terça-feira, 21 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – Pega na mentira


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Recorde de acessos

Gráfico registrando o pico de acessos do blog segunda-feira, 20.

        Mesmo sem ser atualizado, nesta última segunda-feira, 20, o Blog do Barata registrou um novo recorde de acessos, neste mês de outubro, ao atingir a marca de 3.282 acessos, segundo as estatísticas do Blogger, sobre as quais os blogueiros não têm nenhuma ingerência. ELEIÇÕES – Helder supera Jatene na TV Record, de domingo, 19, foi a postagem mais acessada desta última segunda-feira e lidera o ranking das mais acessadas nos últimos oito dias, ainda segundo o Blogger.

        Quanto as visualizações de páginas por País, também de acordo com Blogger, nesta última segunda-feira, 20, o Blog do Barata registrou os seguintes números: Brasil, 2.327 visualizações; Alemanha, 723; Estados Unidos, 124; Espanha, 42; China, 28; França, 4; Índia, 4; Bélgica, 3; Portugal, 3; Canadá, 2.

TAILÂNDIA – Balela eleitoral e suspeita de corrupção

Ney da Saúde e Simão Jatene: entre  a balela eleitoral e a falcatrua.

        Qual o valor total das obras? As obras não foram executadas, ao contrário do que declara em suas prestações de contas de 2010, 2011 e 2012 o ex-prefeito de Tailândia, Gilberto Miguel Sufredini, do PSD, o Partido Social Democrático, cassado por corrupção? Houve aporte do governo do Pará, ou as obras foram realizadas unicamente com recursos do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal? Houve desvio dos recursos destinado às obras, via PAC? Por que o atual prefeito do município, Rosinei Pinto de Souza, o Ney da Saúde, também do PSD, atribui a realização das obras ao governador tucano Simão Jatene, omitindo os recursos destinado pelo governo federal, via PAC?
        Estas são perguntas que não querem calar, diante da mais recente lambança do atual prefeito de Tailândia, Rosinei Pinto de Souza, o Ney da Saúde, cujo partido integra a coligação pela qual o governador tucano Simão Jatene postula a reeleição. De acordo com denúncias feitas ao Blog do Barata, na versão do prefeito Ney da Saúde, as obras que viabilizam o abastecimento e distribuição de água para as vilas Bom Jesus e Bom Remédio teriam sido implementadas com verbas do governo do Pará, em um evidente estelionato eleitoral para favorecer Simão Preguiça, como é popularmente conhecido o governador. Mas essas mesmas obras foram declaradas como executadas com recursos destinados pelo PAC, segundo as prestações de contas de 2010, 2011 e 2012 do ex-prefeito Gilberto Miguel Sufredini, também do PSD, partido de Ney da Saúde, e os repasses figuram no portal da CGU, a Controladoria Geral da União, acrescentam as denúncias.

        O imbróglio, que dentre outras suspeitas sugere a possibilidade de um eventual desvio de recursos públicos, supostamente coonestado pelo atual prefeito de Tailândia, foram ironicamente deflagradas pelo próprio Ney da Saúde. Em sua página no Facebook, ele jactou-se das realizações das obras que viabilizam o abastecimento e distribuição de água para as vilas Bom Jesus e Bom Remédio, atribuindo-as a um aporte de recursos do governo estadual. Há um termo aditivo, celebrado pela Prefeitura de Tailândia com a Consan Engenharia Ltda., prorrogando o contrato entre as partes de 12 de maio a 8 de agosto deste ano, publicado no Diário Oficial do Estado. Mas no Portal da Transparência da Prefeitura de Tailândia verifica-se que, nas suas prestações de contas relativas a 2010, 2011 e 2012, o ex-prefeito Gilberto Miguel Sufredini, também aliado de Simão Jatene e cassado por corrupção, lista as obras que viabilizaram o abastecimento e distribuição de água para as vilas Bom Jesus e Bom Remédio como executadas com recursos do PAC.

TAILÂNDIA – Indícios que alimentam as suspeitas





TAILÂNDIA – Nicho de falcatruas da tucanalha

        A Prefeitura de Tailândia é um nicho da tucanalha, a banda podre do PSDB. Quando na Seduc, a Secretaria de Estado de Educação, na gestão de Nilson Pinto, Altimá Alves da Silva, enfant gaté de Nilsinho, foi flagrado acumulando as funções de assessor político, na secretaria, com o cargo de secretário de Planejamento da Prefeitura de Tailândia, nicho de correligionários do parlamentar tucano, como revelou, a 1º de agosto de 2011, com exclusividade, o Blog do Barata. Mas não só isso. Na ocasião o blog revelou também, reproduzindo os atos oficiais que caracterizavam a tramóia, que ele era beneficiário de uma farra de diárias, em uma escancarada pilhagem ao erário. Pela denúncia, Altimá não só embolsava vencimentos na Seduc, na condição de servidor comissionado, como também na Prefeitura de Tailândia, como secretário municipal de Planejamento. O então prefeito de Tailândia, Gilberto Miguel Sufredini, que acabou defenestrado do cargo por corrupção, bancaria, com recursos públicos, benesses inimagináveis para um cabo eleitoral, por melhor que este seja. Seria a Prefeitura de Tailândia quem pagaria, para Altimá Alves da Silva, o aluguel de uma casa em Belém, na rua Ferreira Pena, nº 279, com telefone – (91) 3224-3234. Assim como seria igualmente pago com recursos públicos o aluguel do carro no qual circulava o assessor político de Nilsinho - um Renault stepway vermelho, de placa NST 6032. O aluguel do veículo custaria R$ 2 mil mensais, de acordo com a fonte da denúncia que, diga-se, não foi desmentida.
        Mais recentemente, uma apaniguada do deputado federal tucano Nilson Pinto, Dorvalina Bastos da Silva, foi flagrada usufruindo de uma autêntica pilhagem ao erário. Servidora efetiva da Seduc, lotada em Belém, e da Semec, a Secretaria Municipal de Educação, da Prefeitura de Belém, nada disso teria impedido que ela, residindo desde janeiro de 2009 em Tailândia, a 270 quilômetros de Belém, fosse a partir daí, até maio de 2013, diretora de Ensino da Semed, a Secretaria de Educação do município. Somente em junho de 2.013 Dorvalina teria sido formalmente cedida - com ônus - pelo prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, também do PSDB, para a Prefeitura de Tailândia, na qual passou a exercer o cargo de ouvidora. Mas não pela Seduc, assinalou a denúncia.
        Mas a pedagoga Dorvalina Bastos da Silva, protagonista de uma acumulação indevida de vencimentos na Prefeitura de Tailândia, não é a única a usufruir das benesses, naturalmente bancadas com dinheiro público, patrocinadas pelo deputado federal tucano Nilson Pinto, o Nilsinho. Segundo denúncia feita ao Blog do Barata, outra beneficiária das mamatas viabilizadas pelo deputado seria a enfermeira Lindanor Maria Ribeiro Ferreira, que vem a ser cunhada do parlamentar e irmã da sua distinda esposa, Lena Conceição Ferreira Oliveira Pinto, a folclórica Lady Kate, que já foi a preferida de 11 entre 10 prefeitos do interior. Servidora da Prefeitura de Tailândia desde 2009, em concurso promovido pelo ex-prefeito Gilberto Miguel Sufredini, defenestrado do cargo por corrupção, Lindanor Maria – originária da Santa Casa de Misericórdia do Pará e cedida com ônus para a Seduc, a Secretaria de Estado de Educação, na gestão de Nilsinho – jamais teria pisado no hospital ou em algum posto de saúde do município. “Ela sequer cumpriu seu estágio probatório”, acrescenta o relato feito ao blog.

        Na sua gestão, Rosinei Pinto de Souza, o Ney da Saúde, estabeleceu relações promíscuas com os vereadores José Dario Oliveira Souza, do PSB, o Partido Socialista Brasileiro, e Ruth Lene Batista Eduardo, a Ruth Lene do Pingo de Gente, do PTC, o Partido Trabalhista Cristão. Valendo-se de laranjas, ambos foram flagrados mantendo relações comerciais com a Prefeitura de Tailândia, utilizando prepostos, para mascarar o conflito de interesses protagonizado, como também revelou o Blog do Barata.

PEC 186 – Campanha pela autonomia do Fisco


Charles Alcantara: mobilização em defesa da autonomia do Fisco.

        Juntamente com o Sindifisco, o Sindicato dos Servidores do Fisco Estadual do Pará, e os demais sindicatos da categoria, a Fenafisco, o Federação Nacional do Fisco, promove uma campanha pela internet pela aprovação, pelo Congresso Nacional, da PEC 186, Projeto de Emenda Constitucional, em defesa da autonomia do Fisco. “A PEC garantirá mais eficiência na fiscalização, mais justiça na arrecadação e mais dinheiro para o Brasil investir”, salienta o diretor de Comunicação da Fenafisco, Charles Alcantara. Ele sublinha que a  fórmula que constitucionaliza a independência ao Fisco prevê o combate à sonegação e o fim das interferências políticas nas administrações tributárias.

        Concebida para a plataforma web, sobretudo Facebook e Youtube, além de spots em emissoras de rádio convencionais, a campanha deverá ter duração de seis meses, estendendo-se, até março de 2015. Nesta primeira fase, o esforço de comunicação da Fenafisco e dos sindicatos filiados será para apresentar a PEC aos brasileiros. Na segunda, haverá mobilização nacional em favor da medida e, finalmente, a deflagração de pressão institucional e popular ao parlamento para votação e aprovação da PEC.

PEC 186 – A mobilização no Pará

Antônio Catete (centro), presidente do Sindifisco: apoio entusiasmado. 

        No Pará, a campanha publicitária conta com a colaboração do Sindifisco, responsável pela veiculação de spot de rádio em emissoras de grande alcance para tornar a PEC 186 de domínio dos paraenses. “O sindicato é um dos maiores entusiastas da aprovação que dá autonomia ao Fisco brasileiro”, declara o presidente do Sindifisco do Pará, Antônio Catete.

        Sob o título de “O Brasil precisa de mais...”, a campanha alerta que o país necessita de mais educação, infraestrutura, saúde e segurança pública que podem ser garantidos por mais recursos, que o combate à sonegação pode gerar.

PEC 186 – Menos impostos, mais transparência

        “O Brasil não precisa de mais impostos. Precisa de mais transparência e eficiência na arrecadação. Precisa de um Fisco com autonomia para garantir contribuição igualitária entre as empresas. Que não dê brecha para a corrupção. Quanto menos sonegação, mais recursos. Quanto mais recursos, mais investimentos em benefícios para você. A PEC 186 é isso: mais eficiência e mais justiça na arrecadação de impostos. Compartilhe este vídeo e faça o Brasil inteiro conhecer a PEC 186, a PEC da Eficiência”, diz o teor do vídeo distribuído pelo canal do Youtube e Facebook.
        Acesse a campanha, pelos links abaixo:

https://www.facebook.com/186PECdaEficiencia



domingo, 19 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – Escândalos em pauta


ELEIÇÕES – Helder supera Jatene na TV Record

Helder x Jatene: confronto que favoreceu o candidato do PMDB.

        Um candidato que, para além da exuberância da juventude, revelou intimidade com os problemas do Pará e, embora incisivo nas críticas, não resvalou para o desrespeito ao adversário, na contramão deste, traído pelo nervosismo, traduzido por uma postura iracunda. Assim pode ser resumido o desempenho de Helder Barbalho (PMDB), no confronto com o governador Simão Jatene (PSDB), no debate promovido pela TV Record, na tarde deste domingo, 19, reunindo os candidatos que disputam, neste segundo turno da eleição, o governo do Pará.
        Longe do teleprompter, tão caro a quem se habituou a pontificar, à margem do contraditório, Simão Jatene, a despeito da experiência como orador, revelou-se desarvorado, talvez porque não tenha conseguido desestabilizar o adversário, tendo ainda contra si uma administração notoriamente medíocre. Na falta de realizações mais expressivas para exibir, o governador tucano, que postula a reeleição, concentrou-se na tentativa, vã, de desconstruir o adversário. E foi aí, exatamente aí, que incorreu no erro crasso de insistir em um discurso virulento, deixando sem respostas convincentes as críticas disparadas por Helder Barbalho, amparadas nos índices sociais pífios exibidos pela atual administração.

        De resto, a serenidade exibida por Helder Barbalho, acentuada pela segurança do seu discurso, fez Simão Jatene incorporar o vício de origem da sua campanha no rádio e na televisão. A despeito de tentar desqualificar o adversário, o governador tucano consumiu grande parte do tempo que lhe coube tentando justificar o injustificável – a ausência de realizações efetivamente expressivas, capazes de justificar a pretensão de obter do eleitorado um novo mandato. Da parte de Simão Jatene não faltaram promessas, palatáveis em um candidato de oposição, mas que em um detentor do poder soam a balelas de palanque, como é próprio de administradores ineptos.

ELEIÇÕES – Temporada de baixarias


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Indicação para o Prêmio Fiepa de Jornalismo



        No último dia 10 fui surpreendido com o comunicado feito pela Temple Comunicação, por e-mail, sobre minha indicação ao Prêmio Sistema Fiepa de Jornalismo 2014, na categoria Melhores Profissionais do Ano – Blogueiro.
        Para quem jamais disputou premiação de qualquer natureza, ao longo de 41 anos de carreira como jornalista, a indicação, por si só, soa lisonjeira, por representar um reconhecimento à relevância da proposta que inspirou o Blog do Barata, que é a democratização da informação, sem as amarras das injunções político-partidárias e comerciais.

        Muito mais que meus, os méritos pela indicação são de todos aqueles que ajudam-me a fazer o Blog do Barata – amigos, com os sábios conselhos e ponderações, que só o distanciamento crítico permite; fontes, anônimas, ou não; e internautas que prestigiam-me com sua leitura, contribuindo com sugestões e críticas.

BLOG – Enfim, de volta

        Problemas de saúde, que impuseram um périplo por médicos e clínicas, na esteira de uma avalanche de exames, tiraram-me de cena nos últimos dias, obrigando-me a suspender a atualização do Blog do Barata, que retomo neste domingo, 19, desculpando-me pela ausência compulsória.

BLOG – A medicina como sacerdócio

        Há 31 anos atrás, após um primeiro ano de vida saudável, minha filha apresentou sucessivos resfriados e gripes, sem causa aparente e sem um diagnóstico preciso por parte dos médicos consultados. Por sugestão da minha mãe, recorri, então, à doutora Amélia Ribeiro, uma pediatra de mão cheia, que após ouvir o relato da minha mulher e auscultar a minha filha, diagnosticou um quadro de fundo alérgico, confirmado pelos exames feitos a posteriori. Minha filha cresceu saudável, como saudável cresceu também meu filho, sob a proteção do anjo da guarda que foi, para eles, a doutora Amélia, prematuramente falecida e que deixou saudades não só pela competência, mas pela postura, já então rara, de médico que exerce o seu ofício como um sacerdócio.
        Por uma dessas gratas coincidências da vida, às voltas com as complicações decorrentes de uma colite crônica, a qual se somou uma gastrite, eis que me vi diante do doutor Fernando Ribeiro Júnior, da Brasmed e que vem a ser filho da saudosa doutora Amélia. Ele reproduz, da mãe, a competência e a postura ética, traduzida na atenção e respeito ao paciente, tratado como tal e não como uma mera cifra.

        Pela atenção a mim dispensada, devo um agradecimento público ao doutor Fernando, assim como ao doutor Aurélio Albuquerque, da Densimagem, jovens médicos que passam ao largo da impessoalidade que marca a mercantilização da medicina. Um agradecimento que estendo, por sua gentileza, à equipe de atendentes da Brasmed e, em particular, às enfermeiras Alexandra e Gisele, pelo carinho com que fui tratado por ambas.

BLOG – Um comovido agradecimento

        Segundo o saudoso Henfil, por solidariedade a gente não agradece, a gente se comove. Seja como for, não posso deixar de fazer um sincero e comovido agradecimento pelo desvelo da minha única irmã, Tereza Christina, cuja amorosa dedicação, que aplaca as vicissitudes pelas quais passo, em parte decorrente do meu proverbial desleixo com a saúde. Incansável, ela é quem providencia as consultas a médicos e os exames eventualmente solicitados, e ainda encontra tempo para cuidar da minha alimentação, com a dedicação mais própria de mãe, algo que tanto comove, mas também constrange, por previsivelmente sobrecarregá-la, na rotina na qual se desdobra, para cumprir os papéis de esposa, mãe, avó e profissional.
        Não posso deixar de estender meus agradecimentos ao meu cunhado, Pedro Lima, aos meus sobrinhos, Lauro e Andréa, filhos da minha irmã e de Pedro, e ao meu genro, Daniel Coutinho, pela generosidade que tanto comove. Daniel, diga-se, é um caso à parte, por revelar em gestos, que dispensam palavras, o mesmo carinho que mereço dos meus filhos. Assim como agradeço a generosa solidariedade de Dolores Coelho, minha ex-mulher, mãe dedicada dos meus filhos, Carol e Thiago, e avó igualmente dedicada dos meus netos, Fernando e João Pedro.
        Meus agradecimentos incluem também Egidia e Fernando Barata, ele, meu irmão, ela uma cunhada querida, da qual mereço o carinho de uma irmã. A eles muito devo, pela pronta e espontânea solidariedade, em momentos adversos.
        Agradeço ainda, porque seria injusto deixar de fazê-lo, a terna preocupação de duas amigas queridas, Ione e Ieda, irmãs por afinidade, colocando-se permanentemente à disposição, para qualquer eventualidade.
        Por tudo isso, posso dizer que a vida concedeu-me muito mais do que mereço.

        Obrigado, mas muito obrigado, mesmo. Isto é o mínimo que posso dizer, valendo-me do poder de permanência e convicção da palavra escrita.

ELEIÇÕES – A suspeita discrepância das pesquisas



        Nada contra a família Maiorana ter um candidato da sua preferência na eleição para o governo do Pará, desde que essa opção preferencial fosse formalmente assumida e não se fizesse em detrimento dos fatos, como é tradição da casa. Por isso, se constitui em uma afronta ao eleitorado e à própria Justiça Eleitoral, as recorrentes tentativas de manipulação a favor da candidatura do governador tucano Simão Jatene, que postula a reeleição.
        Neste fim de semana, porém, os Maiorana se superaram em matéria de ignomínia eleitoral. Bastou a pesquisa do Ibope - encomendada e divulgada pela TV Liberal, afiliada da Rede Globo de Televisão - apontar uma vantagem numérica de Helder Barbalho, do PMDB, para ser solenemente ignorada por O Liberal, o principal jornal das ORM, as Organizações Romulo Maiorana. Pelo Ibope, tradicional parceiro de empulhação eleitoral dos Maiorana, Helder Barbalho teria 48% das intenções de votos, contra 45% de Simão Jatene, o que configura um empate técnico, dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais, para mais, ou para menos.
        Em sua edição deste domingo, 19, O Liberal optou por abrir manchete com as pesquisas dos institutos Doxa e BMP, Bureau Marketing e Pesquisa, que apontam, respectivamente, vantagem de Simão Jatene de 7,4% e 4,2%.

        Em sua edição dominical, o Diário do Pará, o jornal do grupo de comunicação da família do senador Jader Barbalho, do qual é filho e herdeiro político Helder Barbalho, teve como manchete a pesquisa do IVeiga, segundo a qual o candidato peemedebista tem 53,7% dos votos válidos. O instituto é comandado por Edir Veiga, o dentista que é também cientista social e ostenta uma turbulenta vida pregressa, que inclui um périplo pela Europa, com recursos da UFPA, a Universidade Federal do Pará, para fazer proselitismo político, a favor do PT, do qual acabou defenestrado, sob a suspeita de falcatruas.

ELEIÇÕES – E a Lei Kandir, excelências?

Aécio com Jatene: silêncio sobre a Lei Kandir, que tanto penaliza o Pará.

        Em sua aparição na TV ao lado do governador tucano Simão Jatene, Aécio Neves, o candidato a presidente pelo PSDB, cumpriu o script previsível. Mas, por isso mesmo, protagonizou um momento menor em sua campanha, no esforço de tornar palatável a candidatura à reeleição de Simão Preguiça.
        Para além das insuspeitas qualidades que Aécio identificou em Jatene, absolutamente desconhecidas para quem vive no Pará, o logro, o embuste, que ofende a inteligência do eleitorado mais esclarecido, evidenciou-se no silêncio de ambos sobre a Lei Kandir, que tanto penaliza o nosso Estado.
        A Lei Kandir, recorde-se, isenta do ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços, os produtos e serviços destinados à exportação. A lei entrou em vigor em 13 de setembro de 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso, e leva o nome do seu autor, o ex-deputado federal tucano Antônio Kandir.

        Na época, o Pará era governado pelo ex-governador tucano Almir Gabriel, já falecido, que tinha então Simão Jatene como secretário estadual de Planejamento e eminência parda. Ambos acataram silentes, bovinamente, a espoliação imposta ao Pará.

ELEIÇÕES – A balela e o viés autoritário



        Nada mais ignominioso, porque induz a uma balela repetida como mantra, que o discurso incorporado pela presidente Dilma Rousseff malsinando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O que os petistas omitem, apostando na amnésia histórica e porque as novas gerações desconhecem as turbulências dos anos de inflação descontrolada, é que FHC foi o presidente da estabilidade econômica, da modernização do Brasil, via Plano Real. Foi FHC que tornou possível o ex-presidente Lula protagonizar um governo notabilizado por promover a inclusão social. Não por acaso Lula respeitou os fundamentos econômicos herdados do antecessor.

        Agora, pior, porque revela um inocultável viés autoritário, é Dilma Rousseff atribuir-se os méritos pelo fim da impunidade em relação aos corruptos, que tem como paradigma a condenação dos mensaleiros. Se hoje temos ex-ministro de Estado petista encarcerado e cabeças coroadas do petismo cumprindo pena, e a pilhagem na Petrobrás sob investigação, deve-se, apenas e unicamente, a consolidação das instituições democráticas, uma conquista do conjunto da sociedade brasileira. O resto é conversa para boi dormir.

AMAPÁ – Repúdio a interferência indébita da Aleap

Ivana Cei: protesto vigoroso em defesa da independência do MP do Amapá.

        “A medida adotada pela Assembleia Legislativa, no sentido de alterar as regras para acesso ao cargo de Procurador-Geral de Justiça, impedindo Promotores de Justiça de concorrerem ao pleito, é fruto de uma verdadeira afronta à sociedade e atentado ao Estado Democrático de Direito, aos direitos fundamentais, aos princípios constitucionais da autonomia e independências, não só do Ministério Público do Amapá, mas de todo o Ministério Público Brasileiro.”

        Esta é uma passagem da manifestação do Ministério Público do Amapá sobre a alteração da Constituição daquele Estado, feita pela Assembleia Legislativa amapaense, proibindo que promotores de Justiça se candidatem ao cargo de procurador-geral de Justiça, interpretada como uma afronta à Lei Orgânica do Ministério Público. A nota oficial, denunciando a interferência indébita, é assinada por Ivana Lúcia Franco Cei, procuradora-geral de Justiça, e José Cantuária Barreto, promotor de Justiça e presidente da AMPAP, a Associação dos Membros do Ministério Público do Amapá.

AMAPÁ – O protesto do Ministério Público

        Segue abaixo a transcrição, na íntegra, da manifestação de repúdio do Ministério Público do Amapá, diante do ato da Assembleia Legislativa amapaense:

        “O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ e a ASSOCIAÇÃO DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO AMAPÁ, por sua Procuradora-Geral de Justiça e seu Presidente, no uso de suas atribuições legais, vêm a público apresentar a seguinte manifestação:

        “Nos termos da Constituição Federal de 1988, o Ministério Público é uma instituição oficial, independente e autônoma, de grande importância para a função jurisdicional do Estado, age na defesa da ordem jurídica, do regime democrático de direito, dos direitos e interesses sociais e individuais indisponíveis, bem como pela leal observância das leis e da Constituição.

        “Como não poderia ser diferente, o Ministério Público do Amapá, ao longo de todos os anos de sua criação, vem atuando em prol da sociedade, propiciando uma maior eficácia no exercício da cidadania e na defesa do patrimônio público, a exemplo de todas as medidas que tem adotado para lutar contra a corrupção que assola e deteriora o Estado do Amapá.

        “A medida adotada pela Assembleia Legislativa, no sentido de alterar as regras para acesso ao cargo de Procurador-Geral de Justiça, impedindo Promotores de Justiça de concorrerem ao pleito, é fruto de uma verdadeira afronta à sociedade e atentado ao Estado Democrático de Direito, aos direitos fundamentais, aos princípios constitucionais da autonomia e independências, não só do Ministério Público do Amapá, mas de todo o Ministério Público Brasileiro.

        “Os atos praticados pela Assembleia Legislativa do Estado do Amapá nada mais são que represálias ao Órgão Ministerial em razão do expressivo número de deputados que estão sendo investigados e denunciados perante a Justiça pelo desvio de mais de 175 milhões de reais. A mordaça criada pela Assembleia Legislativa, certamente, não calará a Instituição, que, independentemente de ter no comando das atividades um Procurador ou Promotor de Justiça, continuará a enfrentar e combater, sem qualquer temor, todos os atos de corrupção que consomem nosso Estado. O Ministério Público do Amapá não é feito de covardes, é feito por pessoas que tem compromisso com a sociedade e que não medirão esforços para desempenhar com excelência a tarefa conferida pelo povo brasileiro.

        “Como Instituição independente e autônoma, o Ministério Público do Amapá e o Ministério Público Brasileiro continuarão a ingressar com ações contra todos os agentes públicos e políticos envolvidos em atos de malversação de recursos públicos, corrupção passiva e ativa, falsificação de documentos, peculato, desvio, dentre outros atos ilícitos e ímprobos.

        “Medidas judiciais serão adotadas em todas as esferas e com o apoio das instituições nacionais.

        “É o Brasil unido no combate à corrupção.

        “Ivana Lúcia Franco Cei - Procuradora-Geral de Justiça



        “José Cantuária Barreto – Promotor de Justiça e Presidente da Associação dos Membros do Ministério Público do Amapá (AMPAP)

domingo, 12 de outubro de 2014

ELEIÇÕES - Disparada


MURAL – Queixas & Denúncias


CÍRIO – Que a chama da fé ilumine a todos nós

Procissão do Círio de Nazaré: a pororoca de devotos, iluminados pela fé.

        Que a chama da fé, que move a pororoca de fiéis que tomam as ruas de Belém na procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, ilumine a todos nós na luta por justiça social, que se expressa na efetiva determinação política de conciliar o socialmente justo com o orçamentariamente possível. Não se trata, diga-se, de desconhecer as desigualdades próprias à natureza humana, mas de aplacar as desigualdades sociais que são acrescidas às diferenças naturais e biológicas.

        Que essa portentosa manifestação de fé, expressa pela multidão de fiéis, não nos deixe resvalar para o êxtase improdutivo e que em lugar deste se materialize, em cada um de nós, a disposição em amar o próximo como a nós mesmos, o desafio diário do homem que sabe que não é Deus.

ELEIÇÕES – “Máquina e mídia não escondem a verdade”

Roberto Corrêa: vocação política faz de Helder Barbalho o favorito.

        “Máquina administrativa e mídia são importantes, mas não conseguem esconder a verdade sentida pelo eleitor a quando da avaliação da gestão tucana que se encerra.”
        A observação é de Roberto Corrêa, cientista político que é professor de carreira da UFPA, a Universidade Federal do Pará, ao comentar os desdobramentos da eleição para o governo do Pará, em cujo primeiro turno Helder Barbalho, candidato do PMDB, derrotou o governador Simão Jatene, do PSDB. Um dos mais respeitados intelectuais de sua geração, Corrêa vê o pêndulo eleitoral favorecer Helder Barbalho, herdeiro político do senador Jader Barbalho, com o qual se confunde o PMDB no Pará. “Ser político é vocação e o tempo da política é o tempo da negociação, do ouvir com atenção as demandas e sugestões dos aliados. Diferente de Jatene, Helder é o piloto de uma nova coalização que busca o poder amalgamando demanda dos vitoriosos e derrotados. As adesões a sua candidatura são a prova inconteste de sua vocação política”, assinala Corrêa, na entrevista abaixo, concedida ao Blog do Barata.

        Costuma-se dizer que o segundo turno é uma nova eleição. Esta premissa aplica-se ao caso do Pará, diante da exacerbada polarização que desde o início da campanha marca a disputa para o governo e o caráter plebiscitário que o PSDB tentou imprimir à eleição, na esteira da condição de Helder Barbalho de herdeiro político do senador e ex-governador Jader Barbalho?

        Nova eleição é redundância semântica para não dizer reconhecimento da estratégia de continuidade da política eleitoral desencadeada no 1º turno, posto que os concorrentes darão prosseguimento ao esforço de captura de votos mediante assédio aos candidatos eleitos e não eleitos pelas nominações partidárias e/ou coligações. Campeões de voto como Delegado Eder Mauro (PSD, 265.983 votos) e Edmilson Rodrigues (PSOL, 170.604 votos) estão no centro desse assédio tático. No caso dos não eleitos, os que pontuaram em significado de popularidade, foram, para governador, Zé Carlos Lima (PV), com 1749 votos; Elton Braga (PRTB), com 749 votos; mais a não tanto surpresa de Jefferson Lima (PP), para senador, com 741.727 votos. Muitos candidatos a deputado federal e estadual, não eleitos, serão importantes nesse esforço de cabalagem: Raul Batista (PRB); Miriquinho Batista (PT); Giovanni Queiroz (PDT); Paula Titan (PMDB); Gerson Peres (PP) e Ana Julia Carepa (PT). Concordo com o termo nova eleição dado que a estratégia dominante será a busca do voto trânsfuga, posto que no 2o turno cai e muito a mobilização da tropa de apoiadores do candidato Jatene em razão das não esperadas derrotas e das eternas quizilas reinantes no jardim secreto tucano, aumentando com isso a inclinação do eleitor mediano votar em quem está na frente; neste caso, Helder Barbalho. A intuição de que o candidato desafiante seja herdeiro político de Jader Barbalho é fragilizada nos propósitos difamadores da tucanada, tendo em vista a surpreendente autonomia intelectual, moral e política do jovem Helder Barbalho, sobretudo no que diz respeito a sua autoimagem explicitada na semântica inaugurada por Maquiavel: seja por carisma (liderança e poder); seja por virtù (valores próprios e reais que um homem político oferece a seus seguidores).

        Considerando o quadro eleitoral no Pará, o segundo turno é o momento do voto útil, do eleitor dizer sobretudo o que não quer, ou comporta o voto da persuasão, determinado por uma agenda propositiva?

        As duas motivações, persuasão e agenda propositiva se encontram no marketing político e estarão expressas nos debates que agora, cara a cara, tendem a reduzir a dominância do script e favorecer o candidato com maior sagacidade, criatividade e domínio da informação regionalizada e localizada, no que favorece Helder pelo seu Ouvindo o Pará em mais de 100 municípios. Jatene estará preso a números que não convencem e poderá se sentir atraído pelo jogo de “cascas de banana” que na maioria das vezes funcionam como bumerangues. A agenda propositiva dos candidatos é sempre o que o eleitor mais exigente que ver e ouvir na discussão dos debates do 2º turno; pois, afinal, o eleitor busca na noção de bem público o que mais importante para sua vida; mormente no que diz respeito a cesta básica da cidadania: educação, saúde e segurança.

        Qual a repercussão, na candidatura do governador Simão Jatene, ele ter saído do primeiro turno com votação inferior a de Helder Barbalho, a despeito da utilização da máquina administrativa estadual e do ostensivo apoio de um dos dois maiores grupos de comunicação do Pará, com o agravante adicional do Pará exibir índices sociais pífios?

        A repercussão desse inesperado 2º lugar é, sem dúvida, o rebaixamento da moral da tropa que diante da quase tragédia eleitoral poderá vir a ser no 2º turno uma espécie de Incrível Exercito de Brancaleone --- ou seja, uma brigada desorientada nos seus propósitos eleitorais e tendente a aceitar a corrente trânsfuga, dos que mesmo tendoi votado em Jatene no 1º turno, passam a votar em Helder no 2º turno, algo como a descabestralização do voto. Máquina administrativa e mídia são importantes, mas não conseguem esconder a verdade sentida pelo eleitor a quando da avaliação da gestão tucana que se encerra. Bom lembrar que todo o gestor (presidente, governador e prefeito) é príncipe para uns e tirano para outros. Helder, com tudo o que a mídia apronta, foi reeleito em 1º turno para um segundo mandato em Ananindeua; o que o enquadra como príncipe da maioria e tirano da minoria. Para Jatene, as pesquisas mostram o inverso, seja pela avaliação de seu governo, seja pelo índice de rejeição.

        Até onde repercute, nas candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene, o fato do segundo turno se dar com as disputas para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa já definidas, com o previsível legado de mágoas daqueles cujas expectativas foram frustradas?

        Não há como evitar as frustrações e mágoas dos não eleitos e dos eleitos. É muito comum entre os tucanos paraenses as desavenças intra e entre partidos coligados. Fato que denuncia a ausência de uma liderança reconhecida por todos, como é o caso de Jader Barbalho no PMDB que, longe de ser um cacique é, na verdade, um maestro que rege uma coalizão de líderes regionalizados pelo plesbicito de 2012 da redivisão territorial do Pará. Jatene não é politico, é um técnico competente e, como tal, seu tempo está voltado para o resultado e não para a negociação pela qual não demonstra vocação ou paciência . A principal queixa que dos políticos é a de que Jatene, quando procurado em seu gabinete, parece ouvir não ouvindo... Ser político é vocação e o tempo da política é o tempo da negociação, do ouvir com atenção as demandas e sugestões dos aliados. Diferente de Jatene, Helder é o piloto de uma nova coalização que busca o poder amalgamando demanda dos vitoriosos e derrotados. As adesões a sua candidatura são a prova inconteste de sua vocação política.

        São evidentes as fraturas internas no PSDB do Pará, a mais vistosa das quais a do senador Mário Couto. Até que ponto isso conspira contra a candidatura de Simão Jatene, considerando que o candidato tucano muito provavelmente terá o apoio de políticos bem à direita do espectro ideológico, como Wlad Costa, reeleito deputado federal pelo Solidariedade?

        Essas fraturas são agravadas por feridas difíceis de sarar. Mário Couto e Jefferson Lima não apoiam Jatene. Aliás, Jefferson Lima já aderiu a candidatura de Helder. Wlad, até onde sei, tem seu reduto eleitoral em intercessão com os redutos do PMDB e, por conveniência de sustentabilidade eleitoral, não deverá se arriscar numa campanha contra seus ex correligionários. Especulo que Wlad negociou sua migração para outro partido como tática de garantir sua eleição sem prejudicar a eleição das candidaturas novatas do PMDB a deputado federal, como a de Simone Morgado.

        No primeiro turno, a candidatura do tucano Simão Jatene fez-se dissociada da candidatura do presidenciável do PSDB, Aécio Neves, cuja votação no Pará foi pífia. Supondo-se que no segundo turno Aécio Neves melhore seu desempenho no Pará, até por conta da eventual migração de parcela dos eleitores de Marina Silva, isso pode favorecer Simão Jatene?

        Primeiro há que considerar que Marina Silva tem um eleitorado muito eclético. Religiosos, ambientalistas, ecologistas, petistas insatisfeitos, etc. Esse eleitor não necessariamente acompanhará o apoio indicado por Marina. Votará de acordo com suas crenças que, em estados pobres do Nordeste e Norte, tendem a referendar a reeleição de Dilma em associação crescente com o candidato a governador integrante da coligação armada para o 2º turno. No caso do Pará, Dilma e Helder reforçam a adesão do voto “maluco beleza”, muito próprio da contradição ambulante que é Marina Silva. Não esquecer que o candidato do PV ao governo, Zé Carlos Lima, já proclamou seu apoio a Helder.

        No que a candidatura da presidente Dilma Rousseff pode favorecer Helder Barbalho, na disputa para o Senado?

        A bipolarização plesbicitaria tende a consolidar as preferências do eleitor tanto de Dilma para Helder como de Helder para Dilma. Programas de governo em andamento como o PAC, Prouni, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Bolsa Família, entre outros, despertam o interesse do eleitor nessa associação tendo em vista que o centro estratégico de poder é Brasília e sua derivação, o Pará, há que falar a mesma língua centrada nos interesses dos pleitos futuros.

        O que, neste segundo turno, pode contar a favor e o que pode conspirar contra as candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene?


        A candidatura de Helder tem a favor a preferência do eleitorado pela continuidade dos programas de transferência de renda expressos na candidatura a reeleição de Dilma Rousseff. O que poderia conspirar contra seria uma ascensão inesperada da candidatura de Aécio Neves, uma vez que a polarização faz dessas chapas um tipo de voto em bloco sistêmico. Isto é, quem vota em Dilma vota em Helder; quem vota em Aécio vota em Jatene. Daí a mudança de estratégia dos tucanos em anunciar o empate técnico como presságio de vitória da oposição tucana. Ou seja, queiramos ou não a polarização PT v.s. PSDB contamina o mercado eleitoral independentemente do partido coligado a esta ou aquela nominação partidária. Falo isso como tendência, jamais como lei natural de preferências eletivas do eleitor paraense. 

ELEIÇÕES – Canto também vê Helder como favorito

Américo Canto: cenário favorável a Helder Barbalho, no segundo turno.

        A exemplo do cientista político Roberto Corrêa, o sociólogo Américo Canto também identifica favoritismo de Helder Barbalho, do PMDB, na disputa travada com o governador Simão Jatene, do PSDB, na eleição para o governo do Pará, agora no segundo turno e cujo primeiro turno teve como vencedor o candidato peemedebista. “O apoio político que Helder conseguiu da maioria dos concorrentes ao cargo de governador é um sinalizador muito positivo para sua candidatura e soa de forma negativa para o candidato Simão Jatene que, estando no governo, além de perder apoio já firmado no primeiro turno, não conseguiu capitalizar o apoio dos outros concorrentes ao cargo majoritário. Seu leque de alianças ficou mais fragilizado”, avalia Canto, diretor-geral do Instituto Acertar, de Belém, notabilizado pela margem de acertos de suas sondagens eleitorais. “Pelo fato dele ser o governador do Pará, ter os maiores colégios eleitorais do Estado administrados por seus pares políticos, e por disponibilizar da máquina administrativa a seu favor, o resultado das urnas repercutiu de forma negativa em todos aqueles que fazem parte de grupo político de Jatene, ou que o apoiam, direta ou indiretamente”, acrescenta Canto, em entrevista abaixo, concedida ao Blog do Barata, na qual foi confrontado com as mesmas indagações feitas a Roberto Corrêa.

        Costuma-se dizer que o segundo turno é uma nova eleição. Esta premissa aplica-se ao caso do Pará, diante da exacerbada polarização que desde o início da campanha marca a disputa para o governo e o caráter plebiscitário que o PSDB tentou imprimir à eleição, na esteira da condição de Helder Barbalho de herdeiro político do senador e ex-governador Jader Barbalho?

        Acredito que sim, apesar da baixa votação obtida pelos outros concorrentes, temos um contingente de 1.094.098 o que corresponde a 21,10% de eleitores que se abstiveram do processo. Não podemos afirmar se o voto de Simão Jatene ou Helder já alcançou o teto máximo, além de que, com a polarização entre dois candidatos, existe a tendência de aumentar o contingente dos votos voláteis, relacionado aos eleitores que afirmam que ainda podem mudar de voto até o dia das eleições. Além de não sabermos para onde irá o voto dos outros candidatos que concorreram ao pleito.

        Considerando o quadro eleitoral no Pará, o segundo turno é o momento do voto útil, do eleitor dizer sobretudo o que não quer, ou comporta o voto da persuasão, determinado por uma agenda propositiva?

        O voto útil, tático ou estratégico, se faz presente no processo eleitoral e apesar do pouco tempo para o segundo turno, a persuasão deve ser ponto chave, principalmente junto aqueles eleitores que, por alguma razão, estão desestimulados de votar, que são parte desses 21,10% de eleitores que se abstiveram no primeiro turno. Historicamente, no estado do Pará, há tendência em aumentar o número de abstenções no segundo turno, conforme dados do TSE, isso significa que poderemos atingir mais ou menos 25,7% de abstenções neste segundo turno. Portanto, é um desafio para os candidatos estimular o comparecimento do eleitor as urnas. Observando os resultados da eleição apresentada pelo TSE, a abstenção esteve mais concentrada onde o candidato Helder ganhou de seu principal concorrente, que foram nas regiões Sudoeste, Sudeste e Marajó, e até no Baixo Amazonas.

        Qual a repercussão, na candidatura do governador Simão Jatene, ele ter saído do primeiro turno com votação inferior a de Helder Barbalho, a despeito da utilização da máquina administrativa estadual e do ostensivo apoio de um dos dois maiores grupos de comunicação do Pará, com o agravante adicional do Pará exibir índices sociais pífios?

        Pelo fato dele ser o governador do Pará, ter os maiores colégios eleitorais do Estado administrados por seus pares políticos, e por disponibilizar da máquina administrativa a seu favor, o resultado das urnas repercutiu de forma negativa em todos aqueles que fazem parte de grupo político de Jatene, ou que o apoiam, direta ou indiretamente, apesar da diferença ter sido ínfima entre os dois candidatos.

        Até onde repercute, nas candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene, o fato do segundo turno se dar com as disputas para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa já definidas, com o previsível legado de mágoas daqueles cujas expectativas foram frustradas?

        Ao observarmos os resultados das eleições e suas referidas coligações, o quadro indica que em termos de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa a coligação Unidos pelo Pará/Pra Frente Pará, encabeçada pelo PSDB obtiveram 7 cadeiras para a Câmara Federal totalizando 880.269 votos e 12 para a Assembléia Legislativa alcançando 569.875 votos. Enquanto que a coligação Todos pelo Pará II, formada pelo PMDB/PT obtiveram 5 cadeiras para a Câmara dos Deputados totalizando 534.611 votos e 11 para a Assembléia Legislativa alcançando 381.427 votos. Os dados demonstram vantagem para a primeira coligação, entretanto, o empenho eleitoral nesta segunda fase é diferente do primeiro turno, quando os candidatos aos cargos proporcionais estavam garimpando votos para si. As motivações vão estar relacionadas aos compromissos políticos e eleitorais firmados entre grupos, sobretudo a nível nacional. Possivelmente aqueles que tiveram suas candidaturas frustradas irão ficar vendo a banda passar e sem envolvimento direto.

        São evidentes as fraturas internas no PSDB do Pará, a mais vistosa das quais a do senador Mário Couto. Até que ponto isso conspira contra a candidatura de Simão Jatene, considerando que o candidato tucano muito provavelmente terá o apoio de políticos bem à direita do espectro ideológico, como Wlad Costa, reeleito deputado federal pelo Solidariedade?

        Desde o primeiro turno o nome citado acima já apresentavam suas posições e preferências com exceção de Mário Couto que demonstrava neutralidade política. Dessa forma, a novidade para o segundo turno é o apoio de Jefferson Lima a Helder Barbalho, antes apoiando Simão Jatene. Esse apoio poderá fazer diferença, sobretudo na região metropolitana onde se concentra a maior votação de Jefferson e onde percebemos a maior fragilidade eleitoral de Helder. Favorável a Jatene pesa o fato de Aécio Neves ter passado para o segundo turno e estar liderando a corrida presidencial segundo pesquisas divulgadas a nível nacional. O primeiro programa eleitoral de Simão Jatene sinaliza o estreitamento da relação governo federal e estadual.

        No primeiro turno, a candidatura do tucano Simão Jatene fez-se dissociada da candidatura do presidenciável do PSDB, Aécio Neves, cuja votação no Pará foi pífia. Supondo-se que no segundo turno Aécio Neves melhore seu desempenho no Pará, até por conta da eventual migração de parcela dos eleitores de Marina Silva, isso pode favorecer Simão Jatene?

        Até então nos parece que não houve preocupação por parte de Janete em colar seu nome ao de Aécio no primeiro turno, até mesmo porque o candidato Aécio, apresentava baixa votação a nível nacional e seu crescimento somente foi notado na última semana. Com sua passagem para o segundo turno o quadro toma novas proporções com reflexos na votação local, em especifico junto aos eleitores de Marina Silva. O desafio do governador Simão Jatene, será ligar seu nome ao de Aécio tendo em vista que a maior visibilidade de Aécio poderá favorece-lo eleitoralmente.

        No que a candidatura da presidente Dilma Rousseff pode favorecer Helder Barbalho, na disputa para o governo?

        Vai depender do volume da campanha. O crescimento de Dilma a nível nacional irá refletir também no eleitorado paraense e vice-versa. Apesar de Helder no primeiro turno, ter demonstrado a aliança com Dilma, nos parece que essa aliança precisa ganhar mais visibilidade.

        O que, neste segundo turno, pode contar a favor e o que pode conspirar contra as candidaturas de Helder Barbalho e Simão Jatene?

        Para ambos os candidatos o quadro eleitoral nacional deverá exercer alguma influência na votação regional nestes 16 dias que antecedem as eleições. Esse fato pode fazer a diferença, tendo em vista que tivermos uma eleição no primeiro turno bem disputada. O apoio político que Helder conseguiu da maioria dos concorrentes ao cargo de governador é um sinalizador muito positivo para sua candidatura e soa de forma negativa para o candidato Simão Jatene que, estando no governo, além de perder apoio já firmado no primeiro turno, não conseguiu capitalizar o apoio dos outros concorrentes ao cargo majoritário. Seu leque de alianças ficou mais fragilizado.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

ELEIÇÕES – Altos e baixos da campanha


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Picos de acessos na esteira das eleições

Blog do Barata: curva ascendente de acessos na segunda-feira, 6.
        A disputa pelo governo do Pará, polarizada entre Helder Barbalho (PMDB) e Simão Jatene (PSDB), que postula a reeleição, provocou um pico diário de acessos ao Blog do Barata, desde a publicação da pesquisa de intenção de votos do Instituto Acertar, na quarta-feira passada, 1º de outubro. Nesta última segunda-feira, 6, por exemplo, foram registrados 3.352 acessos, marca superior a de domingo, 5, de 2.490 acessos.
        De 29 de setembro a 6 de outubro, segundo as estatísticas do Blogger, as postagens mais acessadas, em ordem decrescente, foram ACERTAR – Empate técnico entre Jatene e Helder, de 1º de outubro deste ano; TSE – Helder tem 49,89%, contra 48,47% de Jatene, de 5 de outubro deste ano; ELEIÇÕES – Carta para Izabela Jatene, de 3 de outubro deste ano; ELEIÇÃO – Thiago Araújo e a força da grana, de 10 de outubro de 2012; e ELEIÇÕES – Segundo turno será letal para Jatene, de 4 de outubro deste ano.

        Segundo também o Blogger, quanto as visualizações de páginas por Pais o Blog do Barata registrou nesse mesmo período, de 29 de setembro a 6 de outubro, os seguintes números: Brasil, 11.366 visualizações; Alemanha, 4.481; Estados Unidos, 660; Espanha, 291; China, 137; França, 46; Ucrânia, 42; Portugal, 29; Índia, 26; Itália, 19.