Mesmo contemplando a parlamentar do PMDB com o princípio da inocência presumida, convém não desconhecer, pela sua gravidade, a denúncia. Trata-se da versão segundo a qual a deputada Simone Morgado, que é também a atual 1ª secretária da Alepa, a Assembleia Legislativa do Pará, abrigaria em seu gabinete Ana Mayra Leite (foto), a fantasminha camarada do Palácio Cabanagem.
Ana Mayra Leite vem ser a jovem advogada que migrou da condição de estagiária para um cargo comissionado na Alepa, embolsando regularmente seus vencimentos e usufruindo de vantagens adicionais, mesmo residindo atualmente em Portugal. Ao que consta, sua suposta freqüência é atestada mensalmente.
Ana Mayra Leite é filha do casal Márcia e José Leite, ambos também servidores da Alepa e militantes históricos do PMDB. A mãe da jovem advogada, Márcia Leite, é servidora efetiva e ocupa um cargo comissionado na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembléia Legislativa. O pai, o advogado José Leite, é igualmente servidor da Alepa, embora há muito tempo não seja visto no Palácio Cabanagem. Tal qual a mulher, ele também estaria abrigado na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, segundo versão veiculada em um comentário anônimo, feito neste blog.
Na legislatura passada, recorde-se, a Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária foi presidida pela deputada Simone Morgado, do PMDB, de estreitos vínculos com o ex-governador Jader Barbalho, o morubixaba do partido no Pará. Nesta nova legislatura, a comissão passou a ser presidida por Martinho Carmona, cuja evolução patrimonial coincide com a disseminação no Estado de uma certa Igreja do Evangelho Quadrangular, da qual é pastor. Ex-PSDB, ex-PDT, hoje no PMDB, Carmona é um peemedebista por conveniência. Seus laços, pessoais e políticos, são com o deputado federal Josué Bengston (PTB/PA), fundador no Pará da Igreja do Evangelho Quadrangular, da qual é também pastor. Ele retomou sua carreira política nas eleições de 2010, depois de desistir de disputar um novo mandato para a Câmara dos Deputados em 2006, após se envolver com a máfia dos sanguessugas, a quadrilha formada por empresários, políticos e servidores públicos que desviavam dinheiro da saúde pública.