domingo, 19 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – Escândalos em pauta


ELEIÇÕES – Helder supera Jatene na TV Record

Helder x Jatene: confronto que favoreceu o candidato do PMDB.

        Um candidato que, para além da exuberância da juventude, revelou intimidade com os problemas do Pará e, embora incisivo nas críticas, não resvalou para o desrespeito ao adversário, na contramão deste, traído pelo nervosismo, traduzido por uma postura iracunda. Assim pode ser resumido o desempenho de Helder Barbalho (PMDB), no confronto com o governador Simão Jatene (PSDB), no debate promovido pela TV Record, na tarde deste domingo, 19, reunindo os candidatos que disputam, neste segundo turno da eleição, o governo do Pará.
        Longe do teleprompter, tão caro a quem se habituou a pontificar, à margem do contraditório, Simão Jatene, a despeito da experiência como orador, revelou-se desarvorado, talvez porque não tenha conseguido desestabilizar o adversário, tendo ainda contra si uma administração notoriamente medíocre. Na falta de realizações mais expressivas para exibir, o governador tucano, que postula a reeleição, concentrou-se na tentativa, vã, de desconstruir o adversário. E foi aí, exatamente aí, que incorreu no erro crasso de insistir em um discurso virulento, deixando sem respostas convincentes as críticas disparadas por Helder Barbalho, amparadas nos índices sociais pífios exibidos pela atual administração.

        De resto, a serenidade exibida por Helder Barbalho, acentuada pela segurança do seu discurso, fez Simão Jatene incorporar o vício de origem da sua campanha no rádio e na televisão. A despeito de tentar desqualificar o adversário, o governador tucano consumiu grande parte do tempo que lhe coube tentando justificar o injustificável – a ausência de realizações efetivamente expressivas, capazes de justificar a pretensão de obter do eleitorado um novo mandato. Da parte de Simão Jatene não faltaram promessas, palatáveis em um candidato de oposição, mas que em um detentor do poder soam a balelas de palanque, como é próprio de administradores ineptos.

ELEIÇÕES – Temporada de baixarias


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Indicação para o Prêmio Fiepa de Jornalismo



        No último dia 10 fui surpreendido com o comunicado feito pela Temple Comunicação, por e-mail, sobre minha indicação ao Prêmio Sistema Fiepa de Jornalismo 2014, na categoria Melhores Profissionais do Ano – Blogueiro.
        Para quem jamais disputou premiação de qualquer natureza, ao longo de 41 anos de carreira como jornalista, a indicação, por si só, soa lisonjeira, por representar um reconhecimento à relevância da proposta que inspirou o Blog do Barata, que é a democratização da informação, sem as amarras das injunções político-partidárias e comerciais.

        Muito mais que meus, os méritos pela indicação são de todos aqueles que ajudam-me a fazer o Blog do Barata – amigos, com os sábios conselhos e ponderações, que só o distanciamento crítico permite; fontes, anônimas, ou não; e internautas que prestigiam-me com sua leitura, contribuindo com sugestões e críticas.

BLOG – Enfim, de volta

        Problemas de saúde, que impuseram um périplo por médicos e clínicas, na esteira de uma avalanche de exames, tiraram-me de cena nos últimos dias, obrigando-me a suspender a atualização do Blog do Barata, que retomo neste domingo, 19, desculpando-me pela ausência compulsória.

BLOG – A medicina como sacerdócio

        Há 31 anos atrás, após um primeiro ano de vida saudável, minha filha apresentou sucessivos resfriados e gripes, sem causa aparente e sem um diagnóstico preciso por parte dos médicos consultados. Por sugestão da minha mãe, recorri, então, à doutora Amélia Ribeiro, uma pediatra de mão cheia, que após ouvir o relato da minha mulher e auscultar a minha filha, diagnosticou um quadro de fundo alérgico, confirmado pelos exames feitos a posteriori. Minha filha cresceu saudável, como saudável cresceu também meu filho, sob a proteção do anjo da guarda que foi, para eles, a doutora Amélia, prematuramente falecida e que deixou saudades não só pela competência, mas pela postura, já então rara, de médico que exerce o seu ofício como um sacerdócio.
        Por uma dessas gratas coincidências da vida, às voltas com as complicações decorrentes de uma colite crônica, a qual se somou uma gastrite, eis que me vi diante do doutor Fernando Ribeiro Júnior, da Brasmed e que vem a ser filho da saudosa doutora Amélia. Ele reproduz, da mãe, a competência e a postura ética, traduzida na atenção e respeito ao paciente, tratado como tal e não como uma mera cifra.

        Pela atenção a mim dispensada, devo um agradecimento público ao doutor Fernando, assim como ao doutor Aurélio Albuquerque, da Densimagem, jovens médicos que passam ao largo da impessoalidade que marca a mercantilização da medicina. Um agradecimento que estendo, por sua gentileza, à equipe de atendentes da Brasmed e, em particular, às enfermeiras Alexandra e Gisele, pelo carinho com que fui tratado por ambas.

BLOG – Um comovido agradecimento

        Segundo o saudoso Henfil, por solidariedade a gente não agradece, a gente se comove. Seja como for, não posso deixar de fazer um sincero e comovido agradecimento pelo desvelo da minha única irmã, Tereza Christina, cuja amorosa dedicação, que aplaca as vicissitudes pelas quais passo, em parte decorrente do meu proverbial desleixo com a saúde. Incansável, ela é quem providencia as consultas a médicos e os exames eventualmente solicitados, e ainda encontra tempo para cuidar da minha alimentação, com a dedicação mais própria de mãe, algo que tanto comove, mas também constrange, por previsivelmente sobrecarregá-la, na rotina na qual se desdobra, para cumprir os papéis de esposa, mãe, avó e profissional.
        Não posso deixar de estender meus agradecimentos ao meu cunhado, Pedro Lima, aos meus sobrinhos, Lauro e Andréa, filhos da minha irmã e de Pedro, e ao meu genro, Daniel Coutinho, pela generosidade que tanto comove. Daniel, diga-se, é um caso à parte, por revelar em gestos, que dispensam palavras, o mesmo carinho que mereço dos meus filhos. Assim como agradeço a generosa solidariedade de Dolores Coelho, minha ex-mulher, mãe dedicada dos meus filhos, Carol e Thiago, e avó igualmente dedicada dos meus netos, Fernando e João Pedro.
        Meus agradecimentos incluem também Egidia e Fernando Barata, ele, meu irmão, ela uma cunhada querida, da qual mereço o carinho de uma irmã. A eles muito devo, pela pronta e espontânea solidariedade, em momentos adversos.
        Agradeço ainda, porque seria injusto deixar de fazê-lo, a terna preocupação de duas amigas queridas, Ione e Ieda, irmãs por afinidade, colocando-se permanentemente à disposição, para qualquer eventualidade.
        Por tudo isso, posso dizer que a vida concedeu-me muito mais do que mereço.

        Obrigado, mas muito obrigado, mesmo. Isto é o mínimo que posso dizer, valendo-me do poder de permanência e convicção da palavra escrita.

ELEIÇÕES – A suspeita discrepância das pesquisas



        Nada contra a família Maiorana ter um candidato da sua preferência na eleição para o governo do Pará, desde que essa opção preferencial fosse formalmente assumida e não se fizesse em detrimento dos fatos, como é tradição da casa. Por isso, se constitui em uma afronta ao eleitorado e à própria Justiça Eleitoral, as recorrentes tentativas de manipulação a favor da candidatura do governador tucano Simão Jatene, que postula a reeleição.
        Neste fim de semana, porém, os Maiorana se superaram em matéria de ignomínia eleitoral. Bastou a pesquisa do Ibope apontar uma vantagem numérica de Helder Barbalho, do PMDB, para ser solenemente ignorada por O Liberal, o principal jornal das ORM, as Organizações Romulo Maiorana. Pelo Ibope, tradicional parceiro de empulhação eleitoral dos Maiorana, Helder Barbalho teria 48% das intenções de votos, contra 45% de Simão Jatene, o que configura um empate técnico, porque dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais, para mais, ou para menos.
        Em sua edição deste domingo, 18, O Liberal optou por abrir manchete com as pesquisas dos institutos Doxa e BMP, Bureau Marketing e Pesquisa, que apontam, respectivamente, vantagem de Simão Jatene de 7,4% e 4,2%.

        Em sua edição dominical, o Diário do Pará, o jornal do grupo de comunicação da família do senador Jader Barbalho, do qual é filho e herdeiro político Helder Barbalho, teve como manchete a pesquisa do IVeiga, segundo a qual o candidato peemedebista tem 53,7% dos votos válidos. O instituto é comandado por Edir Veiga, o dentista que é também cientista social e ostenta uma turbulenta vida pregressa, que inclui um périplo pela Europa, com recursos da UFPA, a Universidade Federal do Pará, para fazer proselitismo político, a favor do PT, do qual acabou defenestrado, sob a suspeita de falcatruas.

ELEIÇÕES – E a Lei Kandir, excelências?

Aécio com Jatene: silêncio sobre a Lei Kandir, que tanto penaliza o Pará.

        Em sua aparição na TV ao lado do governador tucano Simão Jatene, Aécio Neves, o candidato a presidente pelo PSDB, cumpriu o script previsível, mas, por isso mesmo, protagonizou um momento menor em sua campanha, no esforço de tornar palatável a candidatura à reeleição de Simão Preguiça.
        Para além das insuspeitas qualidades que Aécio identificou em Jatene, absolutamente desconhecidas para quem vive no Pará, o logro, o embuste, que ofende a inteligência do eleitorado mais esclarecido, evidenciou-se no silêncio de ambos sobre a Lei Kandir, que tanto penaliza o nosso Estado.
        A Lei Kandir, recorde-se, isenta do ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços, os produtos e serviços destinados à exportação. A lei entrou em vigor em 13 de setembro de 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso, e leva o nome do seu autor, o ex-deputado federal tucano Antônio Kandir.

        Na época, o Pará era governado pelo ex-governador tucano Almir Gabriel, já falecido, que tinha então Simão Jatene como secretário estadual de Planejamento e eminência parda. Ambos acataram silentes, bovinamente, a espoliação imposta ao Pará.

ELEIÇÕES – A balela e o viés autoritário



        Nada mais ignominioso, porque induz a uma balela repetida como mantra, que o discurso incorporado pela presidente Dilma Rousseff malsinando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O que os petistas omitem, apostando na amnésia histórica e porque as novas gerações desconhecem as turbulências dos anos de inflação descontrolada, é que FHC foi o presidente da estabilidade econômica, da modernização do Brasil, via Plano Real. Foi FHC que tornou possível o ex-presidente Lula protagonizar um governo notabilizado por promover a inclusão social. Não por acaso Lula respeitou os fundamentos econômicos herdados do antecessor.

        Agora, pior, porque revela um inocultável viés autoritário, é Dilma Rousseff atribuir-se os méritos pelo fim da impunidade em relação aos corruptos, que tem como paradigma a condenação dos mensaleiros. Se hoje temos ex-ministros de Estado petistas encarcerados e cabeças coroadas do petismo cumprindo pena, e a pilhagem na Petrobrás sob investigação, deve-se, apenas e unicamente, a consolidação das instituições democráticas, uma conquista do conjunto da sociedade brasileira. O resto é conversa para boi dormir.

AMAPÁ – Repúdio a interferência indébita da Aleap

Ivana Cei: protesto vigoroso em defesa da independência do MP do Amapá.

        “A medida adotada pela Assembleia Legislativa, no sentido de alterar as regras para acesso ao cargo de Procurador-Geral de Justiça, impedindo Promotores de Justiça de concorrerem ao pleito, é fruto de uma verdadeira afronta à sociedade e atentado ao Estado Democrático de Direito, aos direitos fundamentais, aos princípios constitucionais da autonomia e independências, não só do Ministério Público do Amapá, mas de todo o Ministério Público Brasileiro.”

        Esta é uma passagem da manifestação do Ministério Público do Amapá sobre a alteração da Constituição daquele Estado, feita pela Assembleia Legislativa amapaense, proibindo que promotores de Justiça se candidatem ao cargo de procurador-geral de Justiça, interpretada como uma afronta à Lei Orgânica do Ministério Público. A nota oficial, denunciando a interferência indébita, é assinada por Ivana Lúcia Franco Cei, procuradora-geral de Justiça, e José Cantuária Barreto, promotor de Justiça e presidente da AMPAP, a Associação dos Membros do Ministério Público do Amapá.

AMAPÁ – O protesto do Ministério Público

        Segue abaixo a transcrição, na íntegra, da manifestação de repúdio do Ministério Público do Amapá, diante do ato da Assembleia Legislativa amapaense:

        “O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ e a ASSOCIAÇÃO DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO AMAPÁ, por sua Procuradora-Geral de Justiça e seu Presidente, no uso de suas atribuições legais, vêm a público apresentar a seguinte manifestação:

        “Nos termos da Constituição Federal de 1988, o Ministério Público é uma instituição oficial, independente e autônoma, de grande importância para a função jurisdicional do Estado, age na defesa da ordem jurídica, do regime democrático de direito, dos direitos e interesses sociais e individuais indisponíveis, bem como pela leal observância das leis e da Constituição.

        “Como não poderia ser diferente, o Ministério Público do Amapá, ao longo de todos os anos de sua criação, vem atuando em prol da sociedade, propiciando uma maior eficácia no exercício da cidadania e na defesa do patrimônio público, a exemplo de todas as medidas que tem adotado para lutar contra a corrupção que assola e deteriora o Estado do Amapá.

        “A medida adotada pela Assembleia Legislativa, no sentido de alterar as regras para acesso ao cargo de Procurador-Geral de Justiça, impedindo Promotores de Justiça de concorrerem ao pleito, é fruto de uma verdadeira afronta à sociedade e atentado ao Estado Democrático de Direito, aos direitos fundamentais, aos princípios constitucionais da autonomia e independências, não só do Ministério Público do Amapá, mas de todo o Ministério Público Brasileiro.

        “Os atos praticados pela Assembleia Legislativa do Estado do Amapá nada mais são que represálias ao Órgão Ministerial em razão do expressivo número de deputados que estão sendo investigados e denunciados perante a Justiça pelo desvio de mais de 175 milhões de reais. A mordaça criada pela Assembleia Legislativa, certamente, não calará a Instituição, que, independentemente de ter no comando das atividades um Procurador ou Promotor de Justiça, continuará a enfrentar e combater, sem qualquer temor, todos os atos de corrupção que consomem nosso Estado. O Ministério Público do Amapá não é feito de covardes, é feito por pessoas que tem compromisso com a sociedade e que não medirão esforços para desempenhar com excelência a tarefa conferida pelo povo brasileiro.

        “Como Instituição independente e autônoma, o Ministério Público do Amapá e o Ministério Público Brasileiro continuarão a ingressar com ações contra todos os agentes públicos e políticos envolvidos em atos de malversação de recursos públicos, corrupção passiva e ativa, falsificação de documentos, peculato, desvio, dentre outros atos ilícitos e ímprobos.

        “Medidas judiciais serão adotadas em todas as esferas e com o apoio das instituições nacionais.

        “É o Brasil unido no combate à corrupção.

        “Ivana Lúcia Franco Cei - Procuradora-Geral de Justiça



        “José Cantuária Barreto – Promotor de Justiça e Presidente da Associação dos Membros do Ministério Público do Amapá (AMPAP)

domingo, 12 de outubro de 2014

ELEIÇÕES - Disparada


MURAL – Queixas & Denúncias


CÍRIO – Que a chama da fé ilumine a todos nós

Procissão do Círio de Nazaré: a pororoca de devotos, iluminados pela fé.

        Que a chama da fé, que move a pororoca de fiéis que tomam as ruas de Belém na procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, ilumine a todos nós na luta por justiça social, que se expressa na efetiva determinação política de conciliar o socialmente justo com o orçamentariamente possível. Não se trata, diga-se, de desconhecer as desigualdades próprias à natureza humana, mas de aplacar as desigualdades sociais que são acrescidas às diferenças naturais e biológicas.

        Que essa portentosa manifestação de fé, expressa pela multidão de fiéis, não nos deixe resvalar para o êxtase improdutivo e que em lugar deste se materialize, em cada um de nós, a disposição em amar o próximo como a nós mesmos, o desafio diário do homem que sabe que não é Deus.

ELEIÇÕES – “Máquina e mídia não escondem a verdade”

Roberto Corrêa: vocação política faz de Helder Barbalho o favorito.

        “Máquina administrativa e mídia são importantes, mas não conseguem esconder a verdade sentida pelo eleitor a quando da avaliação da gestão tucana que se encerra.”
        A observação é de Roberto Corrêa, cientista político que é professor de carreira da UFPA, a Universidade Federal do Pará, ao comentar os desdobramentos da eleição para o governo do Pará, em cujo primeiro turno Helder Barbalho, candidato do PMDB, derrotou o governador Simão Jatene, do PSDB. Um dos mais respeitados intelectuais de sua geração, Corrêa vê o pêndulo eleitoral favorecer Helder Barbalho, herdeiro político do senador Jader Barbalho, com o qual se confunde o PMDB no Pará. “Ser político é vocação e o tempo da política é o tempo da negociação, do ouvir com atenção as demandas e sugestões dos aliados. Diferente de Jatene, Helder é o piloto de uma nova coalização que busca o poder amalgamando demanda dos vitoriosos e derrotados. As adesões a sua candidatura são a prova inconteste de sua vocação política”, assinala Corrêa, na entrevista abaixo, concedida ao Blog do Barata.

        Costuma-se dizer que o segundo turno é uma nova eleição. Esta premissa aplica-se ao caso do Pará, diante da exacerbada polarização que desde o início da campanha marca a disputa para o governo e o caráter plebiscitário que o PSDB tentou imprimir à eleição, na esteira da condição de Helder Barbalho de herdeiro político do senador e ex-governador Jader Barbalho?

        Nova eleição é redundância semântica para não dizer reconhecimento da estratégia de continuidade da política eleitoral desencadeada no 1º turno, posto que os concorrentes darão prosseguimento ao esforço de captura de votos mediante assédio aos candidatos eleitos e não eleitos pelas nominações partidárias e/ou coligações. Campeões de voto como Delegado Eder Mauro (PSD, 265.983 votos) e Edmilson Rodrigues (PSOL, 170.604 votos) estão no centro desse assédio tático. No caso dos não eleitos, os que pontuaram em significado de popularidade, foram, para governador, Zé Carlos Lima (PV), com 1749 votos; Elton Braga (PRTB), com 749 votos; mais a não tanto surpresa de Jefferson Lima (PP), para senador, com 741.727 votos. Muitos candidatos a deputado federal e estadual, não eleitos, serão importantes nesse esforço de cabalagem: Raul Batista (PRB); Miriquinho Batista (PT); Giovanni Queiroz (PDT); Paula Titan (PMDB); Gerson Peres (PP) e Ana Julia Carepa (PT). Concordo com o termo nova eleição dado que a estratégia dominante será a busca do voto trânsfuga, posto que no 2o turno cai e muito a mobilização da tropa de apoiadores do candidato Jatene em razão das não esperadas derrotas e das eternas quizilas reinantes no jardim secreto tucano, aumentando com isso a inclinação do eleitor mediano votar em quem está na frente; neste caso, Helder Barbalho. A intuição de que o candidato desafiante seja herdeiro político de Jader Barbalho é fragilizada nos propósitos difamadores da tucanada, tendo em vista a surpreendente autonomia intelectual, moral e política do jovem Helder Barbalho, sobretudo no que diz respeito a sua autoimagem explicitada na semântica inaugurada por Maquiavel: seja por carisma (liderança e poder); seja por virtù (valores próprios e reais que um homem político oferece a seus seguidores).

        Considerando o quadro eleitoral no Pará, o segundo turno é o momento do voto útil, do eleitor dizer sobretudo o que não quer, ou comporta o voto da persuasão, determinado por uma agenda propositiva?

        As duas motivações, persuasão e agenda propositiva se encontram no marketing político e estarão expressas nos debates que agora, cara a cara, tendem a reduzir a dominância do script e favorecer o candidato com maior sagacidade, criatividade e domínio da informação regionalizada e localizada, no que favorece Helder pelo seu Ouvindo o Pará em mais de 100 municípios. Jatene estará preso a números que não convencem e poderá se sentir atraído pelo jogo de “cascas de banana” que na maioria das vezes funcionam como bumerangues. A agenda propositiva dos candidatos é sempre o que o eleitor mais exigente que ver e ouvir na discussão dos debates do 2º turno; pois, afinal, o eleitor busca na noção de bem público o que mais importante para sua vida; mormente no que diz respeito a cesta básica da cidadania: educação, saúde e segurança.

        Qual a repercussão, na candidatura do governador Simão Jatene, ele ter saído do primeiro turno com votação inferior a de Helder Barbalho, a despeito da utilização da máquina administrativa estadual e do ostensivo apoio de um dos dois maiores grupos de comunicação do Pará, com o agravante adicional do Pará exibir índices sociais pífios?

        A repercussão desse inesperado 2º lugar é, sem dúvida, o rebaixamento da moral da tropa que diante da quase tragédia eleitoral poderá vir a ser no 2º turno uma espécie de Incrível Exercito de Brancaleone --- ou seja, uma brigada desorientada nos seus propósitos eleitorais e tendente a aceitar a corrente trânsfuga, dos que mesmo tendoi votado em Jatene no 1º turno, passam a votar em Helder no 2º turno, algo como a descabestralização do voto. Máquina administrativa e mídia são importantes, mas não conseguem esconder a verdade sentida pelo eleitor a quando da avaliação da gestão tucana que se encerra. Bom lembrar que todo o gestor (presidente, governador e prefeito) é príncipe para uns e tirano para outros. Helder, com tudo o que a mídia apronta, foi reeleito em 1º turno para um segundo mandato em Ananindeua; o que o enquadra como príncipe da maioria e tirano da minoria. Para Jatene, as pesquisas mostram o inverso, seja pela avaliação de seu governo, seja pelo índice de rejeição.

        Até onde repercute, nas candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene, o fato do segundo turno se dar com as disputas para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa já definidas, com o previsível legado de mágoas daqueles cujas expectativas foram frustradas?

        Não há como evitar as frustrações e mágoas dos não eleitos e dos eleitos. É muito comum entre os tucanos paraenses as desavenças intra e entre partidos coligados. Fato que denuncia a ausência de uma liderança reconhecida por todos, como é o caso de Jader Barbalho no PMDB que, longe de ser um cacique é, na verdade, um maestro que rege uma coalizão de líderes regionalizados pelo plesbicito de 2012 da redivisão territorial do Pará. Jatene não é politico, é um técnico competente e, como tal, seu tempo está voltado para o resultado e não para a negociação pela qual não demonstra vocação ou paciência . A principal queixa que dos políticos é a de que Jatene, quando procurado em seu gabinete, parece ouvir não ouvindo... Ser político é vocação e o tempo da política é o tempo da negociação, do ouvir com atenção as demandas e sugestões dos aliados. Diferente de Jatene, Helder é o piloto de uma nova coalização que busca o poder amalgamando demanda dos vitoriosos e derrotados. As adesões a sua candidatura são a prova inconteste de sua vocação política.

        São evidentes as fraturas internas no PSDB do Pará, a mais vistosa das quais a do senador Mário Couto. Até que ponto isso conspira contra a candidatura de Simão Jatene, considerando que o candidato tucano muito provavelmente terá o apoio de políticos bem à direita do espectro ideológico, como Wlad Costa, reeleito deputado federal pelo Solidariedade?

        Essas fraturas são agravadas por feridas difíceis de sarar. Mário Couto e Jefferson Lima não apoiam Jatene. Aliás, Jefferson Lima já aderiu a candidatura de Helder. Wlad, até onde sei, tem seu reduto eleitoral em intercessão com os redutos do PMDB e, por conveniência de sustentabilidade eleitoral, não deverá se arriscar numa campanha contra seus ex correligionários. Especulo que Wlad negociou sua migração para outro partido como tática de garantir sua eleição sem prejudicar a eleição das candidaturas novatas do PMDB a deputado federal, como a de Simone Morgado.

        No primeiro turno, a candidatura do tucano Simão Jatene fez-se dissociada da candidatura do presidenciável do PSDB, Aécio Neves, cuja votação no Pará foi pífia. Supondo-se que no segundo turno Aécio Neves melhore seu desempenho no Pará, até por conta da eventual migração de parcela dos eleitores de Marina Silva, isso pode favorecer Simão Jatene?

        Primeiro há que considerar que Marina Silva tem um eleitorado muito eclético. Religiosos, ambientalistas, ecologistas, petistas insatisfeitos, etc. Esse eleitor não necessariamente acompanhará o apoio indicado por Marina. Votará de acordo com suas crenças que, em estados pobres do Nordeste e Norte, tendem a referendar a reeleição de Dilma em associação crescente com o candidato a governador integrante da coligação armada para o 2º turno. No caso do Pará, Dilma e Helder reforçam a adesão do voto “maluco beleza”, muito próprio da contradição ambulante que é Marina Silva. Não esquecer que o candidato do PV ao governo, Zé Carlos Lima, já proclamou seu apoio a Helder.

        No que a candidatura da presidente Dilma Rousseff pode favorecer Helder Barbalho, na disputa para o Senado?

        A bipolarização plesbicitaria tende a consolidar as preferências do eleitor tanto de Dilma para Helder como de Helder para Dilma. Programas de governo em andamento como o PAC, Prouni, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Bolsa Família, entre outros, despertam o interesse do eleitor nessa associação tendo em vista que o centro estratégico de poder é Brasília e sua derivação, o Pará, há que falar a mesma língua centrada nos interesses dos pleitos futuros.

        O que, neste segundo turno, pode contar a favor e o que pode conspirar contra as candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene?


        A candidatura de Helder tem a favor a preferência do eleitorado pela continuidade dos programas de transferência de renda expressos na candidatura a reeleição de Dilma Rousseff. O que poderia conspirar contra seria uma ascensão inesperada da candidatura de Aécio Neves, uma vez que a polarização faz dessas chapas um tipo de voto em bloco sistêmico. Isto é, quem vota em Dilma vota em Helder; quem vota em Aécio vota em Jatene. Daí a mudança de estratégia dos tucanos em anunciar o empate técnico como presságio de vitória da oposição tucana. Ou seja, queiramos ou não a polarização PT v.s. PSDB contamina o mercado eleitoral independentemente do partido coligado a esta ou aquela nominação partidária. Falo isso como tendência, jamais como lei natural de preferências eletivas do eleitor paraense. 

ELEIÇÕES – Canto também vê Helder como favorito

Américo Canto: cenário favorável a Helder Barbalho, no segundo turno.

        A exemplo do cientista político Roberto Corrêa, o sociólogo Américo Canto também identifica favoritismo de Helder Barbalho, do PMDB, na disputa travada com o governador Simão Jatene, do PSDB, na eleição para o governo do Pará, agora no segundo turno e cujo primeiro turno teve como vencedor o candidato peemedebista. “O apoio político que Helder conseguiu da maioria dos concorrentes ao cargo de governador é um sinalizador muito positivo para sua candidatura e soa de forma negativa para o candidato Simão Jatene que, estando no governo, além de perder apoio já firmado no primeiro turno, não conseguiu capitalizar o apoio dos outros concorrentes ao cargo majoritário. Seu leque de alianças ficou mais fragilizado”, avalia Canto, diretor-geral do Instituto Acertar, de Belém, notabilizado pela margem de acertos de suas sondagens eleitorais. “Pelo fato dele ser o governador do Pará, ter os maiores colégios eleitorais do Estado administrados por seus pares políticos, e por disponibilizar da máquina administrativa a seu favor, o resultado das urnas repercutiu de forma negativa em todos aqueles que fazem parte de grupo político de Jatene, ou que o apoiam, direta ou indiretamente”, acrescenta Canto, em entrevista abaixo, concedida ao Blog do Barata, na qual foi confrontado com as mesmas indagações feitas a Roberto Corrêa.

        Costuma-se dizer que o segundo turno é uma nova eleição. Esta premissa aplica-se ao caso do Pará, diante da exacerbada polarização que desde o início da campanha marca a disputa para o governo e o caráter plebiscitário que o PSDB tentou imprimir à eleição, na esteira da condição de Helder Barbalho de herdeiro político do senador e ex-governador Jader Barbalho?

        Acredito que sim, apesar da baixa votação obtida pelos outros concorrentes, temos um contingente de 1.094.098 o que corresponde a 21,10% de eleitores que se abstiveram do processo. Não podemos afirmar se o voto de Simão Jatene ou Helder já alcançou o teto máximo, além de que, com a polarização entre dois candidatos, existe a tendência de aumentar o contingente dos votos voláteis, relacionado aos eleitores que afirmam que ainda podem mudar de voto até o dia das eleições. Além de não sabermos para onde irá o voto dos outros candidatos que concorreram ao pleito.

        Considerando o quadro eleitoral no Pará, o segundo turno é o momento do voto útil, do eleitor dizer sobretudo o que não quer, ou comporta o voto da persuasão, determinado por uma agenda propositiva?

        O voto útil, tático ou estratégico, se faz presente no processo eleitoral e apesar do pouco tempo para o segundo turno, a persuasão deve ser ponto chave, principalmente junto aqueles eleitores que, por alguma razão, estão desestimulados de votar, que são parte desses 21,10% de eleitores que se abstiveram no primeiro turno. Historicamente, no estado do Pará, há tendência em aumentar o número de abstenções no segundo turno, conforme dados do TSE, isso significa que poderemos atingir mais ou menos 25,7% de abstenções neste segundo turno. Portanto, é um desafio para os candidatos estimular o comparecimento do eleitor as urnas. Observando os resultados da eleição apresentada pelo TSE, a abstenção esteve mais concentrada onde o candidato Helder ganhou de seu principal concorrente, que foram nas regiões Sudoeste, Sudeste e Marajó, e até no Baixo Amazonas.

        Qual a repercussão, na candidatura do governador Simão Jatene, ele ter saído do primeiro turno com votação inferior a de Helder Barbalho, a despeito da utilização da máquina administrativa estadual e do ostensivo apoio de um dos dois maiores grupos de comunicação do Pará, com o agravante adicional do Pará exibir índices sociais pífios?

        Pelo fato dele ser o governador do Pará, ter os maiores colégios eleitorais do Estado administrados por seus pares políticos, e por disponibilizar da máquina administrativa a seu favor, o resultado das urnas repercutiu de forma negativa em todos aqueles que fazem parte de grupo político de Jatene, ou que o apoiam, direta ou indiretamente, apesar da diferença ter sido ínfima entre os dois candidatos.

        Até onde repercute, nas candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene, o fato do segundo turno se dar com as disputas para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa já definidas, com o previsível legado de mágoas daqueles cujas expectativas foram frustradas?

        Ao observarmos os resultados das eleições e suas referidas coligações, o quadro indica que em termos de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa a coligação Unidos pelo Pará/Pra Frente Pará, encabeçada pelo PSDB obtiveram 7 cadeiras para a Câmara Federal totalizando 880.269 votos e 12 para a Assembléia Legislativa alcançando 569.875 votos. Enquanto que a coligação Todos pelo Pará II, formada pelo PMDB/PT obtiveram 5 cadeiras para a Câmara dos Deputados totalizando 534.611 votos e 11 para a Assembléia Legislativa alcançando 381.427 votos. Os dados demonstram vantagem para a primeira coligação, entretanto, o empenho eleitoral nesta segunda fase é diferente do primeiro turno, quando os candidatos aos cargos proporcionais estavam garimpando votos para si. As motivações vão estar relacionadas aos compromissos políticos e eleitorais firmados entre grupos, sobretudo a nível nacional. Possivelmente aqueles que tiveram suas candidaturas frustradas irão ficar vendo a banda passar e sem envolvimento direto.

        São evidentes as fraturas internas no PSDB do Pará, a mais vistosa das quais a do senador Mário Couto. Até que ponto isso conspira contra a candidatura de Simão Jatene, considerando que o candidato tucano muito provavelmente terá o apoio de políticos bem à direita do espectro ideológico, como Wlad Costa, reeleito deputado federal pelo Solidariedade?

        Desde o primeiro turno o nome citado acima já apresentavam suas posições e preferências com exceção de Mário Couto que demonstrava neutralidade política. Dessa forma, a novidade para o segundo turno é o apoio de Jefferson Lima a Helder Barbalho, antes apoiando Simão Jatene. Esse apoio poderá fazer diferença, sobretudo na região metropolitana onde se concentra a maior votação de Jefferson e onde percebemos a maior fragilidade eleitoral de Helder. Favorável a Jatene pesa o fato de Aécio Neves ter passado para o segundo turno e estar liderando a corrida presidencial segundo pesquisas divulgadas a nível nacional. O primeiro programa eleitoral de Simão Jatene sinaliza o estreitamento da relação governo federal e estadual.

        No primeiro turno, a candidatura do tucano Simão Jatene fez-se dissociada da candidatura do presidenciável do PSDB, Aécio Neves, cuja votação no Pará foi pífia. Supondo-se que no segundo turno Aécio Neves melhore seu desempenho no Pará, até por conta da eventual migração de parcela dos eleitores de Marina Silva, isso pode favorecer Simão Jatene?

        Até então nos parece que não houve preocupação por parte de Janete em colar seu nome ao de Aécio no primeiro turno, até mesmo porque o candidato Aécio, apresentava baixa votação a nível nacional e seu crescimento somente foi notado na última semana. Com sua passagem para o segundo turno o quadro toma novas proporções com reflexos na votação local, em especifico junto aos eleitores de Marina Silva. O desafio do governador Simão Jatene, será ligar seu nome ao de Aécio tendo em vista que a maior visibilidade de Aécio poderá favorece-lo eleitoralmente.

        No que a candidatura da presidente Dilma Rousseff pode favorecer Helder Barbalho, na disputa para o governo?

        Vai depender do volume da campanha. O crescimento de Dilma a nível nacional irá refletir também no eleitorado paraense e vice-versa. Apesar de Helder no primeiro turno, ter demonstrado a aliança com Dilma, nos parece que essa aliança precisa ganhar mais visibilidade.

        O que, neste segundo turno, pode contar a favor e o que pode conspirar contra as candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene?

        Para ambos os candidatos o quadro eleitoral nacional deverá exercer alguma influência na votação regional nestes 16 dias que antecedem as eleições. Esse fato pode fazer a diferença, tendo em vista que tivermos uma eleição no primeiro turno bem disputada. O apoio político que Helder conseguiu da maioria dos concorrentes ao cargo de governador é um sinalizador muito positivo para sua candidatura e soa de forma negativa para o candidato Simão Jatene que, estando no governo, além de perder apoio já firmado no primeiro turno, não conseguiu capitalizar o apoio dos outros concorrentes ao cargo majoritário. Seu leque de alianças ficou mais fragilizado.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – Altos e baixos da campanha


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Picos de acessos na esteira das eleições

Blog do Barata: curva ascendente de acessos na segunda-feira, 6.
        A disputa pelo governo do Pará, polarizada entre Helder Barbalho (PMDB) e Simão Jatene (PSDB), que postula a reeleição, provocou um pico diário de acessos ao Blog do Barata, desde a publicação da pesquisa de intenção de votos do Instituto Acertar, na quarta-feira passada, 1º de outubro. Nesta última segunda-feira, 6, por exemplo, foram registrados 3.352 acessos, marca superior a de domingo, 5, de 2.490 acessos.
        De 29 de setembro a 6 de outubro, segundo as estatísticas do Blogger, as postagens mais acessadas, em ordem decrescente, foram ACERTAR – Empate técnico entre Jatene e Helder, de 1º de outubro deste ano; TSE – Helder tem 49,89%, contra 48,47% de Jatene, de 5 de outubro deste ano; ELEIÇÕES – Carta para Izabela Jatene, de 3 de outubro deste ano; ELEIÇÃO – Thiago Araújo e a força da grana, de 10 de outubro de 2012; e ELEIÇÕES – Segundo turno será letal para Jatene, de 4 de outubro deste ano.

        Segundo também o Blogger, quanto as visualizações de páginas por Pais o Blog do Barata registrou nesse mesmo período, de 29 de setembro a 6 de outubro, os seguintes números: Brasil, 11.366 visualizações; Alemanha, 4.481; Estados Unidos, 660; Espanha, 291; China, 137; França, 46; Ucrânia, 42; Portugal, 29; Índia, 26; Itália, 19.

ELEIÇÕES – Acertar resgata credibilidade das pesquisas

Américo Canto, do Acertar: resgate da credibilidade das pesquisas.

        Seja qual for o desfecho da disputa pelo governo, as eleições deste ano no Pará têm um inconteste vencedor, que é o Instituto Acertar, de Belém, cuja inquestionável contribuição à democracia consistiu em resgatar, pelo menos parcialmente, a credibilidade das pesquisas de intenção de voto. Cacifado pela sua credibilidade, ao revelar o empate técnico entre Helder Barbalho (PMDB) e Simão Jatene (PSDB), e sublinhar que configurava-se como uma incógnita a possibilidade da eleição ser definida ainda no primeiro turno, diante do equilíbrio na correlação de forças, o Acertar, comandado pelo sociólogo Américo Canto,  reconectou o conjunto dos eleitores com a realidade das ruas.
        Não por acaso, o Ibope voltou atrás de sua projeção de sete dias antes e, em sua última pesquisa antes das eleições de domingo, 5, corroborou a sondagem do Acertar e apontou um empate técnico entre Helder Barbalho e Simão Jatene. Em sua penúltima pesquisa, posta sob suspeita de fraude e veiculada pelo jornal O Liberal a 27 de setembro, o Ibope trombeteava que Simão Jatene venceria a disputa ainda no primeiro turno, com 45% das intenções de voto, contra 39% de Helder Barbalho.

        A discrepância entre a pesquisa do Acertar e a última sondagem do Ibope residiu, apenas, na vantagem numérica atribuída a um ou outro candidato. Pelo Acertar, com a ressalva de que a diferença poderia ser esfarinhada diante do contingente de indecisos, na ordem de 10,1%, o candidato tucano ostentava uma vantagem de 1,2%, dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais, para mais, ou para menos. Pelo Ibope, Helder Barbalho somaria 48% dos votos, contra 46% de Simão Jatene, dentro da margem de erro, de três pontos percentuais, para mais, ou para menos.

ELEIÇÕES – A desfaçatez do logro

        Desta vez O Liberal ignorou a pesquisa do Ibope, optando por dar como manchete sondagem de um obscuro Instituto Perspectiva, de acordo com a qual Simão Jatene teria 44,7% das intenções de voto, contra 37,8% de Helder Barbalho. Pela sondagem do Instituto Perspectiva, considerando apenas os votos válidos, Simão Jatene teria 51,7% dos votos e venceria Helder Barbalho no primeiro turno.
        Como contraponto à pesquisa do Instituto Perspectiva, a serviço de Simão Jatene, o Instituto IVeiga, alinhado com a candidatura de Helder Barbalho, garantia que o candidato peemedebista venceria ainda no primeiro turno. Um prognóstico que o instituto repetiu em todas as suas pesquisas sobre a sucessão no Pará, variando apenas o percentual de vantagem de Helder Barbalho, que oscilou de cinco a sete pontos percentuais.

        Totalizados os votos, evidenciou-se o fiasco de ambos os institutos – Perspectiva e IVeiga. Quanto ao Perspectiva, Simão Jatene não só terá que disputar o segundo turno, como foi superado por Helder Barbalho, no primeiro turno, com 49,89% dos votos, contra 48,47% do governador tucano. Quanto ao IVeiga, frustrou-se o prognóstico de vitória de Helder Barbalho ainda no primeiro turno, assim como a vantagem do candidato peemedebista, em relação a Simão Jatene, ficou a uma distância abissal daquela projetada pelo instituto.

ELEIÇÕES – A caixa-preta das falcatruas



        Entre os críticos da Justiça Eleitoral no Pará, a queixa recorrente é a respeito da falta de uma fiscalização mais rigorosa do TRE, o Tribunal Regional Eleitoral, sobre as pesquisas de intenção de voto. Estas, para efeito de divulgação, precisam ser registradas no TRE com uma antecedência de cinco dias. Partidos e coligações, por seus advogados, podem ter acesso a elas e, eventualmente verificado algum vício de origem, pedir a impugnação. Se não houver objeção, depois do prazo de cinco dias, elas podem ser divulgadas. Na inexistência de um acompanhamento mais rigoroso da Justiça Eleitoral, na execução da pesquisa, pavimenta-se o atalho para a fraude, acentuam os relatos, em off, de fontes ouvidas pelo Blog do Barata.

        Esses mesmos relatos acrescentam que as fraudes nas pesquisas costumam ocorrer na construção da base de dados, com a manipulação das informações coletadas. A definição do campo da pesquisa também pode prestar-se à manipulação da sondagem. Basta, por exemplo, que as entrevistas se concentrem em bolsões de maior concentração dos eleitores do candidato a ser eventualmente favorecido. 

ELEIÇÕES – Comprometedora falta de transparência

        Não apenas os resultados abissalmente discrepantes, em sondagens com o mesmo objeto, comprometem a credibilidade das pesquisas de intenção de voto no Pará. A origem e os valores dos recursos declarados, para viabilizá-las, evidenciam uma falta de transparência que compromete a credibilidade das pesquisas.
        Este é o caso, por exemplo, das pesquisas do Instituto IVeiga, supostamente realizadas com recursos próprios, a custos incompatíveis com os preços de mercados. Como se trata de uma empresa incipiente, de fundo de quintal, e sem tradição no mercado, soa inverossímil que todas as pesquisas feitas, inclusive de alcance estadual, tenham sido viabilizadas com recursos próprios. Mais inverossímil é o valor declarado da sondagem de alcance estadual – R$ 15 mil. Para lá de surreal configura-se também o suposto custo da pesquisa feita na RMB, a Região Metropolitana de Belém, estimada em R$ 5 mil pela IVeiga.
        A pesquisa de intenção de voto do Instituto Acertar, sobre a sucessão estadual no Pará e que cobriu todo o Estado, custou cerca de R$ 45 mil e foi bancada por Ramos Publicidade e Propaganda Ltda. Pesquisa do Ibope encomendada pela TV Liberal, sobre intenção de voto para governador do Pará, custou exatos R$ 50 mil. Como explicar o milagre da multiplicação protagonizado por Edir Veiga Siqueira, o dentista com veleidades a cientista político, que comanda o IVeiga, um servidor e professor de ciência política na UFPA, a Universidade Federal do Pará?

        Surpreende que o TRE não cobre explicações para saber quem efetivamente bancou, até aqui, as pesquisas do Instituto IVeiga e qual o custo real delas. E por que Edir Veiga Siqueira recalcitra em revelar quem foi o contratante. Tantas indagações sem respostas convincentes, considerada ainda a tumultuada vida pregressa de Edir Veiga Siqueira, robustece as reservas em relação às sondagens do Instituto IVeiga. Sobretudo após o fiasco das projeções sobre a disputa pelo governo do Pará.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

FARSA – Sedução eleitoral


MURAL – Queixas & Denúncias


ELEIÇÕES – Helder e Jatene vão para o 2º turno

Helder  (à esq.) quase liquida Jatene (à dir.) no primeiro turno.

        A eleição para o governo do Pará, polarizada entre Helder Barbalho (PMDB) e o governador Simão Jatene (PSDB), que postula a reeleição, só será ser definida no segundo turno. Faltando muito pouco para o encerramento da totalização dos votos, Helder Barbalho contabiliza 49,89 dos votos, contra 48,47% de Simão Jatene. O candidato peemedebista soma 1.794.664 votos, contra 1.743.790 do governador tucano, que escapou, por muito pouco, de ver a eleição decidida, a favor do seu adversário, ainda no primeiro turno. Apesar das pesquisas eleitorais de aluguel, trombeteadas pelo jornal O Liberal, reduzido a um pasquim de campanha para favorecer a candidatura de Simão Jatene.
        Simão Jatene vai para o segundo turno claramente fragilizado. Para além da curva ascendente da candidatura de Helder Barbalho, contra o governador tucano conspira uma clara fadiga de material, própria do continuado exercício do poder. Um desgaste agravado pela desastrosa administração de Simão Jatene, como ilustram os índices sociais pífios do Pará. Uma administração pontuada por recorrentes denúncias de corrupção, enriquecimento ilícito - inclusive dos filhos e da ex-mulher do governador tucano - e da escandalosa utilização da máquina administrativa na tentativa de viabilizar a reeleição.
        Como a candidatura à reeleição de Simão Jatene vem desidratando ao longo da disputa eleitoral, na contramão do que acontece com Helder Barbalho, resta saber das chances do governador tucano capitalizar uma eventual recuperação no Pará de Aécio Neves, o candidato a presidente pelo PSDB, que superou Marina Silva, do PSB, e vai disputar o segundo turno com a presidente Dilma Rousseff (PT). No Pará, no primeiro turno, Dilma Rousseff obteve 53,18% dos votos, contra 27,57% de Aécio Neves e 16,34% de Marina Silva.

        Colar sua candidatura a da presidente Dilma Rousseff, o que não ocorreu no primeiro turno com a intensidade desejável, é também o desafio de Helder Barbalho.

domingo, 5 de outubro de 2014

TSE – Helder tem 49,89%, contra 48,47% de Jatene

        Totalizados 99,91% dos votos e faltando apurar 0,09%, Helder Barbalho (PMDB) lidera a disputa para o governo do Pará com 49,89% dos votos, contra 48,47% de Simão Jatene (PSDB), segundo a última parcial do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral, divulgada às 23h05.
        A apuração do TSE pode ser acompanhada pelo link abaixo:



ACERTAR – Para Canto, indecisos decidirão disputa

Canto: equilíbrio torna desfecho da disputa  no Pará uma incógnita.

        “Diante de um empate técnico, a possibilidade de segundo turno fica a critério do volume da campanha dos candidatos nesta reta final. Por isso é uma incógnita.” A declaração é do sociólogo Américo Canto, 53, diretor-geral do Instituto Acertar, ao comentar a disputa pelo governo do Pará, polarizada entre Helder Barbalho (PMDB) e o governador Simão Jatene (PSDB), que postula a reeleição. “Não arriscaria um prognóstico, haja vista termos um universo de mais ou menos 10% de eleitores indecisos”, acrescenta Canto, em entrevista ao Blog do Barata, com a autoridade de quem acumula uma experiência de 18 anos trabalhando com pesquisas de intenção de voto.
        Segue a entrevista concedida por Américo Canto ao Blog do Barata:

        Em uma disputa tão equilibrada, como a que travam Simão Jatene, do PSDB, e Helder Barbalho, do PMDB, é possível arriscar algum prognóstico sobre a eleição para o governo do Pará?

        A última pesquisa realizada pelo Instituto Acertar apontou empate técnico entre o governador Simão Jatene e Helder Barbalho, os dois nomes mais forte nesta disputa eleitoral no Estado do Pará. Apesar da tendência eleitoral ser mais favorável ao governador Jatene, não arriscaria um prognóstico, haja vista termos um universo de mais ou menos 10% de eleitores indecisos.

        Uma pergunta, à espera de uma resposta a mais didática possível: por que o Instituto Acertar afirma ser uma incógnita a possibilidade de um segundo turno na eleição para governador do Pará?

        Considerando os votos válidos e a margem de erro de 3%, pelos resultados de nossa pesquisa, que foi divulgada a três dias das eleições, Simão Jatene poderia alcançar um pouco mais que 50%. Como a lei sugere que para não haver segundo turno o candidato deve obter 50% + 1, nesse caso não haverá segundo turno. Por outro lado, um breve crescimento de Helder, ou de qualquer outro candidato, tira essa possibilidade. Esses fatores nos levaram a afirmar que diante de um empate técnico, a possibilidade de segundo turno fica a critério do volume da campanha dos candidatos nesta reta final. Por isso é uma incógnita. 

        Com a autoridade de quem se notabilizou por uma expressiva margem de acerto em suas sondagens eleitorais, qual a sua explicação para a discrepâncias das projeções feitas, em suas pesquisas de intenção de voto, pelos institutos que mapeiam a eleição para governador do Pará?

        Não posso falar pelo trabalho desenvolvido por outras empresas. As pesquisas registradas junto ao TRE demonstraram a utilização de metodologias bem parecidas, mais com resultados bem diferentes. São variações significativas, o que deixa a sociedade com algumas interrogações. Acredito que a informação deve ser democratizada, mas percebemos certa banalização das sondagens eleitorais, o que acaba levando as empresas de pesquisa ao descrédito.

        Com a experiência acumulada em eleições majoritárias no Pará, o que, na sua avaliação, pode fazer o pêndulo eleitoral inclinar-se, nesta reta final da campanha, para Simão Jatene ou para Helder Barbalho?

        Das seis grandes mesorregiões que compõem o Estado do Pará, a metropolitana concentra o maior número de eleitores e, na reta final, os candidatos intensificaram a campanha nos municípios de Belém, Ananindeua e pelo nordeste paraense. Helder Barbalho sabe que na região nordeste Jatene leva vantagem sobre ele, então houve reforço por parte do PMDB nessa região e na região metropolitana, onde os dois maiores colégios eleitorais (Belém e Ananindeua) são administrados por políticos tucanos.

        O que, nessa altura, pode ter prevalência na definição do voto dos indecisos, em um Estado, como o Pará, de índices sociais tão pífios: o efetivo convencimento dos eleitores, a boca de urna, à margem da lei, ou a recorrente utilização da máquina administrativa, pelos eventuais inquilinos do poder?


        Existe uma parcela de eleitores que deixa para decidir em quem votar na última hora. Assim como temos o voto útil, daqueles eleitores que votam naquele com maior probabilidade de vencer. Nesta reta final, as pesquisas eleitorais podem de alguma forma influenciar o eleitor indeciso, mas elas estão divergindo - e muito. Neste caso, paira a dúvida. Em quem devemos acreditar? Na pesquisa publicada pelo Diário do Pará, ou na pesquisa publicada por O Liberal? Outro fato é a boca de urna. Mesmo sendo proibida, sabemos que ela existe. É fácil encontrarmos pessoas que não sabem em quem votar principalmente para os cargos proporcionais. Nesse caso, a boca de urna faz a diferença.