domingo, 9 de abril de 2017

MPE – Com versão graciosa, Medrado tenta poupar Neves do ônus pela omissão na ação contra Jatene

Nelson Medrado:  versão graciosa, que tisna imagem de probidade,...
...ao tentar poupar Neves do ônus pela omissão na ação contra Jatene.

A desfaçatez levada ao paroxismo. Assim pode ser definida a graciosa versão oferecida pelo procurador de Justiça Nelson Medrado, chefe do Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa do MPE, o Ministério Público Estadual, na visível tentativa de poupar o procurador-geral de Justiça em fim de gestão, Marcos Antônio Ferreira das Neves, diante da sua escandalosa omissão no imbróglio da ação civil pública, por improbidade administrativa, enfim ajuizada contra o governador Simão Jatene (PSDB). A cinco dias do término de sua desastrosa gestão (Leia aqui) e em inocultável represália por Jatene não ter nomeado procurador-geral de Justiça o seu candidato, César Mattar, optando pelo promotor de Justiça Gilberto Valente (Leia aqui), Neves enfim autorizou o próprio Medrado e o promotor de Justiça Militar Armando Brasil a ajuizarem a ação contra o governador tucano. A ação por improbidade contra o governador ocorre no rastro da promiscua relação de Alberto Lima da Silva Jatene, o Beto Jatene, com o governo do pai, na esteira da qual parte da frota da Polícia Militar abasteceu em um posto de combustível do ilustre rebento, que entre 2012 e 2014 faturou, com a mamata, R$ 5 milhões, segundo apurou o MPE. Em um movimento temerário, anteriormente Medrado e Brasil haviam ajuizado a ação, sem delegação de poderes para tanto, como exige a Constituição Federal e a Lei Orgânica do Ministério Público, valendo-se de uma autorização para investigar – e não processar – o governador, fornecida pelo decano dos procuradores, Manoel Santino, em uma de suas interinidades como procurador-geral. Na época, convocado a se manifestar pela juíza Kátia Parente Sena, Neves manteve-se silente, o que levou a magistrada a excluir Jatene da ação, na qual são também réus a secretária estadual de Administração, Alice Viana Soares Monteiro, e o próprio Beto Jatene. No desdobramento do imbróglio, Jatene representou contra Medrado e Brasil, do que resultou um PAD, Processo Administrativo Disciplinar, instaurado contra ambos e que agora perde o objeto, depois da autorização de Neves, ao trocar de status de boy qualificado a desafeto rancoroso do governador, movendo-se não por apreço à moralidade pública, que sempre tratou com desdém, mas por vingança política e pessoal.
O mais recente capítulo desse imbróglio, que com ele assume os contornos de uma comédia de gosto duvidoso, foi a entrevista concedida à TV Liberal na sexta-feira, 7, por Nelson Medrado (Veja aqui), que nela tisnou irremediavelmente sua biografia, na esteira da qual havia fixado, para consumo externo, a imagem de xerife da moralidade pública e da ética. Na entrevista, ele candidamente declarou que o procurador-geral de Justiça em fim de gestão só agora autorizou a ação contra Jatene por supostamente entender que a autorização contida nos autos – para investigar e não processar o governador, repita-se – seria suficiente. A versão ofende a inteligência, agride o decoro e torna Medrado cúmplice da falta funcional de Neves, que deixou de cumprir um dever de ofício, que era se manifestar sobre a ação ajuizada, seja para autorizá-la, seja para negar a autorização. Neves, diga-se, teve pelo menos três oportunidades para tanto, mas optou por se manter silente. Primeiramente, quando foi convidado a se manifestar nos autos pela juíza Kátia Parente Sena, e não o fez. Depois, quando recebeu a representação do governador Simão Jatene contra Medrado e Brasil, e calado permaneceu. Finalmente, manteve-se calado, caladinho, quando foi instaurado o PAD contra Medrado e Brasil.

A autorização para que o MPE processe Jatene, por improbidade administrativa, só emerge no rastro da mais escancarada represália, depois que Neves amargou o vexame de ver frustrado o projeto de fazer seu sucessor e mantê-lo como títere, para perdurar reinando, como iminência parda. Um revés tanto mais amargo para quem notabilizou-se, no comando do MPE, pela subserviência ao Palácio dos Despachos. Ensandecido, mais do que nunca hoje ele encarna o personagem com o qual frequentemente se confunde, o Napoleão de Hospício, como ficou conhecido por seu mandonismo e ausência de pudores éticos. Medrado, por sua vez, manteve-se omisso, no limite da leniência, quando, até pelo status de procurador de Justiça, poderia ter recorrido à Corregeria, ou ao Colégio de Procuradores, ou até mesmo ao CNMP, o Conselho Nacional do Ministério Público, para forçar uma manifestação do procurador-geral de Justiça. A pretexto da amizade pessoal com Marcos Antônio Ferreira das Neves, optou por protagonizar a patética situação da vítima que é também cúmplice de inominável ignomínia. Nesse cenário, o promotor de Justiça Armando Brasil desponta como a vítima da omissão que ata Medrado a Neves.

6 comentários :

Anônimo disse...

Quem poupa os corruptos sacrifica os inocentes. Neste caso, você, eu e nós que somos a sociedade de bem que paga seus impostos em dia. Quando Medrado poupa o lobo do Neves não fazendo as devidas ressalvas ele sacrifica a justiça, moralidade e dignidade. Que deveria ser item inalienável da vontade de agir do procurador Medrado, porém mancha sua imagem poupando o corrupto contumaz do Neves. Deveria transformar o próprio Neves em réu também, pois sabe-se lá, senão está no esquema dos abastecimentos ilícitos nos postos de gasolina em que é proprietário. Sem perder de vista seus esquemas ilegais no MP.
O salário de um promotor e até procurador não os deixa rico, e sim, numa posição de vida confortável. Então, como Neves tem um patrimônio milionário? De onde fez brotar tanto dinheiro? Por que o Medrado não vê isso? Ele não tem lastro para ser milionário, no caso, o Neves.

Anônimo disse...

O pior tipo de injustiça é aquela inação proposital que ignora seletivamente, por afeto ou por dívidas pessoais, as ações improbas dos corruptos. Sim, estes homens que lutam uma vida toda para ter acesso ao poder e quando lá estão tomam para benefício próprio o que lhes foi confiado de boa fé pelo povo. Homens assim merecem duas vezes mais o inferno das condenações severas, porque da ganância deles saem a miséria humana, a violência, a ignorância do povo, as doenças da pobreza, o desamparo da justiça, enfim, a deterioração do tecido delicado da sociedade.
Temos um governo historicamente corrupto (nenhum governador passou pelo gargo sem fazer algum tipo de arranjo ilícito em favor de si ou do partido), agora "ganhamos" um Ministério Público debilitado pela mesma doença da corrupção. A sociedade perde o último panteão de proteção contra empresários e políticos bandidos que inquilinos do poder ferem de morte a máquina pública. Com contratos fraudulentos que drenam milhões e, até bilhões, de reais para satisfazer suas lascívias particulares. Assim foi Marcos Antônio das Neves com leniência do Nelson Medrado, este último, poderia ter utilizado o próprio GAECO para investigar o procurador geral de justiça. Mas, uma amizade sórdida o fez recuar.

Anônimo disse...

te precipistaste. Medrado nao mereceu

Anônimo disse...

Quando o assunto é corrupção e leniência com ela não existe precipitação. O único crime que teria cometido o jornalista poderia ter sido o de omissão que não é o caso. Portanto, prestou um serviço de utilidade pública aos paraenses.
Ou se é mocinho, ou vilão, não pode ser as duas coisas ao mesmo tempo e nem ser duro com uns (aos rigores da lei) e com outros ser passimonioso (com as regalias ilegais). "Dura lex sed lex" (A lei é dura mas é lei).

Anônimo disse...

Medrado=neves

Anônimo disse...

Em Bragança, Irmã(?) Esterlina, a mulher mais rica do município juntamente com seus familiares, Diretora do Hospital santo antonio há mais de 20 anos, é só felicidade, emplacou seu testa de ferro Dr. Mário Júnior como vice-prefeito com o Tucano Raimundão, ficando de presente com a secretaria de saúde, onde constam na folha de pagamento todos os seus parentes e funcionários. UMA VERDADEIRA ROUBALHEIRA. O TJ e MP fazem de conta que não sabem de nada.