quinta-feira, 6 de abril de 2017

MPE – Mal-estar no Colégio de Procuradores

Gilberto Valente: decoro diante da inominável hostilidade de Neves.

Certas atitudes ou desmentem biografias, ou dizem tudo sobre elas. Sob essa perspectiva, o procurador-geral de Justiça em fim de gestão, Marcos Antônio Ferreira das Neves, corroborou a imagem de Napoleão de Hospício, como é conhecido por seu desapreço à liturgia de cargo, ao provocar um mal-estar absolutamente desnecessário na mais recente reunião do Colégio de Procuradores, a concluir dos relatos de fontes do próprio do MPE. Segundo essas fontes, Neves usou a reunião para criticar acidamente o governador Simão Jatene, ao qual acusou de desrespeitar o Ministério Público, ao nomear o promotor de Justiça Gilberto Valente Martins como procurador-geral de Justiça, em detrimento do mais votado, César Mattar, um promotor de Justiça de perfil opaco, mas ao qual destinou uma copiosa torrente de elogios. Presente, na plateia, diante da explícita manifestação de hostilidade de Neves, Valente manteve o decoro que faltou ao procurador-geral em fim de gestão e, altivamente, optou por retirar-se.

O episódio ocorrido na reunião do Colégio de Procuradores foi mais um capítulo das mesquinhas retaliações de Neves. Represálias que ganharam realce nesta quarta-feira, 5, quando, contrariando postura que mantivera até ver frustrada a pretensão de fazer seu sucessor, autorizou o ajuizamento de ação civil pública, por improbidade administrativa, contra o governador Simão Jatene. Anteriormente, em um súbito surto de austeridade, como registrou a prestigiada coluna Repórter Diário, do jornal Diário do Pará, ele já autorizara o procurador de Justiça Nelson Medrado e a promotora de Justiça Juliana Dias Ferreira de Pinho a investigarem "possíveis irregularidades na concessão de benefícios e/ou concessões fiscais” concedidas pelo governo Simão Jatene. Recentemente, recorde-se, o procurador-geral de Justiça em fim de gestão não subscreveu uma ação civil pública, por improbidade administrativa, contra o governador Simão Jatene, a secretária estadual de Administração, Alice Viana Soares Monteiro, e o filho de Jatene, Alberto Lima da Silva Jatene, o Beto Jatene. Neves sequer delegou poderes para que o mesmo Medrado e o promotor de Justiça Armando Brasil pudessem ajuizar a ação. Em uma manobra temerária, Medrado e Brasil ajuizaram a ação, que não prosperou e resultou no PAD, o Processo Administrativo Disciplinar, instaurado contra ambos.

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