terça-feira, 29 de julho de 2014

CORRUPÇÃO – Questão de princípio


MURAL – Queixas & Denúncias


TCE – A farra de diárias do despudorado Cipriano

Cipriano Sabino, o Cipriano Sabido: despudorada farra de diárias no TCE.

        Atual presidente do TCE, o Tribunal de Contas do Estado do Pará, o ex-deputado estadual Cipriano Sabino notabilizou-se pelo desdém em relação a pudores éticos. Não por acaso tornou-se também conhecido como Cipriano Sabido, alcunha de caráter pejorativo, em alusão à falta de escrúpulos revelada ao perpetrar suas recorrentes lambanças. E ele aparentemente perdura fiel ao seu habitual modus operandi, a concluir da mais recente denúncia feita ao Blog do Barata, que revela uma despudorada farra de diárias protagonizada por Cipriano ao longo de 2013.

        De acordo com a denúncia, durante o ano passado o frenético vaivém do presidente do TCE - “de necessidade duvidosa, para dizer o mínimo”, assinala em off a fonte do Blog do Barata – rendeu-lhe, em diárias, R$ 96.592,24, o equivalente a mais de 133 salários mínimos. A isto se somam R$ 131.312,55, que correspondem a mais de 181 salários mínimos, embolsados a título de férias não gozadas, cada uma das quais no valor de R$ 65.656,26. “Férias que seriam graciosas, para um administrador que só se faz notar, como gestor, pelo empenho em viabilizar arranjos espúrios e a quando do oba-oba midiático”, dispara ainda a fonte da denúncia. E acrescenta, em tom de ironia: “Cipriano também pode ser chamado de Abelha, porque quando não está voando, está fazendo cera.”

TCE – Documentos comprovam denúncia

        Abaixo, a reprodução dos documentos que comprovam a denúncia sobre a farra de diárias de Cipriano Sabino, como presidente do TCE. Clique sobre as imagens, para ampliá-las e permitir a leitura.









TCE – Suspeitas de caixa dois

Celso Sabino: pretensões políticas alimentam suspeitas contra irmão.

        Mas esta não é a única denúncia disparada contra Cipriano Sabino. Embora sem amparo em provas documentais ou testemunhais, ainda assim varre os bastidores a versão segundo a qual ele supostamente manteria no TCE um elenco de servidores fantasmas, presentes apenas nas folhas de pagamento, no que seria a reedição de um esquema que hipoteticamente teria mantido na Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, quando deputado. As remunerações e vales-refeições desses fantasmas, ou pelo menos parte das remunerações e vales-refeições deles, alimentariam um caixa dois supostamente mantido pelo grupo político de Cipriano Sabino, conforme essas suspeitas.
        As recorrentes suspeitas que acompanham Cipriano, sobre seu suposto envolvimento com um hipotético caixa dois, possivelmente têm combustível na tentativa de ter como sucessor político o irmão, Celso Sabino, servidor de carreira da Sefa, a Secretaria de Estado da Fazenda, que é suplente de deputado estadual pelo PR e chegou a pilotar a Seter, a Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Renda, no atual mandato do governador tucano Simão Jatene. Cipriano e Celso são filhos do armador Cipriano Sabino de Oliveira, cuja prosperidade dos negócios depende de costuras políticas, seguindo o tradicional padrão do empresariado.

        Celso Sabino, porém, fracassou na tentativa de obter um mandato parlamentar em 2010, apesar de ter feito dobradinha com o Carlos Puty, que elegeu-se deputado federal pelo PT, contando, para tanto, com a escandalosa utilização da máquina administrativa estadual, então sob o comando da ex-governadora petista Ana Júlia Carepa. Na época a Sefa encontrava-se sob o comando de José Raimundo Barreto, mas Celso, aparentemente, foi cristianizado pelos petralhas de Ana Júlia Carepa, exímios na arte de atropelar, quando não simplesmente trair - aliados e até os próprios correligionários.

SUS – Desdém ignominioso com paciente



        Chega ao limite do escárnio o desdém pelos pacientes no SUS, o Sistema Único de Saúde.
        Na semana passada, por exemplo, uma mãe de família, que ganha a vida como diarista, levou ao posto de saúde de Benevides o marido, um sexagenário doente e que sobrevive com uma minguada aposentadoria equivalente ao salário mínimo – atualmente no valor de R$ 724,00. O homem apresenta-se inchado e reclama de dor no estômago
        Após atender o paciente, o médico diagnosticou uma suposta gastrite e solicitou, além de seis exames laboratoriais, a realização de uma endoscopia. Até aí tudo muito bom, tudo muito bem. O pior viria no arremate da consulta.
        Ao fazer a solicitação dos exames, o médico simplesmente deixou o casal aparvalhado. Ele advertiu o paciente e a mulher deste de que pelo SUS os exames só poderiam ser realizados em setembro. E sugeriu que os mesmos fossem feitos particularmente.
        Preocupada com a situação do marido, com 65 anos e a saúde fragilizada após um acidente de trabalho, que inclusive precipitou a aposentadoria do sexagenário, a diarista dirigiu-se ao laboratório Clinlab, em Benfica, localidade de Benevides. No laboratório, a mulher do paciente ficou previsivelmente atônita: o custo da batelada de exames, se feitos particularmente, chega a R$ 189,00.
        Detalhe: somado o que marido e mulher ganham, a renda do casal mal chega a dois salários mínimos. E o casal cria um filho adotivo, ainda adolescente e atrás de emprego, e uma neta de cinco anos. O filho mais velho, que é casado e mora com a esposa, professora, embolsa mensalmente um salário mínimo. E a filha, casada e residindo em Icoaraci, encontra-se desempregada.

        “Como não podemos adiar os exames, vamos ter que amarrar o estômago””, desabafa, obviamente desolada, a mulher do aposentado.

domingo, 27 de julho de 2014

PARÁ - O colapso da segurança pública


MURAL – Queixas & Denúncias


(IN)SEGURANÇA – Rua João Balbi, o endereço do medo

Rua João Balbi: sob o signo do terror, diante da escalada do banditismo.

        É amarga, profundamente amarga, a situação da população do Pará real, que fica a uma distância abissal do Pará da propaganda enganosa do governador tucano Simão Jatene. No quesito segurança pública, por exemplo, o sucateamento do aparato policial ensejou uma escalada sem precedentes da criminalidade, obviamente relacionada com os índices sociais pífios exibidos ao cabo dos últimos 20 anos, 16 dos quais passados sob sucessivos governos do PSDB, com o hiato de quatro anos, entre 2007 e 2010, da administração da ex-governadora petista Ana Júlia Carepa.

        É ilustrativa, dessa realidade, a atmosfera de terror e pânico sob o qual se encontram os moradores da rua João Balbi, entre a travessa 14 de Março e a avenida Generalíssimo Deodoro, no bairro de Nazaré, ironicamente uma área nobre, altamente valorizada no mercado imobiliário. Segundo relatos feitos ao Blog do Barata, os moradores desse perímetro da João Balbi vivem uma apavorante rotina de assaltos, sequestros relâmpagos e arrombamentos de casas e carros. “Vive-se aqui, hoje, proporcionalmente, um clima de medo comparável ao provocado pela escalada da criminalidade nas grandes metrópoles”, relata um morador. “Moro aqui há dois anos e meio, e desde que me mudei tive o carro, que tenho que deixar na rua por falta de garagem no prédio, arrombado três vezes”, desabafa outro morador.

(IN)SEGURANÇA – A escalada do crime em julho

        Relatam ainda os moradores da João Balbi, entre a 14 de Março e a Generalíssimo Deodoro, que habitualmente a escalada da criminalidade, naquele perímetro, costuma recrudescer em julho, quando o êxodo de veranistas obriga o deslocamento de contingentes policiais para os principais balneários, fragilizando ainda mais a segurança pública em Belém. Este ano, porém, a razia do banditismo foi levada ao paroxismo, acrescentam os depoimentos feitos ao Blog do Barata.
        Neste mês de julho, um prédio daquele perímetro foi invadido por bandidos e teve dois apartamentos arrombados. De um deles, cuja proprietária encontra-se viajando, simplesmente levaram o mobiliário e eletroeletrônicos. De outro, cujo morador encontrava-se momentaneamente ausente, levaram apenas pequenos objetos, possivelmente porque o frete da bandidagem não comportasse sobrecarga. Para não perder a viagem, no que seria uma razia complementar, os bandidos ainda tentaram arrombar o cadeado da portaria de um prédio vizinho, mas, por algum motivo, desistiram e fugiram. “Seria mais uma ‘limpa’, de consequências imprevisíveis para os moradores presentes”, desabafa uma vizinha.
        Na madrugada de quinta-feira passada, 24, um carro Volkswagen, estacionado em frente a um dos prédios do perímetro, foi arrombado e dele surrupiaram o que era possível levar. No último dia 19, um sábado, uma casa do mesmo perímetro, cujos moradores encontram-se viajando, foi arrombada. O arrombamento foi testemunhado pelo porteiro de um prédio das proximidades, que nada pode fazer, limitando-se a relatar posteriormente, ainda nervoso, o ocorrido, advertindo para o perigo.
        Há cerca de duas semanas atrás uma moradora do perímetro, quando manobrava para estacionar o carro em frente ao prédio onde mora, que vem a ser aquele cujo cadeado da portaria tentaram arrombar, foi abordada por bandidos, em uma tentativa de sequestro relâmpago. Apavorada, em um impulso ela arrancou com o veículo e conseguiu escapar, por sorte incólume.

        Na mesma semana em que isso ocorreu, outra moradora, que reside em uma vila ao lado, teve menos sorte e foi vítima de um sequestro relâmpago, com os prejuízos previsíveis. E na vila, na qual mora a vítima do sequestro relâmpago, duas casas já foram arrombadas por assaltantes.

(IN)SEGURANÇA – O Pará real

        Se tudo isso ocorre em um perímetro de uma área considerada nobre de Belém, não é difícil concluir a atmosfera de insegurança nos bairros da periferia, nos quais vivem, previsivelmente acuados, porque à mercê da criminalidade, os segmentos de menor poder aquisitivo da população. Este é o Pará real, que a propaganda enganosa, financiada com recursos do erário, escamoteia escandalosamente.
        Trata-se de uma realidade cuja crueldade não comporta os panos quentes das paixões eleitorais. Somos todos contribuintes, bancamos o custo da máquina administrativa - seja ela federal, estadual ou municipal –, e por isso temos o direito de exigir um retorno dos inquilinos do poder, aos quais sustentamos, diante das demandas mais emergenciais. Demandas que incluem setores vitais – educação, saúde, saneamento básico e segurança pública.

        Tudo bem que é preciso conciliar o socialmente justo com o financeiramente possível. Mas esse argumento não pode servir de álibi para o imobilismo do qual deriva o sucateamento dos serviços essenciais, que ao fim e ao cabo maltrata a todos nós, do andar de baixo daquele habitado pelos poderosos de plantão e seus cúmplices, com diferenças de grau, mas não de nível. 

JATENE – Cai a máscara do ilusionista



        O sucateamento da segurança pública, que está na origem do drama dos moradores da rua João Balbi, no perímetro entre a travessa 14 de Março e a avenida Generalíssimo Deodoro, também está presente nas áreas da educação, da saúde e do saneamento básico. O que nem por isso parece intimidar o governador Simão Jatene (PSDB), o popular Simão Preguiça, que postula a reeleição, a despeito das inocultáveis manifestações de indignação popular. Como, por exemplo, as vaias que amargou, na aula inaugural da UEPA, a Universidade do Estado do Pará, em 17 de fevereiro deste ano, quando, irritado, foi obrigado a abandonar o seu recorrente mise-em-scène, na esteira do qual costuma se atribuir méritos que só a propaganda enganosa oficial reconhece.

        Mas nada mais eloquente da farsa governamental que o imbróglio protagonizado por Jatene em Santarém, em 28 de novembro do ano passado, quando inaugurava reformas de fancaria na escola Rio Tapajós. Bastaram os singelos questionamentos de três jovens estudantes de nível médio, sobre a precariedade dos serviços feitos, para tirar do prumo o governador, como mostra o vídeo disponibilizado na postagem subsequente, veiculado primeiramente no blog do deputado estadual Parsifal Pontes, do PMDB. O mais expressivo, no episódio, foi que as três jovens estudantes, todas adolescentes, mantiveram o decoro que faltou a Jatene. Destemperado, abdicou do seu habitual tom professoral, do qual se vale ao tentar vender, sobretudo para plateias dóceis, a imagem de empreendedor.

JATENE – O vídeo que registra o destempero

        Elevando o tom, sem nem por isso conseguir intimidar as jovens estudantes, o que o deixou ainda mais transtornado, Simão Jatene deixou cair a máscara e revelou, sem qualquer pudor, a intolerância diante do contraditório. Tudo temperado por um cinismo capaz de corar anêmico, como o revelado pelo governador tucano ao tentar justificar a falta de investimentos nas escolas e o atraso de pagamentos de salários pretextando os gastos com reposição de carteiras escolares, um item obrigatoriamente incluído em despesas com material.
        O vídeo abaixo, que registra o destempero de Jatene, ao ser confrontado com críticas irrespondíveis, foi primeiramente veiculado no blog do deputado estadual Parsifal Pontes, do PMDB, e pode ser acessado pelo seguinte link:




video

ASCONPA – “Circo eleitoreiro” causa indignação

Emílio, da Asconpa: indignação diante do "circo eleitoreiro" de Jatene.

        “Circo eleitoreiro”. Assim José Emílio Almeida, presidente da Asconpa, a Associação dos Concursados do Pará, define a realização da cerimônia de posse no Hangar, o centro de convenções estadual, com a presença do governador Simão Jatene, dos concursados aprovados no recente concurso da Sefa, a Secretaria de Estado da Fazenda - 63 auditores fiscais e 88 fiscais de receita. Ele assinala que habitualmente a posse de concursados é feita “sem maiores pompas e circunstâncias” e costuma ocorrer nos órgãos que deverão abrigá-los, sem que seja registrada a presença do governador. “Com a cerimônia de posse, marcada para a próxima semana, Jatene pretenderá passar a imagem de bom governante, em discurso já preparado por algum jornalista marqueteiro. Como aquele que recebe parte dos R$ 150 milhões anuais que o governador gasta indevidamente com propaganda”, sublinha, cáustico.

        A cutilada de Emílio, no rastro da crítica ao “circo eleitoreiro” do governador, que postula a reeleição, tem endereço certo. Trata-se de clara referência a Ronaldo Brasiliense, jornalista que notabilizou-se como pena de aluguel e mantém estreitos vínculos com o publicitário Orly Bezerra, o marqueteiro-mor da tucanalha, a banda podre do PSDB. Ele é colunista de O Liberal e editor de O Paraense, um notório jornal de campanha a serviço de Jatene, e embolsa R$ 70 mil mensais do governo, segundo revelou o Diário do Pará, com provas documentais, que incluíram reproduções de e-mails trocados por Brasiliense com Orly e de faturas da dinheirama paga ao jornalista. O Liberal, no qual Brasiliense mantém uma coluna dominical, é o principal jornal do grupo de comunicação da família Maiorana, inimiga figadal do senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará, cujo filho e sucessor político, o peemedebista Helder Barbalho, é o principal adversário de Jatene na eleição para governador. O Diário do Pará, que superou O Liberal em vendagem, é o jornal do grupo de comunicação da família de Jader Barbalho.

ASCONPA – A ácida crítica de José Emílio Almeida

        Em sua ácida crítica ao “circo eleitoreiro” no qual o governador Simão Jatene transformou a posse dos concursados da Sefa, o presidente da Asconpa salienta a recalcitrância do atual governo em nomeá-los. “Foram sete meses de longa espera, com insistentes apelos e mobilizações, tanto dos próprios concursados quanto do Sindifisco, o sindicato da categoria, para que todos os 151 candidatos aprovados fossem convocados”, recorda José Emílio Almeida. “Somente após intensa e vitoriosa luta em prol de suas nomeações, os aprovados no concurso público C-172, promovido pela Sefa, serão enfim empossados”, acrescenta. E ainda salienta: “Como sempre faz, Simão Jatene tentou ignorar a reivindicação, tratando a questão como assunto menor, de pequena importância, até que, graças a luta organizada dos concursados, enfim cedeu.”

        Na avaliação de Emílio, ao fazer a posse dos 63 auditores fiscais e 88 fiscais de receita com pompas e circunstâncias, no Hangar, e a ela fazer questão de comparecer, Jatene é claramente movido por interesse eleitoreiro. Além, é claro, de pretender minimizar a importância da mobilização dos próprios concursados e do Sindifisco, acentua ainda o presidente da Asconpa. “Por isso, para nós, da Associação dos Concursados do Pará, não resta dúvida de que o objetivo da cerimônia tem apenas intenção eleitoreira, para que a imprensa tucana e marqueteiros oficiais usem as imagens na campanha do governador, candidato à reeleição”, dispara Emílio, segundo o qual o total de concursados à espera de nomeação, pelo governo Simão Jatene, fica em torno de dois mil candidatos, aí incluídos aqueles que figuram nos cadastros de reserva.

BOMBEIROS – Carência de soldados

        “Governador Jatene, abra concurso para a contratação de novos soldados para o Corto de Bombeiros.”
        O apelo é de internauta, em denúncia anônima, segundo a qual os soldados do Copo de Bombeiros, devido ao parco contingente atualmente disponível, estão submetidos a um regime escorchante de trabalho, obrigados a cumprir uma carga horária mensal de 310 horas, resultante de uma avalancha de escalas extras, com um agravante - sem o pagamento devido. De acordo com a denúncia, os soldados são obrigados a cumprir 10 plantões de 24 horas, mais três expedientes de escala extra ou expedientes de seis horas.
        O autor da denúncia, possivelmente um soldado abrigado no anonimato, por temer retaliações, critica o comandante do Copo de Bombeiros pela indiferença diante da situação. “O coronel Hilberto não quer nem saber, pouco se importa se o soldado tem vida social, ou não”, sublinha. “Para o comandante, ao que parece, soltado tem que penas!”, desabafa.

        A conferir.

SANTA CASA – Denúncias sobre situação caótica

        O caos está instalado na Santa Casa de Misericórdia do Pará. Isto, pelo menos, é o que garante uma dentre sucessivas denúncias anônimas, relatando uma situação de suposto caos administrativo, decorrente de uma gestão definida como refém de conveniências político-partidárias. Os contratos, hoje, só seriam celebrados a partir de recomendações políticas, acrescenta a denúncia, comparando a atual situação com a que levou ao colapso a Santa Casa de São Paulo, cujo pronto-socorro permaneceu fechado por 30 horas, nesta última semana, diante da avalancha de dívidas junto aos seus fornecedores.

        As denúncias relacionam a crise administrativa a gerentes e diretores “despreparados”, criticam acidamente a terceirização, citando como exemplo do caráter deletério desta o serviço de limpeza, descrito como “um caos”, apontando ainda o abandono em que se encontra o prédio centenário da instituição. “Ei, alguém precisa acabar com isso, pois quem acaba pagando é o paciente”, adverte uma das últimas denúncias.

FÁBRICA ESPERANÇA – A casa da mãe Joana

Fábrica Esperança: sucateamento levado ao paroxismo por Jatene.

        A casa da mãe Joana. Esta expressão popular, que designa lugar onde tudo vale, à margem de qualquer pudor ético, é a que melhor define a situação de abandono na qual submergiu a Fábrica Esperança, a concluir de denúncia feita ao Blog do Barata. A Fábrica Esperança é uma OS, organização social, encarregada da reinserção social de egressos do sistema penitenciário e de pessoas que estejam cumprindo pena privativa de liberdade no regime aberto, prisão domiciliar ou penas restritivas de direito. Mas, segundo a denúncia, o sucateamento da OS foi levado ao paroxismo pelo governador Simão Jatene (PSDB), acidamente criticado por destiná-la, na partilha política da máquina administrativa, à IURD, a Igreja Universal do Reino de Deus, do autoproclamado bispo Edir Macedo, acusado pelo Ministério Público paulista de formação de quadrilha, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A evolução patrimonial de Macedo, que é proprietário da Rede Record de Televisão, coincide com a disseminação da IURD.
        Atrasos nos pagamentos de salários e de férias são rotineiros, acrescenta a denúncia, de acordo com a qual também são habituais os atrasos nos fornecimentos do vale-transporte e do vale-alimentação. Atrasos atribuídos à falta de repasses financeiros pelo governo Simão Jatene, acentua ainda a denúncia, cobrando a destinação dada aos recursos dos contratos celebrados, um dos quais com a próspera prefeitura de Parauapebas, que tem atualmente no comando o prefeito Valmir Queiroz Mariano, eleito em 2012, pelo PSD. “Onde está o dinheiro dos contratos?”, questiona a denúncia.

        A denúncia também assinala as precárias condições de trabalho, no limite da insalubridade. Basta uma visita ao local para verificar, in loco, a sujeira do prédio que abriga a Fábrica Esperança, no qual não faltam paredes rachadas ou mofadas, acrescenta a denúncia, que arremata advertindo para a ignominiosa situação dos funcionários da OS. “As pessoas que ali trabalham são pais e mães de família, que acordam cedo e trabalham mais de oito horas por dia, mas não são respeitados”, observa ainda a denúncia. “Aliás, porque são pobres, os funcionários temem a demissão e, por isso, não denunciam essas lambanças”, arremata.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

PETRALHAS - A invasão das ratazanas


SUASSUNA – “O riso a cavalo e o galope do sonho”

Ariano Suassuna: "o riso a cavalo e o galope do sonho" como armas.

“Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.

 Ariano Suassuna (1927-2014), dramaturgo,

romancista e poeta, em “O Auto da Compadecida”.



        Para além da sua importância literária, Ariano Suassuna, que morreu nesta última quarta-feira, 23, em Recife, vítima de um AVC, aos 87 anos, deixa-nos, como parte do seu legado, uma importante lição, ao evidenciar na prática, efetivamente o critério da verdade, que o intelectual pleno, que não se deixa engessar pelo êxtase improdutivo, precisa estar em sintonia com o seu tempo, com o hoje, com o aqui, com o agora. Não por acaso, com sua comovente coragem moral, ele mostrava-se capaz de rir de si mesmo, de suas eventuais gafes, circunstanciais tropeços, ou tudo que entendia como tal. Impossível, por isso, não deixar de admirá-lo, mesmo que dele se pudesse discordar. Afinal, como deixar de admirar o “realista esperançoso”, preocupado com “a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”, sem nem por isso se tornar refém de qualquer maniqueísmo.
        Nada mais emblemático do quanto especial foi Ariano Suassuna, que sua terna lição de como não permitir o naufrágio da esperança. "Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver", ensinou. E com a irreverência que com ele se confundia, e que dele fazia um personagem tão saborosamente especial, complementou: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.”
        Suassuna evidenciou, sobretudo, que, por mais dolorosa que seja a ausência física, o “mal irremediável” ao qual se referiu, “que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados”, jamais se compara a dor de morrer em vida, uma fatalidade incoercível para aqueles que abdicam dos sonhos e da esperança que ultrapassam os limites das ambições mesquinhas, que nos tornam reféns do medo, o carcereiro da liberdade. Afinal, a vigília dos sonhos e da esperança é o que nos mantêm plenamente vivos. E nos torna presentes, e assim de alguma forma ainda úteis, nas lembranças dos que ficam.

MURAL – Queixas & Denúncias


UFPA – MPF apura suspeitas de fraude em concurso

Carlos Maneschy: imagem tisnada pelas suspeitas de fraude na EMUFPA.

        Mais um escândalo tisna a credibilidade da administração do reitor da UFPA, a Universidade Federal do Pará, professor Carlos Maneschy, cujo currículo inclui uma turbulenta passagem como diretor executivo da Fadesp, a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa. Trata-se, agora, das suspeitas de fraude que cercam o concurso público de provas e títulos para o cargo de professor efetivo da EMUFPA, a Escola de Música da UFPA, com lotação no ICA, o Instituto de Ciências da Arte. A procuradora da República Melina Alves Tostes estipulou um prazo de 30 dias, a contar da data do recebimento do documento do MPF pela UFPA, para que a instituição se manifeste sobre os questionamentos suscitados, assinala a notícia sobre o imbróglio que figura no portal do próprio Ministério Público Federal e pode ser acessada pelo link abaixo:


        Segundo a notícia veiculada no portal do MPF, de acordo com as denúncias que estão sendo apuradas pelo Ministério Público Federal, a congregação do ICA, na etapa de julgamento dos recursos dos quesitos bateria, contrabaixo elétrico e guitarra elétrica, teria ignorado a comissão examinadora dos concursos públicos em andamento para professores efetivos da EMUFPA. As denúncias acrescentam que foram instituidas uma comissão especial e uma comissão interna para o julgamento dos recursos. Além disso, um membro da comissão especial teria relação de amizade com o candidato que apresentou um dos recursos à banca examinadora, sublinha ainda a notícia.

        O relato de fonte anônima a respeito, feito ao Blog do Barata, é permeado por um tom ácido, que permite entrever uma inocultável indignação por parte do seu autor. “A divulgação do resultado final do último concurso para professor efetivo da Escola de música da UFPA, publicado no Diário Oficial da União do dia 3 de julho, é considerada como o ato final após uma série de ações fraudulentas envolvendo professores e gestores da instituição, com vista ao evidente favorecimento de alguns candidatos”, resume o relato. O imbróglio, salienta também o relato, “envolve a criação de comissão formada por membros próximos a alguns candidatos, visando a alteração de notas e elaboração de novas respostas a recursos, em detrimento à avaliação e à soberania das bancas examinadoras originais”.

UFPA – MPF também cobra transparência

Melina Tostes: apurando suspeitas de fraude e cobrando transparência.

        Mas não só as suspeitas de fraude que cercam o concurso público de provas e títulos para o cargo de professor efetivo da EMUFPA mobilizam a procuradora da República Melina Alves Tostes. A notícia veiculada no portal do MPF também revela que este recomendou à presidência do Programa de Pós-Graduação em Geofísica da UFPA o respeito à resolução do Consepe, o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão, divulgando, em locais de fácil acesso, a lista de aprovados com a classificação e as notas das provas realizadas, tanto em cada fase, quanto ao final do processo seletivo de pós-graduação em Geofísica, turma de 2014.

        De acordo com a notícia, a procuradora da República Melina Alves Tostes estabeleceu o prazo de 10 dias, a contar do dia do recebimento do documento pela UFPA, para que esta se manifeste sobre a recomendação do MPF.

UFPA – A notícia veiculada no portal

        Segue abaixo, na íntegra, a notícia sobre as suspeitas de fraude que cercam o concurso público de provas e títulos para o cargo de professor efetivo da EMUFPA, a Escola de Música da UFPA, com lotação no ICA, o Instituto de Ciências da Arte.

MPF recomenda a regularização de concursos da UFPA

A instituição tem de dez a trinta dias para se posicionar sobre o acatamento das recomendações.
21/07/2014 às 11h27

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a Universidade Federal do Pará (UFPA) suspenda a nomeação dos candidatos aprovados no concurso público de provas e títulos para o cargo de professor efetivo da instituição, com lotação no Instituto de Ciências da Arte (ICA), até o fim da apuração de irregularidades identificadas no processo seletivo para o preenchimento das vagas.
De acordo com denúncias em apuração pelo MPF, a Congregação do Instituto de Ciências da Arte, na fase de julgamento dos recursos dos temas Bateria, Contrabaixo Elétrico e Guitarra Elétrica, teria ignorado a comissão examinadora dos concursos públicos em andamento para professores efetivos da Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA) e instituído uma comissão especial e uma comissão interna para o julgamento dos recursos. Além disso, um membro da comissão especial teria relação de amizade com o candidato que apresentou um dos recursos à banca examinadora.
Outra recomendação - O MPF recomendou, também, que a presidência do Programa de Pós-Graduação em Geofísica da UFPA obedeça a resolução do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) e divulgue, em locais de fácil acesso, a lista de aprovados com a classificação e as notas das provas realizadas, tanto em cada fase, quanto ao final do processo seletivo de Pós-Graduação em Geofísica, turma de 2014.
A procuradora da República Melina Alves Tostes estabeleceu o prazo de 30 dias para a primeira e de 10 dias para a segunda recomendação, a contar do dia do recebimento do documento pela UFPA, para que a instituição se manifeste, de forma fundamentada, sobre o acatamento ou não dos pontos levantados pelo MPF.
Acesse a primeira recomendação aqui.
Acesse a segunda recomendação aqui.

George Miranda
Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação
 (91) 3299-0148 / 8403-9943 / 8402-2708
http://twitter.com/MPF_PA


JATENE – Seduc, valhacouto de cabos eleitorais



        No desespero de tentar obter a reeleição, o governador tucano Simão Jatene, o Simão Preguiça, na falta de realizações mais expressivas, além daquelas trombeteadas pela propaganda enganosa, parece decidido a mandar os escrúpulos às favas e instituir o vale-tudo eleitoral. Isto é o que se conclui da revelação feita por José Emílio Almeida, presidente da Asconpa, a Associação dos Concursados do Pará, de acordo com o qual Jatene transformou a Seduc, a Secretaria de Estado de Educação, em valhacouto de cabos eleitorais. Como exemplo, Emílio cita as contratações como servidores temporários, como professores, pelo período de dois anos, a contar de 10 e 27 de março deste ano, respectivamente, da vereadora Vânia da Silva Pinto, de Terra Alta, e do vice-prefeito de São Domingos do Capim, Roberto Bastos da Costa, ambos do PSDB, partido do governador. As contratações de Vânia da Silva Pinto e de Roberto Bastos da Costa foram publicadas nas edições 32.597 e 32.610 do DOE, o Diário Oficial do Estado, respectivamente.

        Emílio sublinha, a propósito, que as contratações da vereadora e do vice-prefeito, em plena refrega eleitoral, evidencia a clara determinação de Jatene em sepultar qualquer pudor ético e valer-se da máquina administrativa estadual, na tentativa de conseguir, a qualquer preço, um novo mandado. Isso é tanto mais evidente, salienta também o presidente da Asconpa, que as contratações de Vânia da Silva Pinto e Roberto Bastos da Costa ocorrem a despeito da Seduc, a pretexto da falta de recursos, se recusar a nomear os aprovados no concurso público C-167. “A denúncia, com clara evidência de improbidade administrativa e crime eleitoral, será juntada ao processo, com pedido de providências, que eu mesmo protocolarei no Ministério Público Federal”, arremata Emílio.

MEMÓRIA – Os anos JK, segundo Tendler



        Do mesmo autor de “Jango”, Silvio Tendler, outro importante documentário, que igualmente resgata um importante período da História do Brasil, também já está disponível na internet. Trata-se de “Os Anos JK, Uma Trajetória Política”. Da mesma forma como “Jango”, o documentário sobre o ex-presidente Juscelino Kubitschek permite às novas gerações um acesso à trajetória de um político que, populista ou não, teve o mérito de conciliar desenvolvimento e democracia. E para quem já se deleitou com o trabalho de Tendler, é a oportunidade de revê-lo.
        “Os Anos JK, Uma Trajetória Política” pode ser acessado pelo link abaixo:



terça-feira, 22 de julho de 2014

SELEÇÃO – A piada pronta


MURAL – Queixas & Denúncias


SUS – Descaso ameaça vida de criança de 4 anos



        Entraves burocráticos ameaçam a vida de uma menina de apenas quatro anos, cujo pai, atualmente desempregado, depende do SUS, o Sistema Único de Saúde, para viabilizar a cirurgia cardíaca complementar da filha, em São Paulo. Ano passado, diante da morosidade do SUS e após aguardar por uma solução para o problema por dois anos, o pai da criança, então empregado, valeu-se de um plano de saúde para viabilizar a cirurgia cardíaca da qual necessitava a filha, feita, enfim, no Instituto Zerbini. A criança, porém, necessita de uma cirurgia complementar, por recomendação expressa dos médicos que atenderam-na no Instituto Zerbini, mas que, hoje, o pai da pequena paciente não tem como bancar.

        No Hospital das Clínicas, do qual depende o encaminhamento da criança para o Instituto Zerbini, via SUS, o máximo que os pais da pequena paciente obtiveram foi a explicação de que existem casos mais graves que o da filha. Uma justificativa execrável, emblemática da ignominiosa indiferença pela vida humana por parte dos responsáveis pela saúde pública no Pará. A preservação da vida humana não comporta prioridades, quando depende, apenas e tão somente, de um mínimo de eficiência e sensibilidade dos responsáveis pela administração da saúde pública, até porque esta é financiada por todos nós, contribuintes.

(IN)SEGURANÇA – Condor à mercê da bandidagem



        A reclamação feita em comentário anônimo, postado no Blog do Barata, é revelador da escalada da criminalidade no Pará, em geral, e em Belém, em particular.

        “A Polícia Militar não abandonou só a rua Gaiapós; ela abandonou todo o bairro da condor!”, queixa-se o internauta, previsivelmente abrigado no anonimato, diante do justo temor de retaliações – seja da bandidagem, seja dos policiais. “Não se tem mais rondas policiais pelo bairro; ladrões da Terra Firme, Cabanagem, Guamá e até de Outeiro estão vindo roubar no bairro”, prossegue o depoimento. “Andar pelo bairro é a treva! Ladrão brincado de pira. Quando, uma vez na vida, ou na morte, a policia passa, os bandidos viram as costas, disfarçam, e depois voltam a roubar, instalando o pânico no bairro, devido a PM não revistar ninguém”, conta o internauta anônimo, antes de arrematar com um desabafo: “(Governador Simão) Jatene, a Polícia Militar no bairro da Condor sumiu, ou tá fazendo corpo mole!”

VEXAME – Quando a Seleção não foi a campo

        No vídeo abaixo, cuja produção é atribuída à BBC, uma alegoria sobre o vexame anunciado, protagonizado pela seleção brasileira, diante da Alemanha, na recente Copa do Mundo, realizada no Brasil.

        O título do vídeo – “W.O. na Copa do Mundo/ Alemanha goleia – Brasil não entra em campo” – é emblemático do que foi a partida, na qual a seleção alemã goleou por 7 a 1 o time comandado por Felipão.


video

MEMORIALISMO – Geneton resgata Maracanazo



        Para os amantes do chamado esporte bretão que não se contentam com a simples troca de guarda na comissão técnica da seleção, defendendo mudanças estruturais no futebol brasileiro, é indispensável a leitura de “Dossiê 50”, do jornalista Geneton Moraes Neto. O livro, lançado pela Maquinária Editora, resgata os bastidores do maracanazo, termo cunhado para designar a inesperada e traumática derrota do Brasil para o Uruguai, por 2 a 1, na final do Mundial de 1950, em pleno Maracanã, na época o maior estádio do mundo, construido na esteira da realização da primeira Copa do Mundo disputada no Brasil.
        Os depoimentos dos jogadores brasileiros que participaram daquela decisão são reveladores das mazelas que desde aquela época perseguem o futebol brasileiro. Mazelas acentuadas pela mercantilização do futebol, levada ao paroxismo, ensejando frequentes conflitos de interesses. Estigmatizados pelo tropeço, os jogadores que amargaram aquela fatídica derrota diante do Uruguai, certamente estão redimidos, diante do desastroso fracasso da nova família Scolari, perante um Mineirão aparvalhado pela goleada de 7 a 1 imposta pela seleção alemã.

        Mas “Dossiê 50” é muito mais do que sugere a modéstia de Geneton Moraes Neto, assinala Mino Carta, jornalista que comandou as equipes que criaram as revistas Veja, Quatro Rodas, IstoÉ e CartaCapital. “É aula de jornalismo, mas também subsídio indispensável à História”, arremata Mino Carta, na contracapa do livro.

DILMA – A reeleição ameaçada



        “Vai ficando cada vez mais evidente que a grande chance de Dilma ser reeleita é arrancar a vitória no primeiro turno. O que, pelo andar da carruagem, parece bastante improvável. Ela vai mal em São Paulo e cai no Nordeste, entre as mulheres e nas grandes cidades, que são irradiadoras de votos.”
        Esta, pelo menos, é a avaliação da jornalista Eliane Castanhêde, da Folha de S. Paulo, ao comentar o resultado da mais recente pesquisa de intenção de voto do Datafolha sobre a sucessão presidencial. Em sua coluna de domingo, 20, ela chama atenção para o alto índice de rejeição amargado pela presidente Dilma Roussef, na campanha pela reeleição, sinalizada
        A análise de Eliane Castanhêde pode ser acessada, na internet, pelo seguinte link:



DILMA – A leitura de Eliane Castanhêde

Segundo Eliane Castanhêde, rejeição ameaça a reeleição de Dilma.

        Abaixo, a transcrição, na íntegra, da análise de Eliane Castanhêde, intitulada “Gastando cartuchos”, sobre os percalços enfrentados pela presidente Dilma Rousseff para obter um segundo mandato:

Gastando cartuchos

        BRASÍLIA – Sabe o dado mais importante do Datafolha? Eduardo Campos, que só tem 8% das intenções de voto, dá um salto espetacular para 38% num eventual segundo turno entre ele e a presidente Dilma Rousseff. Como assim?
        A única explicação é que as pessoas não votariam a favor dele, mas contra Dilma e o PT. A rejeição dela bate em 38%, o dobro da de Aécio (17%) e mais que o dobro da de Campos (12%); e a avaliação péssimo/ruim do governo bate em 29%.
        Vai ficando cada vez mais evidente que a grande chance de Dilma ser reeleita é arrancar a vitória no primeiro turno. O que, pelo andar da carruagem, parece bastante improvável. Ela vai mal em São Paulo e cai no Nordeste, entre as mulheres e nas grandes cidades, que são irradiadoras de votos.
        Dilma ainda é favorita (36%), mas se a eleição for para o segundo turno, a coisa pode ficar feia. A diferença entre ela e Campos é de apenas sete pontos (45% a 38%). Entre ela e Aécio, que já foi de 27 pontos em fevereiro, caiu para irrisórios quatro pontos (44% a 40%) em cinco meses. Considerando a margem de erro de dois pontos, há empate técnico entre Dilma e Aécio, que tem muito menos exposição.
        A situação da candidatura de Dilma acirra os ânimos do PT e do seu grande líder, Lula, que vive hoje um triplo pesadelo: Geraldo Alckmin com mais de 50% para o governo e José Serra na dianteira para o Senado em São Paulo e Dilma gastando todos os seus cartuchos sem acertar o alvo para a reeleição.
        Se Dilma está assim com Copa, Brics, presidentes da Rússia, da China e da América do Sul e uma série de entrevistas, como poderá evoluir bem daqui em diante?


        Ela tem mais do que o dobro do tempo de TV de Aécio e Campos na campanha, mas TV e marketing não fazem milagre. Talvez a economia fizesse, mas os ventos internacionais não induzem ao otimismo. Nem o desempenho do governo Dilma até aqui.

HISTÓRIA – Jango revisto por Silvio Tendler



        Para as novas gerações, em especial, porque apresentadas a uma marcante passagem da História recente, mas também para aqueles que testemunharam, alguns precocemente, aquele conturbado período, vale a pena ver ou rever “Jango”, o festejado documentário de Silvio Tendler, que pode ser acessado, via internet, pelo link abaixo:


        No documentário, Tendler, um respeitado e premiado cineasta, resgata a trajetória do ex-presidente João Goulart,, popularmente conhecido como Jango, e com ela um importante capítulo da História do Brasil. Jango foi deposto pelo golpe de 1º de abril de 1964, no rastro do qual o Brasil mergulhou na noite negra da ditadura militar, que se estendeu por 21 anos. João Goulart só retornou ao Brasil morto e seu funeral foi realizado a toque-de-caixa, por determinação expressa dos militares, que temiam manifestações populares pela morte do ex-presidente.
        O documentário, lançado exatos 20 anos após o golpe militar de 1º de abril de 1964, com o sugestivo subtítulo "Como, quando e por que se derruba um presidente", refaz a trajetória política de Jango, valendo-se de imagens de arquivo e de depoimentos de importantes personalidades políticas como Afonso Arinos, Leonel Brizola, Celso Furtado e Magalhães Pinto, entre outros.
        Eleito vice-presidente pelo voto direto, quando presidente e vice precisavam ser legitimados pelas urnas, independentemente de legendas, Jango tornou-se presidente com a traumática, porque inesperada, renúncia do ex-presidente Jânio Quadros. Para tanto, porém, teve que superar resistências dos militares, por seu passado como ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, quando patrocinou conquistas trabalhistas que soavam intoleráveis para os setores conservadores.
        As preocupações sociais de Jango como presidente, apesar do estilo claudicante, e a mobilização das esquerdas por reformas de base, fizeram recrudescer a intolerância da caserna, oferecendo aos militares o álibi para o golpe abortado com o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas. E também frustrado pela canhestra tentativa golpista da UDN, a União Democrática Brasileira, via o vice-presidente Café Filho, que tornou-se presidente com a morte de Vargas, diante da vitória de JK, Juscelino Kubitschek, para presidente, e de Jango, para vice-presidente, nas eleições de 3 de outubro de 1955.
        Na época, o jornalista Carlos Lacerda, publicou em seu jornal a Carta Brandi, uma falsa missiva, supostamente enviada pelo deputado argentino Antônio Jesús Brandi a Jango, atribuindo a este a intenção de importar clandestinamente armas da Argentina para armar grupos operários. Eleito posteriormente governador do Estado da Guanabara, hoje Rio de Janeiro, Lacerda estimulou até a exaustão o golpe militar de 1º de abril de 1964, mas acabou politicamente alijado pelos militares, pelos quais ainda teve seus direitos políticos cassados, ao tentar articular uma Frente Ampla com os ex-presidentes JK e Jango, dois quais fora inimigo figadal.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

DAY AFTER – A indagação que perdura atual


MURAL – Queixas & Denúncias


TEATRO – O revide ao escracho dos poderosos

“Só Dói Quando Eu Rio”: revide ao deboche dos poderosos de plantão,
 a atração teatral deste mês , no Teatro Cuíra. (FOTO LEANDRO LIMA)

        “Um texto que tem o escracho como ponto fundamental. O objetivo é fazer rir e, rindo, fazer pensar.” Assim o diretor e elenco do espetáculo definem “Só Dói Quando Eu Rio”, que o Grupo Cuíra do Pará, em parceria com o Coletivo TartaRuga, apresenta neste mês de julho. O espetáculo tem estréia prevista para esta quarta-feira, 9, às 20 horas, e ficará em cartaz todas as terças e quartas-feiras deste mês, no mesmo horário, no Teatro Cuíra, na travessa 1º de Março com a rua Riachuelo, a uma quadra da avenida Presidente Vargas, na altura da Praça da República. Os preços dos ingressos não poderiam ser mais acessíveis: R$ 20,00, a inteira, R$ 10,00, a meia.
        “A fábula criada coletivamente tem influência de Dias Gomes em ‘O Bem Amado’, com a fictícia cidade de Sucupira como pano de fundo para apresentar acontecimentos surreais”, acrescentam Cláudio Melo, diretor, que também atua como ator, e os demais atores. “Belém chegou a um ponto de acontecimentos tão fantásticos, que só mesmo o deboche para tentar jogar alguma luz no que estamos vivendo”, assinala, por sua vez, Cláudio Melo, diretor e ator do espetáculo. A peça escracha com personagens da política, das artes e da cidade, antecipam diretor e elenco.
        Resgate - “Só Dói Quando Eu Rio” resgata o gênero do besteirol, uma tendência surgida na década de 80 do século passado, em diversas linguagens artísticas, caracterizada por uma forma debochada de humor, crítica social e política. “Somos vítimas o tempo todo do deboche que os políticos paraenses fazem com a gente. O que estamos fazendo agora, nada mais é do que devolver a piada”, reforça o ator Jeferson Cecim.
        Uma das inovações na estrutura do espetáculo fica por conta do repertório, sublinham diretor e atores. O grupo promete que a cada terça e quarta-feiras o público presenciará um espetáculo totalmente diferente. Para essa temporada até mesmo o prédio do teatro Cuíra sofrerá modificações. “Já na chegada queremos deixar o público no clima do espetáculo. Então, até mesma a bilheteria mudará a sua forma de vender ingressos. Venderemos até cervejinhas. O hall, de repente, pode virar espaço cênico. Tudo poderá acontecer com esse elenco”, explica, rindo, a produtora Zê Charone.
        “A referência está ligada a outra surpresa do espetáculo. Não há um texto escrito. Tudo é improvisado. Até mesmo a maneira de fazer a cena e o local onde acontecerá será decidido pelos atores na hora em que o público estiver presente”, antecipam ainda diretor e atores do espetáculo. “Temos um elenco de atores tarimbados. Todos eles têm mais de vinte anos de profissão. Então resolvemos tirar proveito disso. Decidimos fazer um espetáculo de estrutura livre, onde a bagagem dos atores se sobressaia”, arremata Cláudio Melo.

SERVIÇO

“Só Dói Quando Eu Rio”

Autor - Criação Coletiva.
Direção – Cláudio Melo.
Assistente de Direção – Ronildo Carvalho.
Customização de Figurinos e Bonecos – Jefferson Cecim.
Iluminação – Ronaldo Rosa e Leandro Lima.
Operação de Sonoplastia e Teclados – Leoci Medeiros.
Produção – Zê Charone.
Realização – Grupo Cuíra e Coletivo TartaRuga.
Elenco - Cláudio Melo, Paulo Vasconcelos, Adriano Barroso, Jeferson Cecim, Ronaldo Rosa, Leoci Medeiros, Astrea Lucena e Ronalda Salgado.
Local – Teatro Cuíra, na travessa 1º de Março, com a rua Riachuelo, a uma quadra da avenida Presidente Vargas, na altura da Praça da República.
Dias e horário – Todas as terças e quartas-feiras de julho, sempre às 20 horas.
Ingressos – R$ 20,00, a inteira; e R$ 10,00, a meia.


TEATRO – “Envergo mas não quebro, requebro”

        “Envergo mas não quebro, requebro”. Refletindo a talentosa irreverência transposta para os palcos em suas montagens, assim foi denominado o projeto de resistência, em defesa do teatro paraense, explicado no texto abaixo, de autoria do autodenominado Coletivo TartaRuga:

        “O teatro no Pará enfrenta uma grande crise que só faz piorar com o tempo, sem que se vislumbre qualquer melhora. Não há política cultural desenvolvida nem pelo Estado, nem pelo município. Os grupos, alguns, como o Cuíra, vivem da participação em prêmios federais, ou através da rara oportunidade de obter patrocínio através das leis de incentivo. Com isso, ficam atores, técnicos, produtores sem a chance de desenvolver suas carreiras.
        “O Grupo Cuíra resolveu reagir e propor um trabalho no gênero comédia, para, de um lado, fazer funcionar seu espaço, colocar em atividade atores, técnicos e produtores e de outro, mostrar ao público que apesar de todas as dificuldades, é possível fazer teatro de qualidade.

        "O primeiro espetáculo foi ‘As Gêmeas Sedentas de Sexo’, que estreou em março deste ano. Agora, apresenta ‘Só Dói Quando Eu Rio’.”