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Pedro Minowa: reconduzido ao cargo, mediante liminar da Justiça. |
A recondução, mediante uma liminar obtida na Justiça, de Pedro Minowa ao cargo de
presidente, do qual havia sido afastado temporariamente por decisão do Condel, o Conselho
Deliberativo, sob a suspeita de improbidade , promete agravar a crise na qual submergiu
o Clube do Remo, o tradicional Leão Azul. Ele tornou-se presidente na primeira
eleição do clube pelo voto direto dos associados, sob a oposição dos cardeais
azulinos, derrotando surpreendentemente o ex-presidente Zeca Pirão, um
ex-vereador pelo PMDB, apontado como favorito à reeleição. Algo abúlico, ao ser
empossado Minowa terceirizou responsabilidades e revelou-se um dirigente
omisso, protagonizando uma administração caótica, agravada pelo atraso nos
pagamentos dos salários dos funcionários e jogadores. A ameaça dos jogadores de
não treinarem, diante das promessas não cumpridas de pagamento dos salários
atrasados, às vésperas de uma partida decisiva contra o arquirrival Paysandu,
potencializou a crise, levando a uma intervenção branca, avalizada por
lideranças históricas do clube. À revelia do presidente, foi decidido que a
parte das rendas que coubessem ao Remo seria destinada ao pagamento de jogadores e funcionários,
o que injetou ânimo nos atletas e levou o Leão Azul, após sucessivas vitórias, à
conquista do bicampeonato estadual e à final da Copa Verde, apesar das notórias
limitações do seu elenco. A acachapante derrota por 5 a 1 para o Cuiabá, a quem
em Belém o Remo goleara por 4 a 1, na decisão da Copa Verde, fez recrudescer a
rejeição a Minowa, afastado temporariamente do cargo de presidente pelo Condel
e sob a perspectiva da destituição desonrosa, na esteira das acusações de
corrupção em sua administração.
Como o Remo e seu arquirrival, o Paysandu,
são duas instituições paraenses, que polarizam a paixão do torcedor pelo futebol,
previsivelmente a crise no Leão Azul ganhou destaque no noticiário. E para
alguns, o que inclui setores da imprensa esportiva, a perspectiva de
destituição de Nimowa, diante das suspeitas de corrupção na sua administração,
resulta de uma retaliação de parcela dos cardeais azulinos, que não perdoam a
derrota a eles imposta pelo atual presidente remista, na primeira eleição direta da
história do clube. “Na verdade, o Minowa deu munição aos seus adversários”,
avalia, em off, um respeitado jornalista esportivo ouvido pelo Blog do Barata, observando que são fortes os indícios de
improbidade, ainda que sem ousar arriscar se os eventuais deslizes foram diretamente patrocinadas
pelo atual presidente, ou simplesmente coonestados por omissão. Da sua parte,
lideranças históricas do Remo argumentam que, em defesa dos interesses do
clube, cuja situação financeira é precária, não há como permanecer silente. “Para
preservar os interesses do Clube do Remo não convém estimular disputas internas,
mas também não se pode, nem se deve, legitimar falcatruas, de caráter culposo
ou doloso”, pondera, por exemplo, o ex-presidente Antônio Carlos Teixeira, o
Tonhão, notabilizado por ter tido decisiva participação na maior conquista
futebolística da história do Remo, o título da série C do Campeonato Brasileiro,
em 2005. De posturas firmes, mas serenas, Antônio Carlos, que é advogado e exerce
a função de procurador federal, salienta que não se trata de crucificar, a
priori, o atual presidente azulino. “A questão essencial reside em saber, em
apurar, se as graves acusações a Pedro Minowa procedem, ou não”, enfatiza. Mas
apesar de habitualmente ponderado, ele deixa claro que, pessoalmente, não
avaliza qualquer condescendência diante de eventuais ilícitos. “Erros do
passado não justificam a omissão diante de transgressões do presente”,
argumenta, em clara alusão às evidências de gestão temerária em administrações
do passado recente.
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