sábado, 25 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – Ai se eu te pego!



MURAL – Queixas & Denúncias


ELEIÇÕES – Aécio ultrapassa Dilma, segundo CNT



        A Confederação Nacional do Trasnporte divulgou neste sábado a 126ª Pesquisa CNT/MDA que mostra Aécio Neves (PSDB) numericamente à frente de Dilma Rousseff (PT). Segundo a pesquisa, cuja margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, Aécio inverteu a curva de queda e voltou a subir. Em termos de votos válidos – que exclui os percentuais de branco, nulo e indecisos –, Aécio tem 50,3%, contra 49,7% de Dilma Rousseff. Na pesquisa estimulada, Aécio tem 45,3% e Dilma 44,7%. Na pesquisa espontânea, Aécio tem 44,4% e Dilma 43, 6%.
        A informação é do UOL e, para a agência de notícias da entidade, o debate da Rede Globo pode ter definido as eleições, "com grandes possibilidades de Aécio ser eleito presidente da República neste domingo".

        A pesquisa foi realizada 23 e 24 de outubro de 2014 e registrada no TSE, o Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR - 01199/2014. Foram entrevistadas 2.002 pessoas de 137 municípios de 25 unidades da Federação.

ELEIÇÕES – Os números da pesquisa

        Confira os números da 126ª Pesquisa CNT/MDA :

INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE (ESPONTÂNEA)

Aécio Neves (PSDB) - 44,4%

Dilma Rousseff (PT) - 43,3%

INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE (ESTIMULADA)

Aécio Neves (PSDB) – 45,3%

Dilma Rousseff (PT) – 44,7%

VOTOS VÁLIDOS

(percentual calculado excluindo os percentuais de branco, nulo e indecisos)

Aécio Neves (PSDB) – 50,3%

Dilma Rousseff (PT) – 49,7%

REJEIÇÃO

Aécio Neves (PSDB) – 42,8%

Dilma Rousseff (PT) – 43,3%


ELEIÇÕES – O mea culpa do MPE

Socorro Mendo: mea culpa público, diante da lambança.

        Em nota de esclarecimento, a procuradora de Justiça Maria do Socorro Martins Carvalho Mendo, subprocuradora-geral de Justiça, no exercício do cargo de procurador-geral de Justiça, faz um mea culpa, em nome da instituição, diante da inclusão, no portal do MPE, o Ministério Público do Estado do Pará, de notícia publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o Estadão, sob o título “Saúde deixou de usar R$131 bilhões entre 2003 e 2014, afirma CFM”. A notícia revela que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, que postula a reeleição,deixaram de investir R$ 131 bilhões na saúde, entre 2003 e 2014.

        Na nota de esclarecimento, Maria do Socorro Martins Carvalho Mendo sublinha que, ao tomar conhecimento da reprodução da matéria, mandou retirá-la no portal do MPE. E acentua ter advertido a Assessoria de Imprensa do Ministério Público do Estado do Pará “que se abstenha de reproduzir matérias jornalísticas no sítio oficial do MPPA, que possam de alguma forma, no atual período eleitoral vivenciado no país, causar quaisquer outras interpretações diversas”.

ELEIÇÕES – Diário do Pará deflagra imbróglio

        A lambança foi denunciada pelo “Repórter Diário”, a nobre coluna do jornal Diário do Pará, que interpretou a reprodução da matéria no portal do MPE como uma evidência da intenção em beneficiar Aécio Neves e Simão Jatene, os candidatos do PSDB a presidente e governador do Pará, respectivamente. “O Ministério Público do Estado rasgou a Lei Eleitoral e vestiu a camisa amarela na reta final da campanha para beneficiar os tucanos Aécio Neves e Simão Jatene”, disparou a coluna “Repórter Diário”, na edição desta última sexta-feira, 24, do Diário do Pará, o jornal do grupo de comunicação da família do senador e ex-governador Jader Barbalho, cujo filho e herdeiro político, Helder Barbalho, é candidato a governador do Pará pelo PMDB. O partido tem como um dos seus líderes o vice-presidente, Michel Temer, que postula a reeleição, na chapa da presidente Dilma Rousseff.

        “Ontem, às 10h20, o site do MPE, que é patrimônio público, entrou de corpo e alma na campanha do PSDB e publicou matéria do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ alardeando que as gestões do ex-presidente Lula e da presidente Dilma deixaram de investir R$ 131 bilhões na saúde entre 2003 e 2014”, disparou a notícia de abertura do “Repórter Diário”. “Graciosa no site, a matéria nada tem a ver com o MPE e só turbina o balanço da ONG ‘Contas Abertas’”, acrescenta a notícia.

ELEIÇÕES – Leniência alimenta suspeita

        Segundo a coluna “Repórter Diário”, a leniência do MPE, em relação a malfeitos do governador tucano Simão Jatene, alimenta as suspeitas de favorecimento aos candidatos do PSDB, por parte do Ministério Público Estadual. “A campanha amarela do MP se evidencia principalmente pela subserviência com que trata a montanha de indícios de falcatruas que incriminam o candidato tucano, como a denúncia de favorecimento à rede de postos de combustíveis do filho do governador”, dispara, em tom ácido, a nobre coluna do Diário do Pará.

        “No caso popularmente conhecido como Betocard, bastaria ao Ministério Público auditar as contas do governo para provar a ‘preferência’ dos motoristas dos veículos oficiais pelo posto do rapaz. Até parece que os carros do governo são ensinados e vão direto para lá”, arremata, irônico, o “Repórter Diário”.

ELEIÇÕES – A versão oficial

        Segue abaixo a transcrição, na íntegra, da nota de esclarecimento assinada por Maria do Socorro Martins Carvalho Mendo, subprocuradora-geral de Justiça, no exercício do cargo de procurador-geral de Justiça. A nota também pode ser acessada pelo seguinte link;


NOTA DE ESCLARECIMENTO

        Em conformidade a nota veiculada na coluna Repórter Diário, nesta sexta (24), nesse conceituado jornal "Diário do Pará", o Ministério Público do Estado do Pará tem a esclarecer o seguinte:

        A Procuradoria Geral de Justiça por meio da Subprocuradora-Geral de Justiça, área Jurídico-Institucional, e no exercício, da chefia do Ministério Público do Estado do Pará, Maria do Socorro Martins Carvalho Mendo, comunica que ao identificar na manhã do dia (24) introdução de matéria jornalística veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”, matéria essa republicada no sítio oficial do MPPA, determinou:

1 – Retirada imediata da matéria “Saúde deixou de usar R$131 bilhões entre 2003 e 2014, afirma CFM” do sítio oficial do MPPA;

2 – Advertir a Assessoria de imprensa do MPPA que se abstenha de reproduzir matérias jornalísticas no sítio oficial do MPPA, que possam de alguma forma, no atual período eleitoral vivenciado no país, causar quaisquer outras interpretações diversas.

        Esclarece ainda a Excelentíssima Senhora Subprocuradora, que o MPPA, como definição constitucional, é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbido-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis de conformidade com o ordenamento jurídico pátrio.

                      Maria do Socorro Martins Carvalho Mendo


Subprocuradora-geral de Justiça, no exercício, da chefia da Procuradoria Geral de Justiça

ELEIÇÕES – Omissões tornam episódio nebuloso

        A nota de esclarecimento de Maria do Socorro Martins Carvalho Mendo, subprocuradora-geral de Justiça, no exercício do cargo de procurador-geral de Justiça soa algo graciosa, pelo que omite. Ela passa ao largo, por exemplo, de identificar quem eventualmente, determinou a reprodução da notícia do Estadão no portal do MPE.
        Como não há precedente de algo semelhante, e também porque a Assessoria de Imprensa do MPE é constituída por profissionais de competência e experiência reconhecidas, a priori soa inverossímil a possibilidade de que, por sua conta e risco, algum jornalista tenha, solitariamente, decidido incluir, no portal da instituição, a reprodução da notícia veiculada pelo Estadão. Mas, se tomarmos essa possibilidade como factível, para efeito de raciocínio – e apenas para efeito de raciocínio! - , é de se presumir a punição do hipotético responsável por tamanha sandice, do que não é informado, por dona Maria do Socorro Martins Carvalho Mendo, o distinto contribuinte, que é quem paga a instituição.

        E que não se alegue tratar-se de uma questão de consumo interno do MPE. O episódio é tão grave, mas tão grave, que a lambança não pode ser administrada intramuros. Para o zelo da imagem da instituição, é imperioso tratar o imbróglio com a mais absoluta transparência, para que não soe a um acerto entre bandidos.

ELEIÇÕES – Antecedentes comprometedores

        Esse imbróglio é algo assustador porque se dá na esteira de antecedentes comprometedores. Convém não esquecer que o procurador-geral de Justiça licenciado, Marcos Antônio Ferreira das Neves, notabilizado pela relação subserviente que mantém com a tucanalha, a banda podre do PSDB, esfarinhou a credibilidade do MPE, ao atrelar o Ministério Público do Estado do Pará ao governo Simão Jatene.

        A absoluta ausência de pudores éticos de Marcos Antônio Ferreira das Neves o levou a protagonizar um episódio patético, próprio de boy qualificado, em recente paralisação dos professores da rede estadual de ensino. Na ocasião, recorde-se, ele escalou, para perpetrar o serviço sujo, uma promotora de Justiça servil, Graça Cunha, que simplesmente recomendou a demissão dos grevistas, na contramão de manifestação do próprio STF, o Supremo Tribunal de Justiça, no claro objetivo de poupar do inevitável desgaste político o governador tucano Simão Jatene. A lambança era de tal monta, que Neves, 24 horas depois, via Graça Cunha, protagonizou um hilário meia-volta, volver, diante da indignação popular, que repercutiu nas redes sociais com a rapidez de fogo em rastilho de pólvora.

ELEIÇÕES – A tentação totalitária

Editora Abril: pichação petista, diante da denúncia da revista Veja.

        Sede da editora Abril, que amanheceu pichada, na esteira de protesto de petistas ensandecidos, diante da reportagem de capa da revista Veja. Segundo a revista, o doleiro Alberto Youssef revelou, em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, no seu processo de delação premiada, que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras.
        O protesto, seja qual for, é palatável. Ignominiosa, porque remete ao banditismo, é a vandalização. Tanto mais se com motivos torpes. O episódio evoca a tentação totalitária por algumas razões básicas. Primeiro, fazer oposição ao governo é mérito, não desdouro, e aí cabe lembrar o chiste célebre, segundo o qual imprensa é oposição; o resto é armazém de secos e molhados. Segundo, jamais registrei, vindo de petistas, repulsa pelo governo cooptar, via aporte de recursos públicos, a UNE, a União Nacional dos Estudantes, ou manter, com patrocínio oficial, blogs chapas-brancas, como o Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim. Terceiro, a notícia não obedece a calendários eleitorais e sua veiculação não deve estar atrelada às conveniências deste ou daquele partido..
        Ademais, quem, sinceramente, acredita na inocência de Lula, no escândalo do mensalão, e de Dilma Rousseff, na rapinagem na Pedrobras? Ofende a inteligência alheia crer que em sucessivos governos petistas, notabilizados por inaugurar a corrupção sistêmica, seus respectivos presidentes estivessem alheios à pilhagem ao erário, na escala ocorrida. Para além do conhecimento de causa de quem coonesta falcatruas, Lula e Dilma Rousseff dispõe da Abin, a Agência de Inteligência Brasileira, sucedânea do SNI, o Serviço Nacional de Informações, e herdeira natural do know-how acumulado pelos arapongas a serviço da ditadura militar.

        Dos mais jovens, releva-se a estultícia, pavimentada pelo desconhecimento histórico, o que faz deles, pela própria impulsividade da juventude, vulneráveis à truculência dos petralhas. Desconcertante é ver quem combateu o golpe militar de 1964 incorporar a mesma intolerância dos seus algozes, investir contra a democracia, a pretexto de defendê-la.

ELEIÇÕES – TSE proíbe Veja

Capa da Veja, cuja denúncia de corrupção indignou os petralhas.

        Segundo o portal UOL, o TSE, o Tribunal Superior Eleitoral, concedeu liminar na noite desta sexta-feira, 24 que proíbe a editora Abril, responsável por publicar a revista Veja, de fazer propaganda em qualquer meio de comunicação da reportagem de capa segundo a qual a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam conhecimento do esquema de corrupção da Petrobras. A reportagem diz se basear em depoimento prestado na última terça-feira, 21, pelo doleiro Alberto Youssef no processo de delação premiada a que ele se submete para ter direito à redução de pena.

        O pedido para impedir a publicidade da matéria foi apresentado pela campanha de Dilma na tarde de sexta-feira. A defesa da petista requereu ao tribunal que a revista se abstivesse fazer propaganda de sua capa, que tem, na opinião dos advogados de Dilma, conteúdo ofensivo à candidata à reeleição. Para a campanha petista, uma eventual publicidade do caso tem por objetivo único beneficiar a candidatura do tucano Aécio Neves.

ELEIÇÕES – O déjà-vu dos debates

Dilma x Aécio Neves: espontaneidade sacrificada pelo marketing.

        Em sua análise sobre os debates travados entre os candidatos a presidente, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), o jornalista Clóvis Rossi, colunista da Folha de S. Paulo, observa que neles repete-se, na medida do possível, o que é exaustivamente ensaiado, o que tira parte da espontaneidade da discussão. “Candidatos e marqueteiros aprenderam daquele embate inicial e adotam, sempre, um manual de comportamento com uma regra básica: jamais responder diretamente a uma pergunta embaraçosa”, assinala. “Uma segunda regra de ouro: repetir à exaustão promessas, propostas, críticas e comparações (naturalmente desfavoráveis ao adversário) feitas durante o horário eleitoral gratuito”, acrescenta.

        Em sua análise, Rossi remete aos históricos confrontos travados, em 1960, entre o democrata John Kennedy e o republicano Richard Nixon, que protagonizaram os primeiros debates da história pela televisão. “Foram quatro e, no primeiro deles, Kennedy estraçalhou Nixon. Acabou eleito”, recorda o jornalista. “Nos 54 anos seguintes, sempre os jornalistas e os políticos esperavam que algum Kennedy abatesse algum Nixon”, sublinha, para então concluir: “Nunca ocorreu. Quer dizer, houve o episódio do debate Lula/Collor, em 1989, em que uma edição espantosamente favorável a Collor pela TV Globo (não o debate em si) ajudou o candidato afinal vencedor.”

ELEIÇÕES – A análise de Clóvis Rossi

        Segue abaixo a transcrição, na íntegra, da análise do jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo:

Análise: Desde 60, 'síndrome Kennedy/Nixon' não funciona em debates

CLÓVIS ROSSI
COLUNISTA DA FOLHA

25/10/2014 - 02h00

        O jornalismo e o mundo político parecem sofrer do que se poderia chamar de "síndrome de Kennedy-Nixon".
        Explico: em 1960, o democrata John Kennedy e o republicano Richard Nixon travaram os primeiros debates da história pela televisão. Foram quatro e, no primeiro deles, Kennedy estraçalhou Nixon. Acabou eleito.
        Nos 54 anos seguintes, sempre os jornalistas e os políticos esperavam que algum Kennedy abatesse algum Nixon.
        Nunca ocorreu. Quer dizer, houve o episódio do debate Lula/Collor, em 1989, em que uma edição espantosamente favorável a Collor pela TV Globo (não o debate em si) ajudou o candidato afinal vencedor.
        Neste ano, a "síndrome Kennedy-Nixon" não funcionou de novo nem nesta sexta-feira (24) nem nos três debates anteriores.
        Candidatos e marqueteiros aprenderam daquele embate inicial e adotam, sempre, um manual de comportamento com uma regra básica: jamais responder diretamente a uma pergunta embaraçosa.
        Exemplo desta sexta-feira: Aécio insistiu em cobrar de Dilma uma posição a respeito da condenação de José Dirceu. Dilma insistiu em desviar o assunto para o escândalo do mensalão mineiro, pelo qual ninguém foi punido.
        Uma segunda regra de ouro: repetir à exaustão promessas, propostas, críticas e comparações (naturalmente desfavoráveis ao adversário) feitas durante o horário eleitoral gratuito.
        Ou seja, repete-se, na medida do possível, o que é exaustivamente ensaiado, o que tira parte da espontaneidade da discussão.
        Foi o que aconteceu nesta sexta-feira.
        Nem a denúncia que a revista "Veja" levou à capa de uma edição antecipada foi capaz de eletrizar de fato o debate da Globo.
        Não que tenha sido suave. Nem é para ser. Mas não houve baixaria.

        Impossível dizer quem ganhou, seja na sexta-feira, seja no conjunto dos quatro debates. Muito provavelmente, mudaram pouco os votos, tanto que, na única pesquisa divulgada sobre debates anteriores, a maioria não soube dizer quem ganhou. 

ELEIÇÕES – Folha elenca equívocos dos candidatos

        Na sua cobertura sobre último debate entre os presidenciáveis no segundo turno, realizado pela TV Globo, a Folha de S. Paulo observa que Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) voltaram a elevar o tom e debateram corrupção, mas sem resvalar para os ataques pessoais, como fizeram no embate no SBT. E acentua que ambos os candidatos usaram informações e fizeram declarações que não correspondem à realidade, elencando quais foram as falhas dos presidenciáveis, reproduzidas abaixo:

DESEMPREGO

        Dilma diz que o Brasil é destaque no mundo pelo desemprego baixo, mas a taxa brasileira é semelhante ou superior às de países como China, Japão, Áustria, Suíça, México e outros.
        Os 11 milhões de desempregados no governo FHC mencionados por Dilmaforam apurados no censo do ano 2000. Em 2002, pesquisa do IBGE contou 8,1 milhões.

INFLAÇÃO

        É falsa a afirmação de Dilma de que o governo FHC deixou uma inflação superior à que herdou. O IPCA (índice oficial de inflação) passava de 40% ao mês antes do Plano Real. Em 2002, último ano do tucano, foi de 12,5%.

EDUCAÇÃO

        Aécio cobra Dilma por não ter cumprido a promessa feita em 2010 de construir 6.000 creches. O governo entregou 2.000. Por outro lado, não havia antes um programa federal de larga escala para construção de creches.

        Aécio diz que o Prouni foi inspirado em um programa de Goiás. Nesta semana, porém, a coordenadora do programa de educação da campanha tucana, Maria Helena Guimarães, disse que a única coisa do governo do PT que ela queria ter criado foi justamente o Prouni.

        A presidente Dilma diz que o governo FHC proibiu a expansão das escolas federais. Na verdade, ficou proibida a construção de unidades apenas pela União, deveria ser feita em conjunto com Estados e municípios. O governo Lula entendeu que essa lógica atrapalhava a expansão e passou a construir escolas técnicas apenas com verbas federais.

        O tucano Aécio diz que o país tem uma posição vergonhosa nos rankings internacionais de educação. O país, de fato, está entre os últimos do Pisa (principal avaliação internacional), mas a situação vem desde o governo FHC. Em 2000 (governo FHC), o Brasil ficou em 32o lugar em leitura entre os 32 países avaliados. Em 2012 (governo Dilma), foi 55o entre 65 países avaliados.

ADMINISTRAÇÃO

        Minas Gerais é, como diz Dilma, o segundo Estado mais endividado do país. No entanto, a dívida caiu de 263% para 166% da receita anual ao longo do governo tucano.

        Aécio, que já prometeu reduzir o número de ministros dos atuais 39 para algo entre 20 e 22, ainda não detalhou que pastas serão extintas. No debate, ele promete "superministérios" da Agricultura e da Infraestrutura.

PREVIDÊNCIA

        Depois de idas e vindas, Aécio se compromete com a revisão do fator previdenciário, que reduz os benefícios de quem se aposenta mais cedo, mas não apresenta a alternativa.

        Dilma diz que o fator foi criado no governo FHC, o que é verdade, mas a administração petista manteve a regra.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

PROCURA-SE – Ilustre desaparecido


MURAL – Queixas & Denúncias


ELEIÇÕES – Virulência de Jatene sugere desespero

Helder Barbalho: serenidade diante das provocação de Jatene.

        O governador Simão Jatene (PSDB), que postula a reeleição, acabou por desperdiçar no debate promovido na noite desta quinta-feira, 23, pela TV Liberal, entre os candidatos ao governo do Pará, a chance de reverter a vantagem que as pesquisas de intenção de voto com um mínimo de credibilidade conferem ao seu adversário, Helder Barbalho (PMDB). Embora mais comedido, em relação ao comportamento exibido no debate da TV Record no domingo passado, 19, nem por isso o candidato tucano abdicou do tom virulento, no claro empenho de desqualificar o adversário, em detrimento de um discurso mais propositivo. Com isso, acabou por tropeçar nas próprias pernas, ao frequentemente retornar a matérias vencidas, na postura defensiva sob a qual pretendeu manter Helder. A estratégia teve o efeito de bumerangue, voltando-se contra Jatene, que novamente passou uma imagem iracunda, de intolerância, como é próprio dos arrogantes.
        No debate promovido pela TV Liberal, que teve como mediador o jornalista Heraldo Pereira, da Rede Globo de Televisão, Jatene assemelhou-se ao pugilista que vai para o derradeiro round de uma luta, sabendo-se em desvantagem, e por isso apostando desesperadamente na possibilidade de um nocaute. Um nocaute que não veio, diante da sagacidade de Helder, cujo sangue-frio permitiu-lhe driblar a tentativa de Jatene em associá-lo às falcatruas das quais é acusado o pai e patrono político, o senador e ex-governador Jader Barbalho, a mais longeva liderança política da história do Pará. Para além de passar a tratar o candidato peemedebista não pelo nome, mas pelo sobrenome, Jatene evidenciou um inocultável e patético desespero, ao evocar, por exemplo, o desvio de recursos do Banpará, o Banco do Estado do Pará, que remete a um período correspondente à infância de Helder. Mais patético foi o governador tucano pretender trazer para a arena eleitoral Jader Barbalho, o que fez Helder lembrar a Jatene que ele, e não o pai, é o candidato a governador.
        Além das respostas tangenciadas, soou hilário, no limite do deboche, Jatene atribuir à administração da ex-governadora petista Ana Júlia Carepa as origens das mazelas exibidas pelo Pará. Algo que remete a um cinismo capaz de corar anêmico. Afinal, desde 1995 o PSDB monopoliza o governo estadual, com o breve hiato, de minguados quatro anos, que representou a administração de Ana Júlia Carepa, cuja gestão estendeu-se de 2007 a 2010.

        De resto, ofende a inteligência dos eleitores Simão Jatene conclamar a uma disputa ética, quando historicamente passa ao largo do que possa ser pudor ético. Se a campanha é a ante-sala do governo, como trombeteou o governador tucano, tem-se mais uma razão para defenestrá-lo do Palácio dos Despachos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – O vale-tudo


MURAL – Queixas & Denúncias


ELEIÇÕES – Dilma amplia vantagem



        Segundo as pesquisas de intenção de voto, a presidente Dilma Rousseff (PT) ampliou sua vantagem sobre Aécio Neves (PSDB), no segundo turno da eleição presidencial. Contabilizados os votos válidos, pelo Datafolha Dilma tem 53%, contra 47% de Aécio. Pelo Ibope, a vantagem é maior: Dilma tem 54%, contra 46% de Aécio.

ELEIÇÕES – Jatene não merece o benefício da dúvida



        Para além de um desempenho algo opaco como prefeito de Ananindeua, previsível pelas próprias características do município, Helder Barbalho, o candidato do PMDB ao governo, pela coligação Todos pelo Pará (PMDB / PT / DEM / PR / PDT / PROS / PHS / PC do B / PSL / PPL / PTN), usufrui do bônus e amarga o ônus de ser filho e herdeiro político do senador e ex-governador Jader Barbalho. A mais longeva liderança política da história do Pará, Jader carrega a pecha, que aderiu ao seu nome, de representar a quinta-essência da corrupção, na esteira de uma súbita evolução patrimonial. Um estigma ao qual invariavelmente aludem seus adversários de ocasião, para tratar de arquivar a nódoa insepulta, sempre que a ele se aliam, tal qual já fez o governador tucano Simão Jatene, que postula a reeleição pela coligação Juntos com o Povo (PSDB / PSD / PSB / PP / SD / PRB / PSC / PTB / PPS / PEN / PMN / PTC / PSDC / PT do B / PRP).
        Nascido em 1979, Helder tornou-se vereador de Ananindeua em 2000, elegeu-se deputado estadual em 2002 e foi eleito, em 2004, e reeleito, em 2008, prefeito de Ananindeua, para tornar-se candidato a governador este ano, com 35 anos. Goste-se dele, ou não, vote-se nele, ou não, deletado o emocionalismo decorrente da polarização eleitoral, o candidato peemedebista merece, certamente o benefício da dúvida, que está longe de significar um cheque em branco assinado pelo eleitor. Pelo contrário. Se eleito, de Helder deve-se cobrar, com rigor, os compromissos de gestão com os quais acenou ao eleitorado, como candidato, o que inclui ações imediatas capazes de aplacar o sucateamento de setores vitais da administração estadual, como educação, saúde, saneamento e segurança. Se claudicar, o eleitorado estará livre para em 2018 defenestrá-lo do Palácio dos Despachos, tal qual fez em 2010 com a ex-governadora petista Ana Júlia Carepa, que após uma gestão desastrosa, não conseguiu-se reeleger-se, em 2010. Ana Júlia sequer obteve a eleição para a Câmara Federal, nas eleições deste ano, sendo remetida para o limbo político, juntamente com o deputado federal petista Cláudio Puty, um dos luas pretas da ex-governadora, enquanto ela se manteve no poder.
        Quem certamente não merece o benefício da dúvida é o governador Simão Jatene, que aos 65 anos postula a reeleição. Feito, a fórceps, sucessor do ex-governador tucano Almir Gabriel em 2002, com a escandalosa utilização da máquina administrativa estadual, ele obteve um segundo mandato em 2010. Depois de ter sido a eminência parda administrações de Almir Gabriel como governador (1995 a 1998 e 1999 a 2002), nos seus mandatos, à frente do governo do Pará, Jatene teve um desempenho pífio, diante das promessas esgrimidas nos palanques. As suas maiores realizações, como governador, tiveram como beneficiários sua família, com ênfase para seus dois talentosos filhos, Izabela e Alberto, cuja prosperidade coincide com a ascensão política do pai. A estes se somam as famílias de sua atual mulher, Ana Maria Cunha Jatene, e da ex-mulher, Heliana Silva Jatene, mãe dos ilustres rebentos de Jatene.

        Não deriva de nenhum parti pris recusar o benefício da dúvida a Simão Jatene. Como conceder crédito a um governador notoriamente indolente, que evidencia inocultável fastio em relação as responsabilidades do cargo, e mantém uma postura tão apática, mas tão apática, que sugere a necessidade de ser vermifugado? Não por acaso, ele é popularmente conhecido como Simão Preguiça. O técnico competente que ele foi, é coisa do passado. Como administrador, ele vive no flozô, na ociosidade, usufruindo das pompas e circunstâncias do cargo, que tanto o fascinam.

ELEIÇÕES – A ética de ocasião do Tartufo tucano

        Quando simula indignação e malsina Jader e os Barbalho, Simão Jatene transmuta-se no Tartufo tucano, cuja cara não treme, diante de tanto cinismo. Ele foi catapultado para o proscênio político justamente por Jader Barbalho, do qual foi secretário de Planejamento no primeiro mandato do morubixaba do PMDB no Pará, de 15 de março de 1983 a 15 de março de 1987. Jatene aboletou na Seplan, a Secretaria de Estado de Planejamento, de 1983 a 1985. E posteriormente acompanhou Jader nas passagens deste pelos ministérios da Reforma Agrária e da Previdência Social, no mandado do ex-presidente José Sarney. Desde então o estigma de corrupto já acompanhava Jader, sem que isso pudesse causar qualquer constrangimento a Jatene.
        Jatene também não se sentiu constrangido, quando costurou o apoio de Jader Barbalho no segundo turno da sucessão estadual de 2002, no qual venceu, por minguada diferença de votos, a ex-deputada petista Maria do Carmo Martins. Na época, setores do PT cristianizaram Elcione Barbalho, a candidata peemedebista ao Senado, o que pavimentou a eleição, como senador, de Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, apoiado pelo PSDB. Na época, o apoio de Jader a Maria do Carmo, que poderia ter eleito a candidata petista, foi repelido por segmentos do PT, liderados pela então senadora Ana Júlia Carepa.

        Fiel à sua ética de ocasião, em 2010 Jatene passou ao largo dos pudores éticos que supostamente cultiva, para obter o apoio, no segundo turno, de Jader Barbalho, que, após ser recorrentemente hostilizado pelos luas pretas da governadora petista, desembarcou do governo de Ana Júlia Carepa, juntamente com o PMDB. Jader só voltou a ser um execrável corrupto, para Jatene, depois que o PMDB decidiu apostar na candidatura de Helder Barbalho a governador.

ELEIÇÕES – “Quem disso cuida, disso usa”

Jatene, com Dudu (à esq.) e Pioneiro (à dir.): parcerias reveladoras.

        “Quem disso cuida, disso usa”, consagra um adágio célebre. Sob essa perspectiva, é revelador do mise-en-scène de Simão Jatene, quando o assunto envolve ética e austeridade, parcela do elenco de candidatos da coligação Juntos com o Povo.
        O próprio Jatene figura como réu em processo no qual é acusado de corrupção passiva, na esteira do escândalo da Cerpa, a Cervejaria Paraense S/A. Esta, diga-se, não é uma acusação de Helder Barbalho, como leva a crer a propaganda eleitoral do governador tucano no rádio e na TV. A denúncia é do Ministério Público Federal, de acordo com o qual a cervejaria paraense, valendo-se de um caixa 2, abasteceu a campanha de Simão Jatene nas eleições de 2002, com R$ 16,5 milhões, em valores a atualizar. A contrapartida da tucanalha, conforme a denúncia, foi conceder à Cerpa perdão e incentivos fiscais que chegaram a R$ 47 milhões, também em valores da época.
        A esposa do candidato a vice-governador, deputado federal Zequinha Marinho (PSC), Júlia Marinho Godinho da Cruz Marinho, é suspeita de ser funcionária fantasma da prefeitura de Ourilândia do Norte, cujo prefeito Maurilio Gomes Cunha (PSC), oMaguila, foi afastado do cargo pela Justiça, na esteira de fartos indícios de improbidade administrativa. “Ela só apareceu duas vezes por aqui no município, para participar de eventos festivos”, relatou a vereadora Zulene Santos. Soa inverossímil a versão segundo a qual Zequinha Marinho não teria conhecimento da tramóia. Zequinha Marinha, diga-se, para além do discurso homofóbico que trombeteia, é também favorável à divisão do Pará, postura sobre a qual silencia a tucanalha, a banda podre do PSDB, embora critique asperamente, pelo mesmo motivo, Lira Maia,. Do DEM, o Democratas, candidato a vice-governador na chapa de Helder Barbalho.
        O senador Mário Couto (PSDB), derrotado na tentativa ad reeleição, dispensa apresentações. Trata-se, como sabem até as pedras desta terra, de um conhecido bicheiro. Ele é o mentor político da filha, a deputada estadual Cilene Couto (PSDB), que coonestou, por omissão, as falcatruas registradas na Assembleia Legislativa do Pará, na gestão, como presidente da Alepa, do ex-deputado Domingos Juvenil (PMDB), hoje prefeito de Altamira, durante a qual permaneceu como auditora chefe. Ela ocupou o cargo desde a administração do próprio pai, Mário Couto, como presidente da Alepa.

        O ex-prefeito de Belém, ex-senador e ex-deputado Duciomar Costa (PTB), também candidato derrotado ao Senado, é réu em 29 processos nas Justiças Estadual e Federal. A tramitação lenta e parcimoniosa dos processos ensejou um pedido ao ministro-corregedor-geral do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, Francisco Falcão, feito pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público Estadual, para que seja acelerado o julgamento das ações judiciais nas quais é réu o nefasto Dudu. Pelo MPF assinaram o documento os procuradores da República Alan Rogério Mansur Silva, José Augusto Torres Potiguar, Maria Clara Barros Noleto, Melina Alves Tostes e Ubiratan Cazetta. Pelo MPE, subscreveram o pedido os promotores de Justiça Firmino Matos, Alexandre Couto, Bruno Beckmbauer, Domingos Sávio e Marcelo Gonçalves, além do procurador de Justiça Nelson Medrado.

ELEIÇÕES – Pilhagem em conluio com os Maiorana



        Se Eldorado dos Carajás, com seu saldo de 19 sem-terra brutalmente mortos, é uma nódoa indelével na biografia do ex-governador tucano Almir Gabriel, foi igualmente devastador, para sua imagem de probidade, assim como para o seu sucessor, o governador Simão Jatene, o “convênio” celebrado em 1996 entre a Funtelpa, a Fundação de Telecomunicações do Pará, e a TV Liberal. Afiliada da Rede Globo de Televisão, a TV Liberal integra o grupo de comunicação da família Maiorana, historicamente hostil ao senador e ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e a quem Almir elegera como inimigo figadal. Pelo contrato – travestido de convênio, para driblar a exigência de concorrência pública – a Funtelpa simplesmente pagava um aluguel mensal para a TV Liberal utilizar suas 78 repetidoras e, assim, levar sua programação para o interior do Estado. O “convênio” firmado entre a Funtelpa e a TV Liberal, celebrado ainda no primeiro mandato de Almir Gabriel como governador, quando era presidente da fundação Francisco Cézar Nunes da Silva, rendeu aos cofres da emissora dos Maiorana R$ 37 milhões ao longo de 10 anos, em valores ainda por atualizar. O último pagamento foi de R$ 467 mil, também em valor por atualizar. Diante da ruptura do simulacro de convênio, pelo governo da petista Ana Júlia Carepa, os irmãos Maiorana ingressaram na Justiça com uma ação reivindicando uma indenização de mais de R$ 3 milhões, valor por atualizar, a pretexto de suposta “manutenção” feita nas repetidoras da Funtelpa.

        A pilhagem ao erário perdurou durante os dois mandatos de Almir e teve andamento no primeiro mandato de Simão Jatene como governador. Em um dos seus derradeiros atos, ao fim de seu primeiro mandato como governador, que se estendeu de 2003 a 2006, Simão Jatene renovou o repulsivo “convênio”, coadjuvado pelo então presidente da Funtelpa, Ney Messias, que veio a ser secretário estadual de Comunicação, no seu atual mandato. A lambança foi tornada sem efeito pela petista Ana Júlia Carepa, tão logo empossada como a primeira governadora eleita pelo voto direto da história do Pará.

ELEIÇÕES – Obras suntuosas e índices sociais pífios

        Os 12 anos de sucessivos governos do PSDB no Pará – que incluem os dois mandatos do ex-governador Almir Gabriel, de 1995 a 1998 e de 1999 a 2002, e o primeiro mandato de Simão Jatene, de 2003 a 2006 – foram caracterizados por obras faraônicas, invariavelmente superfaturadas, e índices sociais pífios. Um cenário que se repetiu, para pior, no atual mandato de Simão Jatene, após o hiato representado pela administração da ex-governadora petista Ana Júlia Carepa, de 2007 a 2010.
        No Pará, a tucanalha, a banda podre do PSDB, legou obras suntuosas, índices sociais pífios e uma política de austeridade salarial particularmente penosa para o servidor público estadual. Nos oito anos de administração Almir Gabriel, na qual Simão Jatene pontificou como eminência parda e sucedeu ao seu patrono político -  a perda salarial média do funcionalismo público estadual chegou a 55%, de acordo com o Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Sócio-Econômicos.
        Entre 1995 e 2002, período que corresponde aos dois mandatos consecutivos de Almir como governador, o percentual de desemprego na população economicamente ativa no Pará, também de acordo com o mesmo Dieese, situou-se entre 16% e 18%. Segundo ainda o Dieese, 53,86% dos ocupados viviam na faixa da pobreza, ganhando até, no máximo, dois salários mínimos. O Pará, que até 1994 tinha o terceiro melhor PIB per capita da Amazônia, o Produto Interno Bruto, desabou para o quinto lugar, à frente apenas de Roraima e Tocantins, revelaram os insuspeitos números do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
        Um estudo encomendado pela Secretaria de Política Urbana no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB como Almir Gabriel, intitulado “Déficit Habitacional do Brasil – 2000”, apontava que o Pará tinha, naquela altura, 233.622 famílias sem-teto, o que fazia o Estado concentrar 54% do déficit habitacional da região Norte. No que se refere ao nosso Estado, o estudo expunha números dramáticos, para dizer o mínimo. O estudo “Déficit Habitacional do Brasil –2000”, revelou que o Pará era o campeão da região Norte em domicílios rústicos e improvisados, com mais de 12 mil famílias comprometendo até 30% da sua renda com alugueis e mais de 166 mil famílias vivendo em regime de coabitação familiar. No Pará, constatou o estudo encomendado pelo governo FHC, 17% dos domicílios eram divididos por mais de uma família, o que representava o mais alto percentual de coabitação do País.

        De resto, o IBGE informava também que justamente na era Almir Gabriel, ironicamente um respeitado médico, o Pará – onde bebês morriam por falta de UTIs neonatal - passou a figurar entre os 12 Estados com déficit de leitos hospitalares. Dos 12 Estados com déficit de leitos, seis ficavam no Norte (Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins, Roraima e Rondônia), quatro no Nordeste (Ceará, Bahia, Sergipe e Alagoas), um no Sudeste (Espírito Santo) e um no Centro-Oeste (Distrito Federal).

ELEIÇÕES – A escalada da inépcia




        No Pará, depois dos 12 anos de sucessivos governos do PSDB, o que antes já era ruim tornou-se pior, muito pior, na esteira do segundo mandato do governador tucano Simão Jatene. O Estado ostenta, por exemplo, o pior resultado do Brasil do Ideb de 2013, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, conforme os números divulgados pelo Ministério da Educação. O Pará tem 67 municípios entre as 500 posições mais baixas do ranking do IFDM, o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal. O Pará apresenta ainda os piores índices de saneamento de acordo com o Instituto Trata Brasil, que utiliza indicadores do SNIS, o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.

        O sucateamento da segurança pública resultou, por exemplo, teve conseqüências trágicas. Em 2013, estudo do Ipea, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, revelou que o Pará ultrapassa a marca dos 125 homicídios por cada grupo de 100 mil jovens. Essas mortes representariam um custo de R$ 3,2 bilhões ao ano, ou 3,5% do PIB estadual, conforme mostra a taxa de vitimização violenta de jovens e valores sociais, o chamado “custo social” caso alguém fosse responsabilizado pelos crimes. Não surpreende, assim, que Simão Jatene ocupe a última posição no ranking de avaliação do desempenho dos atuais governadores.

ELEIÇÕES – O elenco de índices negativos



FONTE: DOL, Diário Online.

BANCO DA AMAZÔNIA – A greve de 2014 e a crise



SILVIO KANNER *

        Na literatura política existem muitas definições de crise, ainda assim, cremos ser possível o estabelecimento de um ponto comum entre essas várias definições, relacionado à indefinição, incerteza, instabilidade. No quadro político real, essa definição de crise se expressa em geral pelo confronto de dois ou mais blocos de interesse/poder cujas posições sobre os caminhos a seguir, visando a superação de uma determinada situação, são por completo divergentes e em certos casos, antagônicos.
        A greve de 2014 no Banco da Amazônia tem a marca de uma crise institucional. Problemas estruturais graves exigem solução, como toda solução na economia, esta também tem um custo, e como é da natureza dos custos, alguém deve saldá-lo. A questão está então em: quem o fará?
        A partir do comando da empresa, sua diretoria devidamente importada para dar cabo ao plano, e devidamente reforçada por um pelotão de artilharia formado por agentes da casa, para evitar um conflito, por que não dizer “nacionalista”, propõe sua estrutura de sacrifícios. Os empregados precisam trabalhar mais; nas palavras do “nosso” diretor de Recursos , “entregar mais”; mas isso não sendo o bastante, devem ganhar menos.
        Mas essa estrutura de sacrifícios, visando a superação da crise que eles agora assumem de forma aberta, é tão somente o plano de saída clássico de uma crise como esta, isto é, aos empregados e clientes cabe o sacrifício, em troca de promessas de uma “terra prometida” à diretoria, ao governo, aos acionistas o esforço de superação da crise não deve lhes retirar nada.
        A diferença, desta feita, está na radicalização do conflito, cujo motor é a nova leitura que a diretoria do banco procedeu, a de que seu plano de superação da crise não terá eficácia se as entidades e, principalmente, a AEBA, com a conduta atual, permanecerem nesta posição. Em vários momentos representantes do batalhão de choque repetem as palavras do chefe e o próprio chefe em pessoa, ao passar pelo piquete num desses dias de greve, tendo perdido a compostura, afirmou categoricamente: “vocês vão quebrar o banco, a culpa será de vocês!”.
        Com isto, ele está querendo dizer que, se vocês continuarem a fazer o seu trabalho, nós não teremos como aplicar nosso plano, que é o único que pode salvar o Banco da Amazônia. Ou, ainda, vocês precisam entender que é preciso sacrifício, o sacrifício de vocês! Tendo compreendido que AEBA e outras entidades não irão se omitir, relativamente à defesa do banco e dos seus associados, o presidente teria decidido omiti-la ele próprio, a partir da força. Chegamos então a uma conclusão, pra não dizer, no mínimo, interessante. Quão frágil é uma instituição que depende da omissão das entidades representativas de classe para gerar resultados ou superar crises. Mas há também conclusões mais nesta situação.
        Chega a ser pueril o argumento de que uma associação como a nossa possa levar à bancarrota uma instituição como o Banco da Amazônia, de 72 anos de existência – e ainda mais se consideramos que toda essa “maldade” é devido à cobrança que fazemos de direitos básicos dos cidadãos e dos trabalhadores, todos eles previstos em lei. Sinceramente, desconhecemos o curso de lógica deste senhor, posto que qualquer criança tem a noção clara de que há uma linha de responsabilidade direta entre os diretores de uma empresa e os seus resultados. Falando em bom português, os diretores do banco são eles, e a eles cabe a responsabilidade direta pelas ações da instituição. Acaso não são eles os agraciados com os louros da vitória, acaso não são eles que fazem jantares, comemoram resultados e aparecem nos jornais?
        A AEBA, por outro lado, compreende a situação, mas aos empregados já nos foi exigido sacrifícios em demasia. Não podemos e não vamos esperar mais dez anos para ver mudanças na situação. Afinal, nenhum dos problemas hoje atravancares do banco foi gerado por seu corpo de empregados, mas tão somente por decisões da diretoria.
        A diretoria do banco e o governo querem transferir sua crise para nós, querem que se acredite que a solução está em nosso silêncio, em nossa abstenção de cobranças, e em nossa passividade diante de planos deletérios. Lamentamos muito, mas isso, não faremos!
        O fato inquestionável dessa realidade é que após mais de sete anos de gestão dos quadros egressos do Banco do Brasil S.A, é preciso que se diga, a partir da imposição dos agentes públicos eleitos ou por estes empossados, a situação do Banco da Amazônia, não mudou em nada – sua política e métodos de gestão não produziram resultados favoráveis, mas sim prejuízos aos já sacrificados empregados. A tudo isso, as entidades respondem com iniciativas políticas e judiciais – eles agora lançam seu furor contra as entidades de forma direta, ou atacando os empregados, na tentativa de afastá-los das posições das entidades.
        Precisamos nos manter unidos e fortes, para defender o Banco e nossos direitos!
        Parabéns a todos que participaram da greve de 2014!
        Ainda temos muitas lutas pela frente!


 * Presidente da AEBA, a Associação dos Empregados do Banco da Amazônia.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – Pega na mentira


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Recorde de acessos

Gráfico registrando o pico de acessos do blog segunda-feira, 20.

        Mesmo sem ser atualizado, nesta última segunda-feira, 20, o Blog do Barata registrou um novo recorde de acessos, neste mês de outubro, ao atingir a marca de 3.282 acessos, segundo as estatísticas do Blogger, sobre as quais os blogueiros não têm nenhuma ingerência. ELEIÇÕES – Helder supera Jatene na TV Record, de domingo, 19, foi a postagem mais acessada desta última segunda-feira e lidera o ranking das mais acessadas nos últimos oito dias, ainda segundo o Blogger.

        Quanto as visualizações de páginas por País, também de acordo com Blogger, nesta última segunda-feira, 20, o Blog do Barata registrou os seguintes números: Brasil, 2.327 visualizações; Alemanha, 723; Estados Unidos, 124; Espanha, 42; China, 28; França, 4; Índia, 4; Bélgica, 3; Portugal, 3; Canadá, 2.

TAILÂNDIA – Balela eleitoral e suspeita de corrupção

Ney da Saúde e Simão Jatene: entre  a balela eleitoral e a falcatrua.

        Qual o valor total das obras? As obras não foram executadas, ao contrário do que declara em suas prestações de contas de 2010, 2011 e 2012 o ex-prefeito de Tailândia, Gilberto Miguel Sufredini, do PSD, o Partido Social Democrático, cassado por corrupção? Houve aporte do governo do Pará, ou as obras foram realizadas unicamente com recursos do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal? Houve desvio dos recursos destinado às obras, via PAC? Por que o atual prefeito do município, Rosinei Pinto de Souza, o Ney da Saúde, também do PSD, atribui a realização das obras ao governador tucano Simão Jatene, omitindo os recursos destinado pelo governo federal, via PAC?
        Estas são perguntas que não querem calar, diante da mais recente lambança do atual prefeito de Tailândia, Rosinei Pinto de Souza, o Ney da Saúde, cujo partido integra a coligação pela qual o governador tucano Simão Jatene postula a reeleição. De acordo com denúncias feitas ao Blog do Barata, na versão do prefeito Ney da Saúde, as obras que viabilizam o abastecimento e distribuição de água para as vilas Bom Jesus e Bom Remédio teriam sido implementadas com verbas do governo do Pará, em um evidente estelionato eleitoral para favorecer Simão Preguiça, como é popularmente conhecido o governador. Mas essas mesmas obras foram declaradas como executadas com recursos destinados pelo PAC, segundo as prestações de contas de 2010, 2011 e 2012 do ex-prefeito Gilberto Miguel Sufredini, também do PSD, partido de Ney da Saúde, e os repasses figuram no portal da CGU, a Controladoria Geral da União, acrescentam as denúncias.

        O imbróglio, que dentre outras suspeitas sugere a possibilidade de um eventual desvio de recursos públicos, supostamente coonestado pelo atual prefeito de Tailândia, foram ironicamente deflagradas pelo próprio Ney da Saúde. Em sua página no Facebook, ele jactou-se das realizações das obras que viabilizam o abastecimento e distribuição de água para as vilas Bom Jesus e Bom Remédio, atribuindo-as a um aporte de recursos do governo estadual. Há um termo aditivo, celebrado pela Prefeitura de Tailândia com a Consan Engenharia Ltda., prorrogando o contrato entre as partes de 12 de maio a 8 de agosto deste ano, publicado no Diário Oficial do Estado. Mas no Portal da Transparência da Prefeitura de Tailândia verifica-se que, nas suas prestações de contas relativas a 2010, 2011 e 2012, o ex-prefeito Gilberto Miguel Sufredini, também aliado de Simão Jatene e cassado por corrupção, lista as obras que viabilizaram o abastecimento e distribuição de água para as vilas Bom Jesus e Bom Remédio como executadas com recursos do PAC.

TAILÂNDIA – Indícios que alimentam as suspeitas





TAILÂNDIA – Nicho de falcatruas da tucanalha

        A Prefeitura de Tailândia é um nicho da tucanalha, a banda podre do PSDB. Quando na Seduc, a Secretaria de Estado de Educação, na gestão de Nilson Pinto, Altimá Alves da Silva, enfant gaté de Nilsinho, foi flagrado acumulando as funções de assessor político, na secretaria, com o cargo de secretário de Planejamento da Prefeitura de Tailândia, nicho de correligionários do parlamentar tucano, como revelou, a 1º de agosto de 2011, com exclusividade, o Blog do Barata. Mas não só isso. Na ocasião o blog revelou também, reproduzindo os atos oficiais que caracterizavam a tramóia, que ele era beneficiário de uma farra de diárias, em uma escancarada pilhagem ao erário. Pela denúncia, Altimá não só embolsava vencimentos na Seduc, na condição de servidor comissionado, como também na Prefeitura de Tailândia, como secretário municipal de Planejamento. O então prefeito de Tailândia, Gilberto Miguel Sufredini, que acabou defenestrado do cargo por corrupção, bancaria, com recursos públicos, benesses inimagináveis para um cabo eleitoral, por melhor que este seja. Seria a Prefeitura de Tailândia quem pagaria, para Altimá Alves da Silva, o aluguel de uma casa em Belém, na rua Ferreira Pena, nº 279, com telefone – (91) 3224-3234. Assim como seria igualmente pago com recursos públicos o aluguel do carro no qual circulava o assessor político de Nilsinho - um Renault stepway vermelho, de placa NST 6032. O aluguel do veículo custaria R$ 2 mil mensais, de acordo com a fonte da denúncia que, diga-se, não foi desmentida.
        Mais recentemente, uma apaniguada do deputado federal tucano Nilson Pinto, Dorvalina Bastos da Silva, foi flagrada usufruindo de uma autêntica pilhagem ao erário. Servidora efetiva da Seduc, lotada em Belém, e da Semec, a Secretaria Municipal de Educação, da Prefeitura de Belém, nada disso teria impedido que ela, residindo desde janeiro de 2009 em Tailândia, a 270 quilômetros de Belém, fosse a partir daí, até maio de 2013, diretora de Ensino da Semed, a Secretaria de Educação do município. Somente em junho de 2.013 Dorvalina teria sido formalmente cedida - com ônus - pelo prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, também do PSDB, para a Prefeitura de Tailândia, na qual passou a exercer o cargo de ouvidora. Mas não pela Seduc, assinalou a denúncia.
        Mas a pedagoga Dorvalina Bastos da Silva, protagonista de uma acumulação indevida de vencimentos na Prefeitura de Tailândia, não é a única a usufruir das benesses, naturalmente bancadas com dinheiro público, patrocinadas pelo deputado federal tucano Nilson Pinto, o Nilsinho. Segundo denúncia feita ao Blog do Barata, outra beneficiária das mamatas viabilizadas pelo deputado seria a enfermeira Lindanor Maria Ribeiro Ferreira, que vem a ser cunhada do parlamentar e irmã da sua distinda esposa, Lena Conceição Ferreira Oliveira Pinto, a folclórica Lady Kate, que já foi a preferida de 11 entre 10 prefeitos do interior. Servidora da Prefeitura de Tailândia desde 2009, em concurso promovido pelo ex-prefeito Gilberto Miguel Sufredini, defenestrado do cargo por corrupção, Lindanor Maria – originária da Santa Casa de Misericórdia do Pará e cedida com ônus para a Seduc, a Secretaria de Estado de Educação, na gestão de Nilsinho – jamais teria pisado no hospital ou em algum posto de saúde do município. “Ela sequer cumpriu seu estágio probatório”, acrescenta o relato feito ao blog.

        Na sua gestão, Rosinei Pinto de Souza, o Ney da Saúde, estabeleceu relações promíscuas com os vereadores José Dario Oliveira Souza, do PSB, o Partido Socialista Brasileiro, e Ruth Lene Batista Eduardo, a Ruth Lene do Pingo de Gente, do PTC, o Partido Trabalhista Cristão. Valendo-se de laranjas, ambos foram flagrados mantendo relações comerciais com a Prefeitura de Tailândia, utilizando prepostos, para mascarar o conflito de interesses protagonizado, como também revelou o Blog do Barata.