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João Elysio: "Euforia da torcida invadiu as redações." |
JOÃO ELYSIO*
O clima de oba-oba que
certamente contagiou os jogadores do Remo antes do segundo jogo contra o Cuiabá
pela decisão da Copa Verde também foi alimentado pela falta de
análise crítica de boa parte da imprensa esportiva. Do torcedor, isso é
admissível.
Quem assistiu com olhos
críticos ao jogo contra o Independente, quando o time azulino venceu por 2 a 0,
conquistou o bicampeonato paraense e garantiu vaga na Série D deste ano e nas
copas do Brasil e Verde de 2016, percebeu que, sem o volante Ilaílson, a defesa
do time comandado por Cacaio ficou desprotegida, tanto que o adversário criou
pelo menos três ótimas chances para marcar.
Mas, com o grito de 35
mil torcedores que lotaram o Mangueirão e um gol logo no começo do jogo, o Leão
ainda fez mais um e “administrou” a partida.
Após a festa, pouco se
falou sobre a fraca atuação do Remo na decisão. Muito pouco sobre os possíveis
efeitos da ausência de Ilaínson contra o Cuiabá, talvez porque ele não seja
goleador. Como no basquete, no futebol quem defende não tem o mesmo destaque de
quem faz gol.
A euforia emanada da
torcida remista também invadiu as redações de jornais e estúdios de rádio e TV,
cujos profissionais, de olho em audiência proveniente da lua-de-mel com o
torcedor, deram a Copa Verde como favas contadas, até porque o Remo poderia
perder até por 2 a 0.
Sob forte marcação do
Cuiabá, o time azulino não soube o que fazer em campo, porque administrara a
cada jogo muitas deficiências. O treinador poderia ter escalado três volantes
ou três zagueiros? Poderia, mas, se o fizesse e o resultado fosse a goleada por
5 a 1, seria criticado por ter sido covarde, por ter mudado o esquema que vinha
dando certo.
A diferença entre o
treinador e o cronista esportivo é que o primeiro avalia antes para tomar
decisão e o segundo, depois do jogo terminar. Os comentaristas se encheriam de
razão se, mesmo diante da euforia azulina, sustentassem que a virada do Remo
era fruto de uma somatória de fatores, incluindo o surpreendente Cacaio, a
superação dos jogadores, o grito apaixonado de seus torcedores e olhares
atentos dos Deuses do futebol.
Se dependesse somente da
bola, hoje o Remo estaria cheio de dívidas e sem calendário.
É raro juntar esses
fatores.
O Leão precisa mudar
muito para sonhar com a Série C, pois nem sempre os Deuses do futebol olham
para quem não está à altura de suas tradições.
* João Elysio Guerreiro de Carvalho é
jornalista, com passagem marcante na imprensa esportiva do Pará.
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