SOB CENSURA, POR DETERMINAÇÃO DOS JUIZES TÂNIA BATISTELO, JOSÉ CORIOLANO DA SILVEIRA, LUIZ GUSTAVO VIOLA CARDOSO, ANA PATRICIA NUNES ALVES FERNANDES, LUANA SANTALICES, ANA LÚCIA BENTES LYNCH, CARMEN CARVALHO, ANA SELMA DA SILVA TIMÓTEO E BETANIA DE FIGUEIREDO PESSOA BATISTA - E-mail: augustoebarata@gmail.com
segunda-feira, 20 de março de 2017
MPE - Prestígio de Santino, desgaste de Neves e insatisfação pavimentaram escolha de Valente
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Valente: sólido currículo, no qual soma competência e probidade, o... |
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...que teria facilitado a articulação de Santino, tido como seu avalista. |
Decano do colégio de procuradores, o
ex-procurador-geral de Justiça Manoel Santino Nascimento Júnior, de estreitos
laços com o PSDB, é apontado como o principal avalista de Gilberto Valente
Martins, ungido pelo governador tucano Simão Jatene o primeiro promotor de Justiça
a tornar-se procurador-geral de Justiça. O segundo mais votado da lista
tríplice, com 143 votos - na primeira eleição aberta a candidaturas de
promotores de Justiça, até então restritas a procuradores de Justiça -, a escolha
de Valente representou uma derrota pessoal do atual procurador-geral de
Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves. Também conhecido como Napoleão de Hospício, por seu
mandonismo, Neves foi protagonista de uma gestão pontuada por suspeitas de
corrupção, recorrentes denúncias de patrimonialismo e ácidas críticas por
atrelar escandalosamente o MPE, o Ministério Público Estadual, às conveniências
do governo Simão Jatene. O candidato de Neves, cuja campanha foi anabolizada pelo
acintoso uso da máquina administrativa, foi o promotor de Justiça César Bechara Nader Mattar Júnior, o mais
votado da lista tríplice, com 241 votos, embora sob restrições de parcelas de
seus pares e dos promotores de Justiça, na esteira de uma trajetória opaca no
MPE.
Segundo fontes do próprio
Ministério Público, o prestígio de Santino junto ao tucanato foi decisivo para
pavimentar a escolha de Valente, com o qual, no passado, foi desavindo, em
malquerença superada por conveniências mútuas. Notório desafeto de Neves,
contra cuja primeira nomeação se opôs até a undécima hora há quatro anos atrás,
Santino é marido e mentor político da desembargadora Nadja Nascimento,
ex-presidente do TJ, o Tribunal de Justiça do Pará, e cuja ascensão é a ele
debitada, para além dos méritos pessoais da magistrada. Ex-secretário especial de Defesa
Social no segundo mandato de Almir Gabriel à frente do governo do Pará, seu
prestigio no MPE teria sido decisivo para blindar o ex-governador tucano contra
eventuais repercussões diante do massacre de Eldorado do Carajás (Leia aqui), que deixou um rastro de 19
sem-terra mortos no confronto com a Polícia Militar, parte deles com claras
evidências de execução. Imprevidente, Almir Gabriel, consultado, autorizou o
uso da força policial para desobstruir a rodovia BR-155, em uma operação implementada desastradamente
e de cujas sinistras consequências o ex-governador fugiu, cabendo ao secretário
de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, assumir o ônus pelo ocorrido.
A tarefa de Santino foi
certamente facilitada, também, pelo sólido currículo de Gilberto Valente
Martins, consensualmente reconhecido como um promotor de Justiça atuante, que exibe
a virtude de somar competência e probidade. Ele teve destaca atuação como
conselheiro do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, para o qual foi eleito com
87% dos votos.
MPE – Murrieta, outro (discreto) cabo eleitoral
Manoel Murrieta: discreta mobilização em favor de Gilberto Valente. |
Também é apontado como um
discreto cabo eleitoral de Gilberto Valente Martins, o novo procurador-geral de
Justiça, o presidente da Ampep, a Associação do Ministério Público do Estado do
Pará, Manoel Victor Sereni Murrieta.
Relatos de
bastidores revelam que, discretamente, sem ser acintoso, Murrieta fez campanha
para Valente, com o cuidado de não expor a entidade que representa.
MPE – “Discurso falacioso”
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César Mattar: beneficiário do uso eleitoral da máquina administrativa. |
Para fontes do MPE, a
escolha do promotor de Justiça Gilberto Valente Martins como o novo procurador-geral
de Justiça, mesmo não tendo sido o mais votado da lista tríplice, traz, em tese,
um travo pouco democrático. Mas essas fontes acentuam que, por seu currículo,
Valente merece o benefício da dúvida e sua nomeação está longe de representar,
em princípio, um atraso para o Ministério Público Estadual. “Esse é um discurso
falacioso, considerando as circunstâncias do processo eleitoral, quando a
máquina administrativa foi escandalosamente posta a serviço do Cezinha (César Bechara Nader Mattar Júnior), e da
desfaçatez com a qual o Marcos (Antônio Ferreira das Neves, atual
procurador-geral de Justiça) atrelou o Ministério Público ao governo Simão
Jatene”, sublinha uma dessas fontes, abrigada no off, para driblar eventuais retaliações.
Não faltam relatos,
diga-se, sobre a desfaçatez de Neves em impingir César Bechara Nader Mattar
Júnior como o candidato chapa-branca. Depois de passar de 2006 a 2012
afastado do cotidiano do MPE - período em que atuou como dirigente e inclusive
chegou a presidir a Ampep, a Associação do Ministério Público do Estado do
Pará, e a Conamp, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público -,
Mattar pousou na Promotoria do Consumidor, na qual teve uma passagem opaca, até
ser pinçado para um cargo comissionado, na assessoria do procurador-geral de
Justiça. Isso serviu de pretexto para que estivesse ao lado de Neves, nas
andanças deste pelo interior, feitas a pretexto do programa PGJ Itinerante, na
verdade álibi para campanha eleitoral fora de época. “Mais de uma vez, Neves
apresentou Mattar como seu candidato a procurador-geral de Justiça”, relata uma
testemunha, sob a condição de manter o anonimato. Nos bastidores, Mattar era
tido, por sua falta de intimidade com a máquina administrativa, como um
postulante a títere de Neves, se a este viesse a suceder como procurador-geral
de Justiça.
MPE – Evidência do atrelamento
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Neves (à esq.) com Jatene: postura de boy qualificado do governo. |
O que esfarinha a versão
de que a nomeação de Gilberto Valente Martins como procurador-geral de Justiça,
apesar de não ter sido o mais votado da lista tríplice, subtrai a suposta
independência do MPE reside justamente no escandaloso atrelamento ao governo
patrocinado por Marcos Antônio Ferreira das Neves, que sempre comportou-se como
um boy qualificado do Palácio dos Despachos. Um boy atrapalhado, no limite da incompetência, mas sempre servil ao Palácio dos Despachos. O que ficou evidenciado no
episódio no qual Neves protagonizou a aviltante omissão diante
da denúncia, por improbidade administrativa, contra o governador Simão Jatene, a secretária estadual de Administração, Alice
Viana Soares Monteiro, e o filho de Jatene, Alberto Lima da Silva Jatene, o
Beto Jatene. A ação foi ajuizada pelo procurador de Justiça Nelson Medrado e o
promotor de Justiça Militar Armando Brasil - sem a prévia autorização de procurador-geral de Justiça, ou delegação deste, como determina a lei - diante da promiscua relação de Beto
Jatene com o governo do pai, na esteira da qual parte da frota da Polícia
Militar abastece nos postos de combustível do ilustre rebento, que entre 2012 e
2014 faturou, com isso, algo em torno de R$ 5 milhões.
Depois de subscrever os
pedidos de informação a Simão Jatene, que ignorou solenemente as solicitações
do MPE, Neves simplesmente não só não subscreveu
a ação, como sequer delegou poderes para Medrado e Brasil fazê-lo. Com isso,
Neves simplesmente desautorizou a ambos, a despeito da amizade que o ata a Medrado, e sordidamente blindou Jatene e seus
comparsas. A situação foi tão patética, mas tão patética, que Medrado e Brasil
chegaram a solicitar à juíza Kátia Parente Sena para intimar o procurador-geral
a se manifestar sobre a delegação de poderes para que pudessem processar o
governador Simão Jatene, a secretária estadual de Administração, Alice Viana
Soares Monteiro, e o filho de Jatene, Alberto Lima da Silva Jatene, o Beto Jatene.
MPE – O desafio do novo procurador-geral
Qual a natureza, e
naturalmente sua extensão, do compromisso assumido por Gilberto Valente
Martins, junto ao governo Simão Jatene, para ser ungido como o novo
procurador-geral de Justiça, atropelando o mais votado, César Bechara Nader
Mattar Júnior, cuja candidatura foi cacifada pelo apoio do atual
procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves,
escandalosamente servil ao governador tucano?
O desafio de Valente é
justamente evidenciar ter sido capaz de viabilizar sua nomeação dentro de
parâmetros capazes de privilegiar os interesses da administração pública,
escapando ao balcão de negócios que desvirtua a missão constitucional do Ministério Público
Estadual, como fiscal da lei. A favor de Valente,
comenta-se, destaca-se sua participação como conselheiro do CNJ, o Conselho
Nacional de Justiça, quando, por determinadas posturas éticas, chegou a atrair
a ira de setores da máfia togada que domina o TJ do Pará, o Tribunal de Justiça
do Estado. Sobre ele é dito que exibe um perfil afável, embora avesso a
áulicos, mas despido da empáfia e do deslumbramento de Neves. “É um homem sem muitos
amigos visíveis”, dizem, comentando a discrição do novo procurador-geral de
Justiça.
Valente, é claro, merece contar com o benefício da dúvida. Resta saber se ele resistirá a vertigem das alturas, sem sucumbir ao fascínio do poder e mandar às favas os escrúpulos, a pretexto de que os fins justificam os meios, um sofisma que escamoteia a constatação de que os meios acabam por definir os fins.
MPE – Insatisfação de procuradores e promotores
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Milton Menezes, do Gaeco: vítima do mesquinho boicote de Neves. |
Segundo relatos de bastidores, as
articulações de Manoel Santino Nascimento Júnior em favor da candidatura de Gilberto
Valente Martins encontraram terreno fértil em parcela dos procuradores de
Justiça e dos promotores de Justiça, que sentiam-se desprestigiados por Marcos
Antônio Ferreira das Neves, o atual procurador-geral de Justiça. Como exemplo
da insatisfação que medra com vigor entre os procuradores é citado um projeto
que, na prática, confere superpoderes ao procurador de Justiça Nelson Medrado, coordenador do Núcleo de Combate a Improbidade Administrativa e a Corrupção. O
projeto foi retirado de pauta do colégio de procuradores, diante da reação em
cadeia por ter sido apresentado sem qualquer discussão prévia pelo conjunto de
procuradores e promotores. Também repercutiu negativamente o tratamento desrespeitoso
de Neves em relação ao promotor de Justiça Milton Luís Lobo de Menezes, um
profissional competente e probo, coordenador do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado,
solenemente ignorado pelo procurador-geral de Justiça. Segundo recorrentes
relatos, mesquinho, Neves esvaziou o Gaeco e, com isso, engessou Menezes, a
ponto de fazê-lo abandonar a postura habitualmente cordata e repelir
pessoalmente, de viva voz e em altos decibéis, a postura do procurador-geral de
Justiça.
Também
deixou profundas sequelas o imbróglio protagonizado por Neves, que desembocou
em um gracioso PAD, o Procedimento Administrativo Disciplinar, contra o
promotor de Justiça Alexandre Couto, um profissional de probidade, competência
e experiência reconhecidas. O estopim do imbróglio foi a contratação por Neves –
por R$ 1,9 milhão, com dispensa de licitação - da Fundação Carlos Chagas
para organizar e realizar o concurso público para o cargo de promotor de
Justiça substituto de 1ª Entrância. Diante da recalcitrância de Neves em acatar
uma liminar que proibia a
contratação, sem a realização de licitação, de instituição pelo Estado do Pará,
neste incluído o Ministério Público Estadual, para a realização de concurso
público, o promotor de Justiça Alexandre Couto recorreu ao CNPM, o Conselho
Nacional do Ministério Público. Isso após
enviar três ofícios a Neves advertindo sobre a ilegalidade do ato. Em uma
decisão graciosa, e claramente política, o CNMP acabou por punir Couto, a
pretexto de que este teria sido desrespeitoso com o procurador-geral de
Justiça, uma interpretação da qual discordou frontalmente o então presidente do
Conselho Nacional do Ministério Público, Rodrigo Janot, hoje procurador-geral
da República. Em seu voto, Janot sublinhou ter debruçado-se com redobrada
atenção sobre a representação de Alexandre Couto, sem nela encontrar nenhuma
palavra desrespeitosa em relação a Neves. A decisão do CNMP foi tão graciosa,
que mesmo tendo sido criticado, com virulência pelo procurador-geral de Justiça
do Pará, Marcos Antônio Ferreira das Neves, ao qual foi concedido fazer a
sustentação oral de sua defesa, essa prerrogativa foi negada a Alexandre Couto.
MPE – Desgaste continuado
Mais, muito mais, que a sua notória
ausência de pudores éticos, aparentemente conspirou contra a pretensão de Marcos
Antônio Ferreira das Neves de fazer seu sucessor o continuado desgaste junto a
promotores e procuradores de Justiça, na esteira de um temperamento
atrabiliário. Para quem, além do poder da caneta que nomeia e demite, precisa
também ser persuasivo, a arrogância do atual procurador-geral de Justiça não o
faz um negociador palatável e convincente. Nada mais emblemático do seu
desgaste continuado que um patético episódio, ocorrido em uma reunião do
colégio de procuradores, na qual um dos seus pares - com o status de ex-procurador-geral de Justiça - arrematou contra Neves um
copo, providencialmente desviado, ironicamente, por Manoel Santino do
Nascimento Júnior, seu desafeto figadal.
Na ilação de alguns, feita a relação custo
x benefício Neves submeteu-se a uma série de desgastes desnecessários. Primeiro,
ao acintosamente nomear como assessores Gil
Henrique Mendonça Farias, o namorado da filha, Mariana Silva
Neves – alojada em uma sinecura no Tribunal de Contas do Pará, cujas irregularidades foram ignoradas em sua gestão -, e o sócio,
advogado e amigo-de-fé-irmão-camarada André
Ricardo Otoni Vieira. Depois, ao impor um vergonhoso embargo de gaveta ao
parecer do promotor de Justiça Domingos Sávio Alves de Campos, declarando
inconstitucional o PCCR da Alepa, o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da Assembleia
Legislativa do Pará, como parte do toma-lá-dá-cá que permitiu-lhe ver
aprovados, pelos deputados, sucessivos trens da alegria, criando uma profusão
de cargos comissionados, tradicionais moedas de troca no tráfico de influência e no nepotismo cruzado. Algo que Neves patrocinou sem nenhuma discrição e na
contramão da exigência de concurso público que o MPE faz a prefeituras do
interior, sobretudo se de partidos de oposição ao PSDB.
MPE – Réus ilustres
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André Ricardo Otoni Vieira (à dir.): fonte de problemas para Neves. |
No caso de André
Ricardo Otoni Vieira, Neves passou pelo vexame de ser réu, sob a suspeita
de improbidade administrativa, em ação ajuizada pelo próprio MPE. Da mesma
forma, sob a mesma acusação, também André Ricardo Otoni Vieira tornou-se
réu, em ação igualmente movida pelo MPE. Em ambos os casos, a máfia togada
tratou de arquivar as denúncias.
Mandando às favas os escrúpulos,
e para tanto contando com o corporativismo da instituição, Neves prestou-se até
a patrocinar uma operação abafa sobre a fraude do ponto de frequência de André
Ricardo Otoni Vieira. Este foi flagrado acompanhando, como advogado, em
pleno horário de expediente no MPE, uma ação de despejo movida por Neves. Detalhe sórdido: por ser sócio-administrador de Neves, Vieira não poderia ter sido nomeado assessor do procurador-geral de Justiça e, por ser assessor deste, não poderia advogar, apesar de ter sido flagrado advogando, com o agravante de fazê-lo em pleno horário de expediente, quando era atestada sua suposta presença no Ministério Público.
MPE – O escândalo da Águia Net
A já parca credibilidade da gestão de
Marcos Antônio Ferreira das Neves como procurador-geral de Justiça, foi definitivamente
esfarinhada na esteira de um dos mais ruidosos
escândalos da história recente do Ministério Público Estadual, que foi reajuste do contrato da Águia Net em
mais de 100%, quando a lei 8.666 só autoriza o máximo de 25% (o valor licitado
foi de R$ 490 mil e acabaram pagando mais de R$ 1 milhão).
Neves figurou no
epicentro do escândalo denunciada por servidores do MPE, envolvendo a
contratação de duas empresas, para prestação dos mesmos serviços – os serviços
de sistemas integrados. O imbróglio teve como protagonistas a Linkcon Ltda.,
que venceu a licitação realizada, e a Águia Net Consultoria
Estratégica Ltda., cujo contrato foi mais uma vez aditivado, quando não poderia
ter sido, segundo a denúncia feita ao Blog do Barata.
“Esse contrato em particular já deu muito o que
falar e até provocou o afastamento do diretor do Departamento. de Informática,
porque este se recusou a compactuar com os desmandos do procurador-geral. Este,
aliás, vem agindo assim, simplesmente afastando quem não aceita coonestar com
falcatruas e truculências. E, lamentavelmente, sempre tem algum servidor que se
presta a isso”, assinalou na época um servidor (Leia aqui).
sexta-feira, 10 de março de 2017
MPE – Mattar, Valente e Salame integram a lista tríplice. Acenildo foi preterido por seu mais novo que Salame
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César Mattar, o candidato chapa-branca, venceu a eleição do MPE. |
Com 241 votos, César Bechara Nader Mattar Júnior foi o mais votado na eleição para
escolha do novo procurador-geral de Justiça, pela primeira vez aberta aos
promotores de Justiça, status funcional dos cinco candidatos que disputaram o
pleito. Mattar deverá compor a lista tríplice, a ser submetida ao governador
Simão Jatene, juntamente com Gilberto Valente Martins, o segundo mais votado,
com 143 votos, seguido de Hamilton Nogueira Salame, com 34 votos.
Salame obteve a
mesma votação de Acenildo
Botelho Pontes, mas este foi preterido por ter menos tempo de serviço no MPE,
Ministério Público Estadual. Jacirema Ferreira da Silva,
a única mulher a disputar a eleição, obteve 22 votos. A soma dos votos dos demais candidatos - o que é significativo - superou a votação de Mattar.
MPE – Anticandidato, Acenildo surpreende
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Acenildo Pontes: desempenho surpreendente. |
Por sua condição
de anticandidato – com um discurso que privilegiou a importância do resgate do MPE
como fiscal da lei, à margem do atrelamento político-partidário -, a votação de
Acenildo
Botelho Pontes soou surpreendente, considerando a tradição de corporativismo do
Ministério Público Estadual. Ele obteve 34 votos, a mesma votação de Hamilton Nogueira Salame, incluído na lista tríplice por ter mais tempo
de MPE que ele.
Mattar, o mais
votado, teve a candidatura anabolizada prela utilização da máquina
administrativa, patrocinada pelo atual procurador-geral de Justiça, Marcos
Antônio Ferreira das Neves, também conhecido como Napoleão de Hospício, por seu mandonismo e parcos pudores éticos.
MPE – Casa de ferreiro, espeto de pau
Sem que o poder público cumpra a lei, fica
difícil fazer o cidadão comum a fazê-lo.
A reflexão vem a propósito da intensa boca
de urna que pontuou a votação para escolha da lista tríplice da qual será
pinçado o novo procurador-geral de Justiça.
Boca de urna, recorde-se, é proibida e, por
isso, combatida pelo Ministério Público Eleitoral.
quarta-feira, 8 de março de 2017
MPE – Ainda que não seja o mais votado, Mattar só precisa figurar na lista tríplice para suceder Neves
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César Mattar Júnior: a opção preferencial do governador Simão Jatene. |
Embora, dentre os candidatos, o promotor de
Justiça Gilberto Valente Martins seja reconhecido como o
mais qualificado para ocupar o cargo, nos bastidores do MPE, o Ministério
Público Estadual, César Bechara Nader Mattar Júnior é apontado como o favorito
para suceder o atual procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das
Neves, também conhecido como Napoleão de
Hospício, por seu mandonismo e parcos pudores éticos. Candidato de Neves e apontado
como beneficiário da utilização da máquina administrativa, para garantir sua
nomeação como procurador-geral bastaria a Mattar figurar na lista tríplice - sem
a necessidade de ser o mais votado - para ser ungido pelo governador tucano
Simão Jatene, segundo versão que varre os bastidores do MPE.
Ainda segundo a
versão que circula nos bastidores do MPE, Jatene estaria decidido a repetir o
que fez na Defensoria Pública, quando, na contramão da tradição de nomear o
mais votado da lista tríplice, nomeou como defensora pública geral Jennifer de
Barros Araújo, terceira colocada na votação da categoria, com 71 votos, contra
125 do mais votado, José Adaumir Arruda, e 92 votos da segunda colocada,
Marialva Santos. Jennifer de Barros Araújo, recorde-se, é casada com Eduardo Simões Araújo, sócio de Alberto Jatene, o Beto Jatene, empresário do ramo de combustíveis e casas noturnas, suspeito de beneficiar-se de falcatruas patrocinadas pelo governo do pai, Simão Jatene.
Descrito como “boneco de ventríloquo”, por sua fidelidade servil a Neves e, por extensão, ao status quo, Mattar garantiria, na avaliação de seus críticos, a continuidade da política de subordinação ao tucanato patrocinada pelo atual procurador-geral de Justiça, na esteira da qual o MPE, por atos e omissões, blindou a administração do governador tucano Simão Jatene, apesar das recorrentes suspeitas de corrupção.
Descrito como “boneco de ventríloquo”, por sua fidelidade servil a Neves e, por extensão, ao status quo, Mattar garantiria, na avaliação de seus críticos, a continuidade da política de subordinação ao tucanato patrocinada pelo atual procurador-geral de Justiça, na esteira da qual o MPE, por atos e omissões, blindou a administração do governador tucano Simão Jatene, apesar das recorrentes suspeitas de corrupção.
MPE – Perfil do candidato chapa-branca
Formado em direito pela UFPA, a
Universidade Federal do Pará, com pós-graduação em direito processual civil na
PUC/SP, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, após fugaz passagem pela Defensora Pública do Pará, César Bechara Nader Mattar Júnior ingressou em 1994 no MPE, onde é titular
da 2ª Promotoria de Justiça de Mosqueiro. Ele é criticado pela falta de
intimidade com as mazelas do MPE, de cujo cotidiano esteve afastado entre 2006
e 2012, período em que atuou como dirigente e inclusive chegou a presidir a
Ampep, a Associação do Ministério Público do Estado do Pará, e o Conamp, a
Associação Nacional dos Membros do Ministério Público.
Nas ilações de seus críticos, Mattar,
eleito, será um títere do atual procurador-geral de Justiça, por não exibir a
independência de Gilberto Valente Martins, um promotor de Justiça
de perfil conservador, mas com independência capaz de preservar a credibilidade
do MPE, esfarinhada na gestão de Marcos Antônio Ferreira das Neves, o Napoleão de Hospício. Neves, recorde-se,
é o avalista e ilustre eleitor da candidatura de Mattar.
MPE – Anticandidato, Acenildo Pontes introduz debate ético em eleição na qual César Mattar Júnior é favorito
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César Mattar Júnior, o candidato de Neves, apontado como favorito. |
Na primeira eleição para procurador-geral
de Justiça na qual podem concorrer os promotores de Justiça, a grande novidade
reside, ironicamente, na participação de um anticandidato, que, confessadamente
sem chances de vitória, introduziu um debate ético, expondo publicamente os
malfeitos que hoje tisnam a credibilidade do Ministério Público Estadual. Trata-se do promotor de Justiça Acenildo Botelho Pontes, lotado Irituia e que, em um manifesto em tom
ácido, corrosivo, exorta os membros do Ministério Público Estadual a um resgate
do papel constitucional da instituição, como fiscal da lei, sem concessões a
conveniências escusas.
Acenildo Botelho Pontes disputa a eleição
com Gilberto Valente Martins, Hamilton Nogueira Salame,
Jacirema Ferreira da Silva e Cunha e César Bechara Nader Mattar Júnior, todos,
como ele, também promotores de Justiça. César Bechara Nader Mattar Júnior - acusado de ser favorecido pelo uso da máquina administrativa a seu favor - é
apontado como favorito na disputa, na esteira do status de candidato do atual
procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves, protagonista de
uma administração pontuada por denúncias de corrupção, tráfico de influência e patrimonialismo.
Por seu mandonismo e parcos pudores éticos, Neves acabou conhecido como Napoleão de Hospício. Ele é acidamente
criticado por atrelar o Ministério Público Estadual ao governo Simão Jatene e
de blindar o governador tucano diante das recorrentes suspeitas de improbidade
administrativa.
MPE – Manifesto expõe mazelas do Ministério Público
Abaixo, a transcrição, na íntegra, do
manifesto de Acenildo Botelho Pontes:
Eleição para
PGJ é coisa séria, e não um simples negócio entre amigos!
Como é do Vosso conhecimento,
no próximo dia 10/03/2017, realizar-se-á a eleição objetivando a formação da lista
tríplice a ser analisada pelo excelentíssimo senhor govenador do estado do Pará,
para a posterior nomeação do procurador-geral de Justiça, para o mandato de
11/04/2017 a 11/04/2019.
Após mais de duas
décadas fazendo parte dos quadros da instituição ministerial, tornei a decisão
de lançar a minha candidatura, pois, francamente, não me acho nenhum pouco
menos preparado e com menos reserva moral do que as pessoas que, anteriormente,
ocuparam a chefia do Parquet de nosso
Estado.
Sem dúvida, é urna
missão árdua e desafiadora, porém, com a ajuda e colaboração de seus
integrantes, no futuro, o Ministério Público paraense será ainda muito mais
forte, independente e pujante.
Aliás, estou convicto que, no vasto quadro de membros
de nossa instituição, não existe apenas urna única pessoa com reserva moral e
preparo intelectual, capaz de ostentar a primazia de, retilineamente, ocupar os
cargos de presidente da Ampep, Conamp, assessorias especiais, coordenações de
centros de apoio, além da Procuradoria-Geral de Justiça.
Existem, sim, outras várias; diria, incontáveis opções
no âmbito de nossa Instituição.
Não se acomode. Vá a luta, e mostre que voce é
preparado(a), honrado(a), e que não caiu de paraquedas no MP/PA.
Você irá fìcar ao longo de sua carreira apenas na
condição de eleitor?
Se você não se valoriza e ocupa seu espaço,
certamente, pessoas sedentas/insaciáveis de poder e com um inesgotável poder de
persuasão, irão ocupá-lo; se possível, ad
eternum!
Minha candidatura é
franca, modesta e totalmente independente dos poderes ocultos que,
invariavelmente, interferem decisivamente nas eleições ministeriais, inclusive,
corno é público e notório, na Ampep.
O poder da caneta e a
proximidade com o poder, sempre foram os maiores argumentos convincentes no
curso das eleições ministeriais.
Quem não lembra da
eficiente Indústria das portarias; que funcionava, diuturnamente, quando as
eleições, inclusive, da Ampep?!
Você, porém, poderá
mudar esse insustentável sistema, concorrendo, no futuro, à Procuradoria-Geral
de Justiça e presidência da Ampep, ou você prefere continuar apenas corno
eleitor?
Minha candidatura é
séria e independente, com poucas possibilidades de êxito. E verdade!
Prefiro assim, pois,
jamais iria colocar o Ministério Público do meu estado na prateleira da minha
mercearia. Nunca!
Certos insucessos são
mais dignos do que muitas vitórias.
Com o fito de
demonstrar minha total independência, seriedade e distanciamento dos senhores
feudais, de pronto, na condição de procurador-geral de Justiça, adotarei as
seguintes providências:
I - Subscrever, juntamente
com o procurador de Justiçaa Nelson Medrado e o promotor de Justiça Armando
Brasil, a pela vestibular da ação civil pública - improbidade administrativa,
em face o atual governador de nosso estado Simão Robson Jatene e demais
envolvidos no assunto, (o qual é de conhecimento público);
II - Diligenciar para descobrir em que gaveta encontra-se guardado, já há mais de 11 longos anos, o inquérito civil n°: 001/2005,
cuja instauração teve como objetivo apurar o caso Cerpasa, envolvendo o atual govenador
do estado do Para, Simão Jatene e outras pessoas influentes em nosso estado;
III - Acompanhar a tramitação da ação de cobrança ajuizada há quase uma década pelo MP/PA sobre o caso Banpará envolvendo o
ex-governador Jader Barbalho;
IV - Desmonte da frota de carros oficiais que transportam, diariamente, os procuradores
de Justiça de suas residências
para o prédio sede/retomo. É um gasto desnecessário e sem nenhuma justificativa
plausível;
V - Desmilitarizar o prédio sede. Policial militar é para estar nas ruas protegendo o cidadão.
Policiais nos prédios de fórum e fazendo a guarda pessoal de membros, em casos
excepcionais, é compreensível e necessário;
VI - Total atenção as decisões proferidas pelo TJ/PA, para fins de recurso.
Não é aceitável a alegada falta de cultura de recorrer das decisões do TJ-PA,
por parte da PGJ;
VII - Devolver os servidores cedidos por outras instituições que foram
reprovados no concurso promovido pelo MP no ano de 2014, mas que fazem parte dos
quadros de servidores da instituição ministerial em detrimento das pessoas que
lograram êxito em serem aprovadas no certame público, porém, que nunca foram
nomeados. Existem servidores cedidos, entre os reprovados, que chegam a ganhar
mais de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), enquanto servidores concursados, ocupantes do mesmo cargo, não chegam a
receber R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a título de remuneração.
Se o critério é competência/preparo, porque essa situação não beneficia os
servidores concursados, e não os cedidos/reprovados?
Ad cautelam, deixo consignado, para afastar comentários maldosos,
que a única pessoa próxima que foi aprovada no referido concurso público, mas
que nunca foi nomeada; recentemente, foi aprovada em concurso público promovido
pelo TCE/PA. Portanto, resta afastada a hipótese de advocacia em causa própria.
Meus detratores, contumazes, não poderão lançar mão desse argumento,
jamais!
Como explicar à sociedade paraense, sob a ótica do princípio da moralidade, o fato do Ministério
Público Estadual relutar em nomear as pessoas que lograram êxito em serem
aprovadas no concurso público promovido por ele e, ao mesmo tempo, manter ad eternum, em seus quadros de
servidores, na condição de cedidos, inclusive com remuneração superior, pago pelo MPE, pessoas que se
submeteram ao mesmo certame público, mas que foram reprovadas!
A única justificativa plausível, porém, imoral, é o apadrinhamento político, tão condenado pelo Parquet nos
rincões paraenses!
VIII - Dar estrito cumprimento ao art. 94 da CF/88 quando da definição da lista sêxtupla (1 /5 Constitucional
- Desembargo). A nossa lei mãe fala expressamente em entidade de classe.
Afinal de contas, quem é, verdadeiramente, a nossa entidade de classe: é o
Conselho Superior do Ministério Público ou a Ampep?
Portanto, no próximo pleito o procedimento será presidido pela Ampep e todos os membros do
Ministério Público terão assegurado o direito de participar ativamente dele, quer votando ou concorrendo a
lista sêxtupla.
A exclusão do pleito, infelizmente, como
vem ocorrendo na longa história do MP/PA, de promotores e promotoras de Justiça,
representa um manifesto desrespeito a expressa disposição constitucional,
inexplicavelmente, com o silêncio sepulcral da nossa Ampep.
IX- Exigir do Estado, durante o horário de
expediente, a presenta de policiais militares nos prédios dos fóruns,
objetivando propiciar um mínimo de segurança a magistrados, membros do
Ministério Público e serventuários;
X- Arguir a inconstitucionalidade do art.
26, Inc. I e 230 da lei complementar n° 057/2006, tendo como parâmetro o art.
94 da Constituição da República;
XI- Encaminhar sugestões de projeto de lei
à Assembleia Legislativa com o fito de incluir na Constituição Estadual,
dispositivo proibindo expressamente que parentes de membros do MP/PA ocupem
cargos em comissão/confiança nas esferas municipal, estadual e federal.
No estado do Pará, na contramão do resto do
país, inexiste desemprego para os familiares de govenador, ex-governador, bem
como em relação a parentes de alguns integrantes do Parquet.
Você já se perguntou porque tanta
generosidade de prefeitos, governadores e conselheiros de tribunais de Contas
em relação aos filhos, irmãos, maridos e esposas de membros do Ministério
Público?
Mas logo o Ministério Público que,
incessantemente, cobra dos agentes políticos o cumprimento do disposto no inc.
II, do art. 37, da CF/88!
XII- Encaminhar projeto de lei à Assembleia
Legislativa inserindo na lei n°: 057/2016, vedação a reeleição do PGJ;
XIII- Encaminhar projeto de lei à Assembleia
Legislativa prevendo na lei n°: 057/2006, vedação a realização de permuta entre
integrantes do MPE; evitando-se, assim, questionamentos sobre a real finalidade
do ato;
XIV- Encaminhar projeto de lei à Assembleia
Legislativa para incluir na lei n°: 057/2016, dispositivo limitando a nomeação
de assessores especiais da PGJ, a no máximo, 05 (cinco);
XV- Inserir dispositivo na lei n°: 057/2016,
vedando expressamente aos membros do MPE/PA, a cumulação de assessoria especial
junto a PGJ como a coordenado de centros de apoio operacional;
XVI- Estruturar as Promotorias de Justina e
o GECOC, possibilitando a atuação, com eficácia, em todo o estado do Pará;
XVII- Estreitar e facilitar o
relacionamento entre procuradores e promotores de Justiça. Atualmente, numa verdadeira
inversão de valores, promotores de Justiça passaram a receber ordens de
assessores de procuradores de Justiça.
Em muitas situações, promotores de Justiça
não conseguem, nem mesmo, ter acesso aos procuradores de Justiça e são
“aconselhados” por assessores, como proceder na resolução de problemas de
interesse institucional;
XIX - Envidar esforços junto ao Congresso Nacional
postulando modificação na legislação pátria para que todos os membros do
Ministério Público recebam a denominação única de promotores de Justiça.
A denominação de Procurador deve ser
utilizada apenas para: procuradores do estado, procuradores do município, procuradores
autárquicos, etc.
XX – Criar mecanismos objetivando o MPE a
passar a atuar, também, de forma efetiva e eficaz em relação aos
poderosos/influentes em nosso estado; pois, como diz o adágio popular: “Pau que
bate em Chico também deve bater em Francisco”.
Vamos
deixar para trás o mundo do faz de contas!
O
Ministério Público Estadual precisa mostrar que existe para grandes
empresários, governadores, deputados, magistrados, membros dos tribunais de
Contas, secretários estaduais, etc.
É
um Ministério Público nos moldes ao norte exposto que penso para seus membros e
para a sociedade. Portanto, no dia 10/03/2017, vote com a razão e por um
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL com estrutura condizente com a sociedade paraense.
O
Ministério Público que aplaude, efusivamente, a indicação de Alexandre de
Moraes para passar, caso queira, 27 (vinte sete anos) na Suprema Corte brasileira,
não é, verdadeiramente, o Ministério Público que fala por mim, nem me
representa.
Um
outro ativista político no STF é demais para a sociedade brasileira e para o
próprio Poder Judiciário!
Irituia/PA, 20 de fevereiro de 2017.
Saudações,
ACENILDO BOTELHO PONTES
MPE – “Minhas propostas são francas, sérias e atendem os anseios da sociedade paraense", proclama Acenildo
![]() |
Acenildo Botelho Pontes: ousadia e tom ácido. |
“Reafirmo integralmente o teor de minha
proposta de campanha. O Ministério Público é, ou deveria ser,
constitucionalmente, o fiscal da lei e defensor dos interesses sociais. Seus
membros gozam de inamovibilidade e vitaliciedade. Portanto, não consigo
entender ou compreender, qual a dificuldade existente no âmbito do Ministério
Público Estadual, para investigar e aforar as respectivas ações em face a
classe política e abastados de nosso estado.”
É com este desabafo que o promotor de
Justiça Acenildo Botelho Pontes, 55 anos, que ingressou no Ministério Público
Estadual em 1995, reage à indagação sobre se teria coragem de implementar
algumas de suas propostas, se eventualmente se visse nomeado procurador-geral
de Justiça. Dentre outras coisas, ele defende subscrever a ação civil pública,
por improbidade administrativa, nas quais são réus, dentre outros, o governador
Simão Jatene e seu filho, Beto Jatene, o que o atual procurador-geral de
Justiça não o fez; apurar o embargo de gaveta dado ao inquérito civil que
deveria ter apurado o escândalo da Cerpasa, em cuja epicentro figura o
governador Simão Jatene; e acompanhar a tramitação da ação de cobrança ajuizada
há quase uma década sobre o imbróglio do Banpará, envolvendo o senador Jader
Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará.
“Minhas propostas são francas, sérias e
atendem os anseios da sociedade paraense, a qual é a mantenedora da instituição
ministerial”, sublinhou, em entrevista ao Blog do Barata, ao reafirmar seus compromissos de
gestão, que incluem, dentre outras coisas, a supressão de privilégios como a
frota de veículos à disposição dos procuradores de Justiça e o desvio de função
da Polícia Militar, institucionalizado com o inchaço do Gabinete Militar do
Ministério Público Estadual.
De resto, Acenildo revela-se um homem
simples, sem veleidades a herói, embora destemido. Solteiro, mas pai de três
filhos, restam-lhe ainda a mãe, já aposentada, e sete irmãos. Simples, às vezes
até monossilábico, ele se recusa a superestimar sua coragem moral, sugeridas
pela ousadia de suas propostas de campanha. “Na verdade, nada mais são do que
uma adequação aos princípios norteados da administração pública inscritos no
artigo 37 da Constituição da República”, assinala, na entrevista ao Blog do Barata.
O
senhor surge como um anticandidato, seja por expor publicamente os vícios que
hoje tisnam a credibilidade do Ministério Público Estadual, seja por admitir
que são parcas suas chances de vitórias, por se recusar a participar do
toma-lá-dá-cá do fisiologismo. O que inspira sua anticandidatura, inclusive
considerando que presumivelmente o senhor pode atrair a ira do status quo, com o corolário de
retaliações dos poderosos de plantão, sempre que fustigados?
Em mais de duas décadas como membro do
Ministério Público Estadual, devido o meu posicionamento crítico, por diversas
vezes já figurei na condição de réu em procedimentos administrativos e,
inclusive, criminal. Portanto, sei perfeitamente dos riscos assumidos durante o
pleito em curso no âmbito do Ministério Público paraense. Aliás, na eleição
passada, um determinado candidato a procurador-geral de Justiça, chegou a
afirmar que se eleito, iria me expulsar do Parquet. Este cidadão foi o mesmo
que no ano de 2005 instaurou inquérito civil para apurar o caso Cerpasa,
envolvendo o governador do estado e outros poderosos em nosso estado. Passados
40 dias, ele se julgou suspeito, sem ter inquirido nenhum dos envolvidos, e
devolveu o feito ao procurador-geral de Justiça. Em seguida, ingressou com ação
penal privada contra a minha pessoa, alegando que eu havia afirmado que por
motivos escusos o Ministério Público, através de sua pessoa, não iria
investigar absolutamente nada sobre o caso Cerpasa. Na verdade, eu nunca fiz
tais afirmações e, portanto, elas nunca foram, e nem poderiam ser provadas;
entretanto, acabei sendo condenado em um processo cujo o relator foi o
desembargador João Maroja, colocado no Tribunal de Justiça do Pará justamente
pelo grupo político envolvido no caso Cerpasa. Passados alguns dias, a pedido do
Ministério Público Federal, o desembargador chegou a ser afastado de suas
funções pelo CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, sob a gravíssima acusação de
envolvimento em atos de corrupção. Decorridos mais de uma década, o que eu
nunca afirmei era a mais pura verdade, pois o procedimento sobre o caso Cerpasa
nunca se livrou do embargo de gaveta e todos os envolvidos ficaram impunes.
Suas
propostas de gestão são extremamente ousadas, porque na contramão dos
interesses dos poderosos de plantão e do próprio corporativismo que blinda os
suspeitos em malfeitos verificados no Ministério Público. Como pensa em
implementá-las, diante de um colégio de procuradores flagrantemente
comprometido, em sua maioria, com as distorções que o senhor denuncia, e um
Conselho Nacional do Ministério Público de postura acintosamente corporativa,
como evidenciou o episódio do probo promotor de Justiça Alexandre Couto?
Minhas propostas são francas, sérias e
atendem os anseios da sociedade paraense, a qual é a mantenedora da instituição
ministerial. Na verdade, nada mais são do que uma adequação aos princípios
norteados da administração pública inscritos no artigo 37 da Constituição da
República.
Figuram
dentre suas propostas de gestão subscrever a ação civil pública, por
improbidade administrativa, nas quais são réus, dentre outros, o governador
Simão Jatene e seu filho, Beto Jatene, o que o atual procurador-geral de
Justiça não o fez; apurar o embargo de gaveta dado ao inquérito civil que
deveria ter apurado o escândalo da Cerpasa, em cuja epicentro figura o
governador Simão Jatene; e acompanhar a tramitação da ação de cobrança ajuizada
há quase uma década sobre o imbróglio do Banpará, envolvendo o senador Jader
Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará. O senhor, caso eleito, está preparado,
terá coragem moral para expor publicamente a omissão dolosa, no limite da
conivência, que hoje corrói a credibilidade do Ministério Público, inclusive
pelos riscos da instituição se ver compelida a cortar a própria carne?
Reafirmo integralmente o teor de minha
proposta de campanha. O Ministério Público é, ou deveria ser,
constitucionalmente, o fiscal da lei e defensor dos interesses sociais. Seus
membros gozam de inamovibilidade e vitaliciedade. Portanto, não consigo
entender ou compreender, qual a dificuldade existente no âmbito do Ministério
Público Estadual, para investigar e aforar as respectivas ações em face a
classe política e abastados de nosso estado. Para mim é simples: é só cumprir a
lei sob a ótica do princípio constitucional da igualdade/ isonomia.
Na
sua avaliação, quais as prioridades capazes de fazer o Ministério Público
Estadual resgatar, em toda a sua plenitude, a missão constitucional de fiscal
da lei, sem o caráter seletivo que pavimenta a impunidade dos eventuais
inquilinos do poder e seus prepostos?
É extremamente simples: não ter apego ao
poder, não transformar a instituição em moeda de troca e ter independência e
coragem para contrariar os interesses dos senhores feudais!
MPE – Fim de caso?
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Gil Henrique Mendonça Farias, o namorado de Mariana Silva Neves,... |
![]() |
...a filha de Marcos Antônio Neves, exonerado a pedido, oficialmente. |
Assessor da Procuradoria-Geral de Justiça, Gil
Henrique Mendonça Farias foi exonerado, formalmente, a pedido, pelo
procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves, também
conhecido como Napoleão de Hospício, por
seu mandonismo e parcos pudores éticos. Órfão de predicados
intelectuais para o exercício do cargo, Gil Henrique Mendonça Farias - por duas vezes reprovado em concursos públicos
para o Ministério Público Estadual -, exibia como principal cacife ser namorado
da filha de Neves, Mariana Silva Neves, devidamente abrigada em uma sinecura no
TCE, o Tribunal de Contas do Estado do Pará, após perambular pela Prefeitura de
Ananindeua, depois da eleição do prefeito tucano Manoel Pioneiro, em 2012.
Empossado a 9 de maio
último, exatos 15 dias depois de aboletar-se formalmente no cargo Neves nomeou
Gil Henrique Mendonça Farias, em 24 de maio, assessor de procurador-geral de
Justiça, embolsando uma remuneração mensal de pelo menos R$ 16 mil, na época. A
inesperada exoneração suscitou especulações sobre o eventual término do namoro
de Gil Henrique Mendonça Farias com Mariana
Silva Neves, embora não faltem apostas de que o jovem mancebo possa ter
garantido uma nova e mais aprazível sinecura.
sexta-feira, 3 de março de 2017
SINTEPP – Justiça do Trabalho condena sindicato a pagar direitos sonegados a funcionário demitido
![]() |
Mateus Ferreira: relato que confirma o desrespeito aos... |
![]() |
...direitos de Rui Silva dos Santos, demitido sem justa causa. |
Seria cômico, não fosse patético. Com um total estimado de cerca de 22 mil
associados e uma receita anual calculada em R$ 12 milhões, o Sintepp, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do
Estado do Pará, acaba de amargar uma condenação na Justiça do Trabalho, por
sonegar direitos a um ex-funcionário, demitido sem justa causa. A situação soa
tanto mais irônica, porque a diretoria do Sintepp, de notórios vínculos com o
PSol, notabilizou-se por um discurso de intransigente defesa não só dos
direitos da categoria que representa, mas também dos trabalhadores em geral.
Em sentença de 15 de fevereiro deste ano, a
juíza do trabalho titular Wanilza de Souza Malcher deu ganho de causa a Rui
Silva dos Santos, no contencioso travado com a diretoria do Sintepp,
representada por Mateus Ferreira, um dos coordenadores gerais do sindicato.
Demitido sem justa causa, Rui Silva dos Santos obteve o pagamento de diferença
salarial, por receber
salários
em valores inferiores ao que lhe era devido; de diferenças de horas extras 50%
e 100%, e de horas intrajornadas, nas quantidades postuladas na petição
inicial; e de adicional noturno. Ao Sintepp ainda cabe recurso.
Dentre outras aberrações verificadas pela
juíza Wanilza de Souza Malcher e confirmadas por Mateus Ferreira, um dos
coordenadores gerais do sindicato, inclui-se a constatação de que
as horas
extras efetivamente cumpridas por Rui Silva dos Santos, assim como de outros
funcionários do Sintepp, não eram todas registradas em cartões de
ponto, havendo anotações feitas em folha de presença que não foram anexadas aos
autos para análise da magistrada. A constatação levou a magistrada a fulminar:
“A omissão do reclamado em fazê-lo, somada à confissão do próprio preposto de
que o reclamante, assim como todos os funcionários, costumavam desenvolver
atividades externas, fora do horário normal de trabalho, levam-me a concluir
pela invalidação dos cartões de ponto anexados aos autos e pela procedência dos
pedidos de diferenças de horas extras 50% e 100%, e horas intrajornadas, nas
quantidades postuladas na petição inicial, com reflexos sobre aviso prévio
(trabalhado e indenizado), 13º salário, férias + 1/3 e FGTS + 40%.”
Nos bastidores, a demissão de Rui Silva dos Santos,
sem justa causa, é atribuída a uma retaliação da APS, Ação Popular Socialista, facção
interna do PSol que ´re hegemônica na direção do Sintepp, diante da eventual ameaça que o ex-funcionário do sindicato poderia representar, politicamente, às lideranças da tendência. Rui Silva dos
Santos milita no MLP, Movimento da Luta Popular, então uma tendência próxima do PSol, do qual se afastou na esteira da demissão do seu militante, sem justa causa, por entendê-la como uma retaliação política da APS.
SEDUC – Com rede estadual de ensino sucateada, governo Jatene banca mobiliário do Colégio Militar
![]() |
Jatene: mimo para o Colégio Militar, em detrimento das escolas estaduais. |
Apesar do sucateamento da rede estadual de
ensino, que relega ao mais ignominioso abandono até escolas destinada a
deficientes, como a Astrério de Campos (Leia aqui), o governo Simão Jatene
encontrou recursos para patrocinar um inexplicável mimo ao Colégio Militar de
Belém.
A
Seduc, a Secretaria de Estado de Educação, destinou exatos R$ 517.961,00 para a
compra de mobiliário para o Colégio Militar, desviados de recursos originalmente destinados às escolas da rede estadual de ensino.
O Colégio Militar de Belém, recorde-se,
funciona no belo prédio localizado na avenida Almirante Barroso, nº 4348, no bairro do Souza, em
frente ao quartel do 2º Batalhão de Infantaria de Selva, onde até passado
recente funcionou o Asilo D. Macedo Costa, do qual foram despejados os idosos,
para que nele fosse abrigada a Escola de Governo do Pará, agora localizada na
avenida Nazaré, no prédio do CIG, o Centro Integrado de Governo.
Postado por
Augusto Barata
às
00:01
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