terça-feira, 7 de julho de 2015

FUNBOSQUE – Fundação sonega informações

Em sua denúncia, os candidatos aprovados no concurso público da Funbosque, mas ainda à espera de nomeação, sublinham a dificuldade em obter maiores informações da fundação sobre o contingente de temporários e os respectivos cargos. Por isso, conforme destacam, acreditam que o total de temporários abrigados na Funbosque exceda os números até aqui apurados. “A lista apresentada pode ser na realidade ainda maior em relação ao número de temporários que ocupam vagas de candidatos aprovados nas vagas do edital do concurso e também no cadastro de reserva”, enfatizam.

De resto, os concursados que aguardam nomeação manifestam sua repulsa diante do empreguismo na esteira dos quais são preteridos. “O concurso público, longe de ser uma mera seleção de recursos humanos, representa a própria idoneidade da administração pública. Desta forma, manipular cargos públicos através de contratos temporários, em detrimento de candidatos aprovados em concurso público ainda no prazo de validade, caracteriza um desvio de conduta, manchando assim o propósito do certame e a imagem da administração pública”, arrematam.

domingo, 5 de julho de 2015

LUTO – Um dia de lágrimas saudosas


MURAL – Queixas & Denúncias


WALMIR BOTELHO D’OLIVEIRA – O adeus do mestre



As estrelas, dizem, só brilham no céu. Talvez por isso, o jornalista Walmir Botelho D’Oliveira, diretor de O Liberal, que prematuramente nos deixou neste sábado, 4, aos 67 anos, seja um nome de circulação restrita no Pará entre os que militam no jornalismo e os eventuais inquilinos do poder, na esteira do temperamento tímido e da visão crítica sobre os poderosos da hora, em relação aos quais mantinha um prudente distanciamento. Com passagem marcante na grande imprensa nacional, quando comandou a redação do Correio Braziliense, na fase áurea do jornal, de Walmir pode-se dizer, sem correr o risco de incorrer em qualquer exagero, que se inclui dentre os grandes nomes do jornalismo brasileiro, um reconhecimento público que lhe faltou. Para tanto, é verdade, ele próprio contribuiu, com sua postura arredia, de ostensivo menosprezo às pompas e circunstâncias, e pela irreverência que emergia no humor cáustico, nada seletivo, que não distinguia o status dos eventuais destinatários.
O Walmir às vezes algo iracundo, impaciente, por vezes arrogante, o que lhe servia de blindagem diante da fogueira de vaidades das redações e do jogo de pressões e contrapressões, abrigava um profissional apaixonado pelo ofício. Um ofício que exerceu com colossal competência, mesmo quando administrando circunstâncias adversas e compelido a contrariar seu mapa de crenças, tal qual ocorreu em O Liberal. Sua exuberante competência profissional, que já antecipara no início da carreira, inclusive como editor de esportes de O Liberal, ele evidenciara ao comandar nos anos 80 do século passado a redação de O Estado do Pará, uma experiência inovadora, pelo grafismo e pela qualidade da equipe, mas que fracassou por problemas de gestão, que dele independiam. Ao principal jornal do grupo de comunicação da família Maiorana Walmir emprestou seu talento, traduzido na reforma gráfica que representou um marco na história de O Liberal, embora sem poder para estender as mudanças desejadas, que confidenciava em conversas com os mais íntimos, à linha editorial. Com uma generosidade seletiva, com a qual se protegia dos pérfidos, a alguns ele ensinou o caminho das pedras para uma melhor qualificação profissional. Isso sem permitir a promiscuidade entre o pessoal e o profissional. Walmir era capaz de divertir-se ao promover homéricas bebedeiras reunindo jornalistas, gráficos e boys do jornal, de preferência em algum boteco pé-de-chinelo, sem nem por isso abdicar do rigor profissional no dia-a-dia do jornal. No turbilhão diário da redação, ele ainda encontrou tempo para produzir o projeto do Amazônia Jornal, o tablóide popular dos Maiorana.
É emblemático das idiossincrasias de Walmir o processo de troca de guarda em O Liberal, quando substituiu Cláudio Sá Leal, também já falecido e outro nome que tem lugar de destaque na história do jornalismo paraense. Com Cláudio Sá Leal já fisicamente debilitado por graves problemas cardíacos, ele foi inicialmente contratado a pretexto de dirigir a Folha do Norte, o jornal de título histórico, ressuscitado pelos Maiorana em 1990 com a intenção de torpedear a candidatura de Jader Barbalho ao governo do Pará, tarefa da qual acabou por se encarregar O Liberal, repetindo o que já fizera em 1982. No feroz embate eleitoral travado, os Maiorana apoiaram o empresário e ex-prefeito de Belém Sahid Xerfan, o candidato derrotado do governador Hélio Gueiros, eleito por Jader em 1986, mas que rompera com seu patrono político, com o qual posteriormente se reconciliaria. Na ocasião, Walmir protagonizou um episódio ilustrativo da pessoa que foi. Quando pretenderam plantar na Folha do Norte um mexerico calunioso, atingindo a honra de dona Elcione Barbalho, ele se insurgiu rispidamente contra a vil baixaria, que tratou de abortar, em tom peremptório. “Aqui, não!”, sentenciou, sem ser contestado. "Família é coisa sagrada", explicou mais tarde.
Em verdade, a Folha do Norte foi como uma espécie de rito de passagem, servindo para pavimentar a ida de Walmir para O Liberal, em um processo conduzido por Romulo Maiorana Júnior, o Rominho, hoje presidente executivo do jornal, com a nítida preocupação de poupar Cláudio Sá Leal de uma situação de maior constrangimento, além daquele que naturalmente impõe qualquer troca de comando. Foi nesse meio tempo que Walmir produziu a primeira reforma gráfica do novo ciclo de O Liberal, com a qual Rominho consolidou sua ascensão como sucessor do pai, Romulo Maiorana, empresário e jornalista que revolucionou a imprensa paraense com a introdução do offset, sistema que melhorou substancialmente a impressão dos jornais. Discreto, Walmir produziu o novo projeto gráfico sem alarde, nas precárias instalações da Folha do Norte, em um casarão contíguo ao imponente prédio de O Liberal, na esquina da rua Gaspar Viana com a travessa 1º de Março, que no passado abrigou o jornal que fora de Paulo Maranhão, outro nome que figura no panteão dos grandes jornalistas brasileiros. Ao assumir O Liberal, ele se notabilizou pela elegância em relação a Cláudio Sá Leal, a quem substituiu no comando do jornal, sem jamais ceder à tentação de alguma crise de autoridade, apesar das resistências pontuais, que administrou com uma paciência no limite da resignação, até sepultá-las, e das tentativas de intrigas, próprias daqueles que prosperam na cizânia. O que se seguiu é do domínio público e não minimiza os méritos de Walmir como o profissional de competência, probidade e experiência inquestionáveis. O homem, afinal, é ele e suas circunstâncias. Por isso, a lembrança que perdura, indelével, em se tratando de Walmir, é do jornalista de texto impecável, do tituleiro com um excepcional poder de síntese e do editor de apurado senso estético, traduzido no grafismo cuja beleza valorizava a notícia.
Neste momento, no silêncio da lágrima saudosa, resta o doloroso adeus ao mestre, que tão cedo nos deixou, na esteira de problemas cardíacos, agravados por um quadro de diabetes, privando-nos da sua prazerosa companhia e do seu invejável talento, o que nos remete aos versos de Mário Quintana:

“Esta vida é uma estranha hospedaria,
“Onde se parte quase sempre às tontas.
“E nossas malas jamais estão prontas,
“E nossa conta nunca está em dia.”

VELÓRIO E SEPULTAMENTO - O corpo do jornalista Walmir Botelho D'Oliveira está sendo velado na capela mortuária Recanto da Saudade, na rua Diogo Móia, quase esquina da avenida Alcindo Cacela. O sepultamento está previsto para as 15 horas deste domingo, 5, no cemitério Recanto da Saudade.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

DELAÇÃO PREMIADA – O pavor dos petralhas


MURAL – Queixas & Denúncias


MPE – Neves se chafurda com quem deve investigar

Neves: proximidade com o Corpo de Bombeiros tisna isenção do MPE.

De um procurador-geral de Justiça espera-se que, como a mulher de césar, não só seja honesto, mas também pareça honesto. Este figurino, porém, decididamente não cabe no manequim de Marcos Antônio Ferreira das Neves, o procurador-geral de Justiça do Pará, habitué em mandar os escrúpulos às favas e atropelar a liturgia do cargo, na esteira de um deslumbramento provinciano. Nesta quinta-feira, 2, por exemplo, Neves permitiu-se comparecer a uma solenidade no Corpo de Bombeiros, pelo qual foi agraciado com a Medalha do Mérito da corporação, a pretexto das comemorações pelo Dia dos Bombeiros. A presença do procurador-geral de Justiça soou despropositada pelas circunstâncias. Depois de manter-se silente diante do sucateamento do Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o MPE, o Ministério Público Estadual, deverá, ou pelo menos deveria, apurar a responsabilidade criminal dos responsáveis, por atos ou omissões, pela tragédia anunciada que foi o incêndio no PSM da travessa 14 de março, o que inclui o Corpo de Bombeiros. Em 2014 os bombeiros fizeram uma inspeção no Pronto-Socorro Municipal, cujo laudo apontou para os riscos de incêndio e inclusive condenou a rede elétrica do PSM, mas o seu comandante, coronel PM Nahum Fernandes, manteve um silêncio cúmplice sobre a falta de providências por parte do prefeito de Belém, o tucano Zenaldo Coutinho. Na ocasião, na contramão da postura inerte do MPE, o MPF, o Ministério Público Federal, ajuizou uma ação civil pública cobrando do prefeito de Belém soluções para os problemas apontados pelo laudo do Corpo de Bombeiros, mas Zenaldo Coutinho optou por cruzar os braços.

Por civilidade e respeito a instituição, o procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves, poderia aceitar a homenagem, abstendo-se, porém, de a ela comparecer, mantendo um distanciamento crítico do Corpo de Bombeiros, a quem o MPE deve, ou pelo menos deveria, investigar. Mas, fascinado pelas pompas e circunstâncias do poder, Neves preferiu esquecer, desconhecer e enterrar como indigente o decoro que conviria cultivar, por respeito ao cargo que ocupa. Ainda que pudores éticos não se constituam no forte do procurador-geral de Justiça, que costuma sobrepor suas conveniências a liturgia do cargo. Não por acaso a ele aderiu a alcunha de Napoleão de Hospício, que deriva justamente do seu mandonismo, na esteira do qual esfarinhou a credibilidade do Ministério Público Estadual, resgatada em passado recente, com comovente destemor, pelo promotor de Justiça Nelson Medrado, hoje procurador de Justiça, quando investigou as falcatruas na Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará. Falcatruas que se sucedem, sob a cumplicidade de Neves, como, por exemplo, no caso do PCCR da Alepa, o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do Palácio Cabanagem. Há um parecer do promotor de Justiça Domingos Sávio Alves de Campos declarando o PCCR da Alepa flagrantemente inconstitucional, mas que dormita há quase dois anos na gaveta do procurador-geral de Justiça. Em troca dessa conivência criminosa, Neves conta com a generosidade perdulária dos deputados para aprovar os privilégios com as quais contempla promotores e procuradores de Justiça, pretendendo assim marcar sua administração como procurador-geral de Justiça. Foi com anuência da Alepa que ele promoveu um vergonhoso trem da alegria, ao criar mais de 200 cargos comissionados, em uma farra de sinecuras. Com isso, Neves manda às favas a missão constitucional de fiscal da lei do Ministério Público Estadual, que atrelou escancaradamente, diga-se, às conveniências do governador tucano Simão Jatene, popularmente conhecido como Simão Preguiça, devido seu proverbial fastio em relação às responsabilidades do cargo.

MPE – Mandonismo tisna irremediavelmente biografia

Ironicamente, é o mandonismo, do qual se vale para viabilizar suas ambições, que tisna irremediavelmente a biografia de Marcos Antônio Ferreira das Neves. Como uma tiranete de província, ele foi capaz, por exemplo, de reajustar, em percentual acima do limite permitido pela lei, o contrato com a Águia Net, empresa que presta serviços ao MPE, em ato que caracteriza improbidade administrativa. Um escândalo sepultado pelo corporativismo que medra com vigor em grande parcela dos promotores e procuradores de Justiça, reforçado pelo sentimento de impotência diante da conivência, em relação a malfeitos, do CNMP, o Conselho Nacional do Ministério Público. Convém recordar, a propósito dessa cumplicidade delituosa do CNMP, o episódio do promotor de Justiça Alexandre Couto, um profissional de competência, probidade e experiência reconhecidas, penalizado com um gracioso PAD, processo administrativo disciplinar, em uma clara retaliação por ter denunciado a contratação, sem licitação e a preços inocultavelmente superfaturados, da Fundação Carlos Chagas, para organizar e realizar um concurso promovido pelo MPE.
É emblemático do mandonismo de Neves o imbróglio que protagonizou juntamente com o notório André Ricardo Otoni Vieira, seu amigo-de-fé-irmão-camarada, além de sócio-administrador de suas empresas, assessor e advogado. Por ser sócio-administrador em pelo menos duas empresas de Neves, André Ricardo Otoni Vieira não poderia ter sido nomeado assessor do procurador-geral de Justiça, e por ser assessor deste, não poderia advogar para o seu assessorado, tal qual o faz, inclusive em horário de expediente. Por Isso, o próprio MPE ajuizou uma ação, por improbidade, contra André Ricardo Otoni Vieira, graciosamente arquivada pela desembargadora Marneide Trindade Pereira Merabet, cujos antecedentes permitem inclui-la no elenco de bandidos togados. Por patrocinar a ilegalidade, Marcos Antônio Ferreira das Neves, o procurador-geral de Justiça, é igualmente réu, por improbidade, em outra ação também ajuizada pelo próprio MPE. Pela vasta tradição de iniquidade e corporativismo do TJ do Pará, o Tribunal de Justiça do Estado, a polêmica decisão da desembargadora Marneide Trindade Pereira Merabet, no caso de André Ricardo Otoni Vieira, antecipou o desfecho da ação contra Neves, extinta pelo juiz Helder Lisboa, notório boy qualificado da máfia togada.

Como é próprio dos tiranetes de província, Neves não resiste diante da deletéria promiscuidade entre o público e o privado, como ilustra o imbróglio de André Ricardo Otoni Vieira. Mas este não foi o único beneficiário do tráfico de influência patrocinado pelo procurador-geral de Justiça. Tão logo empossado, ele nomeou assessor o namorado da filha, Gil Henrique Mendonça Farias, reprovado em concurso público promovido pelo próprio MPE. Depois, aboletou na Prefeitura de Ananindeua a filha, Mariana Silva Neves, logo após a posse do prefeito tucano Manoel Pioneiro, a quem o MPE investigava por malfeitos quando presidente da Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará. Mais recentemente, fez a filha migrar para uma aprazível sinecura no TCE, o Tribunal de Contas do Estado do Pará, objeto de recorrentes denúncias de improbidade administrativa, que caberiam ao MPE apurar.

ZENALDO COUTINHO – O prefeito "só pensa naquilo"

A propaganda eleitoral antecipada de Zenaldo
Coutinho, travestida de comunicado oficial:
clique na imagem para melhor visualizá-la.

O prefeito de Belém, o tucano Zenaldo Coutinho, pode não dar atenção à saúde pública do município, como evidencia a tragédia anunciada que foi o incêndio no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, mas, parodiando a hilária personagem Dona Bela, eternizada pela atriz Zezé Macedo, ele "só pensa naquilo" – a sua reeleição.
Em ano pré-eleitoral, Zenaldo Coutinho não dorme no ponto e, valendo-se do cargo, manda ver na propaganda eleitoral antecipada, travestida de comunicado oficial. Nos moldes de um Odorico Paraguaçu, o histriônico prefeito da fictícia Sucupira, ele subscreve o comunicado de isenção do IPTU, o Imposto Predial e Territorial Urbano, e taxas agregadas, para quem possui um único imóvel no valor venal – que é a estimativa que o poder público faz de determinados bens – de até R$ 40.226,43, nele resida e não seja alugado.

De resto, notabilizado por protagonizar uma administração letárgica, embora farta em suspeitas de corrupção, Zenada, conforme é alcunhado pela população, trombeteia realizações invisíveis para os munícipes. “A Prefeitura está investindo em obras e serviços por toda a cidade, em áreas como infraestrutura, saneamento básico, saúde, habitação, iluminação, coleta de lixo, educação, lazer, esporte e muitas outras. Muito trabalho está sendo feito para transformar Belém no lugar que sonhamos, RUMO AOS 400 ANOS”, proclama, em tom que fatalmente soa ficcional para quem vive o cotidiano de abandono da cidade.

AIDS – Arte pela Vida à espera de doações



Doações principalmente de shampoos, desodorantes, escovas e cremes dentais é do que necessita o Comitê Arte pela Vida para o café de acolhimento a ser realizado nesta segunda-feira, 6, às 15 horas, na Uredipe, a Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas Parasitárias Especiais, na travessa Magno de Araújo, passagem Izabel, s/n, entre a avenida Senador Lemos e a travessa Curuçá, bairro do Telégrafo, CEP 66113-240, telefone (91) 3244-3535. O Comitê Arte pela Vida reúne artistas, jornalistas e outros voluntários mobilizados em apoiar os portadores de AIDS.

As doações poderão ser feitas até este sábado, 4, na rua Manoel Barata, 1501. Maiores informações sobre a campanha de doações poderão ser obtidos pelos telefones 999893945 e 982802188.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ZENALDO COUTINHO - O prefeito dupla face


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Prisão de Murrieta, a postagem mais lida

A prisão da desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta - personagem do maior escândalo da história do Tribunal de Justiça do Pará, ao se apropriar de R$ 1.355.146,48 de depósitos judiciais, em valor por atualizar - foi o assunto do dia no Blog do Barata, nesta terça-feira, 30. TJ – Determinada a prisão de Ana Tereza Murrieta, de terça-feira, 30, foi a postagem mais lida do dia de ontem, quando o Blog do Barata registrou um total de 2.950 acessos. A ela se sucederam ENTENDA – O escândalo de Ana Tereza Murrieta, de 22 de março, MURAL – Queixas & Denúncias, BANDIDOS TOGADOS - A banda podre da Justiça e PSM – Zenaldo, entre o cinismo e a balela compulsiva..., as três de terça-feira, 30.

Os acessos ao Blog do Barata por país registraram os seguintes números, nesta terça-feira, 30: Brasil, 2.090 acessos; Alemanha, 360; Estados Unidos, 151; Índia, 50; Ucrânia, 48; Rússia, 30; Emirados Árabes Unidos, 9; Áustria, 5; França, 5; Irlanda, 3.


PSM – Segundo o Diário, Zenaldo tenta adulterar laudo

Zenaldo (à esq.), com Jatene: sob suspeita de tentar adulterar laudo.

É grave, gravíssima, a denúncia feita pelo Diário do Pará, na sua edição desta quarta-feira, 1º de julho, segundo a qual o prefeito tucano de Belém, Zenaldo Coutinho, supostamente pretende que seja adulterado o laudo do Corpo de Bombeiros de 2014 que sinalizava para os riscos de incêndio no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da travessa 14 de Março. A matéria, assinada pelo jornalista Klester Cavalcanti, diretor de redação do jornal, assinala que a preocupação de Zenaldo seria escapar da possibilidade de futuramente ser responsabilizado criminalmente pelo incêndio no PSM da 14 de Março, ocorrido sexta-feira, 26, e que deixou em seu rastro a morte de dois pacientes.

A intenção do prefeito seria neutralizar, com o laudo devidamente adequado às suas conveniências, a ação civil pública ajuizada em 2014 pelo MPF, o Ministério Público Federal, exigindo de Zenaldo que fossem solucionados os graves problemas registrados no PSM da 14 de Março, cuja rede elétrica fora condenada pelo Corpo de Bombeiros. O ardil, para poupá-lo, teria sido tratado pelo prefeito em reunião com próprio comandante do Corpo de Bombeiros, coronel PM Nahum Fernandes, salienta também a denúncia, que antecipa os riscos políticos embutidos na tramoia. “A tarefa será árdua. Primeiro, porque nem todos os oficiais do CBM estão dispostos a fazer parte da armação que Zenaldo supostamente tenta costurar dentro da corporação”, sublinha Klester Cavalcanti, na matéria.

PSM – Cadeia de omissões justifica suspeitas

No cenário desenhado pela tragédia anunciada que foi o incêndio no PSM da 14 de Março, soa irrelevante discutir a eventual motivação política da denúncia do Diário do Pará, que certamente passa pela disputa entre PMDB e PSDB no Pará. A cadeia de omissões criminosas, diante da situação calamitosa do PSM da 14 de Março, justifica a suspeita suscitada pelo jornal da família do senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará. O silêncio cúmplice, que estimulou a inércia dolosa do prefeito Zenaldo Coutinho, começou exatamente pelo Corpo de Bombeiros, que após condenar as instalações elétricas do Pronto-Socorro quedou-se mudo, alheio aos riscos sobre os quais ele próprio advertira.
A responsabilidade por esse mutismo repulsivamente criminoso é de responsabilidade, única e exclusivamente, do comandante da corporação, coronel PM Nahum Fernandes, descrito como um oficial servil ao governador tucano Simão Jatene, o patrono político de Zenaldo Coutinho. Pelo próprio cargo que ocupa, o coronel Nahum está a uma distância abissal do instituto da inocência presumida. Tanto quanto o prefeito de Belém, que em um ano e meio de mandato nada fez para oferecer uma alternativa à população, diante do colapso do PSM e da própria saúde pública do município. Diante do caos, Zenaldo optou pela pilhagem ao erário, para saciar a voracidade dos barões da mídia, e mais particularmente do grupo de comunicação da família Maiorana, de estreitos e notórios vínculos com o PSDB, e comprou, a peso de ouro, espaço privilegiado no jornal O Liberal e na TV Liberal, afiliada da TV Globo, para trombetear balelas, com seu proverbial cinismo, capaz de corar anêmico. Uma operação própria dos marqueteiros de águas turvas, na vã tentativa de iludir a opinião pública e mirando nas ambições eleitorais do prefeito de Belém. Zenaldo Coutinho, como sabem até as pedras de Belém, é candidatíssimo à reeleição, apesar da administração letárgica e pontuada por suspeitas de corrupção, talvez porque deposite as fichas da esperança no estelionato publicitário e no voto do estômago do eleitor na faixa da pobreza e, por isso, sensível aos mimos financiados pelo caixa 2 das campanhas eleitorais.
Essa cadeia de omissões criminosas naturalmente ainda inclui o Ministério Público Estadual, hoje de rigor seletivo como fiscal da lei e refém da tucanalha, a banda podre do PSDB, da qual é ícone o governador Simão Jatene, que tem o procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves, como uma espécie de boy qualificado, cujo mérito é ter partidarizado escancaradamente o MPE. Atrelado às conveniências políticas do Palácio dos Despachos, o Ministério Público Estadual permaneceu silente diante do sucateamento do PSM da 14 de Março, indiferente ao drama da população de Belém, e mais especificamente da parcela carente desta, que tanto depende do Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti. Tão diligente nas cobranças aos prefeitos do interior, principalmente se adversários do PSDB, o MPE cruzou os braços para os dolosos desmandos de Zenaldo Coutinho, o prefeito tucano de Belém, cujo currículo traduz uma impecável irrelevância, como seria de se esperar de um vagabundo profissional, que jamais trabalhou na vida, fazendo carreira como gigolô do erário.

Diante desse circo dos horrores, em cujo picadeiro cintilam instituições e autoridades cuja missão constitucional seria de proteger e defender o povo, mas que o aviltam, na esteira de conveniências espúrias, soa crível a suspeita suscitada pelo Diário do Pará. Afinal, para quem vive metido em trapalhadas, nada mais previsível que uma sequência lógica de percalços. Ou, como consagra a sabedoria popular: cesteiro que faz um cesto, faz um cento.

VOZES DAS RUAS – Os antecedentes do prefeito

De leitor do Blog do Barata, em comentário sobre o prefeito tucano de Belém, Zenaldo Coutinho:

Uma Biografia do Prefeito Zenaldo Coutinho:

Zenaldo Coutinho teve a sua oportunidade. A eleição para prefeito de Belém em 2.012 foi o apogeu de uma vida em que não fez outra coisa senão granjear o apoio dos poderosos, para se transformar num político de carreira; um político com origens na ditadura militar e fluência nas lideranças conservadoras deste estado, em cujo breviário se reza o patrimonialismo; os desfalques da economia do estado como moeda de troca com os grandes empresários em troca de financiamentos milionários de campanhas políticas; o empreguismo de parentes e apadrinhados políticos ao arrepio da constituição federal; etc.
A ascensão política o levou a se tornar um 'expert' na prática do 'empreendedorismo social de fachada'. A criação do Instituto Helena Coutinho talvez tenha sido um de seus projetos com a maior relação custo/benefício - que se diga de passagem, a mais perfeita tradução das 'ações sociais e outras benevolências' do PSDB local. Onde deveria ser sentido o suave perfume do voluntarismo, na verdade se respirava o incenso do empreguismo estatal, sustentando uma grande e onerosa claque de assessores e cabos eleitorais, que hoje se revela totalmente incompetente para ajudar a atual administração a fugir do fiasco total.
Zenaldo tem sido um prefeito tão medíocre, que entre os seus pares do PSDB talvez haja preocupação com um rendimento político 'abaixo da crítica'; uma candidatura inviável até mesmo com todo o suporte do estelionato eleitoral produzido pela Gripho e pelo grupo Liberal, mais a farta distribuição de cheques moradia presumida para a próxima eleição; e por causa desta incompetência, correr o risco de não se reeleger (de não se aproveitar do poder) como fez Simão Jatene, seu maior eleitor; e ainda por cima desempregar o seu numeroso séquito de 'aspones'.

Não sem razão o 'mago-do-caixa-2', Simão Jatene, tratou de engendrar uma renúncia fiscal de milhões de reais em ICMS de grandes empresas - recursos estes que poderiam dar a população jovem do estado escolas de qualidade, modalidades esportivas, ensino em tempo integral e formação profissional; mas que em vez de irrigarem o solo árido da educação pública, vão abastecer os açudes financeiros cujos vertedouros abastecem a máquina política do PSDB.

VOZES DAS RUAS – O imbróglio da coleta de lixo

De internautas, em comentários anônimos, sobre o imbróglio da coleta de lixo em Belém:

Primeiro comentário

Cheirando mal...
O sorriso amarelo do Zeraldo (ops Zenaldo) deve estar mais caido hoje do que de costume...Tribunal de Justiça (processo 0030612-02.2015.8.14.0301) e Tribunal de Contas (processo 201508757-00) deram uma freada nas pretensões do Prefeito, do Secretario Dino Cavet da Sesan e do Promotor de Justiça Raimundo Moraes de contratar "emergencialmente" empresas "amigas" para coleta de lixo em Belém.
Entornando o caldo, a Câmara de Belém, arregimentada pela Vereadora Marinor Brito (PSOL), acordou com o cheiro ruim que exalava do processo licitatório, suspenso hoje pela Segep, e vai apurar por meio de CPI as irregularidades apontadas pelas empresas que já analisaram o edital.
Parabéns para os julgadores e para a vereadora que tiveram a coragem de afrontar essa bandalheira instituída...só falta o Medrado agora prestar atenção para os absurdos diários da Sesan e da Prefeitura de Belém (#ficadica).
Desta vez não deu pra varrer o lixo pra baixo do tapete, sr. prefeito... 

Segundo comentário

Na realidade, ao esperar o final do contrato com a atual empresa coletora para iniciar uma licitação, a Sesan está provocando uma emergência, uma vez que pela legislação não poderia mais renovar o contrato continuado, em razão desse contrato ultrapassar o permitido pela lei 8666/ ou das licitações, em seu art 57, que só permite as prorrogações em até 60 meses, que é o caso em tela.
Esta jogada nos tribunais de Contas é chamada de “emergência fabricada”. Em benefício da população entendem os tribunais que o serviço não poderá ser descontinuado. No entanto, o gestor terá que provar a necessidade e as razões que deram origem a esta emergência”. O que é uma emergência fabricada? Trata a “emergência fabricada” da situação na qual a administração, por desídia ou intenção deliberada do agente público, não adota providências cabíveis para a realização de procedimento licitatório com a devida antecedência, gerando a extrema necessidade para a contratação, o que autorizaria, com fulcro no art. 24, IV, da lei nº 8.666/93, a dispensa de licitação. Desta forma haverá a dispensa de licitação para o contrato, que será prorrogado até que termine o processo licitatório.
Recomenda o TCU que a Administração Pública deverá adotar as providências cabíveis para que sejam promovidos os processos licitatórios com a antecedência necessária para a sua conclusão antes do término do contrato vigente, evitando-se a descontinuidade da prestação dos serviços e a realização de dispensa de licitação por emergência.
Nesses termos, ressalte-se que a dispensa por emergência do procedimento licitatório agrega caráter de excepcionalidade, podendo seu uso inadequado caracterizar ofensa aos princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade, ensejando aplicação de sanção no âmbito administrativo, civil e criminal.

É por isso que a ampla maioria da doutrina e a atual jurisprudência do TCU admitem que a licitação seja dispensada em caso de emergência fabricada. Assim, a principal consequência prática dessa circunstância é que os responsáveis pela “fabricação” devem ser punidos – isto após regular apuração em processo administrativo, claro.

terça-feira, 30 de junho de 2015

PARÁ - Corrupção sistêmica


TJ – Murrieta vai cumprir prisão domiciliar



Em notícia veiculada logo após às 18 horas, o G1/Pará, o portal de notícia da Globo, informa que, a pretexto do estado de saúde da magistrada, a Justiça decidiu que a desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta, de 78 anos, deverá cumprir pena em regime domiciliar. Ela foi condenada por peculato, por desviar R$ 1.355.146,48 de depósitos judiciais, em valores por atualizar, enquanto esteve à frente, quando juíza, da 1ª Vara Cível de Belém, entre 1995 e 2002. A prisão da magistrada foi procrastinada, por sucessivas chicanas, até a exaustão.
Corrigindo a notícia do Blog do Barata – que revelou em primeira mão, ainda na madrugada desta terça-feira, 30, a prisão de Murrieta -, o G1 informa que a desembargadora estava presa no comando do Corpo de Bombeiros e não no CRF, o Centro de Recuperação Feminino, em Ananindeua. Isso porque a Susipe, a Superintendência do Sistema Penal do Pará, alega não disponibilizar de cela especial para custódia feminina, assinala a notícia do G1. De acordo também com a Susipe, a lei complementar federal nº 35/1979 garante a magistrados tratamento diferenciado, com direito a prisão especial, acrescenta o G1.

O G1 noticiou a prisão da desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta no início da tarde desta terça-feira, às 12h31, e voltou ao assunto às 18h31, quando informou da decisão da Justiça de que a magistrada deverá cumprir prisão domiciliar.

TJ – Portais dos Barbalho e Maiorana ignoram episódio



Atualizado às 23 horas.

Os portais dos dois principais grupos de comunicação do Pará – ORM, Organizações Romulo Maiorana, e RBA, Rede Brasil Amazônia de Comunicação, das famílias Maiorana e Barbalho, respectivamente – ignoraram o episódio da prisão da desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta, pelo menos até o final da tarde desta terça-feira, 30. Apenas à noite o DOL, o Diário On-Line, noticiou - inicialmente com destaque - a prisão.

A postura dos jornais dos dois grupos foi distinta. O Diário do Pará, o jornal dos Barbalhos, hoje líder em vendagem, publicou a notícia, editada com discrição, porém não se dignou a dar uma chamada de primeira página sobre o assunto, como se fosse prosaica a prisão de uma magistrada na terra da impunidade. O Liberal, o principal jornal dos Maiorana, simplesmente não noticiou a prisão da desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta, cujo filho, Manoel Murrieta, é promotor de Justiça, categoria a qual a família é previsivelmente sensível, diante das investigações sobre o contrato da ORM Air com o governo do Pará. Os Barbalho, historicamente vinculados ao PMDB, e os Maiorana, que mantêm notórios e estreitos laços com o PSDB, não apenas disputam o mercado da comunicação no Pará, como são inimigos figadais, na esteira das disputas políticas. Os Maiorana não poupam o senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará, e seu filho e pretenso herdeiro político, Helder Barbalho, ministro da Pesca do governo da presidente Dilma Rousseff. Os Barbalho mantêm sob fogo cerrado os irmãos Romulo Maiorana Júnior, o Rominho, presidente executivo de O Liberal, e Ronaldo Maiorana, diretor Jurídico do jornal.

BANDIDOS TOGADOS - A banda podre da Justiça


MURAL – Queixas & Denúncias


BLOG – Postagem sobre o Remo, ainda a mais lida

A mais lida do domingo, 28, e da última semana, REMO - Para atingir Condel, Minowa prejudica o clube..., de sábado, 27, perdurou como a postagem mais acessada nesta segunda-feira, 29, quando o Blog do Barata registrou 2.876 acessos. Ela foi seguida por TAILÂNDIA – Brasília, o endereço do fantasminha, desta segunda-feira, 29; ENTENDA – O escândalo de Ana Tereza Murrieta, de 22 de março passado; SEDUC – Ana Godinho: acima da lei e da decência, do dia 24; e DEFENSORIA – Janelado, Ítalo está na mira do MPE, esta também de segunda-feira, 29.
O ressurgimento da postagem sobre Ana Tereza Murrieta, de 22 de março, explica-se pela notícia sobre a determinação da prisão da desembargadora aposentada. A notícia só foi confirmada pelo Blog do Barata na noite desta segunda-feira, 29.

Nesta segunda-feira, 29, os acessos ao Blog do Barata por país foram os seguintes: Brasil, 1.552; Alemanha, 821; Estados Unidos, 147; Ucrânia, 118; Rússia, 56; Índia, 5; China, 3; França, 3; Portugal, 3; Tailândia, 3.

PSM – Zenaldo, entre o cinismo e a balela compulsiva

Zenaldo Coutinho: cinismo recorrente e balelas no horário nobre da TV.

Como um lanceiro vulgar, que mesmo flagrado alega inocência, em seu recorrente cinismo o prefeito tucano Zenaldo Coutinho foi à televisão nesta segunda-feira, 29, em sucessivas inserções, inclusive no horário nobre, para tentar justificar o colapso da saúde pública em Belém e a tragédia anunciada que foi o incêndio no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da travessa 14 de Março. Candidato natural à reeleição, preliminarmente Zenaldo agride o decoro ao promover a pilhagem ao erário para protagonizar um claro proselitismo eleitoral antecipado, ao anunciar providências que deveria ter tomado tão logo aboletou-se no Palácio Antônio Lemos. Naquela altura ele obviamente já tinha conhecimento do caótico legado de seu antecessor e aliado político, o ex-prefeito Duciomar Costa (PTB), o nefasto Dudu, mas apostou na prestidigitação midiática, via propaganda enganosa. Daí sucedeu-se uma administração pontuada por evidências de corrupção e repulsivamente indiferente ao clamor popular.
Pior, muito pior, nas inserções publicitárias – que ele não teve a decência de caracterizar como tal -, foi Zenaldo pretender terceirizar prerrogativas intransferíveis, ao atribuir ao governo federal a responsabilidade pelo caos da saúde pública em Belém. E sugerir como alternativa a parceria com o governo Simão Jatene, que sequer cumpre com suas responsabilidades, como ilustram o sucateamento da segurança pública, a precarização da rede estadual de ensino e o abandono doloso da saúde pública no Pará, em uma política da terra arrasada, cujo colorário são índices sociais pífios. O prefeito tucano de Belém, porém, não parou por aí. Com o cinismo dos meliantes, ele ainda se permitiu desfilar uma avalanche de balelas, levando suas mentiras ao paroxismo, por exemplo, quando afirmou ter mandado consertar os elevadores do PSM da 14 de Março, na contramão do que denunciam, há muito, médicos, enfermeiros e demais funcionários do Pronto-Socorro Municipal e ecoa o noticiário da grande imprensa paraense.

Mas o quem esperar de um vagabundo profissional, travestido de político, que jamais teve um mísero emprego e fez carreira, e acumulando um respeitável patrimônio, como gigolô do erário? Nada, absolutamente nada, que é o que oferece a Belém Zenaldo, emblematicamente alcunhado de Zenada. No máximo, no máximo, o prefeito tucano proporciona a lição segundo a qual a cidade necessita – e com urgência – de muito mais do que o aparente bom-tom. Até porque a fantasia de bom ladrão não mais ilude o eleitor. A prática, que é efetivamente o critério da verdade, nos ensina que, como no caso do escorpião da fábula, é da natureza do larápio o malfeito e a patranha.

TJ – Determinada a prisão de Ana Tereza Murrieta

Ana Sereni Tereza Murrieta (à dir.): prisão enfim determinada pelo TJ.

A casa caiu para um dos ícones da impunidade no Pará. A juíza Rosi Maria Gomes de Farias, titular da 5ª Vara Criminal da Capital, determinou, no último dia 19, a prisão da desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta, expoente da máfia togada que reina no TJ do Pará, o Tribunal de Justiça do Estado. Murrieta protagonizou um dos maiores escândalos da história do Judiciário paraense, ao se apropriar de depósitos judiciais, em desvios que atingiram R$ 1.355.146,48, em valores da época, resultado de 157 saques bancários nos recursos particulares de mais de 10 pessoas,  enquanto esteve à frente, quando juíza, da 1ª Vara Cível de Belém, entre 1995 e 2002. A desembargadora aposentada é mãe do promotor de Justiça Manoel Murrieta, atual presidente da Ampep, a Associação do Ministério Público do Estado do Pará, segundo o qual a psiquiatra forense Elizabeth Maria Pereira Ferreira teria declarado que Ana Tereza Sereni Murrieta "poderia estar sofrendo de distúrbio bipolar", versão categoricamente desmentida pela médica. Manoel Murrieta é casado com Márcia Murrieta, juíza do TJ do Pará.

Considerando que a sentença do TJ do Pará condenando Ana Tereza Sereni Murrieta já transitou em julgado, a juíza Rosi Maria Gomes de Farias determinou “o imediato cumprimento desta em todos os seus termos, a respectiva expedição do mandado de prisão contra a sentenciada, devendo a autoridade policial responsável pela execução, recolher a sentenciada em local apropriado ao seu estado de saúde físico e mental, conforme alegado”. A desembargadora aposentada encontra-se recolhida desde sexta-feira, 26, no CRF, o Centro de Recuperação Feminino, em Ananindeu.

TJ – A falcatrua da desembargadora aposentada

Acusada de desviar depósitos judiciais que chegam a R$ 1.355.146,48 - em valor por ser corrigido -, em 7 de fevereiro de 2006 a desembargadora Ana Tereza Sereni Murrieta foi condenada pelo juiz da 14ª Vara Penal, Paulo Jussara, e multada em R$ 71 mil. Na época, o magistrado que presidia o caso se convenceu de que ela movimentara dezenas de contas-poupanças abertas no Banpará, o Banco do Estado do Pará, para receber depósitos feitos em juízo entre os integrantes de várias ações, enquanto esteve à frente da 1ª Vara Cível de Belém, entre 1995 e 2002. Os desvios atingiram R$ 1.355.146,48, valor não acrescido de juros, correção monetária e despesas de CPMF, resultado de 157 saques bancários nos recursos particulares de mais de 10 pessoas, que juntas somavam um patrimônio de R$ 3.007.306,48 em cadernetas de poupança. Da ação judicial à sentença, duraram oito meses, tempo célere rápido para os padrões judiciais.
Subsequentemente, em 7 de abril de 2006, o processo contra Ana Tereza Sereni Murrieta foi anulado pela 5ª Turma do STJ, o Superior Tribunal de Justiça, em decisão unânime, fundamentada no voto do relator, ministro Gilson Dipp. O STJ decidiu pela anulação por considerar que houve "ofensa ao princípio constitucional do juiz natural", uma vez que o juiz responsável pelo caso, Paulo Jussara, não poderia ter sido designado pelo então presidente do TJ do Pará, o Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Milton Nobre, mas sim escolhido por sorteio, através de regular distribuição processual entre os juízes do Fórum Criminal da Capital. A falha formal soou inusitada, por ter sido cometida por Milton Nobre, um desembargador notabilizado pelo notório saber. Com a decisão da turma do STJ, o processo contra a desembargadora aposentada voltou à estaca zero. Desta vez, o processo foi distribuído ao juiz Pedro Sotero, que em 2007 mandou prender a magistrada. O processo se arrastou, Ana Tereza Sereni Murrieta acabou condenada, mas seus advogados trataram de postergar o cumprimento da sentença.
Ana Tereza Sereni Murrieta, diga-se, não aposentou-se compulsoriamente. As primeiras denúncias, feitas à OAB, a Ordem dos Advogados do Brasil, surgiram em 2002. A OAB ingressou, então, com queixa-crime contra a magistrada. Murrieta, então, solicitou aposentadoria, um direito reconhecido, e o processo no qual é ré foi enviado ao STJ.
No decorrer do imbróglio, e comprovada a falcatrua da magistrada, o psiquiatra Marupiara Guerra, médico de Murrieta desde 2001, alegou que a desembargadora aposentada teria cometido o crime porque sofreria de "transtorno misto de ansiedade e depressão". A alegação foi sepultada por laudo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, concluindo que Murrieta, "do ponto de vista psiquiátrico-forense", era, à época dos desvios, plenamente capaz de entender o "caráter delituoso dos fatos e inteiramente capaz de se determinar de acordo com esse entendimento".

Em acareação, o promotor de Justiça Manoel Murrieta, filho da magistrada aposentada e atual presidente da Ampep, a Associação do Ministério Público do Estado do Pará, reafirmou que, em dezembro de 2002, a psiquiatra forense Elizabeth Maria Pereira Ferreira teria dito que a juíza "poderia estar sofrendo de distúrbio bipolar". A médica negou categoricamente a versão do promotor de Justiça.

TJ – O resumo do processo

Em seguida, a transcrição do resumo do processo que culminou com a condenação e prisão da desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta:

ANDAMENTO DO PROCESSO N. 00018015720058140401 - 23/06/2015 DO TJPA

Publicado por Diário de Justiça do Estado do Pará e extraído automaticamente da página 563 da seção do DJPA - 6 dias atrás

Fórum Criminal da Comarca de Belém

Secretaria da 5ª Vara Criminal da Capital

PROCESSO: 00018015720058140401 PROCESSO ANTIGO: 200520045516

MAGISTRADO (A)/RELATOR (A)/SERVENTUÁRIO (A): ROSI MARIA GOMES DE FARIAS

Ação: Ação Penal - Procedimento Ordinário em: 19/06/2015

VÍTIMA:O. E.

ADVOGADO:OSVALDO DE JESUS SERRAO DE AQUINO


DENUNCIADO:ANA TEREZA SERENI MURRIETA Representante (s): MAURICIO MARTINS (ADVOGADO) OSVALDO SERRAO (ADVOGADO) VALERIO GUIMARAES (ADVOGADO) RÉU:ANA TEREZA SERENI MURIETTA Representante (s): OSVALDO SERRAO (ADVOGADO) OSVALDO SERRAO (ADVOGADO) PROMOTOR:16ª PROMOTORIA JUÍZO SINGULAR. AUTOR: MINISTÉRIO PÚBLICO DENUNCIADA: ANA TEREZA SERENI MURRIETA SECRETARIA: 5.ª VARA CRIMINAL R. H. I- Considerando o trânsito em julgado do Acórdão n.º: 91.595, do Egrégio Tribuna de Justiça do Estado, conforme Certidão de fl. 1093, o qual confirmou a sentença condenatória de fls. 708/766, determino o imediato cumprimento desta em todos os seus termos, a respectiva expedição do mandado de prisão contra a sentenciada, devendo a autoridade policial responsável pela execução, recolher a sentenciada em local apropriado ao seu estado de saúde físico e mental, conforme alegado às fls. 1095/2005, cujas cópias deverão seguir anexas ao mandado; II- Tão logo seja comunicada a prisão da acusada, expeça-se a guia de execução penal, encaminhando-a ao Juízo competente. Belém, 19 de junho de 2015. ROSI MARIA GOMES DE FARIAS Juíza de Direito Titular da 5.ª Vara Criminal da Capital.

TJ – Hiato na impunidade dos bandidos togados

Rosileide Filomeno: impunidade que tisna a credibilidade da Justiça.

A prisão da desembargadora aposentada Ana Tereza Sereni Murrieta representa um saudável hiato na rotina de impunidade que blinda os bandidos togados do TJ do Pará, cuja atmosfera de licenciosidade moral e ética o transformou em uma casa de tolerância sem prostitutas. Nada mais ilustrativo dessa rotina de impunidade que a juíza Rosileide Filomeno, diante das comprometedoras evidências que tisnam a credibilidade da magistrada, que em 31 de janeiro de 2007 julgou improcedente a ação popular sobre o contrato travestido de convênio entre a Funtelpa, a Fundações de Telecomunicações do Pará, e a TV Liberal, afiliada da TV Globo, além de excluir do processo o ex-governador Almir Gabriel. O simulacro de convênio, recorde-se, é aquele pelo qual a Funtelpa cedida sua rede de repetidoras para a TV Liberal levar sua programação ao interior do Pará e ainda era obrigada a pagar um aluguel à emissora do grupo de comunicação da família Maiorana, de estreitos e notórios vínculos com a tucanalha, a banda podre do PSDB. O contrato travestido de convênio foi celebrado ainda no primeiro mandato do ex-governador tucano Almir Gabriel e rendeu aos Maiorana R$ 37 milhões ao longo de 10 anos, em valores ainda por atualizar. O último pagamento foi de R$ 467 mil, em valores da época. Diante da ruptura do simulacro de convênio, pelo governo da petista Ana Júlia Carepa, os irmãos Maiorana ingressaram na Justiça com uma ação reivindicando uma indenização de mais de R$ 3 milhões, em valor a ser também atualizada, a pretexto de suposta “manutenção” feita nas repetidoras da Funtelpa.

TJ – Telefonema compromete Rosileide Filomeno

Mas o pior ainda estava por vir. A juíza Rosileide Filomeno foi flagrada, em gravações telefônicas autorizadas pela Justiça, negociando com Marcelo Gabriel, filho do ex-governador tucano Almir Gabriel, liminar beneficiando organização que fraudava licitações, em troca de apoio político para ascender ao desembargo. O Tribunal de Justiça do Pará, ao analisar o caso, decidiu impor à juíza apenas a pena de censura, mantendo a tradição de leniência diante dos malfeitos envolvendo magistrados. O CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, agravou a pena, colocando a juíza em disponibilidade, com pagamento proporcional dos vencimentos. A pretexto de suposta prescrição - em uma interpretação da lei obviamente graciosa -, o juiz Elder Lisboa, antes de deixar a 1ª Vara de Fazenda de Belém, em sentença datada de 22 de agosto de 2013, rejeitou a ação ajuizada pelo promotor de Justiça Firmino Matos contra a juíza Rosileide Filomeno. Diligentemente, o promotor de Justiça protocolou, já no dia 6 de setembro de 2013, recurso de apelação, objetivando reformar a decisão do juiz Elder Lisboa.
Em uma das gravações, a juíza pede que Marcelo Gabriel prometa que trabalhará pela sua candidatura ao desembargo. E afirma que outro interessado, João Batista Ferreira Bastos, conhecido como Chico Ferreira, da mesma organização criminosa integrada por Marcelo Gabriel, deveria jurar "em cima da Bíblia" que a ajudaria. Em troca, concederia a liminar que interessava à organização que fraudava licitações, desbaratada pela Polícia Federal durante a Operação Rêmora, em 2006. Chico Ferreira atualmente cumpre pena de prisão pelo assassinato dos irmãos Ubiraci e Uraquitã Novelino, em crime ocorrido em 25 de abril de 2007, em consequência de uma dívida contraída pelo assassino junto aos Novelino e que, sob juros exorbitantes, teria chegado a R$ 4 milhões, em valores por atualizar. A agiotagem foi uma das fontes de prosperidade da família Novelino, prática assumida publicamente, em entrevista ao jornal O Liberal, pelo ex-deputado Alessandro Novelino, a quando do assassinato de Ubiraci e Uraquitã. O parlamentar morreu em 25 de fevereiro de 2012, aos 39 anos, em um acidente aéreo.
Abaixo, a transcrição de uma conversa, por telefone, da juíza Rosileide Filomeno com Marcelo Gabriel, intermediada por Chico Ferreira:

Chico - Tem uma pessoa que quer falar contigo aqui, espera aí.

Rosileide - Marcelo.

Marcelo - Eu!

Rosileide - Você lembra da dra. Rosileide?

Marcelo - Claro que lembro, claro que lembro, tudo bom?

Rosileide - Tudo bem, vai depender se você me prometer agora, porque o Chico vai jurar em cima da Bíblia agora um negócio aqui no meu gabinete, ele tá aqui na minha sala.

Marcelo - Então o negócio é muito sério.

Rosileide - Não, mas é fácil, Marcelo, é fácil. Eu já estive com o seu pai ai no apartamento, na casa dele; eu sei que ele já falou com o nosso presidente aqui. A próxima vaga vai ser ainda este ano, e o problema é o seguinte: que me pareceu que ele está querendo colocar a mulher do Humberto de Castro, que tem 42 anos e 14 anos de magistratura, e eu tenho 30 anos de magistratura e tô com 50 anos, então o que eu queria falar com você, que você desse um toque pro dr. Almir é que ele me disse, quando eu falei com ele, o nosso amigo em comum, que eu sei que é o dr. Almir, já falou a seu respeito, só que agora, depois que o dr. Almir foi indicado (novamente candidato a governador pelo PSDB), vai pesar mais um pedido do Dr. Almir.

Marcelo - Tá, tá bom.

Rosileide - Marcelo, dá uma força pra mim, Marcelo.

Marcelo - Eu vou, eu vou dar uma falada pra ele.

Rosileide - Você fala, mesmo?

Marcelo - Com certeza absoluta.

Rosileide - Inclusive você pode até dizer para ele que eu falei com o dr. Milton (Nobre, então presidente do TJ), e me pareceu que o dr. Milton tá querendo proteger uma outra pessoa.

Marcelo - Sei.

Rosileide - O dr. Almir tem que dizer assim: ‘Olha, Milton, vamos colocar primeiro ela, porque você já me prometeu botar, colocar ela. Posso contar com você?’

Marcelo - Tá, eu vou dar uma falada com ele, sim, com certeza.

Rosileide – Então, tá, Marcelo, qualquer dia dá um pulinho aqui no meu gabinete, comigo.

Marcelo - Vou sim, com certeza, tá bom então.

Rosileide - Tá, um abraço.

Marcelo – Tá, um abraço grande pra senhora. Tchau.


Rosileide - Tchau.