transparência da gestão. Nossa força está justamente porque nos propomos a discutir a fundo a universidade, sem fisiologismos e demagogias. Nossa fraqueza talvez resida no fato de que lutamos contra um certo imobilismo que faz com que as pessoas exerçam o voto de modo corporativo. E, em certas situações, o voto parece ‘feudal’ mesmo, quando a gente vê determinados institutos apoiarem certas candidaturas em função de favores, apadrinhamentos ou troca de cargos.”
É com esse desabafo que o professor João Weyl, 57, resume a essência de seus compromissos de gestão como candidato a reitor da UFPA, a Universidade Federal do Pará, de cuja sucessão participa na condição de franco atirador, sem as amarras dos vínculos político-partidários, embora seja um militante histórico do PT, apesar de não ter o apoio da legenda. Ex-vice-reitor pró-tempore da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, ele é engenheiro eletrônico, graduado pela UFPA, da qual é docente desde 1994, atuando atualmente como professor associado, na Faculdade de Engenharia da Computação do Instituto de Tecnologia, credenciado por um currículo que inclui mestrado e doutorado em engenharia elétrica-telecomunicações, pela PUC-RJ, em 1989, e pela Unicamp, em 1994. Ele foi também secretário-adjunto da Secdet, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, de janeiro de 2007 a dezembro de 2010, durante o governo Ana Júlia Carepa. Na administração da ex-governadora petista participou da criação e implantação da Secdet e do NAVEGAPARÁ, um programa de integração do estado com redes ópticas e acesso banda larga em redes sem fio e do sistema de parques de ciência e tecnologia.
Dos candidatos a reitor que se dispuseram a falar ao Blog do Barata, Weyl foi o único a expor objetivamente, sem eufemismos, as mazelas da UFPA, mas com serenidade, sem o ranço do ressentimento, com o mérito adicional de evidenciar um efetivo conhecimento de causa e uma sincera preocupação com os destinos da instituição e seus alunos. Por isso, certamente, a segurança com que antecipa suas prioridades mais imediatas, se eventualmente eleito. “Ações emergenciais para a graduação. Democratização dos usos dos recursos para investimentos em ampliação e implantação de novas infraestruturas, com foco em bibliotecas (climatização e acervo da biblioteca central), salas de aulas e laboratórios. Auditoria das contas e contratos de toda UFPA. Implantação de processos de gestão descentralizados, em especial nos campi do interior. Valorização e melhor aproveitamento do corpo técnico-administrativo. Implementação de editais para incentivo aos grupos emergentes de pesquisa, induzindo atuação dos mesmos em programas de pós graduação, inclusive no interior. Ampliar os restaurantes universitários”, elenca.
Sem negligenciar a pós-graduação, onde, segundo avalia, “não houve uma política buscando a excelência em nenhum desses desafios, ou se houve, os resultados pouco apareceram”, Weyl destaca que o maior problema da UFPA está na qualidade dos cursos de graduação. “Os números do Inep mostram que entre 2013 e 2014, levando em consideração o CPC (Conceito Preliminar de Curso – que leva em consideração a nota do Enade, corpo docente, projeto pedagógico, infraestrutura, dentre outros itens), em 82 cursos observados, mais de 80% dos cursos da UFPA possuem nota abaixo de 3, numa escala de 1 a 5. Sendo que quase 40% deles estão com notas entre 1 e 2. Ora, hoje há contingenciamento de recursos para investimentos nas universidades brasileiras. Alguns anos atrás isso não era realidade. Foram as escolhas e as prioridades dadas que determinaram esse cenário”, sublinha, em entrevista ao Blog do Barata.
Cacifado por um respeitável currículo e uma experiência de 22 anos de docência, Weyl defende um maior diálogo com a comunidade acadêmica e também uma maior sintonia da UFPA em relação às demandas da sociedade na qual está inserida. “Além do precário estado da graduação, a principal mazela da UFPA é falta de diálogo com a comunidade universitária – o que acaba por resultar em ausência de transparência das ações da gestão. A UFPA abriu mão dos processos de discussão. Precisamos restabelecer a participação dos fóruns de servidores técnico-administrativos, docentes e discentes na pauta de investimentos”, acentua. “Outra mazela é desarticulação da universidade em relação às demandas da sociedade. Uma universidade pública não pode passar ao largo dos projetos que impactam diretamente na cidade, estado e região. Onde estava a UFPA quando da discussão da implantação do BRT de Belém? E os 400 anos da capital do Pará? E Belo Monte? A ausência da contribuição da academia nos principais debates locais tem sido nefasta para a sociedade como todo – que, ao fim e ao cabo, é quem banca a existência da universidade”, acrescenta, ao falar ao Blog do Barata.

Como o senhor avalia qualitativamente a UFPA, hoje, e quais suas propostas para dinamizar a instituição e melhorar a qualidade do ensino, em um cenário de grave crise econômica, com seus naturais reflexos nos orçamentos das instituições de ensino superior públicas?

A UFPA se beneficiou enormemente nos últimos oito anos com os recursos do Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) e experimentou avanços em alguns segmentos. Na pós-graduação houve crescimento, com criação de cursos em áreas que ainda não eram atendidas na UFPA e mestrados profissionalizantes, estes últimos aproveitando a flexibilização oferecida pela CAPES. O desafio principal na pós graduação será a consolidação dos programas, em especial programas com o triplo3 (receberam 3 nas últimas três avaliações da CAPES), para que avancem e implantem doutorado e a interiorização de programas de pós graduação. Isso no nível que chamamos de básico, do dever de casa. Para além desse desafio na pós-graduação, a UFPA deve trabalhar para que seus cursos do pós-graduação tornem-se referências nacionais, atingindo os níveis 6 e 7. A UFPA possui apenas dois programas nesse patamar. No nosso entendimento, não houve uma política buscando a excelência em nenhum desses desafios, ou se houve, os resultados pouco apareceram. Não avançamos na excelência.
Consideramos, entretanto, que o maior problema da UFPA está na qualidade dos cursos de graduação. Os números do Inep mostram que entre 2013 e 2014, levando em consideração o CPC (Conceito Preliminar de Curso – que leva em consideração a nota do Enade, corpo docente, projeto pedagógico, infraestrutura, dentre outros itens), em 82 cursos observados, mais de 80% dos cursos da UFPA possuem nota abaixo de 3, numa escala de 1 a 5. Sendo que quase 40% deles estão com notas entre 1 e 2. Ora, hoje há contingenciamento de recursos para investimentos nas universidades brasileiras. Alguns anos atrás isso não era realidade. Foram as escolhas e as prioridades dadas que determinaram esse cenário.
Por isso mesmo, o primeiro compromisso de nossa candidatura é com o ensino de graduação público, gratuito e de qualidade. O ensino é a primeira missão de uma universidade. É preciso pensá-lo de maneira integral, enquanto formação cidadã, humana, cultural, científica e tecnológica dos estudantes e com atenção para as transformações em curso no mundo do trabalho.
Propomo-nos a incentivar, com o apoio da comunidade universitária, a implantação de instrumentos e projetos políticos pedagógicos inovadores para um ensino renovado de graduação na UFPA. Assim, dentro das estratégias de ensino e aprendizagem, ampliar a pesquisa e a extensão na graduação. Isto significa que devemos firmar um pacto universitário: o sucesso desta missão não depende apenas da ação de um reitor e de um pró-reitor que centraliza decisões e pensa sozinho o futuro de toda nossa comunidade de estudantes, técnicos e professores. Depende do empenho coletivo de todas as unidades e de todos os membros de nossa comunidade.
Pretendemos estabelecer ações emergenciais: primeira ação – avaliação da graduação, estabelecer um profundo diagnóstico das principais dificuldades para a melhoria continua dos cursos de graduação; segunda ação – estruturação de equipe voltada exclusivamente para solução das dificuldades e problemas encontrados a partir do diagnóstico; e terceira ação – acompanhamento e melhoria contínua das boas práticas desenvolvidas na ação anterior.

Como qualquer universidade federal, obviamente a UFPA tem suas mazelas, que contra ela conspiram. Quais as principais dessas mazelas e como, a curto ou médio prazo, aplacá-las, de modo a garantir aquele mínimo de excelência que se espera de uma academia?

Além do precário estado da graduação, a principal mazela da UFPA é falta de diálogo com a comunidade universitária – o que acaba por resultar em ausência de transparência das ações da gestão. A UFPA abriu mão dos processos de discussão. Precisamos restabelecer a participação dos fóruns de servidores técnico-administrativos, docentes e discentes na pauta de investimentos. Outra mazela é desarticulação da universidade em relação às demandas da sociedade. Uma universidade pública não pode passar ao largo dos projetos que impactam diretamente na cidade, estado e região. Onde estava a UFPA quando da discussão da implantação do BRT de Belém? E os 400 anos da capital do Pará? E Belo Monte? A ausência da contribuição da academia nos principais debates locais tem sido nefasta para a sociedade como todo – que ao fim e ao cabo é quem banca a existência da universidade.

“Além da graduação, a principal mazela
da UFPA é falta de diálogo. Outra é a
desarticulação em relação às
demandas da sociedade. Onde estava a
a UFPA a quando do BRT? E Belo Monte?”

Na esteira do Reuni, os campi da UFPA transformaram-se em canteiros de obras, multiplicando suas unidades físicas, mas sem a contrapartida de concursos públicos capazes de atender a previsível demanda por mais pessoal de apoio técnico e professores. Se eleito reitor, como o senhor pretende administrar esse descompasso?

Nas visitas que temos realizado às unidades da UFPA temos identificado como esses investimentos foram feitos de forma enviesada, sem planejamento e com pouca participação da comunidade diretamente afetada, trazendo como resultado a improvisação no funcionamento de certos setores. É o caso, por exemplo, do novo prédio de salas de aulas, ao lado da biblioteca central, que não previu espaço para o funcionamento dos diretórios acadêmicos. Além disso, do ponto de vista urbanístico e ambiental, a gestão da UFPA tem sido pífia. O curso de arquitetura e urbanismo produziu um extenso trabalho para o campus do Guamá, um plano diretor, que está guardado dentro de uma gaveta qualquer na prefeitura do campus. O resultado são prédios caros, muitas construções inacabadas - com risco de se perderem – e ainda escassez de espaços para o básico - salas de aulas -, como é caso dos cursos de farmácia, fisioterapia e nutrição.

Se eleito, quais as medidas que o senhor contempla para contornar o descompasso hoje existente, em matéria de nível, entre a graduação, que pela avaliação do ENAD está abaixo da média nacional, e a pós-graduação, que pela avaliação da Capes atinge níveis de excelência? O porquê disso, na sua opinião, é o que fazer, de imediato, para superar essa discrepância?

O problema no ENADE é facilmente resolvido se a prioridade passar a ter o foco na graduação. Aliás, o que fez com que os cursos não tivessem um pior desempenho na avalição do MEC, já citada na resposta à primeira pergunta, foi o bom desempenho dos nossos alunos. Nossa equipe se deteve em estudar a performance dos alunos e identificou que cerca de 60% obtêm nota acima de 3. Temos estudantes que tiraram notas 4 e 5. Isso mostra que o baixo CPC não é culpa dos discentes, mas sim da universidade, que não consegue qualidade nos outros indicadores que compõem a nota. De imediato vamos fazer, se eleitos, o que já citamos acima: ações emergências na graduação. A nossa proposta é ter uma Pró-Reitoria de Graduação que saia do gabinete e esteja em campo junto às faculdades, aos professores, aos técnicos e aos alunos. Nesse contexto, vemos um desafio maior ainda, aumentar a presença da gestão nos campi fora de sede, o que constatamos que não ocorre com a frequência necessária.
Infelizmente, não é verdade também que tenhamos atingido a excelência na pós-graduação, como média. Avançamos muito nesse item, mas a excelência é um desafio. A CAPES não autoriza funcionamento de cursos sem que atendam aos indicadores mínimos. A excelência no ensino é a nossa meta.

Qual a sua postura em relação ao Prouni, diante das críticas, de vastos setores acadêmicos, de que o programa acaba por privar a universidade pública de maiores recursos, para beneficiar, com isenções fiscais, os barões da educação?

O Prouni tem cumprido um papel importante abrindo possibilidades de ingressos no ensino superior, mas é uma política temporária. O Prouni foi criado como uma forma de legislar os tributos, que infelizmente não eram pagos pelas instituições privadas. Esses tributos eram escamoteados através de justificativas filantrópicas ou sem fins lucrativos. Apesar das críticas, já beneficiou quase dois milhões de estudantes, já que engloba também o FIES. É preciso, entretanto, que haja de fato mais investimentos para garantir expansão de vagas nas IFES públicas, tal como garantido pelo último Reuni, para expansão de vagas nas IFES e pelo programa de criação de novas IFES. Há, evidentemente, uma competição por esses recursos públicos para o ensino superior. Em contrapartida, além da oferta de maior número de vagas, as IFES deverão oferecer cursos direcionados para as vocações regionais e política de ingresso no mundo do trabalho para os egressos. Não é possível atender metas com uma expansão sem garantia de qualidade, e isso tem sido apontado pela Andifes.

“O maior problema da UFPA está na
qualidade da graduação. Entre 2013
e 2014, em 82 cursos, mais de 80% têm
nota abaixo de 3, numa escala de 1 a 5.
Quase 40% deles estão entre 1 e 2.”

Elencando em ordem decrescente, quais serão as prioridades mais imediatas de sua administração, se eleito reitor da UFPA?

Ações emergenciais para a graduação. Democratização dos usos dos recursos para investimentos em ampliação e implantação de novas infraestruturas, com foco em bibliotecas (climatização e acervo da biblioteca central), salas de aulas e laboratórios. Auditoria das contas e contratos de toda UFPA. Implantação de processos de gestão descentralizados, em especial nos campi do interior. Valorização e melhor aproveitamento do corpo técnico-administrativo. Implementação de editais para incentivo aos grupos emergentes de pesquisa, induzindo atuação dos mesmos em programas de pós graduação, inclusive no interior. Ampliar os restaurantes universitários.

Como o senhor se posiciona diante do governo Michel Temer, e mais particularmente sobre os limites de gastos proposto pelo novo presidente, com óbvios reflexos na educação?

Não reconhecemos o governo provisório de Michel Temer. Estamos muito preocupados com o respeito à autonomia da universidade prevista na Constituição Federal e os rumos que um governo ilegítimo pode impor à UFPA. Não coadunamos com esse processo de impeachment e acreditamos que um governo ruim se muda nas urnas.

O senhor é um militante histórico do PT, mas sua candidatura não tem o calor do partido, assim como seu discurso, embora ideologicamente transparente, não traz a tintura de coloração partidária. Isso faz do senhor um franco atirador e no que essa singularidade, de se sobrepor a legendas partidárias, traduz a força ou a fraqueza da sua candidatura?

Sim, militei e fui um dos fundadores do PT no Pará. A partir do meu afastamento para pós graduação fora do estado, eu não atuei como militante, mas sempre votei nos candidatos majoritários do partido. Preparei-me para atuação acadêmica e defendendo o ensino público, gratuito e de qualidade. Aproximei-me de frentes amplas pela defesa da democracia e de bandeiras de conquistas sociais abraçadas não só pelo PT. Fui um dos fundadores da Associação Nacional dos Pós-Graduandos. Após retornar a Belém, em 1994, permaneci dessa forma. Conheci de perto as mazelas do governo FHC na desconstrução das universidade públicas e combati contra, mas não na trincheira partidária. Tenho grandes amigos que estão e outros que sairam do PT e que permanecem fiéis aos seus ideais. Creio que o meu preparo acadêmico, me ajudou a dar a minha maior contribuição ao PT, durante o governo Ana Julia, quando criamos muitos programas até hoje em funcionamento na área de CT&I. Continuo minha militância em defesa do estado democrático de direito. Hoje parte do PT do Pará apoia a candidatura de outra chapa, a indicada pelo ex-reitor professor Carlos Maneschy. Penso que nosso grupo tem como premissa a necessidade recuperar na universidade a capacidade de se autodiscutir. A UFPA perdeu essa prática, não se debate mais a universidade, o próprio processo eleitoral atual demonstra que boa parte da comunidade universitária desaprendeu a debater os rumos da maior instituição de ensino e de pesquisa da Amazônia. O grupo que represento discorda dos rumos tomados pela UFPA, não só da ausência de diálogo, mas da transparência da gestão. Nossa força está justamente porque nos propomos a discutir a fundo a universidade sem fisiologismos e demagogias. Nossa fraqueza talvez resida no fato de que lutamos contra um certo imobilismo que faz com que as pessoas exerçam o voto de modo corporativo. E, em certas situações, o voto parece “feudal” mesmo, quando a gente vê determinados institutos apoiarem certas candidaturas em função de favores, apadrinhamentos ou troca de cargos.

“A gente representa um grupo que
discute a universidade. São docentes,
técnicos e discentes. Por isso nos sentimos
motivados, mesmo sem apoio de grupos
políticos, empresariais ou da gestão.”

Sem dispor do calor da máquina administrativa, nem ter o apoio de partidos ou facções partidárias, nem de sindicatos, o que o estimula a sair candidato a reitor?

A gente representa um grupo que discute a universidade há algum tempo. São docentes, técnicos e discentes que pensam a UFPA para além do imobilismo. A gente acredita que precisa, sim, pautar essa questão de modo assertivo e por isso nos sentimos motivados a entrar na disputa, mesmo sem contar com apoios de grupos políticos, empresariais ou da gestão.

Fala-se, nos bastidores, de uma atmosfera de velada caça às bruxas para intimidar quem se oponha ao candidato ungido pelo ex-reitor Carlos Maneschy. Essa versão procede ou trata-se de lengalenga próprio de campanha eleitoral?

Ouve-se muitas coisas nesse momento. Mas temos ouvido algumas pessoas que dizem nos apoiar, mas preferem não se expor com medo de alguma represália. Ora, se há uma percepção de alguma forma de retaliação por parte dessas pessoas, algum indicador foi dado, ou não? Um dado a preocupar quando se pensa em uma universidade autônoma, participativa e democrática.

A UFPA acaba por refletir a sociedade na qual está inserida, o que talvez explique ter sido contaminada pelos vícios da política partidária, nela presentes no rastro da redemocratização do país e visíveis nas disputas registradas a cada troca de guarda. O quer pode ser capaz de promover, no âmbito da universidade, uma faxina ética capaz de sobrepor a excelência a conveniências eleitoreiras, varrer a impunidade determinada pelo corporativismo e privilegiar o contraditório?


Nossa candidatura luta contra essa prática nefasta que contaminou a política partidária e também a gestão. A gente quer implementar um modo de gerir transparente, descentralizado e participativo e sujeito à discussão permanente. Quando se cria mecanismos de inclusão de todos e publicização das ações, fica mais fácil coibir privilégios e avançar em processos de gestão mais inovadores e que atendam de forma mais democrática as demandas da comunidade universitária e a relação da universidade com a comunidade e o setor produtivo. A ética na gestão pública não deve ser uma prática isolada, tem que ser o dia-a-dia. Nesse sentido, nosso grupo é composto de pessoas com trajetórias de vida afinadas com esse princípio.

15 comentários :

Mila disse...

Boa entrevista. Não fugiu das perguntas!

Projeto FEEEMaSC disse...

Mas triste mesmo de ser o curso de Educação Física, tem espaços sucateado e sem estrutura, enquanto perdemos jovens pras drogas e criminalidade, no meu caso a melhor alternativa foi sair de Belém, pois mesmo a UEPA não tem foco pro alto rendimento https://youtu.be/zEWocPCK_c4

Anônimo disse...

O João esconde sua condição de petista!

Ana Lúcia Prado disse...

Eu não suporto quem fica em cima do muro, não se posiciona. Em um momento de intensa ameaça ao Estado Democrático de Direito só uma candidatura à reitoria da UFPA manteve-se desde sempre na defesa intransigente da democracia. Além disso, só encontro na chapa de João Weyl e Armando Lirio propostas efetivas, baseadas em diagnóstico e que levam em conta o diálogo com a comunidade universitária.
E um detalhe, o João nunca escondeu que fosse militante de esquerda. É comum encontrar o João nas manifestações de rua lutando pela democracia, não vi outro candidato a reitor nesse momento fazendo isso. Ele foi um dos fundadores do PT, mas se desfilou há muitos anos, antes mesmo da burrice que o partido fez de se coligar ao PMDB, o partido do golpe.

Beatriz Lyra disse...

Muito boa a entrevista do professor João. Os demais tergiversaram, quando não fugiram descaradamente das perguntas. Como o debate na UFPA foi cerceado pelo Maneschy, que apressou as eleições impedindo a universidade de fazer o debate, é gratificante encontrar um espaço no qual podemos conhecer as ideias dos candidatos. João Weyl se mostra preparado para a tarefa de reitor e, mais que tudo, democrático.

Luzia Álvares disse...

Muito boa a entrevista. Posições dentro das minhas visões sobre o que representa uma instituição para o publico acadêmico. Merece meu voto.

Samuel Oliveira disse...

Sou aluno, no terceiro ano de graduação. Não conhecia o professor João Weil e preciso dizer que sua entrevista me surpreendeu pela coerência do discurso. Li aqui uma entrevista de cara limpa, sem jogo de palavras, cheia de coerência e que parece estar realmente engajada na melhoria da universidade e não apenas, como os outros candidatos, em apenas conseguir votos e vencer a eleição.

Anônimo disse...

Excelente entrevista!! A Universidade precisa de novas vozes como a do João Weyl... Gente que pensa a universidade pública para além do fisiologismo que está destruindo o país e colocando em cheque os avanços que a universidade teve nos últimos anos

Anônimo disse...

Pra mim, esse candidato é o melhor para a UFPA. Precisamos de um REITOR que realmente se preocupe com os problemas q a muitos anos parecem não ter solução dentro da UFPA.. Eu acredito, que João Weyl, vai ser um excelente REITOR.

Anônimo disse...

Ao candidato João Weyl:
Foi muito oportuno o esclarecimento sobre a sua relação com o PT. Fico feliz em saber que o senhor acredita que a universidade pública não deve servir de aparelhamento a nenhum partido político. Nem o PMDB, nem o Psol, nem o PT. É bom ver que o senhor reconhece seu passado e que possui compromissos políticos claros, mas saber que a universidade está acima de partidarismos e interesses eleitorais é gratificante, porque o que vemos nas outras chapas é justamente o contrário disso.

Ana Maria Bello disse...

Foi o único candidato que nano ficou em cima do muro e nano deu respostas evasivas. Gostei.

Anônimo disse...

Prezado Barata,

Ele não tem condições nem de ser pró-reitor. Muito fraco e confuso. Negou o próprio partido na entrevista do Mauro Bona. Só cumpre tabela.

Regina Feio disse...

João Weyl sempre foi um militante da esquerda em defesa da causa pública. Isso é muito claro quando ele está presente nos atos em favor do estado democrático de direito e quando critica com veemência a falta de diálogo e de debates na UFPA. Por isso o apoio. Precisamos de um reitor com passado de lutas e que reconstitua a colegialidade na UFPA de forma meritória. Nos últimos anos, a UFPA tornou-se um balcão onde foram privilegiados interesses individuais. Além disso, sua chapa é constituída do Prof. Armando Lírio, um professor que luta pelas causas sociais através da economia solidária. Enfim, candidatos compromissados com uma universidade amazônida e sustentável.

Luciana Magalhães disse...

Li todas as entrevistas e acho que a do prof João é nitidamente superior às demais. Sabemos que ele não o apoio das máquinas da reitoria, como o Tourinho e nem a riqueza da campanha do Ortiz, mas o conteúdo das suas propostas se destacam nitidamente e estão fazendo a diferença neste cenário eleitoral triste, marcado pela repetição do mesmo e pela ausência de debate.

Ana Lúcia Prado disse...

Eu lamento a posição do "Anônimo de 22h47", pois mostra que desconhece a trajetória acadêmica e de gestão do prof. João Weyl. Desqualificar o percurso de trabalho de um candidato não amplia o debate, apenas o empobrece.
João foi diretor de pesquisa, vice-reitor, secretário-adjunto de Ciência e Tecnologia e por onde andou deixou sua marca como bom gestor.
Vamos discutir projetos para a UFPA? Ataques pessoais não levam a nenhum lugar, caro "Anônimo".