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Ronaldo Passarinho: sob veto da ditadura militar com a qual prosperou, ganhando visibilidade no rastro do prestígio do tio, Jarbas Passarinho. |
Se não ficar circunscrita a troca de
rapapés e destinar-se apenas a lustrar a imagem de seu proeminente tio, a
presença de Ronaldo Passarinho Pinto de Souza na Comissão Estadual da Verdade
servirá, certamente, para esclarecer importantes passagens do golpe militar de 1º
de abril de 1964 e seus desdobramento no Pará. A começar do veto do então
temível SNI, Serviço Nacional de Informação, ao próprio Ronaldo Passarinho, que
já aceitou o convite para depor, segundo revelou o Blog da FranssineteFlorenzano, a jornalista que é também consultora técnica de carreira
da Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará. Se permanecer fiel ao seu estilo,
loquaz e irônico, e despir-se do mise-en-scène de homem público austero e
probo, ele promete um depoimento elucidativo sobre os bastidores da ditadura
militar na terra do vale-tudo político-eleitoral, para além de resgatar a
importância histórica do tio ilustre, Jarbas Passarinho, uma das mais
importantes lideranças do regime dos generais, inclusive e sobretudo no plano
nacional. O prestígio de Jarbas acabou por blindar Ronaldo e tornou o veto do
SNI um tema-tabu, solenemente ignorado pela grande imprensa paraense, agora retomado
pelo Blog do
Barata.
Dono de uma
banca de advocacia administrativa cujo período de prosperidade coincidiu com a
ditadura militar, sob a qual fez carreira política e a qual sempre defendeu
intransigentemente, Ronaldo Passarinho foi deputado estadual por sucessivas
legislaturas até ser catapultado para o TCM, o Tribunal de Contas dos
Municípios do Pará, do qual foi presidente e pelo qual aposentou-se. Mas ele
notabilizou-se, acima de tudo, como o condestável do jarbismo, a
vertente política que teve como epicentro o coronel Jarbas Gonçalves Passarinho
e pontificou no Pará durante o regime dos generais, ao lado do alacidismo,
a tendência cujo patrono foi o também coronel Alacid da Silva Nunes, personagem
do script clássico pelo qual a criatura volta-se contra o criador. Ex-aliados,
cuja política paroquial transformou em inimigos figadais para todo o sempre,
Jarbas, que ganhou expressão nacional como uma das mais expressivas lideranças
da ditadura militar, e Alacid dividiram o proscênio político paraense até a
redemocratização, cujo marco no Pará foi a eleição de Jader Barbalho como governador,
pelo PMDB, em 1982.
Um comentário :
Tivesse a capacidade intelectual e a probidade moral do seu TIO, esse Sr. poderia usar este espaço para se defender dos fatos apresentados. Mas, o cínico dificilmente terá coragem de fazê-lo diante de argumentos tão contundentes. Mas, mesmo assim eu lanço um desafio ao pavuloso cordeiro para apresentar sua defesa, e mostrar que é realmente um competente causídico, pelo menos para defender a própria pele. Defende-te covarde!
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